Poupar ou não poupar jogadores: crítica aos críticos

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Nas últimas semanas, o que mais se discutiu na imprensa, na chamada “falação esportiva” dos meios de comunicação, termo cunhado por Umberto Eco, foi uma dúvida quase que Shaksperiana sobre os times mistos e poupados das equipes que se dividem entre Libertadores ou Copa do Brasil junto ao Brasileirão: poupar ou não poupar? Eis a questão.

A seguir as frases de três semifinalistas da Copa do Brasil em momentos de justificativa ou explanação sobre o poupar jogadores no Brasileirão.

“O jogador muitas vezes quer entrar em campo, mas alguns deles mostraram, 48 horas depois da partida de quarta-feira, um desgaste de 300% acima do normal, e isso é lesão na certa”. (Mano Menezes antes do jogo contra o Inter)

“Acho que a medida foi certa. Perdemos o jogo, deu tudo errado, mas a medida foi certa” (Renê Simões antes de jogo contra Ponte Preta)

“Passa pela nossa cabeça (poupar jogadores) e, nesta quinta-feira, vamos fazer uma reunião para analisar a condição dos jogadores e decidir o que vamos fazer” (Tite antes do jogo contra o Palmeiras)

Seria muito oportunismo nosso lembrar que os três times pouparam seus atletas e alcançaram seus objetivos na Copa do Brasil, mas deixemos isso para o papo de bar, templo sagrado das discussões de torcedores e polêmicas do futebol.

Há quem diga que o Inter fez melhor, pois mesclou mais, outros que defendem todos e outros que criticam. Ah! Mas pergunto ao amigo leitor se (ainda que o termo “se” não nos dê a devida credibilidade) o Inter não estivesse com três vitórias em três jogos, os que elogiam suas ações permaneceriam assim? Ou ainda, se o Corinthians tivesse tropeçado no Barueri, quais seriam as repercussões?

Enfim, por isso, o futebol é polêmico. Mas com esses exemplos pretendo refletir sobre muitos jornalistas que assumem posições, tomando posse de uma informação (que incessantemente é transformada em verdade) sem ser no mínimo construtiva e até com total ausência de conhecimento de fatos inerentes ao objeto que explica.

Estudar as funções e analisar a imprensa não é minha especialidade, para tanto, convido-os a observar importantes textos do nosso colega Erich Betting sobre o tema, muito mais enriquecedor que minhas simples observações, que nada mais são do que os meus olhares, olhares de um leigo em jornalismo esportivo, mas que cobra das pessoas envolvidas com o futebol um profissionalismo pautado por processos e recursos coerentes, pilares da tecnologia e da ciência do esporte, as quais busco na minha atuação.

Para ser breve nessa complexa relação, me apego na frase dita por Mano Menezes referindo-se a 300% de desgaste acima do normal de seus atletas.

Busquei as fontes para colocar para os colegas, mas, infelizmente, não consegui achá-las para reproduzi-las aqui, porém, são baseadas em reportagens e comentários exibidos no programa Redação Sportv, e no programa Bate Bola da ESPN Brasil. Lembro que não faço aqui uma crítica a ambos veículos, importantes difusores da informação esportiva no Brasil, mas represento o que é possível encontrar também em jornais impressos, radio e na internet. Informações e criticas muitas vezes sem um fundamento sólido, o qual julgo primordial para a qualidade e fidedignidade da informação.

Mas, de forma geral, as criticas que o treinador recebeu ironizavam com o seguinte argumento: “Como pode alguém chegar a 300% de desgaste, oras, se chegou a 100% já esta completamente desgastado!”. Criticas similares sofridas por Tite pela imprensa local, antes dos jogos, sob o seguinte argumento. “Se o fisiologista é tão importante ele é que deveria ser o técnico e não o Tite”, tendo após a consolidação das três vitorias no Brasileirão mais a classificação na Copa do Brasil, o comentário: “Tite está sabendo mesclar muito bem o elenco que tem na mão”.

Voltando para os 300% de Mano Menezes sabemos que existem diversas formas de avaliar o desgaste de um jogador, uma bem desenvolvida hoje é o mapeamento de marcadores bioquímicos que indicam desgaste, e para aquele que julga demagogia falar em 300%, simulemos tal conta:

Jogador Fulano tem índice de desgaste de 50 micro-unidades de determinada substância, se ao fazer a mensuração o índice for 150, ele alcança um índice de 300%, mas deixamos isso com os especialistas, assim como tão bem fizeram esses técnicos.

Isso, pessoal, pode fugir um pouco dos temas que abordamos aqui na coluna, e se pararmos para pensar, talvez, fosse desnecessário dar ênfase a ele. Mas confesso que é um ponto que incomoda, porque defendemos tanto a ciência, a tecnologia, a tal interdisciplinaridade no futebol e, quando nos deparamos com alguns treinadores utilizando de algumas estratégias científicas, e, sobretudo, de planejamento, de coerência interdisciplinar, acabamos por ver uma avalanche de criticas e descrédito. E podem apostar, muitos estão à espera das derrotas e sequências negativas dos times mistos ou da desclassificação nos campeonatos priorizados para por as “garras de fora”. É esperar para ver…

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