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O futebol brasileiro, em 2010, está mais rico do que provavelmente já esteve em toda a sua história. Contratos melhores de patrocínio, aumento do interesse das empresas em investir no futebol e uma melhor noção por parte dos clubes de que eles são marcas valiosas contribuem para esse cenário de aparente crescimento na geração de receitas.

Só que, neste mesmo ano de 2010, os clubes brasileiros estão sendo tão irresponsáveis em sua gestão quanto há muito tempo não se via. Pode ser que seja por ter mais dinheiro em caixa, investir mais e, por conta disso, aumentar a exigência pelo resultado. É apenas uma teoria, mas que infelizmente mostra cada vez mais seu lado cruel de ter mais dinheiro só que não ter conhecimento suficiente para como gerenciá-lo.

Neste Campeonato Brasileiro, apenas Fluminense, Botafogo e Guarani não trocaram de treinador, enquanto o Corinthians foi forçado a procurar um novo técnico com a ida de Mano Menezes para a seleção brasileira. Além do Timão, o Santos pode ser colocado como outro ponto fora da curva com a polêmica Dorival Jr.

Mas o fato é que há uma pressão enorme hoje para que o clube mostre resultados imediatos dentro de campo. E um dos motivos é o investimento cada vez maior em equipes caras, que custam alguns milhões por mês para o clube. Dinheiro que existe e pode ser gasto, é verdade, mas que mostra aos poucos ser um produto que pode entrar em escassez novamente.

No início da década de 2000, os times do Brasil tiveram de aprender, na marra, a reduzir os seus custos num período em que o dinheiro rareou. Agora, alguns clubes começam a ter mais dinheiro para gastar, e geram um descontrole em outros num estágio não tão avançado financeiramente.

O maior problema de ter mais dinheiro circulando no futebol é não termos gestores preparados para momentos de abundância financeira. Em vez de segurar a onda de gastos e se preocupar em investir em outras áreas além do time de futebol (infraestrutura é uma delas, por exemplo), os clubes injetam tudo o que têm (e, com isso, também o que ainda não têm) na contratação de jogadores capazes de resolver os problemas.

O reflexo mais imediato disso é esse vai-e-vém de treinadores. No longo prazo, o buraco é mais profundo, podendo gerar um sério problema administrativo no clube, com tantas contas a pagar de pessoas que já não estão mais trabalhando para ele.

Claramente, a pessoa que trabalha na gestão dos clubes, tal qual um jovem que acaba de ficar milionário, ainda não está preparada para trabalhar com tanto dinheiro assim.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br 

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