Brasileiros e o profissionalismo

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Muricy Ramalho, técnico do Fluminense, no último fim de semana (26-set), suscitou uma polêmica que se transformou em uma grande discussão nos principais meios de comunicação do país: trata-se da diferença de comportamento de jogadores brasileiros em comparação aos argentinos, entoando um coro em favor do profissionalismo apresentado pelos “hermanos” à equipe que representam.

Tomo por base uma reportagem de capa do jornal esportivo espanhol “Marca”, do dia 17 de janeiro de 2007, cujo título era o seguinte: “El ‘Real Brasil’ deja paso al ‘Madrid de los pibes’: menos samba y más ‘trabajar'”. Pelo título da reportagem não é preciso mais delongas, contando a trajetória da época do Real Madrid que se transformou completamente com a saída de jogadores brasileiros da era Luxemburgo para a chegada de atletas argentinos com Fábio Capello.

O texto constata, em suas últimas linhas, que os argentinos proporcionaram claramente um futebol comprometido, prático, solidário e tático e compara o perfil de ambos da seguinte maneira:

, Universidade do Futebol

É possível ver que esse debate trazido pelo Muricy não é de hoje, defendendo que o resultado do sucesso de Conca no Brasil está diretamente relacionado com o seu comprometimento ao treinamento.

Na Europa, os clubes já se auto questionavam há algum tempo sobre esse tema, o que talvez explique superficialmente que, mesmo havendo inúmeros clubes dedicados à exportação de craques para o futebol internacional aqui no Brasil, a Argentina, com uma população cinco vezes inferior, conseguiu superar nosso país em número de transferências internacionais no ano de 2009, de acordo com pesquisa divulgada no Estadão em 17 de setembro – foram 1.716 argentinos para o exterior ante 1.443 brasileiros.

É bem verdade que a mesma reportagem discute o fato de os atletas do país vizinho têm saído cada vez mais cedo para o exterior face às enormes dívidas acumuladas pelos clubes, causando um enfraquecimento de seus campeonatos, fato que o Brasil tem conseguido superar ano após ano.

Mas essa declaração do Muricy pode ser analisada com maior profundidade por sociólogos, se pretendêssemos chegar a uma explicação mais precisa a partir de uma informação empírica. Arrisco-me uma a divagação por números clássicos sobre economia e desenvolvimento humano:

, Universidade do Futebol
* De acordo com o Fundo Monetário Internacional
** índice de Desenvolvimento Humano – de acordo com a ONU

 

Essa disparidade entre o Brasil econômico e o Brasil social já foi tratada em muitas situações e reflete bem a negligência sobre a educação e a saúde em nosso país. Talvez isso explique um pouco o comportamento de muitos astros do futebol nacional que, mesmo ganhando mais em comparação com os argentinos, não são devidamente preparados pelos clubes e pela sociedade como um todo para serem as estrelas que são.

A educação é elemento-chave na gestão de carreira de jogadores, apesar de ser deixada como segundo plano em muitos programas de formação de atletas. O valor desse tipo de discussão serve para gerar novas reflexões e uma postura de mudança partindo dos clubes para oferecer melhores cidadãos para o mundo, profissionais mais dedicados e empenhados às suas funções, ou seja, “atletas profissionais” de fato, pela acepção da palavra. Pelo menos é isso que esperamos.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br  

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