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Na sua coluna dessa semana na Folha de São Paulo, Tostão destacou a importância que tem o gramado no futebol. O gramado é, sem qualquer dúvida, muito importante na qualidade do futebol jogado. Não é preciso ser um ex jogador de tamanha importância como o Tostão pra saber disso. Mas é impressionante como os gramados de alguns estádios no Brasil são mal cuidados.

Estamos passando por uma onda de projetos de novos estádios no Brasil. Planos pra aqui, plano pra lá e planos pra acolá. A moda agora é construir estádios. Novinhos em folha. Tinindo. Mesmo que sua cidade não tenha clube profissional. O esquema é construir. E isso é muito bom pra indústria. Desde que, é claro, os projetos estejam sendo de fato sendo feitos com um mínimo de planejamento. Afinal, construir um estádio é uma coisa. Mantê-lo é algo completamente diferente.

E a ciência do gramado é basicamente essa. Não adianta apenas plantar, tem que manter e, eventualmente, trocar. E se não fizer isso, aos poucos a coisa vai se deteriorando, como fica claro no exemplo do Engenhão, um projeto muito bacana, novinho em folha, e com um gramado deplorável. Antes de fechar para reformas, o Maracanã estava igualzinho, tal quais tantos outros estádios ao redor do país. Sinal evidente da falta de planejamento de manutenção do campo.

Manter um gramado, porém, não é barato. Custa bastante. Muitas vezes é preciso manter uma equipe de profissionais dedicada exclusivamente a isso. E justamente por custar um certo dinheiro é que os clubes tendem a não se preocupar muito em manter um padrão elevado de qualidade. Isso porque ao destinar verba para isso, você necessita diminuir verbas para salários. Vinte mil reais para cuidar do gramado representa um jogador com salário de vinte mil reais a menos no time, o que, para boa parte dos clubes brasileiros, é um jogador de média qualidade, para compor o elenco, mas que pode ser muito importante em caso de lesões e suspensões.

A solução, mais uma vez, passa por quem administra o campeonato. Não dá para esperar que os clubes sozinhos irão cuidar por conta própria dos seus gramados. Como não existe requisito mínimo de qualidade do campo para a disputa de uma partida, nem todos os clubes gastam dinheiro com manutenção do gramado, o que deixa o clube que se preocupa com isso em desvantagem competitiva por ter uma verba reduzida para o pagamento de atletas. A única solução é estabelecer um piso orçamentário obrigatório para a manutenção e um padrão mínimo de qualidade do gramado, sob pena de perda de mando de campo, multa ou perda de pontos. Assim, os clubes são obrigados a se preocupar em deixar os campos menos esburacados. Com menos buracos, além de diminuir riscos de lesões, jogadores conseguem também elevar o seu próprio nível de precisão, contribuindo com a melhoria estética do jogo e diminuindo a incidência de acasos não relacionados aos times na construção do resultado final de uma partida (vulgarmente conhecido como morrinho-artilheiro).

A ideia sempre defendida e bastante disseminada de que a capacidade de improvisação do futebol brasileiro é proveniente dos campos esburacados em que as crianças aprendem a jogar bola é até um pouco lógica. Ela só não precisa ser estendida para os gramados do futebol profissional. 

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br  

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