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Meus cabelos não são brancos o suficiente que me permitam falar com a sabedoria e fazer uma análise crítica sobre um certo jogador francês que encantou o mundo. Mas também não são tão jovens e abundantes capazes de afirmar que esse jogador é Zidane, que foi um dos gênios do futebol, sem dúvidas. Mas me refiro à graça e técnica de Michel Platini.

Numa idade de vislumbramento, de novidades e descoberta do mundo, ainda criança, tive o privilégio de guardar em minhas memórias alguns lances maravilhosos deste jogador (embora seja uma heresia considerá-lo igual aos outros), afinal Platini deveria estar numa categoria à parte de atletas, mas por falta de outro termo vamos chamá-lo de jogador mesmo.

Não sei por que, mas dentre tantas jogadas geniais e gols maravilhosos gravei em minha memória o gol do melhor jogador do time branco (assim eu me recordo do jogo em questão) contra o tradicionalíssimo time azul na Copa de 1986. O jogo em questão era válido pelas oitavas de finais da Copa, entre Itália x França, que depois seria o adversário e algoz do Brasil nas quartas de finais.

Lembro-me de ficar tentando reproduzir a sutileza e elegância do toque na bola capaz de desacelerar a rápida saída do goleiro e fazer com que a bola entrasse de forma simples no gol. Como disse, não sei por que, mas essa é uma das recordações que tenho de Michel Platini.

Por sorte e para reviver minhas emoções, consegui achar o gol graças às tecnologias de hoje. Eis o gol ao qual me refiro, talvez nada muito complexo perto do que o próprio Platini já havia feito, mas talvez tenha me marcado pela dificuldade que encontrei em fazer igual, na ingênua esperança de que nossas habilidades fossem iguais.

Pois bem, o tempo passa e hoje estou aqui, escrevendo e refletindo semanalmente com você meu amigo leitor, e o ídolo Platini lá como dirigente da Uefa.

E eis que nossos caminhos se cruzam novamente, mas agora acerca da discussão do uso da tecnologia no futebol. Já tratamos em outros textos algumas opiniões do Platini a respeito. O tema é recorrente, minha posição a respeito, o amigo leitor já conhece. Espaço para todos os lados opinarem já utilizamos, porém não me canso de me surpreender com os argumentos de dirigentes a cerca do uso da tecnologia.

E para minha tristeza é como se Michel Platini ao dizer:

“As câmeras podem ver tudo, mas o árbitro tem apenas um par de olhos”.

E argumentar como defesa que é injusto, pois a câmera vê mais que o árbitro e por isso não pode ser considerada:

“Um juiz não é suficiente, não na era moderna quando você tem 20 câmeras acompanhando o jogo. É injusto, as câmeras podem ver tudo, mas o árbitro tem apenas um par de olhos. Toda vez que um erro é cometido, as câmeras estão lá para mostrar. O artifício pode tornar o jogo um futebol de Playstation”.

É como se eu tivesse descoberto que no momento do gol, do toque genial ele fosse capaz de deixar a bola escapar, e mais, retomá-la aos seus pés, mudar a direção, e percorrer todo o campo para, frente a frente com o goleiro de sua própria equipe, dar um toque idêntico por cima dele e fazer o gol, um gol contra, que embora seja do mesmo ídolo e com o mesmo gesto, provoca agora uma outra sensação, que não a de admiração…

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

* http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2010/10/platini-ratifica-oposicao-tecnologia-e-teme-que-futebol-vire-video-game.html

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