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A novela Vale Tudo, da Rede Globo, marcou época na vida do povo brasileiro.

Foi ao ar em 1988, período que antecedeu as primeiras eleições diretas para Presidente da República, depois de longos anos de chumbo na Ditadura Militar.

O país ainda aprendia a lidar com esta liberdade recente. Não só o povo, como também os políticos, que não mais iam ser escolhidos por um colegiado de seus pares, mas enfrentariam a sentença das urnas.

Muitos temas de importante relevância social foram abordados nas micro-histórias dos personagens: corrupção; crime de colarinho-branco, ambição das pessoas para ascender na vida em detrimento da vida dos outros, sexualidade e homossexualismo, “jeitinho” brasileiro, desemprego, hiperinflação.

Com o perdão do trocadilho, vale a pena ver de novo a novela, agora no Canal Viva, desde o começo de outubro em reprise. Para mim, tem sido excelente como aula de história de quem somos os brasileiros.

Passados 22 anos, o filme Tropa de Elite 2 expõe, criticamente, as entranhas do sistema e do jogo de poder que figura por trás da criminalidade endêmica – muito bem organizada, diga-se – no Rio de Janeiro, mas que, em certas nuances, replica-se pelo Brasil.

O protagonista, Capitão Nascimento, foi promovido à cúpula administrativa da Secretaria de Segurança Pública. Acreditava que seria mais fácil combater o crime. O problema é que ele percebeu que ele estava exatamente no coração do sistema criminoso, onde todas as relações eram perigosas e todos atuavam num script de corrupção magistralmente desenhado.

A certa altura, o personagem ressalta que a coisa mais valiosa que os corruptos do “sistema” podem desejar das pessoas de uma “comunidade” é o voto.

Mais recentemente, a Fifa sofreu com denúncias de que países-candidatos a sede das Copas de 2018 e 2022 estariam negociando compra e venda de votos, em que figuravam no processo o presidente da Confederação Asiática e o Presidente da Federação Nigeriana de Futebol.

Vivemos num sistema social onde impera a democracia. Entretanto, não se pode esquecer que o sistema também pressupõe a existência de forças antagônicas, complementares e nem sempre equilibradas, cujo fiel da balança pode ser o voto – não só votar como ser votado.

Isso serve para chamar à consciência todos nós a importância das eleições. Não de forma isolada devemos participar, mas entendendo a complexa rede social em que vivemos.

Se servia às vésperas das eleições de 1989, deve servir para 2010. Eleições em que os candidatos usaram de todas as artimanhas para desqualificar o processo, presumindo que o povo é um bando de idiotas desinteressados e desimportantes.

No Brasil, no clube de futebol da esquina, no condomínio ou na sede da Fifa.

E a genial letra da música “Brasil”, cantada por Gal Costa, ecoa ao longo destes anos todos e nos faz perguntar se há algo de novo no Brasil, sede da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016:

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer “sim, sim”
Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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