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Olá amigos! Esta é minha segunda coluna aqui na Universidade do Futebol. Além de temas relacionados a aspectos extra campo, tentando sempre partilhar e abordar uma visão sistêmica, quero discutir com vocês temas relacionados à pedagogia e ao treinamento. Parafraseando Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento”, logo, abramos nossas mentes e vamos trocar algumas ideias.
Primeiramente, o título desta coluna não foi criado por mim. Foi inspirado numa frase dita pelo especialista em pedagogia do futsal, prof. Dr. Wilton Carlos Santana. Ele comentava sobre o livro “A perfeição não existe” (Tostão, 2012), que num trecho do livro diz: “A repetição aprimora o conhecimento, mas, quando excessiva, limita a criatividade”.
Encerrei minha primeira coluna questionando justamente a rivalidade de competências (treinador acadêmico ou ex-atleta, líder técnico ou gestor de grupo, formar jogadores ou vencer na base, teoria ou prática, analítico ou sistêmico). Não me parece muito vantajosa essa rivalidade. Há que se investigar e conhecer todas as práticas, construindo a partir delas novos conhecimentos.
O treino analítico, sabemos, fornece um alto índice de repetições, que, segundo a afirmação acima, aprimora o conhecimento (sobre aquilo que se repete). Mas ele também tem seus aspectos questionáveis, tais como o desafio que se proporciona, a relação com a imprevisibilidade do jogo, a limitação à criatividade, entre outros. Já o treino pautado no jogo tem suas vantagens, porém pode, muitas vezes (se não devidamente controlado e avaliado), não proporcionar ao atleta um número satisfatório de “repetições” da situação para que se alcance um bom rendimento.
O treino precisa ser desafiador! E precisa mergulhar o atleta no estado de jogo. Pois se treina para o jogo. Então como proporcionar aos atletas um ambiente desafiador, relacionado com o jogo (e suas nuances, tais como a imprevisibilidade e criatividade) e que promova um alto índice de “repetições” de uma maneira, digamos, rica?
Aí é que entra essa pequena afirmação do título: Repetir, sem repetir. Não houve e não haverá um jogo de futebol igual a outro. Os jogadores sempre serão expostos a novos problemas, e terão que, a partir de suas experiências e competências, resolvê-los da maneira mais eficaz possível. Logo, o treino deve proporcionar um ambiente rico e desafiador, relacionado com a imprevisibilidade do jogo, e conseguir fornecer repetições dos problemas que se busca solucionar naquela sessão, sendo estas repetições diferentes umas das outras.
Bom, aí você deve estar se perguntando “como” criar um ambiente rico e desafiador, relacionado com a imprevisibilidade do jogo, e com um alto número de repetições dos problemas que se busca solucionar naquela sessão, certo? As possibilidades são inúmeras, e devem convergir com o planejamento macro do seu sistema. Irei aqui dar dois exemplos de treinos que foram ministrados a uma categoria sub-15 em duas sessões de treino diferentes, dentro do planejamento da categoria. Considerem, neste momento, o registro das finalizações.
Os dados foram recortados de minha planilha pessoal. No cabeçalho estão descritos os objetivos da sessão. Logo em seguida os detalhes da atividade, dentro da linguagem utilizada dentro do clube e da comissão técnica. Há um campo com o desenho e ao lado uma tabela (com os nomes dos atletas preservados por uma faixa cinza) para registro do aproveitamento de vitórias/empates/derrotas (explicarei isso numa coluna posteriormente). Ao lado esquerdo embaixo ficam registrados os conceitos principais a serem discutidos naquela sessão e mais abaixo o controle/avaliação da atividade. Ambos os exemplos foram atividades que tiveram duração total (atividade, pausas, abordagens) de aproximadamente 50 minutos.
Exemplo 1:
Exemplo 1
Exemplo 2:
Exemplo 2
Para efeito de comparação, usaremos jogos de alto nível: a Copa do Mundo de Futebol. De acordo com as estatísticas publicadas no site oficial da FIFA referentes à Copa do Mundo 2014, foram pouco mais de 26 finalizações por jogo (densidade = 0,29 por minuto), em média.
No nosso primeiro exemplo de treino houve 207 finalizações (24,26% de gols) em 50 minutos (densidade = 4,14 por minuto, ou seja, mais de 14x a densidade de um jogo formal). Em números absolutos tivemos entre 7 e 8 vezes o número de finalizações de um jogo formal.
No segundo exemplo houve 84 finalizações (26% de gols) em 50 minutos (densidade = 1,68 por minuto, ou seja, quase 6x a densidade de um jogo formal). Em números absolutos tivemos cerca de 3 vezes o número de finalizações de um jogo formal.
Ambas as situações foram conduzidas em formato de jogo, com outros conceitos coletivos, criados com a equipe anteriormente, sendo discutidos. E ambas proporcionaram um ambiente imprevisível, rico e com alto número de finalizações, afirmando a ideia de “repetir, sem repetir”. Dentro de cada atividade foi possível discutir, além de outros aspectos relacionados aos objetivos da sessão, os principais conceitos de melhora na conclusão a gol. Lembrando que num jogo participa da finalização não somente aquele que faz o arremate, mas toda a estrutura do sistema para criação de espaços, atração de marcadores, passe decisivo, coberturas ofensivas, etc.
Estes foram exemplos de como um treino pode ser imprevisível, rico e desafiador, relacionado com o planejamento e o jogo, e proporcionar uma grande densidade a fim de gerar repetições diferentes de um determinante componente do jogo: a finalização a gol.
E você, leitor, o que acha deste tema? Escreva para rafael@universidadedofutebol.com.br e vamos debater!
Um grande abraço e até a próxima!

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