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O Brasil vive atualmente um dos momentos políticos mais conturbados de sua história. O governo federal está fragilizado por um jogo que aceitou jogar durante anos, e as concessões que a oposição tem admitido mostram o quanto o compromisso com o poder é maior do que qualquer projeto de futuro para o país. O cenário tem servido como mote para que sejam despejados preconceitos que estavam engasgados durante a última década, e a repercussão de tudo isso ainda é extremamente difícil de ser medida. E não houve um time de futebol sequer do país que tenha se manifestado sobre tudo isso – a exceção foi o Corinthians, que fez um post extremamente infeliz em redes sociais sobre a coincidência de datas entre o protesto “contra a corrupção” e o embate contra o Botafogo-SP (a ideia da mensagem era relacionar a luta pela democracia e os dois times defendidos por Sócrates, um dos líderes da “democracia corintiana”, mas a repercussão negativa levou a equipe a apagar a postagem logo depois).
A Fifa vive atualmente um dos momentos políticos mais conturbados de sua história. Uma investigação liderada pelo FBI relacionou dirigentes da entidade a uma série de malfeitos e derrubou a cúpula liderada pelo suíço Joseph Blatter, que havia sido reeleito. Ele e nomes como Jérôme Valcke, que até outro dia estavam entre os mais poderosos do esporte mundial, hoje estão exilados do futebol e tentam escapar da cadeia. Outros, como o brasileiro José Maria Marin, já foram condenados. E não houve um time de futebol sequer do Brasil que tenha se manifestado sobre tudo isso.
A CBF vive atualmente um dos momentos políticos mais conturbados de sua história. José Maria Marin, ex-presidente da entidade, foi preso na Suíça e hoje vive regime domiciliar nos Estados Unidos. Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, outros que passaram pelo comando da instituição, também foram citados na investigação do FBI e só não estão atrás das grades porque escondidos no Brasil. E não houve um time de futebol sequer do país que tenha se manifestado sobre isso.
Pior ainda, no caso da CBF: os times brasileiros elegeram o coronel Nunes, vice-presidente defendido por Del Nero apenas por ser o mais velho, que se valeu dessa prerrogativa para ocupar o comando da entidade quando o presidente se afastou para se defender. Não houve quem votasse contra ou defendesse qualquer projeto diferente do nome apresentado pela situação.
Corinthians e Palmeiras jogaram no Pacaembu no último domingo (03) como se fosse um dia qualquer, ainda que torcedores organizados das duas equipes tenham entrado em conflito em diferentes partes da cidade horas antes da partida e que um senhor que não tinha qualquer relação com o duelo tenha sido assassinado por uma bala perdida. E não houve um time de futebol sequer no Brasil que tenha se manifestado sobre isso.
Já passou da hora de os times brasileiros entenderem que são partes de um todo. Já passou da hora de admitirem que não podem ver o mundo passar como se o futebol fosse um universo à parte e não tivesse qualquer relação com o que acontece em outros segmentos da sociedade.
Nenhum time precisa marcar posição ou tem obrigação de participar de todas as discussões. No entanto, é importante que as instituições entendam o peso que elas têm para a sociedade e o quanto podem contribuir para um debate saudável.
O silêncio às vezes incomoda muito. É o caso do que aconteceu sobre as brigas de torcida. Corinthians e Palmeiras podem dizer que são grupos que não mantêm relações com os clubes, mas isso é apenas fugir do debate.
A verdade é que torcidas organizadas usam símbolos dos clubes e fazem dinheiro com isso, mas não pagam qualquer valor pelo direito dessas imagens. Ainda que a relação fosse lícita e que não incluísse subserviência ou benesses como ingressos ou ônibus, essa cessão de imagem configuraria financiamento.
Portanto, mesmo se a relação não envolver dinheiro, clubes sustentam torcidas organizadas. E independentemente disso, se eles não se preocupam com quem usa a imagem ou o distintivo da equipe para matar outra pessoa, com o que eles se preocupam? Que tipo de abalo institucional isso pode causar?
Ficar em silêncio é fácil. É simples fazer o jogo do covarde, votando no coletivo para evitar conflitos políticos com a CBF ou silenciando sobre a política do futebol ou do país. Difícil é entender sua essência, participar do debate e mostrar a cara. É disso que o futebol brasileiro precisa, afinal.

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