Confronto 1×1: um olhar para o alto rendimento e o treino

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Olá, amigos!
A discussão nesta coluna é sobre um aspecto considerado um dos menores (porém não menos significantes) subprincípios do jogo: o confronto 1×1. Em tempos de evolução metodológica e tática, análise de equipes por meio de ferramentas tecnológicas modernas, encontramos uma imensa gama de debates sobre estratégias de jogo, linhas de marcação, princípios táticos, comportamentos coletivos, que contribuem para o desenvolvimento da modalidade. Mas o objetivo aqui é discutir um pouco mais das ações de enfrentamento entre um jogador com bola e seu marcador direto, especificamente, dando ênfase ao portador da bola.
Peço que observem os vídeos a seguir. Eles contêm lances de confronto 1×1 proporcionados recentemente por grandes jogadores do cenário mundial: Lionel Messi (BAR), Douglas Costa (BAY), Neymar (BAR) e Cristiano Ronaldo (MAD). Antes de seguir adiante, apreciem os lances e façam suas próprias análises sem serem influenciados por este texto. Cada vídeo tem de 2 a 3 minutos (assista-os completamente ou alguns momentos, como preferir).





Agora atente para a quantidade e variedade de situações de enfrentamento que apareceram nos vídeos. Eles foram recortados de jogos recentes destes atletas, e observados em situações distintas – drible com poucos toques, confronto com cobertura próxima ou distante, atacante distante ou próximo ao alvo, drible em velocidade, drible para a frente, drible para trás, busca por companheiro para passar a bola, decisões que deram certo ou não, entre outras.
A partir de diferentes problemas emergentes do jogo pode se trabalhar os conceitos que a comissão técnica e os jogadores julgarem pertinentes. Posicionamento do corpo, observação e leitura do adversário, visão periférica antes de a bola chegar, desmarcar-se, domínio direcionado, bola próxima do pé, decisão rápida, mudança de ritmo, mudança de direção, evitar (ou não) o contato com o adversário, ser imprevisível, aproximação de outros companheiros para realizar vantagem numérica, não perder o alvo de vista (a fim de ser objetivo), buscar zonas de alto risco para o adversário, enfim, são infinitas possibilidades a serem conceituadas e trabalhadas.
Em discussões recentes com companheiros de trabalho temos debatido sobre os graus de importância dados ao treino e utilização do 1×1 em jogos, e o quanto o treino e os feedbacks em relação a este subprincípio podem contribuir para o sucesso. Saliento que, o confronto 1×1 não acontece descontextualizado num jogo de futebol, pois sempre há todos os elementos do jogo envolvidos na situação problema, tais como bola, companheiro (s), adversário (s), alvo a atacar e defender, zonas de referência espacial, pressão de tempo-espaço, relação com o resultado do jogo, entre tantos outros. Chama-se este instante de um fractal do jogo, onde se observa uma “fatia” do mesmo que possui todos os seus elementos.
Se pretendemos melhorar o 1×1 que acontecerá no jogo, de maneira imprevisível e aleatória, logo necessitamos criar desafios em nossos treinos que contemplem tais possibilidades. Há muitas maneiras e muitos elementos para se cumprir a lógica do jogo. Fazer bom uso destes enfrentamentos sendo respeitadas as características das pessoas com quem se trabalha pode contribuir para a busca por êxito. Tendo o treino aspectos complexos sendo considerados o tempo todo, não podemos nos esquecer de melhorar nosso olhar sobre o indivíduo que o pratica.
Quando se tem bons jogadores no 1×1, é possível gerar muitos desequilíbrios na defesa adversária (favorecendo a busca pelo gol) e também contribuir para o espetáculo proporcionado aos torcedores.
Diante disso, deixo aqui algumas perguntas e reflexões para o debate: que importância você dá hoje para o enfrentamento 1×1 no seu treino e na maneira de jogar da sua equipe? Como você controla a oferta destas possibilidades nas suas sessões de treino e no planejamento? Que feedback você dá para o acerto e para o erro na tentativa destas jogadas? Como você vê o jogador brasileiro atualmente em relação aos jogadores de décadas passadas no que diz respeito ao uso desta ferramenta?
Escreva para rafael@universidadedofutebol.com.br e vamos debater!
Um grande abraço e até a próxima!
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