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Vanderlei Luxemburgo era o técnico do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 2015. Reformulou o elenco, mudou a forma de a equipe jogar, perdeu seis partidas seguidas e foi demitido. Mano Menezes assumiu, terminou o torneio nacional e começou a pensar no que seria do time mineiro para a temporada 2016. Antes disso, porém, preferiu trocar a Toca da Raposa pelo futebol chinês. Deivid foi a aposta da diretoria para esta temporada, mas não resistiu a um início claudicante e à eliminação no Estadual. Foi substituído pelo português Paulo Bento, outra novidade promovida pela cúpula celeste, que chegou perto do início do Nacional e comandou outra revisão no grupo de atletas. Afundado na penúltima posição e na zona de rebaixamento, contudo, o Cruzeiro demitiu seu quarto treinador em um ano. Fazer futebol, assim como fazer comunicação, é praticamente impossível se não houver convicção.
É totalmente contraditório o Cruzeiro, time que fez duas apostas em treinadores na temporada 2016, ter demitido Deivid e Paulo Bento antes que essas novidades tivessem tempo para provar qualidades ou espaço para desenvolver suas ideias. O técnico ideal da diretoria no início do ano não resistiu a uma campanha ruim no Mineiro, e a melhor opção para o atual cenário caiu antes de completar sequer um turno no Brasileiro.
Entre Luxemburgo, Mano, Deivid e Paulo Bento, o Cruzeiro buscou quatro perfis diferentes e quatro visões diferentes de futebol. Mais do que isso, jogou um peso a seus cofres por ter interrompido precocemente os trabalhos – o português receberá até o fim de 2017, por exemplo, e vários atletas contratados nessas gestões mudaram de status no clube durante essas transições.
O Cruzeiro não deu apenas demonstrações de que dá pouca estabilidade a seus técnicos. Com tantas mudanças, escancarou incertezas sobre seu próprio elenco e reconheceu ter feito apostas erradas em contratações ou escalações. O que fica para o torcedor, depois de tudo isso, é um enorme ponto de interrogação sobre as próximas medidas da diretoria celeste. Como confiar em alguém que não confia no próprio trabalho?
Não existe sucesso sem convicção. E não existe convicção se não houver clareza de objetivos e processos. São etapas fundamentais no processo de comunicação, e o futebol é apenas um exemplo escancarado disso.
Quando o Campeonato Brasileiro começa, por exemplo, há 20 times dizendo que sonham com o título. Cinco ou dez rodadas depois, mais da metade ainda fala em condição de taça ou em vencer todos os próximos rivais. No discurso, a verdade é que nos acostumamos com um futebol de enganação e de ilusões.
É assim que construímos falsos craques, falsas verdades e falsas expectativas. É assim também que buscamos culpados quando essas pretensões não são atingidas. Paulo Bento virou culpado por um desempenho negativo do Cruzeiro, mas o que a diretoria esperava de um elenco que foi remodelado com o Brasileiro em curso? Qual era o objetivo do clube para o atual estágio da competição e quanto o português ficou devendo em relação a isso?
Não defendo aqui que alguém cometa sincericídios e faça qualquer tipo de propaganda negativa sobre seu clube. Não defendo aqui que os clubes esvaziem seus jogos, diminuam o sonho de seus torcedores ou desrespeitem o nível de suas tradições.
Defendo, isso sim, que os clubes entendam que futebol se faz com processos. Que não há sucesso no esporte que seja unicamente baseado em imediatismo e mudanças abruptas de direção. É preciso definir um caminho, planejar um tempo para percorrê-lo e fazer cobranças paulatinas de acordo com a relação entre rendimento e meta.
Comunicação também se faz assim. Que tipo de futebol você deseja para seu time? Quais são os processos até que esse nível seja alcançado? Quanto tempo isso demora? Como você vai comunicar isso aos torcedores sem esvaziar jogos no caminho ou reduzir o interesse do público pelo produto?
É por isso que a comunicação no esporte não pode viver apenas de resultados. Não há como vender apenas vitórias ou derrotas, ou essa relação com os resultados vai criar um cenário incerto para todo o trabalho. Comunicação no esporte precisa contar histórias, humanizar, e esse é um trabalho que deve permear a vida de todos que trabalham no segmento.
Pode ser difícil sonhar com médio ou longo prazo num ambiente de tanta pressão e de tanto escrutínio público quanto o futebol brasileiro. Enquanto o cenário for esse, porém, não adianta termos qualquer tipo de surpresa com mudanças como as demissões de técnicos. Enquanto faltar convicção eles vão seguir sofrendo.

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