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No Futebol temos alguns paradigmas que não são facilmente quebrados. Estão enraizados na cultura nacional e mundial. As dimensões envoltas desses paradigmas envolvem um imaginário conclusivo especialmente no papel da intervenção do treinador.

Esse aspecto que tem chamado minha atenção ao longo desses anos. Entendo intervenção como: “todos os dizeres verbais que inserimos nas interações individuais, grupais, setoriais, intersetoriais e coletivas dos jogadores nos treinamentos e nos jogos”.

Como treinador, confesso que não é fácil deixar de intervir nos jogos e especialmente nos treinamentos. Nos jogos tenho procurado diminuir muito acreditando que a potencialidade diária dos exercícios capacitam os jogadores a encararem o jogo. É um desafio diário.

E o grande quesito dessa questão está em três aspectos que considero basilares nesse emaranhado do conceito intervenção: o conteúdo e a quantidade da intervenção, o nível de dificuldade relativo ao processo ou idade e a localidade da intervenção.  

O conteúdo e a quantidade da intervenção: classifico como os jogadores percebem o jogo e o quanto reativo eles são a esses estímulos verbais. O excesso e o formato da intervenção podem mecanizar e gerar uma muleta mental aos jogadores desligando-os do contexto real. Esses dois aspectos são muito visíveis nos jogos da base quando os treinadores falam demasiadamente e com um conteúdo muito técnico, como: passa, toca, chuta, tira, marca e muitas outras coisas. Por mais que pareça irrelevante, os conteúdos dessas intervenções, que são simples, podem tirar a sensibilidade do jogador em perceber o jogo precocemente e viciar por toda a vida.   

O nível de dificuldade relativo ao processo ou a idade: esse tópico vem de encontro com o de cima, pois algumas equipes mais velhas, no processo final da formação ou no profissional, já não precisam dessas intervenções cantadas simples o tempo todo, pois teoricamente já dominam muitas facetas do jogo, precisando apenas de questões mais funcionais e estratégicas. Em contra partida, o excesso de intervenções difíceis e abstratas para jovens jogadores, ou seja, dizeres complicados e excessivos para crianças, muitas vezes retira também a natureza aberta e complexa do jogo. Cuidar esses aspectos é um dos segredos para formar jogadores e equipes com maior grau de liberdade. 

A localidade da intervenção: seria a região dentro do campo que o treinador vai intervir. As regiões são específicas ao treinador e sua forma de confeccionar. Podem ser: o centro do jogo, o meio do jogo, o lado contrário, a zona de equilíbrio, as costas de última linha do adversário, entre outras. Mas o que se enxerga é o excesso de intervenções no centro do jogo habituando o jogador perder a referência das outras zonas e ficar passivo a intervenção. Então é primordial deixar de intervir toda hora no centro do jogo e incidir mais nas outras regiões que automaticamente serão o centro do jogo futuramente com a fluidez do jogo. 

Além disso, algumas vezes, a intervenção vai contra os conteúdos treinados, o que está realmente passando no jogo ou é demasiadamente alterada por opções estratégicas. Claro, a intervenção deve acontecer nos jogos vendo o instante jogo, mas não pode ir contra as relações criadas pelos jogadores.

Então, num ponto de vista funcional, seria melhor substituir a palavra intervenção por expressão, pois os jogadores precisam se expressar dentro de campo e o treinador deve proporcionar apenas isso. E, para isso acontecer é importantíssimo que exista uma comunicação específica singular e coerente durante todo o processo, não transformando os jogadores em fantoches.

Aos poucos, como treinadores, vamos melhorando, mas como disse anteriormente, e por experiência própria, não é nada fácil deixar de intervir, intervir menos e apenas permitir que os jogadores expressem o que sabem e o que treinaram. Creio que seja o próximo passo da evolução do treinador, o que acham? Utopia ou necessidade?

Abraços e até a próxima quarta!

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