Campeonato de pontos corridos no Brasil é justo mesmo?

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Crédito imagem: Anderson Stevens/Sport Club do Recife

Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos em 2003 nenhum time fora da região sudeste foi campeão. Apenas Cruzeiro, Santos, Corinthians, São Paulo, Flamengo,Fluminense e Palmeiras ergueram o caneco neste formato de todos jogando contra todos, em casa e fora. Os quatro grandes de São Paulo, dois do Rio de Janeiro e um de Minas Gerais…a última vez que um time de fora da região sudeste venceu o Brasileirão foi em 2001, com o Athlético-PR, mas em outro formato de disputa. 

O primeiro aspecto que vem à mente de todos diante dessa constatação é o financeiro. Claro que por inúmeras razões os clubes dessa região faturam mais. Porém indo só um pouco além temos a obrigação de falar sobre gestão profissional e competente. Isso porque times que já foram campeões como Corinthians e Palmeiras também já foram rebaixados nesse mesmo formato de disputa. Sem falar de Vasco da Gama e Botafogo que também já caíram e são da região Sudeste. Ou seja, mesmo tendo acesso às melhores receitas, o sucesso não veio. Então, não é só pelo dinheiro.

E é muito importante citarmos algo pouco falado: logística e transporte. Para um atleta de alto rendimento os períodos pré e pós jogo são fundamentais para uma performance de qualidade. E é unânime entre especialistas em ciência do esporte que longas horas em aviões e aeroportos desaceleram a recuperação. Como comparar então, por exemplo, nesse Brasileirão 20/21 situações de um time de São Paulo com a do Sport Recife? O estado de São Paulo tem cinco representantes na competição: três na capital, um no litoral e outro no interior. Qual o deslocamento dessa equipe para os jogos fora de casa, sabendo também que terá quatro viagens curtíssimas para o Rio de Janeiro? E o Sport que terá viagens longas e desgastantes de Recife para São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre?! Ele está nas mesmas condições? Observe: esse parágrafo é sobre logística e não dinheiro.

O Brasil é um país continental e respeitar a cultura é ponderar sobre tudo isso. Vale termos um olhar mais profundo para não apenas repetirmos aos quatro cantos que o formato de pontos corridos é o mais justo em que o melhor vence. Não é só o melhor time. E nem o que tem mais dinheiro. Mas também aquele que tem mais facilidade em se deslocar e recuperar seus atletas.

*As opiniões dos nossos autores parceiros não refletem, necessariamente, a visão da Universidade do Futebol

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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