O universo – em expansão – das transmissões esportivas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade
Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

Onde vai passar o jogo? A pergunta tantas vezes feita por torcedores e interessados em esportes ganhou uma nova e inusitada resposta no último dia 31 de março. A partida entre Ceará e CSA, pela Copa do Nordeste, teve transmissão ao vivo pelo TikTok, rede social para compartilhamento de vídeos que se tornou febre entre adolescentes e jovens com conteúdos virais. 

A mesma Copa do Nordeste já havia rompido mais cedo no mês de março a fronteira da Twitch, plataforma mundial de streaming, muito popular entre gamers, com transmissões capitaneadas por streamers torcedores dos clubes envolvidos, com o objetivo de ser uma transmissão mais descontraída, de torcedor para torcedor, seguindo o modelo já enraizado no rádio de São Paulo pela Energia 97.

São capítulos mais recentes de uma expansão que não vê limites. Onde for possível hospedar uma transmissão esportiva, lá elas estarão. Desde que a tecnologia dos serviços de internet passou a permitir o acompanhamento de streamings ao vivo sem interrupção, o consumo de eventos esportivos online tem crescido exponencialmente. Um fenômeno recente.

No último dia 13 de março, a oferta para o telespectador (se é que ainda podemos nomear assim) brasileiro era de 65 eventos – contando apenas esportes profissionais em plataformas oficiais, conforme listagem do Esportes na TV, um perfil de Instagram que publica diariamente uma tabela com todas as transmissões esportivas do dia e onde elas podem ser assistidas. A relação, puxada por campeonatos estaduais e europeus, contemplava modalidades variadas como ciclismo, handebol, rugby, golfe, UFC, automobilismo e vela, distribuídos por mais de vinte canais diferentes, entre televisão aberta, canais a cabo, serviços de pay per view, portais de internet, redes sociais e plataformas dedicadas a conteúdo ao vivo.

Voltando apenas sete anos no calendário, a oferta de transmissões esportivas no Brasil era restrita a canais abertos e fechados de televisão, detentores de direitos dos principais eventos do Brasil e do mundo. Estamos tratando de grupos gigantes como Globo, Band, Record, ESPN, Fox Sports e TV Esporte Interativo (hoje TNT Sports), que gastavam milhões com aquisições ou formavam parcerias com federações locais para transmissões de futsal, vôlei, basquete. Campeonatos menores ou de base raramente tinham espaço.

Independência online

A barreira foi derrubada em 2015, quando o Google comprou com exclusividade os direitos de transmissão da Copa do Rey para veicular pelo YouTube, cobrando uma assinatura que no Brasil custava R$9,90 mensais. 

Dois anos depois, Atlético-PR e Coritiba romperam com a Globo e liberaram a decisão do paranaense apenas para Facebook e YouTube. “Como assim? Só dá pra ver esse jogo pela internet?”. O que causou estranheza na época acabou se tornando normalidade.

Atentos, grandes grupos expandiram atividades para além do meio tradicional. A Globo, pioneira com o Premiere, passou a disponibilizar conteúdos online com o Premiere Play e realizar transmissões ao vivo exclusivamente por internet no Globoesporte.com. É possível assistir praticamente qualquer transmissão da ESPN pelo ESPN Watch, além de competições exclusivas que não estão na grade de TV. A TNT Sports, no rebranding que abandonou a marca Esporte Interativo, abraçou o EI Plus e rebatizou como Estádio TNT. Na Libertadores, o SBT retransmite o sinal da tv pelo site e permite a todas as praças terem outra opção de jogo além daquele que está sem transmitido pela TV quando existem duas partidas simultâneas.

As transmissões pela internet vieram declarar independência para modalidades e categorias. Hoje é possível acompanhar ao vivo uma partida do campeonato paulista sub-15 pelo canal próprio da Federação Paulista de Futebol, por exemplo. Mas não é apenas uma oportunidade para eventos “lado B”. O campeonato alemão tem partidas transmitidas exclusivamente pelo OneFootball, via aplicativo ou navegador.

A partida entre Bayern de Munique e Paris Saint-Germain na última quarta-feira pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões só estava disponível para o público brasileiro pelo Facebook e alcançou mais de 2,5 milhões de usuários simultâneos. Fora do horário nobre, numa tarde de quarta-feira.

E a pluralidade dos meios de transmissão não se restringe ao terreno online. Na noite da mesma quarta-feira, os palmeirenses só puderam assistir a Palmeiras x Defensa y Justicia, primeiro jogo da Recopa Sul-Americana, pela Conmebol TV, canal criado pela confederação sul-americana há menos de um ano para dar vazão aos jogos da entidade que não tivessem os direitos de televisão negociados.

O que isso significa? Independência e maior poder de negociação para as entidades, o fim de qualquer monopólio dos canais de televisão, mais opções para o público e, principalmente, um mercado mais aquecido para os profissionais. Cada novo canal, cada novo evento, cada nova transmissão é uma nova porta para narradores, comentaristas, produtores, profissionais do audiovisual de maneira geral.

Nos casos supracitados do Facebook e da Conmebol TV, por exemplo, não significa necessariamente que tivemos abertura de novas produções. Quem opera as transmissões da Champions League no Facebook é o próprio TNT Sports, que detém os direitos para televisão. No caso de Libertadores, Sul-Americana e Recopa, foram contratados os serviços do grupo Bandeirantes. Mas é fato que estes canais puderam empregar, manter empregados ou contratar como freelancers profissionais que estariam parados.

Ou seja, temos novos players no mercado de transmissões esportivas. 

E não se trata apenas de grandes grupos internacionais que entraram no jogo, como YouTube ou Facebook, ou de canais próprios criados pelas confederações, como a FPF TV, a Conmebol TV ou o recente Cariocão TV, que contratou conhecidos jornalistas recém-saídos do Fox Sports e outros canais para a transmissão do estadual do Rio de Janeiro. Algumas plataformas surgiram com finalidade exclusiva de levar eventos esportivos ao telespectador. 

É o caso, por exemplo da pioneira MyCujoo, que nasceu em Portugal e cresceu na Holanda, está no Brasil desde 2017 e tem parceria atual com a CBF para distribuição de vários torneios. Na mesma esteira, temos a TVN Sports, que além de contratos com a federação catarinense e a Liga de Basquete Feminino, ainda opera o Canal Olímpico do COB e é responsável pela transmissão de todos os jogos do Brasileirão para o exterior.

Até mesmo o ecossistema que orbita as transmissões tem se modificado. Foi assim que surgiu, por exemplo a LiveMode, uma agência que dá apoio a clubes e federações tanto na comercialização de direitos de transmissão como no próprio desenvolvimento de formatos. A agência é a atual responsável por todo o planejamento da Copa do Nordeste, inclusive pelas inovações que trouxemos no início do texto com as transmissões da “Lampions” invadindo o Tik Tok e a Twitch.

Não há no momento limites para as inovações no que se refere às transmissões esportiva, o mercado agradece.

+ posts

Wilson Junior é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e atua na área esportiva desde 2000, com experiência no rádio, jornalismo digital, se consolidando na TV atuando nos canais Esporte Interativo, Band e Fox Sports onde era responsável pela transmissão de eventos como a Champions League, Eurocopa, Olimpíadas e Copa do Mundo. Atualmente, é gerente editorial de transmissões ao vivo do Free Fire, pela Garena.

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no pinterest

Deixe o seu comentário

Deixe uma resposta

Mais conteúdo valioso