O Palmeiras tem todos os motivos para não jogar bem

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Crédito imagem – Palmeiras/site oficial

O ano futebolístico está atípico. Como nossa vida também está. Ou você tem feito nos últimos treze, quatorze meses, o que fazia antes da pandemia?! 

Trazendo para o futebol brasileiro o mais afetado é o Palmeiras. Observe que usei a palavra “afetado”. Sem juízo de valor. Pelo simples fato de que o time de Abel Ferreira foi o mais vencedor da última temporada. Jogou mais – em quantidade e em muitos momentos em qualidade – do que todos os outros. Isso é excelente sob o ponto de vista das conquistas. Chegar até a final da Copa do Brasil e ser campeão trouxe a disputa da Supercopa. Ganhar a Libertadores levou a equipe ao Mundial de Clubes e a Recopa. Excelente. Mas e o desgaste que tudo isso trouxe? A excessiva carga de jogos? A conta está chegando agora…

Discutir o calendário do futebol brasileiro é uma questão ‘pra ontem’. Passou da hora. Há anos estamos enxugando gelo. Nos moldes atuais não está bom pra ninguém: o clube grande joga muito e o pequeno joga pouco. E a situação atual do Palmeiras chega a ser surreal. 

Não consigo cobrar ideias de jogo muito elaboradas de Abel Ferreira pelo simples fato de ele não ter sessões mínimas de treino. Logo ele que vem da escola portuguesa que valoriza tanto o treinamento… e mesmo assim o Palmeiras ainda é capaz de aplicar uma sonora goleada em cima do Del Valle pela Libertadores…

Entendo o lado passional do torcedor e a vitória de ontem não significa muita coisa hoje, mas será perfeitamente normal e aceitável se o Palmeiras for eliminado na primeira fase do Paulistão. Pode-se ponderar sobre várias coisas: que o grupo do Verdão é muito complicado no estadual, que alguns jogadores que tiveram oportunidades não foram tão bem e etc. Entretanto, quero trazer uma visão mais macro das coisas. O descanso físico e mental é fundamental para todo atleta performar bem. Isso porque a fadiga não vem só do corpo e sim também da cognição. Volto na questão do treino de qualidade para um jogo de qualidade. Mas quando esse Palmeiras treina?! Sem pormenorizar se o uso que se faz hoje da palavra intensidade é o correto ou não, mas como ter um jogo intenso com tantas partidas em sequência?! E o risco de lesão que isso gera?

Estamos falando de competição. De esportistas profissionais. Que tem a busca pela vitória no DNA. Ninguém do Palmeiras entra para jogar mal e perder. Todavia precisamos de elementos básicos para cobrar um nível de jogo satisfatório. Eu que sou tão crítico com a qualidade do que é apresentada por aqui e cobro tanto o conhecimento e a ciência para a evolução nos detalhes que fazem a diferença para um jogar mais refinado, tenho que admitir: o Palmeiras tem todos os motivos plausíveis e justos para não jogar bem.

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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