A volta do público aos estádios no Brasil

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Crédito imagem – Site oficial/Maracanã

Estamos prestes a dar início à principal competição de futebol do Brasil, o Campeonato Brasileiro. A pandemia segue, e não teremos torcedores nos estádios brasileiros para o início do torneio. Algo que também aconteceu no ano passado, durante todo o Brasileirão de 2020, a elite do futebol brasileiro ficou sem a presença física de seu maior ativo, “a torcida”. 

Vale lembrar como era o público da Série A do Brasileirão no período que antecedeu a pandemia.

Para não sermos exaustivos, vamos apenas elencar a média percentual de ocupação dos Estádios nos últimos 5 anos, a começar por 2015 até 2019, sem estudarmos os números de forma mais detalhada.

-2015: 40%;

-2016: 41%

-2017: 41%

-2018: 43%

-2019: 47%

Fonte: Globoesporte.com

Nota-se que a presença da torcida nos estádios vinha em ascensão até a paralisação do futebol e posterior retomada sem público, ao menos neste campeonato em questão.

Não é possível afirmar categoricamente, mas é provável que esse crescimento tenha se dado em virtude da construção e reforma das arenas projetadas para sediar a Copa do Mundo de 2014. 

Segundo pesquisa feita pelo globoesporte.com, a reabertura de estádios com maior capacidade fez a média de público aumentar em 25%. E a soma disso com os ingressos mais caros fez disparar a média de renda, deixando-a 78% maior de 2012 para 2013.

Evidente que a implantação de arenas e aumento da capacidade dos estádios que sediam os jogos do Brasileirão, contribuíram para o aumento do público e da receita proveniente dos jogos, mas não se pode considerar o único componente para tal fim. Mesmo nos estádios mais tradicionais, o torcedor passou a ser encarado como consumidor e ainda que de forma muito incipiente, os gestores das arenas brasileiras passaram a olhar com mais atenção para seu público primando por conforto, comodidade e segurança dos espectadores, dentro das limitações que algumas estruturas mais simples impõem.

Salientamos que este processo ainda é extremamente embrionário e há muito o que evoluir no quesito experiência para os torcedores nos estádios.

Considerando o contexto acima, como imaginamos ser a volta gradativa do público nos estádios?

É praticamente nula a possibilidade desse retorno de público se dar com a capacidade total das arenas, provavelmente ocorra de forma gradativa como nos demais países que já tiveram tal liberação por parte dos órgãos competentes. 

Há uma peculiaridade no Brasil que envolve sua enorme área geográfica e diversidade cultural, o que faz com que o controle da propagação do vírus (ou a falta dele) não seja homogênea, dificultando que se estabeleça uma padronização para tal retorno de público, mitigando assim, a igualdade competitiva, já que pode ser que aconteça do público ser parcialmente liberado em algumas cidades e outras não. 

Além das especificidades já mencionadas, os Estádios possuem grande variação de capacidade, por exemplo, o Estádio do Morumbi que sedia os jogos do São Paulo FC tem capacidade para 66.671 pessoas, já a Vila Belmiro, casa do Santos FC comporta aproximadamente 16.000 pessoas.

Supondo que a liberação de público seja de 30%, o Morumbi poderá reunir até 20.000 torcedores, enquanto a Vila Belmiro 4.800. Como os protocolos para a reabertura preveem distanciamento social, haverá necessidade de intercalar os assentos. Ainda que tal medida não seja respeitada por todos os torcedores é obrigação dos gestores das arenas propiciar essa intercalação entre os lugares disponíveis, logo, haverá necessidade da abertura de mais setores, implantação de profissionais para aferição de temperatura, elevação no número de fiscais e orientadores para verificação do uso de máscaras, entre outras medidas que podem aumentar o custo fixo do jogo mesmo se considerarmos o período pré pandêmico, onde não havia restrições de ocupação.

A diferença na capacidade de ambos é abissal, mas o custo da operação não varia na mesma proporção. É sabido que a receita com bilheteria está desfalcando inúmeros públicos, em especial os que contam com grandes torcidas.

Afora o acima exposto, é importante lembrar que nem todos os estádios tiveram saúde financeira para operacionalizar a manutenção preventiva no sistema hidráulico, elétrico e a limpeza de todos os seus setores, tornando essa questão, também motivo de afligimento, pois se a divulgação da liberação parcial de público não for feita com uma antecedência no mínimo razoável por parte das Federações, os primeiros eventos podem ser caóticos para os torcedores que se propuserem a voltar a acompanhar fisicamente o futebol.

Deixamos, então, a reflexão se financeiramente este retorno parcial será melhor ou não para os cofres dos grandes clubes e para o bolso do torcedor que presumivelmente pagará um valor maior nos ingressos? 

Dicotomicamente, quais os prejuízos intangíveis esse afastamento dos estádios pode gerar? Será que não estamos fazendo o torcedor/consumidor entender que ele pode ficar sem acompanhar seu time presencialmente ou ao menos reduzir a assiduidade?  São questionamentos muito difíceis de serem respondidos antes das liberações em sua totalidade, mas é notório que as arenas precisam olhar com mais atenção para seu público nessa retomada e promover verdadeiros espetáculos, avançando intensamente as preocupações que acima mencionamos como incipientes com seus frequentadores.

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