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Maílson Santana – Fluminense FC

A cultura resultadista e imediatista do futebol brasileiro é uma fábrica de moer treinador. Sei que essa afirmação é batida, que já foi dita milhões de vezes e que no curto prazo a tendência não é de mudança…mas investigar as causas desse fenômeno e traçar alternativas com novas soluções são obrigações de quem quer um futuro diferente.Já começo cravando que não sou contra a demissão de treinador algum. Não é verdade que todo profissional tem que ficar pelo menos um ano no clube para ser realmente avaliado. O ponto aqui é: quem comanda as equipes (presidentes, diretores e gestores) possuem o conhecimento necessário para avaliar o processo, o trabalho, a evolução e, mais do que tudo, entender as circunstâncias do treinador em questão? 

Se as coisas não estão sendo bem feitas, deve-se trocar antes tarde do que muito mais tarde. Porém, insisto: tem que haver conhecimento para uma criteriosa avaliação. E não apenas paixão e amadorismo, como vemos no Brasil…

Demitir deve ser a exceção. E não a regra, como é no futebol brasileiro. Atualmente, a maioria dos técnicos tem conhecimento, capacidades técnicas e táticas, metodologia, liderança e habilidades interpessoais para comandar projetos longevos. Uma ideia de jogo e uma mentalidade de alto rendimento não são implementadas em um grupo de vinte e cinco jogadores da noite para o dia. E se existe solidez no processo, quem tem a caneta na mão não pode jogar tudo para o alto na primeira sequência negativa, apenas para dar uma resposta à torcida.

Enquanto dirigentes não buscarem esse conhecimento sistêmico e transdisciplinar do futebol e, mais do que isso, se eximirem das responsabilidades, a culpa continuará caindo toda no treinador. Por isso, não dá para crucificar o técnico que joga primeiramente para não perder. Se o que vale é a sobrevivência, ele dança conforme a música…A nossa cultura superestima a real interferência do treinador no resultado final. E isso vai sempre jogar contra. Não avaliamos trabalho, estrutura, orçamento, condições, nível do elenco e etc. Avaliamos vitórias e derrotas. E enquanto considerarmos bom só quem ganha continuaremos com esse nefasto ‘salve-se quem puder’…

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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