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Crédito imagem: Cesar Greco/Palmeiras

O alto rendimento não é uma condição natural para o ser humano. Se o nosso cérebro tende a levar o nosso corpo o maior tempo possível ao conforto e ao gasto mínimo de energia para manter o funcionamento e a sobrevivência, ter picos de performance físicos e emocionais não é uma condição simples de atingir. Por isso poucos disputam uma Olimpíadas. Por isso poucos jogam uma Copa do Mundo. Por isso poucos são profissionais de ponta…

Entrando no contexto do futebol profissional o ambiente automaticamente seleciona os mais bem preparados. A própria transição das categorias de base vai promovendo isso, fase após fase. E uma vez estando na ciranda dos profissionais, não só jogadores, mas também treinadores, auxiliares, preparadores, analistas, enfim, todos que são remunerados, vivem uma instabilidade que não é comum a quase nenhuma atividade laboral. 


Um técnico, por exemplo, que permanece anos e anos no alto nível, sendo que no Brasil a média de um profissional é de três meses no cargo, tem habilidades que vão além das técnicas e táticas. Há uma capacidade mental muito acima da média para “sobreviver” a esse caos. É claro que quem chega entre os melhores do país conquista uma situação financeira privilegiada. Mas chega um momento que “só” o dinheiro não basta e não satisfaz. Dentro da média de três meses em cada clube, como um treinador planeja sua vida pessoal? Como fixar residência? Como administrar o entorno familiar, no caso de esposa e filhos? Se forem filhos em idade escolar, como criar raízes mudando de colégio a cada trimestre?

Levanto essas questões para trazer o lado humano ao debate. Há um descarte absurdo de profissionais atualmente no Brasil. Bastam alguns resultados negativos e vem o clamor para uma demissão. Se já repeti insistentemente que temos que analisar trabalho, conceito, metodologia, liderança, comunicação, volto o olhar agora para o ser humano, que já teve que enfrentar pressões absurdas para chegar onde chegou. Vale muito um tratamento mais humanitário ao invés da troca pela troca, sem nenhum embasamento técnico de que a mudança é a melhor opção.

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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