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Crédito imagem: Reprodução/Conmebol

Ainda ouviremos, vinda de quem dirige o futebol brasileiro, a frase de Michael Corleone dita no filme O poderoso chefão: “Não é nada pessoal, são apenas negócios.” Com ela, nossos ilustres dirigentes responderiam aos reclamos da torcida brasileira a respeito da decadência do futebol pátrio, com seus espetáculos insuportáveis. De fato, eles, que dirigem o futebol e outras coisas no Brasil, sabem que não precisaria ser assim tão ruim o jogo de bola por estas bandas, mas, com muito menos trabalho e com igual ou maior lucro, para que melhorar?

Talvez nem tenham nada contra o povo brasileiro, sobretudo a parcela admiradora e torcedora do nosso futebol, mas são apenas negócios. Não se trata de futebol, especificamente. Poderia ser qualquer outra atividade profissional, como exportação de carne, reciclagem de lixo, venda de franquias, não importa, desde que produza lucros astronômicos. Portanto, por que não o futebol? Das práticas sociais esportivas, certamente a mais lucrativa no cenário brasileiro; seu peso na economia brasileira não se limita ao Esporte e assume importância considerável.

Não é de hoje que o futebol assumiu ser, além de uma prática social que expressa, de modo hegemônico, nossa cultura corporal, uma poderosa arma política e de rentabilidade econômica incomparável. Em sua tese de doutorado, a professora Mariana Martins (2016) já corroborava essa compreensão, e ainda acrescentava que há um mercado que gira em torno do futebol, que atua, então, como um meio de valorização de outros negócios.  

A transformação dos estádios em arenas multiusos, a espetacularização das transmissões das partidas e a apropriação do futebol como objeto de marketing foram outras mudanças efetivadas que o transformaram, acima de tudo, num negócio.  

Há ainda outra abordagem que poderíamos fazer a partir desta compreensão do futebol enquanto negócio. O futebol, por vezes, não é somente um negócio para os empresários, patrocinadores, clubes, emissoras de televisão e investidores (dentre outros), mas é também uma importante fonte de renda para as famílias, certamente, que visualizam na carreira do seu filho (e quem sabe, no futuro, da sua filha) uma possibilidade de ascensão social.

Dessa forma, muitas famílias investem na carreira do seu filho. Destinam os recursos limitados que possuem para que ele possa treinar, comer melhor, viajar para fazer testes/peneiras, comprar uma boa chuteira. E não é raro que larguem até mesmo seus empregos para terem maior disponibilidade para cuidar integralmente da sua carreira e fazer dele, seu filho, um ídolo do futebol profissional. 

Pois é… para ter o futebol como um negócio, e muito rentável, é preciso transformar os jogadores em celebridades.  O público vive de mitos, de heróis, de ídolos! Mas empresarialmente falando, isso é coisa fácil de resolver: mitos e ídolos podem ser fabricados a qualquer momento, basta incensar um jogador por algum tempo, produzir vídeos apenas com suas boas jogadas, congestionar as redes com as imagens do escolhido e, pronto!, está feito o herói. O público também vive de escândalos, de denúncias, de jogadas e arbitragens duvidosas. Há muita coisa para empolgar a torcida; nem só de futebol vive o futebol! Se o futebol é, então, uma mercadoria e um negócio, ele precisa de produtos. É aí que entram os jogadores. Mas esse debate vamos deixar para um próximo texto.

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João Batista Freire é professor aposentado da Unicamp e referência nacional no ensino do futebol. Autor de diversos livros entre eles o "Pedagogia do Futebol".

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Formado em 2005 no curso de licenciatura em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/ Rio Claro), Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), tem suas primeiras experiências acadêmicas circunscritas à Psicologia do Esporte e ao Futebol. Vinculado, desde o primeiro ano da graduação, a ambos os campos, buscou focar sua participação em grupos de estudos e pesquisas onde a relação entre eles fosse possível. Atualmente é diretor executivo do Centro Esportivo Virtual e coordenador de Projeto Social do Instituto Rhodia.

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