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Crédito imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

É normal ouvirmos no mundo do futebol que os jogos no Brasil são mais lentos do que na Europa. Claro que isso não está relacionado à velocidade dos jogadores, já que se pegarmos as distâncias percorridas a maioria dos jogadores por aqui corre mais do que os que estão lá fora. Porém aqui muitos correm errado. Correm a toa. Mas, enfim, mesmo que equivocado, falar que o jogo aqui é mais devagar é mais específico do que o termo vazio e comum: ‘lá se joga outro esporte’.

A impressão de um jogo mais ágil se dá pelo volume de ações. Por exemplo, ao receber a bola um jogador pode pará-la, dar um, dois, até três toques antes da próxima ação. Ou ele pode já ter escaneado tudo a sua volta e assim que a bola chega já executar a ação seguinte. Essas frações de segundos somadas em um esporte coletivo criam a sensação de um jogo mais dinâmico para quem está assistindo.

E nisso entra um outro elemento ainda incipiente no Brasil: o jogar sem a bola. Por aqui ainda é difícil incutir a ideia de que longe da bola não quer dizer longe do jogo. Dentro do exemplo que citei de a ação com a bola ser executada rapidamente, se houve uma marcação curta, agressiva e atenta, quem tem a posse será levado automaticamente a ser mais rápido, sob pena de perder a bola.  Se a marcação é frouxa e distante, inconscientemente o portador também será levado a uma ação mais lenta. 

Perceba como o jogo é um todo. Todas as fases e elementos estão conectados. O todo é maior do que a soma das partes. Uma marcação distante incentiva a uma posse mais lenta, com muitos toques “inúteis”, antes de a próxima ação concreta ser de fato realizada. E vice-versa. O jogo brasileiro ainda tem muitos momentos em que nada acontece. Se antes a cadência do meio-campista brasileiro encantava a todos, hoje isso é visto como falta de intensidade. O alto nível é jogado em pressão de tempo e espaço. O jogo é mais rápido no decidir, agir e recuperar. Enquanto ainda ficarmos discutindo e lamentando a escassez dos clássicos ‘camisas 10’, o jogo europeu de alto nível ganhará ainda mais velocidade em comparação com o nosso.

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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