DADOS TÉCNICO-TÁTICOS: SERVE COMO ANALISAMOS? PARTE I

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Por: Bruno Loureiro

Olá a todos! É com grande prazer que depois de alguns anos, voltarei junto a Universidade do Futebol a publicar novos artigos sobre o mundo do futebol em todas as esferas. Desejo à todos um ótimo 2026 com muita saúde e muito futebol! Vamos Lá!

A Análise de Desempenho no decorrer dos últimos vinte anos se tornou peça fundamental em grandes equipes para conseguir cada vez mais informações para desvendar detalhes que possam fazer a diferença entre a vitória e a derrota de uma partida.

Devido aos avanços da tecnologia, o acesso a informação de dados, imagens e relatórios tem sido imensa, tendo como necessidade, o desenvolvendo da capacidade de interpretação e escolha de dados para análise com intuito de obter o conhecimento necessário para a equipe em um determinado objetivo.

Segundo estudos (Frank & Miller, 1986) um treinador experiente de futebol consegue recordar ao máximo 41% dos eventos significativos de uma partida, este dado demonstra a importância de uma análise acurada de dados e imagens com uma visão holística sobre os fatos.

No futebol a possibilidade de ações podem ser de magnitude quase infinitas o que torna sua análise muito complexa e de difícil interpretação. O futebol pode ser definido como um esporte estocástico, ou seja, um sistema matemático que calcula a aleatoriedade das ações para tentar determinar uma probabilística onde algumas ações podem ter maior chance de acontecer ao invés de outras em base ao contexto de jogo. Para simplificar conceito, os cálculos matemáticos dizem que um jogador terá maior probabilidade de realizar um gol através batendo um pênalti ao invés do no pontapé inicial.

Em um esporte onde estímulos iguais podem ter respostas diferentes e pequenas variações geram grande diferenças, como podemos interpretar os dados tático – técnico (tático vem antes pois a técnica é o último estagio da tomada de decisão que é de natureza tática individual)?

Sabemos que dados numéricos carecem de um princípio fundamental; O CONTEXTO de jogo!

Mas o que seria contexto de jogo e existe um modo de defini-los?

Ter de modo claro o significado do contexto de jogo nos ajuda na definição dos comportamentos individuais, de grupo e coletivo. O contexto de jogo pode ser divido em 5 pontos principais.

  1. Bola
  2. Adversário
  3. Companheiro
  4. Gol
  5. Espaço

Através destes pontos podemos entender melhor os comportamentos das equipes nas duas fases (Posse e não posse) e dentro o ciclo de jogo (Transição ofensiva, defensiva e bolas paradas).

Exemplo prático pode ser que se uma equipe tem uma marcação zonal, a bola é quem comanda os comportamentos da linha defensiva, esta tipologia de marcação requer um grande trabalho de sincronia da linha defensiva, tentando ocupar muito bem os espaços para evitar linhas de passe que atravessem dentro a ultima linha defensiva. O Treinador Sarri atualmente na Lazio é um ótimo exemplo para estudos sobre o tema.

Já se uma equipe tem marcação homem a homem, o adversário será quem comanda estes comportamentos. Esta tipologia requer uma disposição física muito intensa com grande agressividade e capacidade de leitura de antecipação. O treinador Gasperini atualmente na Roma (ex Atalanta) é um ótimo exemplo para estudos sobre o tema.

Desta forma, os dados estatísticos em fase defensiva podem ser interpretados de maneira mais aprofundada. Equipes que jogam como marcação homem a homem, tendem a ter maior número de “tackles” enquanto a marcação zonal a maior interceptação nas linhas de passe. Este tipo de conhecimento do contexto de jogo da maior significado ao dados interpretados.

Com o avanços das tecnologias (I.A.) cada vez mais os relatórios estão se aproximando ou tentando se aproximar do contexto de jogo, ajudando a ter com maior clareza o entendimento do andamento de uma partida ou de uma inteira temporada.

Um exemplo pratico seria o número total de finalizações (quantitativo) e qual o XG (expect goals) destas finalizações (qualitativo).

Temos como derivado destes dados outros que tentam ainda mais nos ajudar a aproximar ao contexto como XGOT (Expect Goals on Target) que vá em base ao local, potência e trajetória da finalização. Um exemplo seria que uma finalização de fora da área com XG 0.03 (pré finalização) mas com XGOT 0.40 (post finalização) significaria alta probabilidade de realização de um gol se cruzarmos as duas métricas indicando alta qualidade na finalização realizada.

Podemos ir mais além com as análises com o número de assistências (quantitativo) e saber seu XT (X treath) que identifica por exemplo quanto de periculosidade a escolha do passe naquele determinado momento poderá ter. Exemplo prático pode ser uma transição 3vs2 em que um determinado momento o jogador em posse tem a duas escolhas de passe, e em base ao XT a probabilidade de finalização com alto XG de um jogador será mais alta que o outro em base ao seu XT.

Estes são apenas pequenos exemplos da complexidade e estudo que temos que obter para conseguir decifrar momentos cruciais na análise de equipes e jogadores. Estes exemplos mostram que nenhum dado sozinho pode exemplificar um resultado de uma partida, o evento mais importante do jogo O GOL é também um dos mais raros sendo cerca de 0,05 das ações totais que ocorrem no jogo.

Um dos erros mais comuns que vemos é que se realizam análises dos dados partindo de um dos seus elementos mais raros (GOL) ou seja, o resultado final da partida pode influenciar diretamente na leitura e interpretação dos dados. Claramente o gol durante a partida pode mudar os comportamentos de ambas as equipes mas ter conhecimento do contexto nos ajuda a interpretar melhor as métricas atrás dos 0,05 % mais importantes do futebol.

No próximo artigo falaremos sobre as diferenças entre dados de Volume e Periculosidade com exemplos práticos de leitura e interpretação.

Para melhor entendimento segue um INFOGRAFIA dos assuntos tratados.

INFOGRAFIA

Até a próxima,     

Bruno Loureiro Batista
Treinador Licença UEFA
Analista desempenho
Juventus F.C

  

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