Ancelotti e a pressa infundada dos brasileiros

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Por: Marcel Capretz

Carlo Ancelotti tem recebido muitas críticas pelo início claudicante no comando da seleção brasileira. Algumas tem fundamento, porque um ano de trabalho, mesmo com o espaçamento das convocações em datas fora de Copas, não é um período tão curto assim.

Mas a maioria dos apontamentos negativos ao técnico italiano vejo que é injusto. É preciso avaliar as coisas de forma ampla e contextualizada. Ancelotti, por mais vencedor que seja, não é um salvador da pátria. Um milagreiro. Não dá para imputarmos tantos anos de gestões ruins e desempenhos pífios dentro de campo ao treinador da seleção profissional, que é apenas a ponta do iceberg. Não vou nem voltar décadas na linha do tempo e puxar os mais de vinte anos que não ganhamos uma Copa.

Vou me ater apenas ao ciclo entre a Copa de 2022 e a Copa de 2026: três treinadores precederam Ancelotti, houve troca de presidente da CBF e uma geração de jogadores insegura e que parece não estar pronta mentalmente para assumir desafios com a camisa da seleção brasileira, apesar de um grande protagonismo nos respectivos clubes.

Nesse cenário caótico não é o treinador que chegará e em uma passe de mágica fará tudo mudar da água para o vinho em um curto espaço de tempo. O mal desempenho na Copa de 2026 deve servir de aprendizado. E os amistosos dos próximos meses serão sim bem ruins, porque trata-se de uma transição. Esperar qualquer coisa diferente disso não é para mim estar conectado com a concretude dos fatos.

Marcel Capretz é radialista e jornalista formado pela Universidade Mackenzie e pós-graduado pela Fundação Cásper Líbero. Atualmente, é apresentador do programa Futebol Esporte Show do SBT Sorocaba e comentarista da Rádio 105 FM de São Paulo.
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/marcel-capretz-16427ba7/

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