Universidade do Futebol

Rodrigo Azevedo Leitão

25/05/2014

Ainda há sim, muito de novo a se propor no futebol: em busca dos saltos quânticos…

Gosto muito de assistir a jogos de futebol.

Ao vivo nos estádios, ou pela TV (mais comumente), gosto de apreciá-los como se estivesse estudando um bom livro, uma nova tese, uma nova ideia…

Campeonatos europeus (alemão, italiano, espanhol, português, francês, inglês), sul-americanos (incluindo aí, é claro, jogos do futebol brasileiro), jogos de equipes profissionais, seleções e/ou categorias de base.

Penso que cada jogo é uma oportunidade para testar uma hipótese, aprender um novo conteúdo, debater um diferente conceito.

É claro, que ao ler o parágrafo anterior, muitas pessoas poderão discordar, afinal “no futebol não há nada de novo a se apresentar ou criar”.

Não me importo.

Acreditar que “não há nada de novo a se propor no futebol” é uma forma de pensar, que sob meu viés corre o risco de ser limitadora, já que ele (o futebol) é algo tão belo, complexo, artístico, sistêmico…

Além do mais, quando algo aparentemente novo começa a ganhar espaço, logo surgem as teorias das “releituras do passado”, das “cópias adaptadas”, do “isso já existia antes”.

Então o reforço de que o novo é “simplesmente” o velho renovado, acaba quase sempre sacramentando e difundindo a ideia, de que tudo que deveríamos ver e saber sobre o jogo de futebol já se foi visto e sabido.

Talvez sim, seja verdade que o jogo de futebol propriamente dito e jogado, com fim nele mesmo, já tenha apresentado ao longo de sua história tudo o que ele poderia mostrar a respeito de si, em sua essência.

Isso não significa que já fizemos a ele (ao jogo) todas as perguntas certas para decifrá-lo.

Então ainda que ele se revele a cada partida entre duas equipes,
é provável e aceitável a ideia de que tenhamos ainda muito para desvendar e enxergar.

Mas para isso, é claro, precisamos fazer perguntas novas, diferentes, certas, e porque não, vestir novos óculos!

Em termos de velocidade complexa de jogo, por exemplo, os índices e marcadores propostos para medi-la mostram que o futebol da década de 1970 é diferente daquele jogado na década de 1990, e também daquele jogado na década atual.

E se a velocidade é diferente, a maneira de ocupar os espaços também é, as tomadas de decisão também são – assim como todas as outras coisas que envolverão a organização coletiva e as ações individuais dos jogadores.

E se a velocidade complexa é apenas uma, de tantas variáveis que estão tornando o jogo mais impressionante e exigente (para jogadores e comissões técnicas), então é quase óbvio que o jogo de futebol está em evolução (ainda!), e que as soluções tático-estratégicas e organizacionais estão condicionadas a um processo criativo, que está a disposição de todos que acreditam que ainda há muito espaço para a inovação! 

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