Universidade do Futebol

Gustavo D’Avila

29/01/2015

Gerindo conflitos no esporte

No esporte, como em qualquer outro ambiente profissional, um dos grandes desafios dos líderes e gestores é gerir os conflitos que acontecem ao longo do tempo. Ainda mais se pensarmos na necessidade sempre urgente de bons resultados que pressionam todos os profissionais envolvidos, principalmente no futebol, essa questão demanda preparo e conhecimento para ser tratada com o devido êxito.

Mas como gerir conflitos, se eventualmente não compreendemos o que é um, e quais os seus níveis de gravidade; informações estas básicas e importantes para compreendermos a necessidade de gerirmos os conflitos.

Para tal tarefa, vamos os basear nas contribuições de Idalberto Chiavenato feitas em seu livro Gerenciando com as pessoas. As pessoas nunca possuem têm objetivos e interesses idênticos. As diferenças de objetivos e de interesses individuais sempre produzem alguma espécie de conflito. Assim podemos compreender que um conflito é inerente à vida de cada pessoa e faz parte inevitável da natureza humana e no ambiente esportivo de alto rendimento como o futebol, ele está cada dia mais presente.

O conflito existe quando uma das partes envolvidas, seja indivíduo ou grupo, tenta alcançar seus próprios objetivos interligados com outra parte e esta interfere diretamente na que procura atingir os objetivos. São dois os tipos de interferência:

• Ativa – mediante ação para provocar obstáculos, bloqueios ou impedimentos;

• Passiva – mediante omissão ou deixar de fazer alguma coisa.

Um conflito então pode ser visto como mais do que um simples desentendimento, na verdade ele se constitui numa interferência ativa ou passiva, porém deliberada, para impor algum bloqueio sobre a tentativa de outra parte em alcançar seus objetivos ou resultados.

Um time de futebol pode sofrer grandes impactos por conflitos mal geridos, pois o conflito pode acontecer no contexto do relacionamento de duas ou mais partes, seja entre pessoas ou entre grupos, enquanto conjunto de pessoas, bem como entre mais de duas partes ao mesmo tempo. Ou seja, entre dois atletas apenas ou até mesmo entre grupos distintos de atletas de uma mesma equipe.

No caso de conflitos individuais, eles podem ser:

• Internos – quando ocorrem intimamente dentro de uma pessoa em relação a sentimentos, opiniões, emoções, desejos e motivações divergentes. Este conflito provoca um colapso nos mecanismos decisórios normais e pode provocar dificuldade na escolha entre alternativas de ação.

• Externos – quando ocorre entre uma pessoa e outra ou entre dois grupos de pessoas. Mais conhecido como conflito social, que ocorre entre pessoas ou grupos de pessoas com interesses ou objetivos antagônicos.

É importante saber também que os conflitos possuem níveis de gravidade, conforme abaixo.

• Conflito percebido – ocorrem quando as partes percebem e compreendem que o conflito existe porque sentem que seus objetivos são diferentes dos objetivos dos outros e que existe oportunidade para interferência.

• Conflito vivenciado – acontece quando o conflito provoca sentimentos de hostilidade, raiva, medo, descrédito entre uma parte e outra. É o chamado conflito velado, quando é dissimulado, oculto e não manifestado exatamente com clareza.

• Conflito manifesto – este reflete o conflito expresso e manifestado pelo comportamento, que é a interferência ativa ou passiva por pelo menos uma das partes. É o chamado conflito aberto, que se manifesta sem dissimulação entre as partes envolvidas.

E quando o líder, gestor ou treinador percebe a existência de conflito, como ele deve proceder? Para poder lidar com estas situações, é importante que saibamos quais são os tipos de estilos que podem ser utilizados para uma eficaz gestão de conflitos.

Fique ligado e acompanhe nossa coluna da próxima semana, pois abordaremos esses estilos para lidar com os conflitos em suas equipes. Até lá! 

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