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09/01/2018

Na idade das trevas

O futebol é patrimônio nacional e merece ser bem tratado. É preciso fazer com que o bom torcedor (a grande maioria) não seja mais conivente com o que não é normal

Definitivamente estamos na idade das trevas quando se trata da organização e gestão do futebol no Brasil. Salvo algumas pontuais iniciativas que estão – que bom – sendo bem-sucedidas. Entretanto, de uma maneira geral, faz-se um desserviço à modalidade, um dos maiores patrimônios deste país.

Depois da tragédia do Maracanã na final da Copa Sul-Americana, estão escancarados todos os cenários pelos quais os torcedores podem passar quando vão a um estádio. Isso não é normal. Os mandos e desmandos de dirigentes populistas, também não. O presidente da entidade máxima do futebol nacional (CBF) afastado e o consequente vácuo de poder na instituição, mais a passividade dos clubes e federações estaduais em relação ao tema, não são – em nenhum lugar – situações normais. Inadmissíveis.

Fonte: O Popular

 

Dizem que o futebol é reflexo do cenário atual do país. Quero lembrá-los que existem exceções. Pois bem, são de fato reflexo, haja vista o caos social, econômico e político em que o Brasil está. Caos: a melhor palavra. Situações que não são normais em hipótese alguma.

Fonte: Divulgação

 

Pobreza não é normal. Violência não é normal. Interesse individual ou de pequenos grupos acima do coletivo, favorecimento, tráfico de influência não são normais. Enriquecimento ilícito, idem.

Mas as coisas estão em processo de mudança. Ah, como estão! As crianças cada dia mais torcem para clubes de futebol do estrangeiro. Inclusive gritaram “é campeão” quando o Real Madrid ganhou o último mundial de clubes, nos Emirados Árabes. Seus pais, conscientes dos riscos nas arenas (algumas só se forem de guerra mesmo), não levam os filhos aos jogos. E com o tempo este legado, outrora falado com a boca cheia pelo pai que o filho torce pelo mesmo time, não é passado. No futuro, o filho passará para o neto.

Infelizmente, só se reflete nisso quando acontece uma tragédia – como a do Maracanã do dia 14 de Dezembro – ou quando uma equipe europeia vence uma sul-americana pelo mundial de clubes. Vivemos do passado. Quem vive do passado é museu. E então, procura-se por todas as respostas. Claro que há inúmeros fatores que faz o futebol europeu estar bem à frente do sul-americano e brasileiro, como por exemplo: o PIB dos países, a força da moeda (em consequência da competitividade, tecnologia, inovação e poder de consumo) e o mercado comum europeu de livre circulação de pessoas e mercadorias. Ora, é reflexo da sociedade de lá. Claro, nem tudo são maravilhas. No entanto é consequência do trabalho coletivo, da constância, da eficiência, da excelência, de querer que seja feito da melhor maneira. De uma cultura – de trabalho – vencedora.

Com tudo isso, mesmo com isso tudo, é possível mudar. E a mudança está nos torcedores, a essência deste esporte. Basta não sermos coniventes com o que não é normal, querermos mais e melhor. Sempre

Comentários

  1. ILTON disse:

    REALMENTE O FUTEBOL BRASILEIRO VIVE UMA DECADÊNCIA SEM FIM. TUDO O QUE É DE RUIM NA POLITICA PÚBLICA FOI ESCANCARADO DENTRO DO FUTEBOL TAMBÉM. PATRIMÔNIOS CADA VEZ MAIORES DOS MANDATÁRIOS E NENHUMA PREOCUPAÇÃO COM O NOSSO FUTEBOL. TUDO DE RUIM VEM ACONTECENDO AS ARQUIBANCADAS E PRATICAMENTE NENHUMA PUNIÇÃO SE DECRETA AOS VERDADEIROS CULPADOS. A EXEMPLO, FICA A PUNIÇÃO AO VASCO DA GAMA NA PERDA DE JOGOS EM SEU ESTÁDIO DIANTE DA CONFUSÃO EM SÃO JANUÁRIO EM PARTIDA CONTRA O FLAMENGO. REALMENTE UMA GUERRA, ONDE BANDIDOS UNIFORMIZADOS NÃO TIVERAM PUNIÇÕES. LOGO DEPOIS TIVEMOS OUTRAS MAZELAS EM OUTROS ESTÁDIOS, INCLUSIVE NO MARACANÃ NA FINAL DA SUL-AMERICANA. E O PIOR QUE NÃO SOBROU NADA PARA SEU NINGUÉM, NEM CLUBE E NEM TORCEDORES. A FINAL, O FUTEBOL NÃO É UNIVERSAL???? POIS É, A FALTA DE SEGURANÇA QUE ALEGARAM EM SÃO JANUÁRIO FOI A MESMA DO TÃO SEGURO MARACANÃ….
    HOJE EM DIA CADA VEZ MAIS DIFÍCIL IR AOS ESTÁDIOS, POIS A SEGURANÇA É TAMANHA. E ME PARECE QUE OS CLUBES NÃO ESTÃO MUITOS PREOCUPADOS. POIS NÃO FAZEM ALGO PARA COIBIR ESSES BANDIDOS UNIFORMIZADOS DENTRO DOS ESTÁDIOS. SÓ FALAM PUBLICAMENTE QUANDO ALGO DE ERRADO ACONTECE E QUANDO ESFRIA NADA DE AÇÕES E INTERVENÇÕES.

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