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17/11/2015

O Brasil pode ser maior

Hoje, as oportunidades não estão concentradas em todos os estados; jogadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste sequer aparecem nas seleções de base

O roraimense Thiago Maia é, provavelmente, a revelação do Campeonato Brasileiro 2015. Recentemente, ao Globoesporte.com, o volante santista detalhou os primeiros passos de sua história no futebol. Deixou a região Norte rumo a São Paulo ao lado da mãe, aos 13 anos, para testar no Corinthians. Foi reprovado, bateu à porta de clubes, passou necessidades, morou em um motel e, por sorte, encontrou o futuro na Vila Belmiro. Não é uma trajetória tão rara assim.

Hoje, no futebol brasileiro, as oportunidades não estão concentradas em todos os estados. Migrar como Thiago Maia fez, muitas vezes, é uma aposta a ser feita no país que não aproveita suas dimensões continentais para alcançar a excelência no esporte. Mas pode haver, a médio prazo, um futuro diferente.

Em Porto Velho (RO), as obras para um centro de treinamento bancado pela Fifa, com lucros provenientes da Copa do Mundo 2014, estão em andamento. Serão 15 estados contemplados em um orçamento total de 100 milhões de dólares. Exatamente, as capitais que não receberam jogos do Mundial. É a chance de se mudar, de alguma forma, uma parte da história do futebol brasileiro.

Entre os 23 jogadores convocados por Luiz Felipe Scolari para a Copa, apenas nove estados brasileiros foram contemplados com representantes. Não havia ninguém nascido no Norte, com mais de 17 milhões de habitantes. Do Nordeste, vieram, além do baiano Daniel Alves, o paraibano Hulk, o pernambucano Hernanes e o também baiano Dante. Desses três últimos, em comum, o fato de que não se afirmaram como esportistas nos clubes de seus estados. Também precisaram migrar em algum momento.

Na prática, o Brasil aproveita apenas uma parte de seu potencial como país com dimensões continentais. Em sua passagem como coordenador das seleções de base, entre 2010 e 2012, Ney Franco diagnosticou o problema. Eram raros os casos de jogadores chamados de clubes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com exceção da dupla Bahia e Vitória. A ideia de Ney era estimular todos os estados com visitas e convocações, o que também fez Alexandre Gallo.

Mas, a rigor, pouco se evoluiu para que jovens como Thiago Maia pudessem ser encontrados em Roraima, sem precisar atravessar o País em aventuras incertas e arriscadas. Além disso, quantos jogadores com potencial renunciaram a esse sonho? Atingir cada garoto que deseja ser jogador é uma das margens para crescimento no futebol brasileiro. O exemplo vem justamente do país que nos aplicou 7 a 1.

Além de criar mais de 360 centros de treinamento como os 15 que a CBF pretende construir, a Federação Alemã (DFB) fechou parceria com a Mercedes-Benz para um projeto chamado DFB Móvel. Com 30 viaturas da montadora, técnicos visitaram semanalmente as cidades onde não há um campo da Federação. Em cinco anos, segundo dados oficiais, 10 mil visitas foram realizadas atrás de garotos talentosos, além de dar noções de formação aos treinadores locais.

Desenvolver políticas desse tipo, que aumentem a abrangência do país, mudaria o futebol brasileiro de patamar. Os centros de treinamento em 15 estados seriam o pontapé ideal. Tudo dependerá do plano de administração que a CBF dará a eles.

PS.: Em aparições na Universidade do Futebol, propostas como essa serão apresentadas para o crescimento do futebol brasileiro.

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