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Freud, sexo e futebol

Sempre que nos aproximamos de uma Copa do Mundo aparece nos meios de comunicação o assunto sobre se os jogadores devem ou não ter relacionamentos sexuais no período de preparação e, principalmente, durante o período desta curta, árdua e consagradora competição.

 

Apesar da comemoração, há cerca de um mês, dos 150 anos do nascimento de Sigmund Freud, o médico que introduziu a questão do sexo como assunto científico, parece que ainda vivemos na mais plena ignorância quando o relacionamos com o desempenho esportivo.

 

Conheço clubes no Brasil que chegam ao exagero de concentrar seus jogadores durante dois dias antes de cada jogo para evitar, entre outras razões, que eles tenham contato com o sexo feminino.

 

Numa Copa do Mundo há comissões técnicas e dirigentes que, implicitamente, gostariam que seus atletas permanecessem na mais total abstinência durante toda a competição.

 

Levando-se em conta que um futebolista profissional não é apenas um feixe de músculos, mas como todos nós um ser essencialmente humano, precisaríamos entendê-lo dentro de toda a sua complexidade e não apenas através de poucos parâmetros fisiológicos ou biológicos, de validade muito relativa.

 

Por mais que Freud possa ser questionado neste século 21 por vários de seus conceitos psicanalíticos, não se pode negar o papel de muitas de suas idéias quando o tema é sexo. Uma delas é sobre a importância de nossas tendências sexuais na regulação de nossos processos psíquicos inconscientes.

 

Concordando ainda com o psicanalista austríaco, quando pondera que esses nossos processos psíquicos inconscientes são muito mais relevantes em nossas atitudes e comportamentos do que tudo aquilo que fazemos conscientemente, não é difícil concluir que precisaríamos entender melhor tudo isso, antes de proibirmos ou consentirmos que os atletas mantenham atividades sexuais durante determinados períodos.

 

Sexo, futebol, arte, religião e tantas outras manifestações humanas têm intimas relações entre si, mas que infelizmente ainda escapam daquelas ciências que conseguem entrar nos campos de treinamento, concentrações e estádios.

 

Quem sabe nas próximas Copas tenhamos respostas mais seguras sobre este polêmico e instigante assunto.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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Futebol, filosofia e brincadeira

Particularmente aprecio o período que antecede cada Copa do Mundo, pela riqueza de abordagens que podemos observar, nos diferentes meios de comunicação, sobre esta especialíssima modalidade esportiva chamada futebol.

 

Tentar entender o fenômeno futebol é sempre uma tarefa fascinante.

 

E para a realização deste exercício há vários caminhos.

 

Inúmeros estudos em todo mundo se multiplicam sobre o futebol, analisando-o sob os mais diferentes ângulos; no plano histórico, sociológico, cultural.

 

Mas nada mais instigante e complexo do que tentar entender este fenômeno através da filosofia. A filosofia que se propõe, embora nem sempre com muito sucesso, a responder os porquês da vida.

 

Perguntar por que gostamos de ver ou jogar futebol é uma pergunta tipicamente filosófica. Mas se esta área do conhecimento humano é quase que perfeita na arte de fazer perguntas, suas respostas, como disse, nem sempre nos satisfazem.

 

No caso do futebol algumas pesquisas nos ensinam que talvez possamos entender o enorme fascínio que esta manifestação cultural causa nas pessoas, através da teoria do jogo.

 

O homem é um ser que se relaciona, que interage com seus semelhantes, que brinca, que joga. Joga com as idéias, com os sentimentos; joga com a cabeça, com as mãos e adora jogar com os pés.

 

O desejo de jogar é, portanto, inerente ao ser humano. O jogo faz parte da nossa natureza. O ato de jogar é um forte ingrediente no qual, através de distintas resignificações, vamos formando nossa base cultural.

 

Assim, através de progressivas sistematizações do jogo, parecem ter surgido as diferentes modalidades esportivas, entre elas o tão badalado futebol.

 

A própria filosofia, ao tentar explicar o mundo, joga com os elementos racionais e intuitivos que a humanidade dispõe em cada período histórico, fazendo perguntas e experimentando respostas.

 

Nesta perspectiva não seria descabido concluir, em certo sentido, que assim como a vida, o futebol, pode ser nada mais do que um grande jogo; em outras palavras, uma grande brincadeira.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br