O mundo é o bastante?

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Semana passada, Richard Scudamore – o chefão da Premier League – anunciou os planos da instituição de criar uma rodada extra para o campeonato, rodada esta que seria disputada em algum país estrangeiro. O que parecia ser uma idéia que iria causar odes infinitas aos dirigentes dos clubes ingleses, acabou não dando lá muito certo. Quase ninguém gostou, a exceção dos políticos de Hong Kong, que abriram as portas do país. Ou melhor, os campos.
 
Internamente, a idéia despertou inúmeros protestos, especialmente dos grupos organizados – realmente organizados – de torcedores ingleses, que são representados pela Supporters Direct. Eles afirmaram que isso era mais um passo no processo de afastamento dos clubes da sua torcida, um processo que, segundo eles, é cada vez mais intenso desde a própria fundação da Premier League. A rejeição foi tão grande que os torcedores ameaçaram boicotar não apenas os clubes, mas também todos os patrocinadores dos clubes e do campeonato. Sentindo o tamanho da revolta, o governo inglês também se posicionou contrário à idéia, uma vez que não seria bom despertar tamanho sentimento de insatisfação dentro do já fragilizado ambiente político do país. Não bastasse tudo isso, os próprios países que eventualmente poderiam receber os jogos, como China e Japão, também não perderam tempo em dizer que eles não concordavam com a proposta, e que os seus campeonatos vão muito bem, obrigado, para precisar importar uma rodada oficial de um campeonato estrangeiro.
 
Independente de a proposta da Premier League ser boa ou ruim, ela apenas demonstra a avidez comercial da liga mais poderosa do mundo. A English Premier League tem ficado tão famosa, tão poderosa, que nem cabe mais na própria Inglaterra. É um processo muito semelhante ao sofrido pela NBA, que começou recentemente a ter partidas disputadas em outras nações, com a diferença que o basquete raramente representa qualquer sentimento de orgulho nacional. Dessa forma, os países que recebem as partidas da NBA não se sentem ofendidos ou explorados com a intromissão estrangeira, muito pelo contrário.
 
A FIFA, obviamente, não gostou da idéia. Até porque, tudo leva a crer que em breve haverá uma acirrada disputa entre Premier League e a própria FIFA. Na medida em que a EPL crescer, ela ganha importância e pode eventualmente se separar do mundo do futebol, aí também num processo extremamente semelhante com o passado pela NBA. No basquete, a federação internacional teve que se dobrar para o poderio americano, inclusive alterando regras básicas da competição, muito pela necessidade de poder contar com o time americano profissional em suas competições mais importantes. No basquete, a FIBA precisa mais da NBA do que a NBA precisa da FIBA.
 
No futebol, pelo menos por enquanto, a EPL precisa mais da FIFA do que a FIFA da EPL. Porém, dependendo daquilo que o futuro reservar, esse cenário pode se transformar, o que causaria uma revolução completa no futebol que conhecemos hoje.
 
Tanto Inglaterra quanto os EUA possuem um passado, e de certa forma o presente, imperialista e colonizador. Para países como esses, as divisas nacionais raramente são limites reais para projetos mais ambiciosos. Por enquanto, parece que o projeto da EPL foi colocado na gaveta, mas de forma alguma foi abandonado. Resta saber o que vai acontecer mais pra frente.
 

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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