Dois não é, simplesmente, igual a um mais um

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O futebol nos brindou com duplas que se consagraram nos gramados, cujo entrosamento era visível em diversos aspectos.

Podíamos dizer que era uma relação amorosa baseada no talento dos jogadores.

Washington e Assis, o famoso Casal 20 do Fluminense campeão brasileiro de 1984.

Bebeto e Romário na Copa de 1994.

Gullit e Van Basten na Holanda da Eurocopa e no Milan de Arrigo Sacchi.

Maradona e Careca no Napoli que dominou o Calcio no fim dos anos 1980.

Pelé e Pepe no mítico Santos.

Edmundo e Evair no Palmeiras e também no Vasco na década de 1990.

Ronaldinho Gaúcho e Eto’o no Barcelona.

Paulo Nunes e Jardel, no Grêmio de Felipão.

Rivaldo e Ronaldo na Copa do Mundo em 2002.

Também tivemos, na zaga, monstros sagrados atuando juntos, como Oscar e Dario Pereira no São Paulo, além de Maldini e Baresi no Milan.

O grau de conhecimento recíproco que um tinha do outro, nas suas forças e fraquezas, permitia cimentar a relação no campo, fazendo com que não mais se pudesse considerar apenas um ou o outro.

A referência era sempre conjunta.

A bola necessitava vê-los lado a lado.

Tal qual um casal de namorados, amantes, existia algo quase místico para que uma espécie de reação química promovesse a interação.

Os amigos os tinham como dupla perfeita. Bastava um olhar, ou até mesmo sem olhar entre ambos para as coisas funcionarem – algo premonitório, como dizia Chico Buarque, ao afirmar que “o drible de corpo é quando o corpo tem presença de espírito”.

Mal sabiam os vizinhos que isso também era construído, nos treinamentos, com muito empenho e dedicação. Às vezes com brigas, discussões, hiatos.

Mas sempre superados, já que os objetivos eram comuns e o respeito prevalecia.

Numa dupla ou casal, a comunicação não-falada existe e funciona.

Mas a verbalização deve sempre existir, para que o silencio não opere e possa ser interpretado, equivocadamente.

Isso se exercita todos os dias da semana e constantemente. Não se deve achar que é algo automático, divino ou que se ganha de presente.

Não é dado, é construído.

Um relacionamento a dois provoca um cenário complexo, em que A+B não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C”, que possui características próprias.

E não se trata de perder ou anular a identidade individual. Ao contrário.

Como canta o espanhol Joaquin Sabina, “Pero dos no es igual que uno más uno”.

Quando a relação de uma dupla é vista, nitidamente, por todos, como um elemento “C”, um ente uno, realmente atingiu o estado da arte.

A e B sempre poderão se lembrar do tempo em que passaram juntos com bastante alegria.

Ainda que se separem e formem um outro elemento C.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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