Atacar bem: o próximo passo do futebol brasileiro

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Crédito imagem – Ricardo Stuckert/CBF

O próximo passo da evolução do jogo no Brasil está ligado a formas mais elaboradas de atacar. Já aprimoramos nossos sistemas defensivos. Até porque, por diversas razões, o futebol é um jogo em que é mais fácil defender do que atacar: o gol é pequeno em comparação ao tamanho do campo, há uma regra diferente para um jogador em específico (o goleiro) evitar os gols, gerenciar apenas o espaço e não o espaço e a bola também torna defender mais simples, além de inúmeros outros fatores. Neste jogo em que a defesa sobressai ao ataque – podemos ter cem ações ofensivas para apenas um, ou às vezes, nenhum gol marcado – é necessário um refinamento muito grande para levar a bola ao alvo adversário. E na medida em que o jogo fica mais veloz e com espaços mais reduzidos se exige ainda mais capacidade individual e coletiva para cumprir a lógica e objetivo do jogo.

Já temos muito bem consolidado nas principais equipes brasileiras conceitos ofensivos como amplitude, profundidade, mobilidade e etc – algo que compõem ideias coletivas da escola portuguesa, embrulhadas no termo modelo de jogo. Porém o que se vê de mais contemporâneo é o jogo voltando a ser estudado e treinado a partir do indivíduo para o coletivo. Um jogador com boa percepção para entender os problemas do jogo e capacidades técnica e cognitiva para resolvê-los ajudará a compor uma equipe melhor. A própria escola espanhola já contextualiza tão bem as vantagens (numéricas, posicionais, qualitativas, dinâmicas e de entrosamento) que o jogo de posição oferece como base, mas que podem ser muito bem utilizadas por qualquer outro jeito de jogar. 

É possível treinar um jogador para tomar melhores decisões. É possível fazer com que ele tenha a percepção das vantagens que o jogo vai oferecendo e qual a melhor maneira de aproveitá-las. Ou até mesmo um aperfeiçoamento do que esse atleta tem de melhor em proveito da equipe –  é vantajoso cruzar muitas bolas na área se o nosso centroavante for o Lewandowski, que cabeceia cada vez com mais qualidade, porém se o nosso ‘9’ for o Gabriel Jesus é melhor um jogo por baixo. 

Enfim, partindo do indivíduo ou do coletivo, o que não cabe mais é um jeito aleatório de atacar. Deixar o talento por si só resolver. Já passamos da época – faz tempo, graças a Deus – de que o bom treinador era aquele que armava a defesa e não ‘atrapalhava’ a criatividade dos homens de ataque.

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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