A visão do torcedor no novo cenário de mídia do futebol brasileiro

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Onde vai passar o jogo do meu time? Há alguns anos, esta pergunta não era necessária no futebol brasileiro. Os torcedores sabiam que poderiam ver a partida dos seu clube nos canais da Rede Globo, seja televisão aberta, fechada ou pay-per-view, de acordo com o horário e competição. Dependendo da importância do jogo, também era de conhecimento dos fãs que não haveria transmissão e a saída seria recorrer ao rádio.

Para 2021, o cenário está totalmente diferente e aqui mesmo no site da Universidade do Futebol, o Wilson Júnior destacou essa variedade de canais de transmissão, com a mais recente entrada do TikTok no caminho. A rede social de vídeos curtos transmitiu nos últimos meses partidas da Copa do Nordeste e do Campeonato Carioca. Mas como fica o torcedor nisso tudo?

Por parte dos clubes e dos campeonatos, esta grande quantidade de canais pode ser muito positiva. Cada meio de transmissão possui suas características próprias, que devem ser direcionadas para cada um dos diferentes públicos existentes em uma torcida. A Copa do Nordeste, por exemplo, oferecia transmissões focadas no torcedor mais apaixonado, em parceira com influenciadores digitais, direto da Twitch. Para quem preferisse uma opção mais neutra, os canais de televisão cumpriam bem este objetivo.

Para o torcedor, nem tudo são flores. Utilizando o exemplo da Libertadores e Copa Sul-Americana, vemos que quando existe exclusividade por parte dos canais de transmissão, acompanhar o jogo do seu time vira uma missão muito difícil de ser atingida. As competições da Conmebol são transmitidas, desde 2020, via  Conmebol TV, um canal de pay-per-view cujo valor de assinatura mensal é R$ 40,00, para acompanhar alguns jogos que passam única e exclusivamente na Conmebol TV.

O crescimento de plataformas piratas, mostra que este mercado ainda não está em seu nível ideal. O Campeonato Carioca de 2021, que também contou com seu sistema de ppv, passou por diversos problemas com canais ilegais, com diversos sites, perfis de redes sociais e canais no YouTube sendo derrubados por transmitirem as partidas sem autorização. Este fenômeno apenas confirma que os desejos dos torcedores ainda estão longe de serem atingidos quando o assunto são as transmissões das partidas.

A indústria da música passou por um problema semelhante. Foram diversas décadas de programas sendo utilizados para baixar as canções de maior sucesso nacional e internacional. Apenas nos últimos anos que soluções vem sendo encontradas para diminuir este número. A Federação Internacional da Indústria Fonográfica divulgou que em 2019, 27% das pessoas consumiam músicas de forma ilegal. Apesar do número ainda alto, foi a primeira vez que ele esteve abaixo dos 30%.

As plataformas de streaming esportivo ainda tem muito espaço para crescer. Entender a necessidade de consumo dos torcedores e quanto eles estão dispostos a pagar por isso são dois aspectos que precisam ser entendidos por quem trabalha com estas novas mídias. O DAZN, por exemplo, passou por isso em sua chegada ao Brasil, quando precisou diminuir o valor da mensalidade, que caiu de R$ 37,90 para R$ 19,90.

O Facebook foi mais uma rede a passar por mudanças. Seu acordo de transmissão da Copa Libertadores era de exclusividade no Brasil para as partidas de quinta-feira. Em 2021 isso teve de ser alterado, com uma parceria entre a rede social e a Fox Sports para transmissão de algumas partidas em ambas as plataformas. Isso já acontece na Liga dos Campeões com transmissões da TNT Sports e do próprio Facebook da mesma partida. Como o público é distinto, a rede social consegue apresentar boa audiência com as finais atingindo números na casa do milhão de espectadores.

Dificultar o torcedor de ver seu clube pode ser péssimo para o futuro, ainda mais com tantos concorrentes na disputa pela atenção. Abrir o YouTube é uma tarefa que as crianças aprendem cada vez mais cedo. Se o jogo de futebol estiver escondido em um canal de mensalidade alta, certamente o jogo vai perder alguns fãs. Sem contar todas as plataformas de streaming e vídeo games disponíveis.

Para finalizar o texto, gostaria de ter uma conclusão bem estruturada para passar aos leitores. No entanto, este mercado vive uma série de transformações que tendem a continuar por algum tempo. Aos gestores do esporte, cabe considerar alguns dos tópicos listados aqui no momento de negociar os direitos de transmissão dos próximos campeonatos. Que não pensem apenas nos valores do contrato, mas lembrem da importância de seu torcedor para o futuro do esporte.

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Economista pela PUCRS, com especialização em Gestão Esportiva pela FGV/CIES/FIFA. Fundou em 2018 o projeto Cadeira Central, uma consultoria em gestão e inovação no esporte, que também conta com a produção de conteúdo para redes sociais.

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