Avaliação do Erro no Futebol

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Por: Bruno Loureiro

Olá a todos, hoje falaremos sobre a análise de uma das questões mais importantes do futebol, ou seja, o ERRO, afinal como dizem: “se ninguém errasse, o jogo terminaria zero a zero!”  Tentar analisar o erro pode ser algo extremamente objetivo e de fácil definição, mas a sua origem na maioria das vezes se torna algo subjetivo, não calculável, dependente do contexto, identidade e estratégia de jogo.

Escrever sobre erros no futebol exige entender que o erro é a unidade básica do jogo. Para a análise de desempenho e também para as plataformas de análise IA, o desafio é transformar o “lance de azar” em um dado classificável.

Na formação de um jogador, o erro é parte integrante inevitável do processo. No profissional, o erro pode acarretar perda não apenas de uma partida, mas de uma temporada, de um ciclo ou de uma inteira trajetória. A importância de conhecer o erro permite corrigi-lo e, ao reconhecê-lo, poder evitar que aconteça novamente (“Conhecer para Reconhecer”).   

Na origem da palavra “errar” que vem do latim errāre significa “vagar”, “andar sem rumo” ou “desviar-se” do caminho. No futebol podemos fazer uma analogia que erro não significa apenas finalizar para fora do gol, mas a partir do êxito, mas ter a competência de reconhecer o porque da situação e como corrigir-lo. Ou seja o que fez ele “desviar-se” do seu objetivo.

Segundo o estudo sobre a análise sequencial, o gol raramente é fruto de um único erro isolado. Geralmente é o resultado de uma sequência de 3 a 5 microerros acumulados em um curto intervalo de tempo, geralmente menos de 20 segundos (Castellano; 2000).

Usaremos exemplo do gol sofrido pelo Brasil no amistoso contra a França.

No estudo os erros foram divididos em 3 tipologias de sequência

  1. Erros “Gatilho” (Trigger): Parecem inofensivos, mas quebram o equilíbrio tático
(ex: Nāo reação a bola perdida / recomposiçāo).

2. Erros “Amplificadores”: Reações erradas dos companheiros que tentam compensar o erro inicial, agravando a situação.

(Romper a marcação fora do tempo / Nāo temporizar)

3. Erros “Terminais”: A falha técnica final.

(ex: Inferioridade numérica nos últimos 20 metros / Leitura de fechamento de linha de passe)

As raízes de um erro possuem tantas variáveis que não podem ser contabilizadas de forma objetiva. Dada a dificuldade de determinar as origens de um erro devido à individualidade e características de cada sujeito, existem indicadores que podem ajudar a avaliar o desfecho negativo de uma ação em uma partida?  

Entender sobre as tipologias do erro, nos ajuda a reconhecê-los e corrigi-los. Para uma reflexão pratica, utilizaremos como referência uma situação de jogo de re-construção/saída de bola que não teve como êxito a progressão para o segundo terço do campo.

APROFUNDAMENTO

 Refletindo sobre a questão, existem algumas possibilidades de avaliação de um erro, que podem ser:  

  • Técnico
  • Tomada de Decisão (Escolha)
  • Ocupação de Espaço
  • Tática Individual  

TÉCNICO (Execução)

Provavelmente, entre as quatro possibilidades, esta é a mais evidente e reconhecível. Para exemplificar vamos imaginar os possíveis erros do defensor que tenta um passe para um meio-campista que podem ser:

  1. Transmissão que não chega do jogador A ao jogador B.
  2. Transmissão que chega ao destino, mas em condições inadequadas (muito forte, muito fraca, alta, etc.).
  3. Transmissão chega ao destino, em condições corretas, mas no ponto errado (no pé mais perto da pressão adversária que pode retardar ou facilitar a pressão não dando sequência a jogada.
  4. Controle (domínio) que não permite a continuidade funcional da jogada.
  5. Controle com perda da posse de bola.  

TOMADA DE DECISÃO (ESCOLHA)

O erro de escolha, segundo a FIGC (Federazione Italiana Giuoco Calcio), seria um erro de tática individual visto que a execução técnica é a parte final do processo chamado de OODA (Observar, Orientar, Decidir e Agir). Exemplos na construção:

  • Não avaliação da condição numérica (superioridade/inferioridade), vantagem posicional ou qualitativa.
  • Desconhecimento do princípio tático.
  • Falta de vivência da situação específica.  

OCUPAÇÃO DE ESPAÇO

Com base no contexto (bola, meta, adversário, companheiro), existe uma distância de relação entre os jogadores. As distâncias permitem a interação e a ocupação do espaço conforme a estratégia. Devido a dinamicidade do jogo, essas distâncias podem não ser respeitadas:

  • Pouca distância entre jogadores, facilitando a pressão ultra ofensiva adversária.
  • Distância excessiva, diminuindo as linhas de passe para o portador.
  • Ocupação que não permite o aproveitamento da superioridade numérica do goleiro.  

TÁTICA INDIVIDUAL

Envolve a tomada de posição e marcação (fase defensiva) e o orientação do corpo e desmarcação (fase ofensiva). A orientação do corpo de quem recebe é determinante. Erros comuns:

  • Posicionamento “flat” (corpo plano/fechado).
  • Estar de costas, sem visualizar a bola ou o campo.
  • Calcanhares no chão, reduzindo a reatividade.  

ADVERSÁRIO 

–   o erro não pode ser considerado apenas um demérito coletivo ou individual, mas temos que levar em consideração os oponentes, segundo ainda o estudo de chain analyse, o adversário é um construtor de contexto (castellano;2000) que muitas vezes podem forçar o erro de tomada de decisão diminuindo o tempo-espaço através  de uma pressão organizada, que pode ser medido através do chamado ppda- passes por ação defensiva.
VARIAVEL OCULTA

– Os eventos de uma partida não são lineares; não seguem uma causa-efeito estreita. O desgaste físico, a leitura de jogo e a inteligência emocional influenciam diretamente no contexto de cada ação. 

Apesar da condição biopsicossocial do ser humano, eles são considerados variáveis que fogem estrutura lógica do futebol. O erro, para fins da análise, é definido exclusivamente por indicadores espaciais, temporais e relacionais, ou seja, que sejam mensuráveis, garantindo que a unidade de medida seja o comportamento dentro do contexto e não a condição do indivíduo que podem ser diferentes entre si. Afinal se uma equipe toma um gol pois está “cansada” ou porque faltou “concentração”, provavelmente tais estados já se traduziram em métricas objetivas de queda de performance. Apesar de reconhecer a importância da variável oculta, ao focar no dado, a análise ganha precisão ao tratar o erro como evento principal; fato é que o jogador certo estava no lugar errado, no tempo errado. 

“Conhecer para Reconhecer e Reconhecer para Corrigir”

Bruno Loureiro Batista é Treinador/Analista de Partidas Individuais no setor de base da Juventus FC. É graduado em Ciências do Esporte pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e possui licença UEFA A. Possui experiência em análise de desempenho e desenvolvimento individual de atletas, atuando no futebol europeu de alto rendimento.
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/bruno-loureiro-batista-a95681165/

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9 respostas em “Avaliação do Erro no Futebol”

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