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Crédito Imagem: Reprodução/EC Bahia

Pré-temporada mesmo curta, não deixa de ser pré-temporada. E como tudo evolui, já não vemos, pelo menos nos grandes clubes brasileiros, aquelas longas sessões físicas, que só desgastam o jogador, sobretudo no aspecto emocional, e que pouca relação tem com o jogo em si. 

E junto com esses já iniciais trabalhos com bola, talvez no terceiro, quem sabe até no segundo dia de treinos, vêm as ideias do treinador. Todo profissional tem suas preferências conceituais. Simplificando o conceito de Modelo de Jogo, movimentos preferenciais de como se comportar na defesa, no ataque e nas transições. Exemplo: ao perder a bola, qual comportamento será padrão dos jogadores: buscar retomá-la rapidamente ou retroceder de maneira compacta para proteger o próprio alvo?

Mas se todo bom técnico tem suas ideias, os excelentes tem flexibilidade para adaptá-las ao contexto e principalmente aos jogadores que estão a disposição. Recorro ao mesmo exemplo da transição defensiva: um treinador pode gostar de executar uma ‘contra-pressão’ (gegenpressing), mas se no elenco que ele tem não há jogadores rápidos, com boa leitura de ocupação de espaços, capazes de assim que a posse for perdida pressionar rapidamente o adversário portador da bola e fechar as linhas de passe mais próximas, pode ser mais vantajoso contemporizar e voltar para marcar atrás da linha de bola.

Essa flexibilidade e esse entendimento são fundamentais para o treinador que está chegando e também para aquele que continua no mesmo clube. Por exemplo, não é só o português Paulo Sousa que precisará esmiuçar o seu elenco no Flamengo, entendendo as características individuais de cada jogador e ver como as conexões entre eles cria coisas novas e antes inimagináveis, como o próprio Abel Ferreira, mesmo permanecendo no Palmeiras, terá jogadores diferentes e sobretudo um contexto diferente, já que agora ele é o bicampeão da Libertadores e isso afeta tanto o ambiente interno como o externo.

A graça do futebol ainda está na imprevisibilidade. Amo números e defendo com unhas e dentes a integração deles a tudo o que acontece dentro das quatro linhas. Entretanto, a habilidade humana de potencializar o todo utilizando da melhor maneira cada uma das partes sempre será insuperável.

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Jornalista, apresentador e reportér de radio e televisão. Egresso de cursos da Universidade do Futebol, Marcel reflete sobre o jogo a partir da perspectiva do pensamento sistêmico.

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