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Por um futuro melhor

Final de semana de clássicos pelo Brasil. Corinthians x São Paulo na capital paulista, Cruzeiro x Atlético-MG em BH, no Rio, Botafogo x Flamengo e por aí vai. Sinônimo de semana cheia antes, durante e depois dos jogos para a imprensa. E, para o torcedor, certeza de muita polêmica.

A morte de um atleticano em Minas Gerais (sem contar diversos outros problemas de confrontos entre cruzeirenses e atleticanos em BH e arredores) ou o clima de guerra transferido para o campo de jogo entre Corinthians e São Paulo nos deixa, porém, com um grande ponto de interrogação quando o assunto é o papel da mídia no crescimento do esporte.

Em São Paulo, a busca desenfreada pela polêmica por parte dos colegas de imprensa contribuiu decisivamente para os ânimos de corintianos e são-paulinos ficarem exaltados nos 90 minutos de futebol no Morumbi. Tudo por conta da carga de ingressos a ser destinada para a torcida alvinegra, visitante no domingo, naquele que será o estádio paulista da Copa de 2014. 

Estádio que, diga-se de passagem, está com mais da metade de seus assentos comprometidos comercialmente. Seja com torcedores ou com empresas que ajudam a pagar a conta cada vez mais cara do futebol profissional de hoje. Comprometidos como apregoa a imprensa na maior parte do tempo, em busca da antecipação de receita e de um caixa em dia para o clube. 

Só que qual é a notícia disso? Não é mais fácil criticar a elitização, a “arrogância” de só dar 10% dos 60 mil e poucos ingressos colocados à venda, ou qualquer outro motivo que faça vender mais jornal, sintonizar mais o rádio, ligar mais a TV ou clicar mais o site?

Infelizmente o bom senso do jornalista é turvado quando o assunto é a audiência. Em busca da fama, do reconhecimento, da venda do produto ou do raio que o parta, não dá para saber. O fato é que, em vez de agir com a razão, o “coleguinha” quase sempre olha o impacto do que escreverá ou falará apenas do ponto de vista da “notícia”, esquecendo-se de fato da real causa ou da própria realidade daquilo que se escreve, fala, noticia.

Por isso mesmo que hoje, segunda-feira, dia 16 de fevereiro de 2009, o esporte no Brasil encontra uma nova chance de tentar levar o bom senso para as pessoas da mídia. 

O lançamento da Universidade do Futebol® pode ser mais um marco no lento processo de criação de uma nova era para o esporte mais popular do mundo. Era em que a informação é baseada no conhecimento, na troca de ideias, na inteligência, e não na mera busca incessante pelo que é notícia, pelo sensacionalismo puro das notícias popularescas.

Trabalho árduo, que leva tempo para ser construído e, principalmente, para mostrar os seus reflexos. Porque, ao longo dos anos, o futebol profissionalizou-se, ou tentou se tornar mais capacitado para a complexidade que assumiu em pouco mais de um século de existência. 

Hoje, conhecimento e estudo são tão ou mais importantes que a bola na rede, a defesa espetacular ou o grito de campeão da torcida. O futebol é uma ciência tão complexa quanto a química, a física, a matemática, as ciências humanas, as relações sociais. É muito mais que um jogo, é um integrado sistema de forças que atuam e movimentam os mais diferentes setores da economia. Desde o cardiologista que deve cuidar da saúde do torcedor aflito até a mulher que compra a lingerie do time para agradar o marido fanático. 

Por isso mesmo que é preciso ensinar e estudar futebol a cada dia que passa. Nos últimos dois anos e meio pude acompanhar mais de perto o caminho que levou à construção da Universidade do Futebol®. Projeto que talvez seja, atualmente, o mais completo conceito de transformação do futebol de mera paixão a mercado importante de trabalho.

Que a nova era do futebol comece. E leve um futuro melhor para todos nós, apaixonados pelo esporte e que vivemos dele. Sim, porque se hoje é possível viver do esporte (às vezes até em melhores condições do que em muitas profissões), quem sabe não será possível, em breve, viver do ensino do futebol, nas suas mais variadas formas? É por esse futuro que começa hoje a Universidade do Futebol®.

Vida longa ao conhecimento. E que ele leve o bom senso para os jornalistas, formadores de opinião que, atualmente, são cada vez mais meros causadores de casos para quem tenta ser profissional na maior paixão mundial.

PS: Apesar do caráter totalmente voltado à integração e à troca de conhecimento, é impossível não deixar de mencionar aqueles que tornaram possível começar a existir, de fato, a primeira universidade para estudo de futebol no país.

Meus sinceros agradecimentos e, especialmente, cumprimentos para a turma toda. Ao Medina, o homem à frente da idéia, e a seus fiéis escudeiros, Gheorge (que definitivamente não é apenas um Zé), Seo Afif, Tega, Alcides e companhia bela. Sem eles, esse dia provavelmente nunca teria chegado.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.vom.br

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Doença crônica

Robinho é a capa da revista “Veja” desta semana. Qual o motivo para que a principal publicação semanal do país decida estampar a cara de um ídolo do futebol nacional? Só pode ser pelo sucesso dentro de campo do jogador do Manchester City. Ou não…

A capa dada a Robinho poderia reverenciar aquele que já foi muito comparado a Pelé, atleta franzino, surgido meio que por acaso no Santos e que, com a camisa alvinegra, decidiu conquistar (ou, nesse caso, reconquistar) o mundo. Robinho das pedaladas, das diabruras dentro de campo, das travessuras em cima dos zagueiros. Robinho que devolveu ao Santos o status de time campeão após 20 anos de espera e desilusões.

Mas não. O motivo é mais um escândalo que norteia a carreira de uma das maiores promessas do futebol brasileiro e que, a exemplo de outros, se perde no caminho que leva às vitórias, mas que é recheado de fama, dinheiro e mulheres. Ah, as mulheres…

Ex-companheiro de Robinho na seleção que foi à Alemanha em 2006, Ronaldo foi outro que se envolveu em polêmica com as mulheres na semana que passou. Mulheres que cercaram o jogador numa boate em São Paulo, a nova terra do Fenômeno. Tão fenomenal que não percebe o impacto que tem um simples espirro que possa dar. Chama a atenção do mundo inteiro e vira epidemia de gripe na hora.

Mas quem disse que a lambança é só por aqui? Michael Phelps, o ultracampeão dos Jogos Olímpicos de Pequim, também deu sua escorregada nos últimos dias. Foi flagrado fumando maconha (?!?!?!?!) durante uma animada festa nos Estados Unidos. Pode até ser suspenso pela atitude antidesportiva. E já botou em alerta um séquito de marqueteiros da terra do Tio Sam para tentar salvá-lo de um desastre de imagem.

Robinho, Ronaldo, Phelps e tantos outros são vítimas. Sim, isso mesmo. São vítimas de um processo de acompanhamento maciço da mídia sobre suas vidas particulares. Quase todo mundo já derrapou alguma vez na vida. Mas nem todos tinham a importância para a mídia de um Ronaldo, um Robinho ou um Phelps. Mesmo quando a intenção é boa, como foi o caso de Kaká, que doou para a Igreja que freqüenta o troféu de melhor do mundo em 2006.

Não tem como, a imprensa espera o deslize, a conduta que foge do padrão vencedor, vitorioso, insuspeito de um ídolo do esporte. Assim como é na música ou nas artes. A doença é crônica. E o campo de trabalho para evitar que esses deslizes venham a público, maior ainda.

Pena que Robinho e Ronaldo não estejam balizados para conseguir blindar o assédio da imprensa e dos aproveitadores de plantão que toda hora surgem na vida de um famoso. Sorte da mídia, que sempre tem boa história para contar…

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Carta aberta ao João Paulo Medina

Meu muito querido amigo,

 

Depois de conhecê-lo e de consigo dialogar fraternalmente, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde o João Paulo era, há 21 anos, o professor de futebol; depois de reler o seu livro, A Educação Física cuida do corpo… e “mente”; depois de ter sentido a inquietude contínua do Lino Castellani Filho e do João Batista Freire, depressa concluí, nesse Brasil, eterno caminhante da Esperança: que era preciso analisar, com atenção, a interpretação latino-americana de Marx; que, filho de uma Europa debilitada por um profundo cepticismo, nascia um pensamento novo, na franca disponibilidade e profunda curiosidade da América Latina; que o futebol brasileiro não se distinguia unicamente pela valia técnica dos seus jogadores, mas também pela qualidade invulgar de alguns dos seus treinadores. Posso acrescentar, hoje, sem leviandade, que entre os técnicos de futebol mais qualificados com que fiz amizade, em toda a minha vida, está o seu nome.

 

Eu já me tinha doutorado e defendia, contra uma multidão de plumitivos, que a área da impropriamente denominada “educação física” se fundamentava num novo paradigma científico, a ciência da motricidade humana (CMH), onde cabiam a Educação, a Saúde, o Trabalho, o Lazer e o Desporto; que não havia necessidade de preparadores físicos, mas de metodólogos do treino que criassem exercícios onde a complexidade humana do jogador estivesse presente e… não só o físico; que, pela CMH, o ser humano deve. Deve lutar contra todas as formas de alienação e de exploração; deve lutar contra o positivismo que separa os factos dos valores; deve lutar em prol da utopia e da esperança.

 

O meu amigo escutava-me e, com liberdade crítica, acrescentava ao meu discurso mais uma ou outra ideia, onde o meu teoricismo não chegava. Tendo nascido e vivido, até aos 50 anos, à beira de um estádio de futebol, convivi com muitos dos nomes maiores da história do futebol português. Só que nunca pratiquei futebol profissional, como jogador ou treinador. E quem não pratica não sabe! Como modestíssimo filósofo, tento redescobrir aquilo que esclarece o presente e anuncia o futuro. Quando me ocupo do futebol (a minha modalidade preferida) não o faço como especialista do futebol, mas como filósofo que interpreta, no futebol, os sinais do tempo. E o João Paulo de tal forma se sintonizava com um futebol-emancipação que ousei classificá-lo como o primeiro verdadeiro intelectual que conhecera, no mundo do futebol! E, para além do mais, pessoa de admirável formação moral em quem passei a confiar como se de um irmão se tratasse! Recordo que ambos realçávamos (porque conferíamos primazia à complexidade Humana sobre o físico, isolado do todo) a importância da liderança, no trabalho quotidiano do treinador desportivo. É o homem (a mulher) que se é que triunfa no treinador que se pode ser.

 

Em conversas com antigos alunos meus que não têm êxito, como treinadores, na alta competição, não tenho dúvidas em declarar a cada um deles: “O que você aprendeu, na Universidade, não lhe basta para ser treinador, com êxito. E porquê? Porque é bem possível que você não seja um líder; porque muitos dos seus professores desconheciam a alta competição; porque os currículos escolares, na Universidade, podem fazer estudiosos do desporto, mas líderes não fazem, com toda a certeza”.

 

Não basta um conhecimento livresco, é preciso viver. Os médicos, os advogados, os engenheiros, etc., etc. não são experientes e competentes, logo no dia em que findam os seus cursos universitários, mas após muitos anos de prática profissional. Por isso, nos cursos universitários de desporto, bem é que se promova o respeito pelo saber de treinadores de grande prática e sucesso, embora não tenham passado pela Universidade. Demais, o principal objectivo de uma disciplina não é tanto acumular conhecimentos, mas contribuir ao nascimento de novos modos e novas estruturas de pensamento. O meu amigo sabia tudo isto, porque trabalhava, no futebol, com os melhores treinadores brasileiros. Não, nem o meu amigo, nem eu, defendíamos a ausência do ensino escolar, na profissão de treinador de futebol. Éramos universitários, com honra e prazer. Acentuávamos tão-só o primado da realidade objectiva sobre a idealidade das formas cognoscitivas.

 

O conhecimento (e portanto o conhecimento do futebol) assenta e radica, primordial e determinantemente, na própria realidade objectiva. Ocorre-me, neste passo, o Karl Marx de A Ideologia Alemã: “A consciência não pode ser outra coisa senão o ser consciente e o ser dos homens é o seu processo de vida real”. Há uma falsa consciência em quem teoriza e não pratica, porque não tem em conta as relações entre o ser e o pensar. Volto a uma frase que eu, com alguma felicidade, criei: não é pensando que somos, mas é sendo que pensamos!

 

A carta vai longa. Sou forçado a terminá-la. E faço-o com gratidão, admiração e amizade. Seu amigo,

 

Manuel Sérgio

*Antigo professor do Instituto Superior de
Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é
licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal

Para interagir com o autor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br

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Tabelinha entre pai e filho

Passou o campeonato estadual e a Copa do Brasil. A Libertadores também teve seu vencedor. O campeonato brasileiro segue a todo vapor com os melhores times do Brasil se alternando na liderança da competição em busca do tão cobiçado título.

Porém, se aproxima também o segundo domingo de agosto, ou melhor, o dia do jogo mais importante do ano. Importante para aqueles homens privilegiados e abençoados por receberem de Deus a oportunidade de compartilhar e usufruir da companhia de um filho por várias temporadas.

Nossa atenção se guia única e exclusivamente pelas laterais desta data que comemora o Dia dos Pais. Portanto, pouco importa se alguns as consideram apenas como mais uma data em que crianças, adolescentes e adultos saem apressados pelas ruas e shoppings em busca de presentes.

Neste dia a preleção será dada por nós, filhos, loucos por futebol e carinho dos pais, a fim de agradecer por esta oportunidade de participar deste jogo tão disputado, confuso, truncado, embolado que é a oportunidade de viver.

Nós, filhos, meros coadjuvantes desta partida tão linda, plástica, empolgante e suscetível a jogadas maravilhosas, queremos agradecer pela convocação feita com tanto carinho, expectativa, ansiedade, alegria, amor, paixão e cobrança quando pisamos pela primeira vez num estádio repleto de paredes com tonalidades e texturas suaves, alguns mascarados higienizados, enfermeiras e muitos familiares, além é claro, de meu técnico e professor: papai.

Realmente esta foi a primeira e mais emocionante jogada que fizemos nos primeiros minutos em campo, pois durante nove meses foi solicitada e esperada nossa chegada. Assim, comemore, papai!

Técnico, professor, treinador, pai e papai aqui estou eu, vestindo o uniforme de nossa família, calçando as chuteiras da sabedoria, meiões que vestem as pernas que ajudastes a dar os primeiros e desengonçados passos para lhe parabenizar pelo dia que todo e qualquer estádio ficaria lotado e de pé para aplaudir e reverenciar seu vigor físico quando chega cansado do trabalho e ainda brinca comigo, quando usa de sua habilidade técnica para lidar com minhas teimosias, dúvidas, curiosidades e crises infantis.

Sendo assim, papai, espero que este jogo nunca chegue na prorrogação para que eu lhe peça desculpas por meus erros, falhas e defeitos. Mas que eu saiba aproveitar o tempo normal para deixar minha marca de forma positiva, criativa, infantil, levada, ousada e com forte características do jeito de jogar que fora herdado deste seu estilo único e elegante de atuar no jogo da vida e ainda marcar um golaço a cada abraço e sorriso.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

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Futebol, saúde, cultura e educação

Há uma visão do senso comum que toma o futebol e o esporte de uma forma geral, como sinônimo de saúde, cultura e educação. Visto superficialmente, não temos nada contra este pensamento.
 
Entretanto, precisamos entender que há diferentes dimensões da prática esportiva. O futebol, por exemplo, pode ser praticado como competição de alto rendimento, cujo objetivo primeiro é a conquista, a vitória. Ele pode também ser praticado como proposta educativa, no âmbito escolar e aí o objetivo é mais formativo. E, finalmente, podemos ver o futebol como forma de puro lazer, onde se deve buscar o equilíbrio físico e emocional, a saúde, a descontração e o divertimento. Nesta forma de lazer, o futebol pode também ser considerado como espetáculo, onde os interessados podem participar apenas como espectador, no estádio, à frente da TV ou ouvindo uma transmissão pelo rádio.
 
Mas seja qual for o objetivo, é preciso que entendamos que o futebol não é bom ou benéfico para seus praticantes, por si só. Para que se atinja seus objetivos específicos é sempre necessário que haja uma intencionalidade, ou seja, uma intenção por trás das nossas ações.
 
Na verdade, a prática do futebol, profissional, escolar ou de lazer, depende de seus atores ou líderes que conduzem estas práticas, para que se garanta reais benefícios a todos. Explico: se esses praticantes são pessoas egocêntricas, reprimidas, violentas ou agressivas, é bem provável que estas características sejam reproduzidas e refletidas no jogo. 
 
Portanto, podemos concluir que o futebol pode, sim, ser um excelente instrumento de cultura, de educação e de saúde, mas para que isto ocorra em sua plenitude, é necessário que as pessoas envolvidas em sua prática e, principalmente, os treinadores, professores ou líderes comunitários que conduzem estas práticas, tenham estas boas intenções de forma clara e segura, fato que, infelizmente, nem sempre acontece.

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O jogo ideal

O estádio está quase lotado. Os assentos disponíveis, confortáveis, acomodam torcedores, famílias, crianças e apreciadores do bom futebol.
 
No campo as duas equipes se enfrentam com expectativas diferentes. Uma ocupando as primeiras posições busca conquistar três pontos para ficar na ponta da tabela. A outra, entre os últimos, busca sua recuperação.
 
O jogo é dinâmico e vibrante. Com atletas de alto nível técnico, inteligentes e bem preparados em todos os sentidos, proporcionam um espetáculo inesquecível.
 
Além das inúmeras jogadas bem articuladas e treinadas, o improviso e a criatividade dão um toque mágico à partida.
 
Apesar da grande competitividade que cerca cada lance o jogo limpo está sempre presente.
 
Do lado de fora do campo os dois treinadores, ex-jogadores, mas formados pela Universidade do Futebol e com diversos cursos de especialização, participam ativamente do jogo, observando todos os movimentos de seus atletas e orientando-os quando necessário e integrando com equilíbrio a teoria com a prática.
 
Aos poucos, apesar da boa postura tática das duas equipes, naturalmente os gols vão surgindo para os dois lados.
 
O resultado é de 2 a 2 quando um gol duvidoso é marcado, mas o quarto árbitro alerta, com apoio de um comando eletrônico, que o lance foi ilegal e rapidamente o árbitro principal reconsidera sua decisão e a justiça é restabelecida.
 
No finalzinho do jogo uma das equipes marca o terceiro e decisivo gol, agora validado pela arbitragem. Um golaço feito com arte e muita imaginação. Um gol tão bonito que é aplaudido por todos os presentes no estádio.
 
Mas sem dúvida o mais bonito foi ver os jogadores do time derrotado reconhecerem os méritos dos vencedores e parabenizá-los ao final da partida.
 
Cheguei a pensar até que estava em outro planeta. Ou será que eu estava sonhando?

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Panorama do futebol brasileiro

O Brasil é reconhecidamente um produtor de jogadores de futebol em grande quantidade e qualidade, tanto para compor as centenas de equipes profissionais brasileiras, como para o mercado internacional.
 
Fontes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Banco Central do Brasil informam que 2.380 jogadores de futebol deixaram o país entre 2002 e 2005, movimentando mais de US$ 1 bilhão em transferências.
 
Por outro lado, levantamentos apontam que mais da metade (cerca de 60%) desse contingente exportado retorna rapidamente ao Brasil, devido principalmente às dificuldades de adaptação e ao despreparo dos atletas.
 
Durante décadas que a formação de nossos jogadores de futebol ocorria preferencialmente através da prática intensa e arraigada em nossa cultura, disseminada em campos de várzea, campinhos, praias e espaços urbanos improvisados, entre outros.
 
Com a crescente e acelerada urbanização (*) esse processo também se adaptou e se transformou, passando a se caracterizar por práticas mais sistematizadas e reguladas realizadas em quadras e escolinhas de futebol que se multiplicaram nas duas últimas décadas.
 
Esta transformação de uma prática natural e espontânea, para uma prática mais sistematizada, regulada e regulamentada, provocou mudanças importantes que muitas vezes não são consideradas pelos especialistas, mas repercutem no perfil atual e futuro dos profissionais de futebol.
 
A “marca registrada” do futebol brasileiro é o talento técnico de seus jogadores, caracterizado principalmente pela sua capacidade de improvisação e criatividade, que realça um diferencial apreciado e valorizado em todo o mundo.
 
Manter esse diferencial é tarefa que os projetos pedagógicos e/ou metodológicos consistentes devem cumprir, para garantir uma prática que não só incorpore os novos conhecimentos advindos das diversas ciências que dão suporte à performance esportiva, como também garantam o ambiente favorável para o adequado desenvolvimento da habilidade criativa.
 
(*) Por volta de 1958, quando o Brasil conquistou a primeira Copa do Mundo, a maioria da população brasileira era rural. Hoje mais de 80% vivem em áreas urbanas.

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Futebol e os números

Todos nós sabemos que o futebol é uma das mais significativas manifestações culturais dos nossos tempos. Como espetáculo fascina grande parte da população mundial que hoje já passa dos 6,5 bilhões de habitantes. Como prática esportiva, encontramos milhões e milhões de praticantes, entre homens e mulheres, espalhados pelo mundo todo.
 
Em pesquisa realizada em 2006, pela Federação Internacional de Futebol, a Fifa, instituição que organiza o futebol mundial, podemos observar números impressionantes.
 
Na China, por exemplo, mais de 26 milhões de pessoas praticam o futebol. A Índia, país sem tradição neste esporte, com apenas cerca de 400 jogadores profissionais, tem, contudo mais de 20 milhões de praticantes. Claro que temos que considerar que sua população já ultrapassa um bilhão de habitantes e, portanto, proporcionalmente estes 20 milhões pode não ser considerado um número tão grande assim. Mas para se ter uma idéia do que isso significa basta verificar que no Brasil, com uma população chegando próximo aos 200 milhões, temos cerca de 13 milhões de praticantes.
 
O Brasil, entretanto, é imbatível em número de jogadores profissionais entre os 207 países que são associados à Fifa. Possuíamos em 2006, 16,2 mil atletas profissionalizados. Bangladesh, país asiático, com população de 150 milhões de habitantes, possui mais de seis milhões de praticantes, porém nenhum jogador profissional.
 
Até os Estados Unidos, que parecem ser um país que não dá muita atenção a este esporte, possui a maior quantidade de mulheres futebolistas, com um número fantástico de mais de sete milhões de praticantes. Em segundo lugar vem a Alemanha com menos de dois milhões de mulheres que jogam futebol.
 
Os números são incríveis como podemos constatar. Não é à toa, portanto, que a Fifa, aproveitando-se da importância que este fenômeno sócio-cultural possui em escala global, vem procurando chamar a atenção para os aspectos da responsabilidade social potencialmente presentes no futebol enquanto instituição.
 
O significado do futebol é tão grande que a missão da Fifa, descrita em vários documentos por ela produzidos, de “desenvolver o jogo, comover o mundo e construir um futuro melhor” bem que poderia se transformar em realidade, na medida em que mais homens e mulheres de bem também participassem deste processo. O futebol seria um instrumento perfeito para isso.

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Psicologia do esporte, Garrincha e interdisciplinaridade

A psicologia é uma área das ciências do esporte ainda bastante polêmica e questionada por muitos, até mesmo entre atletas, treinadores e dirigentes.
 
No Brasil, e particularmente no futebol, esses conhecimentos científicos começaram a ser aplicados em meados da década de 50 do século passado. Tem, portanto, uma história de pouco mais de 50 anos.
 
O pioneiro em sua aplicação no futebol brasileiro foi o Prof. João Carvalhaes. Este profissional, que tive a honra de conhecer, prestou seus serviços no Departamento de Árbitros da Federação Paulista de Futebol, no São Paulo Futebol Clube e também na Seleção Brasileira quando participou da primeira conquista mundial na Copa da Suécia em 1958.
 
Sua atuação, entretanto, apesar da conquista brasileira, foi muito questionada. O fato marcante deste trabalho inovador não foram as inúmeras contribuições para buscar-se um entendimento mais profundo da mente do atleta ou dos aspectos psicológicos que influem no rendimento de uma equipe. O que se destacou na verdade foi o fato do psicólogo, dentro do modelo limitado de avaliação que dispunha naquela época, ter considerado o genial Garrincha inapto para a prática de um esporte de alto rendimento como o futebol.
 
Este, talvez, tenha sido um aspecto determinante para a grande resistência que a psicologia do esporte ainda encontra para se estabelecer de vez no futebol e no esporte de uma forma geral.
 
Alguns especialistas que estudam o fenômeno esportivo consideram que os preconceitos, a falta de conhecimento dos esportistas em geral, bem como o desconhecimento das questões mais práticas do esporte por parte dos próprios psicólogos, são as causas principais da distância que ainda existe entre a psicologia e o esporte.
 
Eu diria que outro elemento poderia melhorar a atuação dos psicólogos e outros especialistas que atuam no esporte de rendimento. Trata-se de entender o fenômeno esportivo de forma global e integrada. A abordagem interdisciplinar que substitua a visão parcial e quase sempre fragmentada proporcionada pela diferentes áreas é hoje fundamental para se conseguir melhores resultados.
 
Uma visão mais global e integrada talvez tenha sido o ingrediente que faltou ao querido professor João Carvalhaes em 1958 para entender a genialidade do Garrincha, apesar de algumas características psicológicas aparentemente desfavoráveis. Os psicólogos do esporte no século XXI, entretanto, não têm o direito de cometer o mesmo erro.
 
 
 

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O que é o futebol?

Será que conhece futebol quem sabe de cor a escalação do seu time? Ou aquele que sabe as características, fraquezas e virtudes de vários times e jogadores? Ou ainda aquele que conhece todas as suas 17 regras e, além disso, conhece os fundamentos técnicos e táticos do jogo?
 
Afinal, o que é saber de futebol?
 
Seguramente, não é apenas acompanhar o dia-a-dia dos clubes e dos ídolos. Tampouco apenas conhecer os aspectos técnicos, os fundamentos, ou mesmo saber distinguir as diferentes táticas das diferentes equipes.
 
O futebol é mais do que isso. Bem mais.
 
Para compreendermos o futebol é preciso, antes de tudo, perceber que por trás de um atleta há sempre um ser humano. Um ser sensível, emotivo, que chora, que ri, que sente dores e tem, enfim, necessidades biológicas, psicológicas e sociais.
 
É neste sentido que o filósofo português Manuel Sérgio, inspirador de alguns conceitos adotados pelo destacado treinador de futebol José Mourinho, costuma dizer que “quem quiser saber de futebol apenas estudando futebol, jamais saberá o que é futebol”. Isso significa dizer que para entender de futebol, ou melhor, para entender o futebol, não basta conhecer alguns elementos técnicos do jogo, mas sobretudo é preciso buscar a compreensão da complexidade humana e social que está por trás dessa fascinante modalidade esportiva.

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