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O que podemos aprender com o Brasileirão 2005

Terminou o campeonato brasileiro. Pelo menos dentro de campo. Fora dele, talvez, ainda tenhamos uma prorrogação que poderá durar algum tempinho. Com certeza, não muito, pois sabemos que as forças conservadoras que comandam o futebol vão continuar prevalecendo sobre as vozes dissonantes que insistem em cobrar mais transparência, mais lisura, mais ética e mais justiça para o nosso futebol e para nossa sociedade.

 

Mas independentemente das discussões sobre quem é o verdadeiro campeão brasileiro, ou se é a justiça desportiva ou a justiça comum que deve entrar em campo para solucionar as dúvidas sobre o campeonato, seria maravilhoso se aproveitássemos as experiências do Brasileirão 2005 para aperfeiçoarmos nossas instituições.

 

Se é verdade que o futebol imita a vida seria maravilhoso também se conseguíssemos melhorar, um tostãozinho que fosse, o perfil de nossos dirigentes esportivos, bem como de nossos magistrados que têm a incumbência de fazer justiça neste país.

 

Seria maravilhoso se os jogadores entendessem, um pouquinho mais, que eles são os verdadeiros artistas do espetáculo e que, juntos, podem ajudar a transformar este espetáculo também fora do campo, promovendo a noção de dignidade e cidadania.

 

Seria maravilhoso se a imprensa esportiva entendesse, um tiquinho a mais, o seu verdadeiro papel e contribuísse, sem segundas intenções, para a real evolução deste negócio-brinquedo chamado futebol.

 

Seria maravilhoso se os treinadores percebessem que, através de sua liderança, é possível estimular a busca do alto rendimento, com “fair play”, sem a necessidade de incentivar a violência.

 

Seria maravilhoso se os torcedores que amam, de fato, o futebol, fizessem valer os seus direitos e, com o apoio dos poderes competentes, colocassem os vândalos e bandidos nos seus devidos lugares, tornando os estádios um verdadeiro templo, familiar, saudável e palco para a pura prática do futebol-arte, marca registrada deste nosso futebol pentacampeão.

 

Seria maravilhoso e penso que seria possível. 

 

Mas por que será que não somos capazes de caminhar nesta direção?

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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Evolução do conhecimento no futebol

O futebol é uma manifestação cultural, um fenômeno que reflete a própria vida. Sendo assim os conhecimentos que nos orientam a vida, também podem orientar a instituição do futebol. Este saber evolui constantemente.

 

Na década de 50, por exemplo, os conhecimentos empíricos ou formais de um treinador de futebol eram suficientes para conduzir, com sucesso, todo o processo em busca de um ótimo rendimento esportivo.

 

Com o passar do tempo, nas décadas de 60, 70, 80 e a conseqüente evolução dos conhecimentos, através das especializações, o saber de uma só pessoa, representada pela figura do treinador, já não conseguia dar conta das demandas que o futebol progressivamente começou a ter.

 

Conhecimentos especializados sobre medicina esportiva, preparação física, fisiologia, fisioterapia, nutrição, psicologia entre outras ciências passam a ter cada vez mais importância, obrigando a uma nova conformação das comissões técnicas que conduzem os trabalhos junto às equipes de futebol.

 

A Era da Informação, acelerada pela disseminação da Internet, na década de 90, estimula ainda mais este processo.

 

Hoje em dia tanto clubes quanto seleções necessitam de estruturas cada vez mais complexas, formada por profissionais das mais diferentes áreas, relativizando o trabalho que há décadas atrás era realizado basicamente pelo treinador.

 

Tal evolução coloca alguns desafios ao futebol profissional: primeiro é a questão financeira. Como conseguir recursos para contratar os serviços de um número sempre crescente de profissionais especializados? Em segundo é a própria questão da administração, coordenação e integração de todos estes profissionais, reunidos para otimizarem os resultados esportivos, num cenário cada vez mais competitivo.

 

Soluções criativas e inovadoras terão que ser encontradas, se quisermos continuar evoluindo nesta modalidade esportiva. Novas estruturas, novos conceitos, melhor formação de nossos profissionais são alguns dos ingredientes que precisaremos para nos reciclar e darmos conta dos desafios futuros do nosso futebol pentacampeão.

 

O treinador, por sua vez, deve ser o responsável pela tática de jogo, pela escalação da equipe e ser o líder natural que consiga integrar e potencializar o talento e a arte de cada um de seus atletas na prática. No mais tem que ser inteligente e perspicaz o suficiente para saber integrar-se com os demais profissionais responsáveis por outras áreas e conhecimentos.

 

Comandar um trabalho de alto nível no futebol definitivamente não é mais tarefa para apenas uma pessoa.

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O futebol no século 21

O futebol é um esporte que, enquanto prática, pode servir de espetáculo, de processo educativo, de recreação… Ou seja, pode ser visto através de diferentes perspectivas, como esporte de alta competição, como instrumento de educação ou como simples entretenimento. Mas pode também ser motivo para acaloradas discussões.

 

Nós brasileiros adoramos falar sobre futebol. Seja para destacá-lo, seja para criticá-lo, ou para defender nossos pontos de vista, este é um tema que está sempre presente em diferentes cenários e circunstâncias.

 

Dentre essas discussões é comum ouvir-se que o futebol de hoje é muito pior do que aquele praticado em épocas passadas, 20, 30 anos atrás, quando, segundo alguns, se praticava o verdadeiro futebol, técnico e bonito de se ver.

 

Acostumado a este chavão saudosista, fiquei surpreso quando há alguns dias, participando de um fórum sobre futebol, em Dubai nos Emirados Árabes, ouvi da boca de um veterano, ex-treinador da seleção inglesa, Bobby Robson, a afirmação de que o futebol praticado hoje em dia é muito melhor do que o praticado há décadas passadas.

 

E justificou: o futebol de hoje é muito mais veloz e dinâmico do que antigamente. Os jogadores são mais rápidos, mais técnicos, com um repertório de movimentos que não se via tempos atrás. E, além de tudo, os atletas são mais táticos e mais competitivos.

 

Para constatar esta afirmação, basta comparar os gols de hoje com os gols que víamos antigamente. Os gols de hoje são muito mais bonitos e criativos.

 

E concluiu o velho treinador, de 72 anos de idade: “Um bom jogo hoje é melhor do que um bom jogo 30 anos atrás”.

 

Eu que sou veterano, mas não saudosista, fiquei feliz em ouvir esta afirmação.

 

E você o que acha? O futebol de hoje é melhor do que o de antigamente? Eis aí um bom tema para quem gosta de discutir futebol.

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Talento de Kaká é ressaltado na Soccerex

Dubai (EAU) – A Soccerex 2005, Convenção Internacional de Negócios no Futebol, realizada entre os dias 13 e 15 de novembro em Dubai, Emirados Árabes, teve como uma de suas atrações debates em que estiveram presentes nomes conhecidos do futebol mundial. Em uma dessas apresentações o destaque ficou com o jogador brasileiro Kaká do Milan.

 

A mesa foi coordenada pelo jornalista esportivo inglês Jeff Powell, do periódico Daily Mail e contou com a participação, entre outros, de Bobby Robson, ex-treinador da seleção inglesa, Michel Hidalgo, ex-treinador da seleção francesa, Bryan Robson, ex-jogador e capitão da seleção inglesa e o ex-jogador brasileiro Leonardo.

 

Parte das perguntas aos convidados era feita pelo jornalista inglês e parte pelo público presente. A última delas, inevitável, foi sobre quem será o campeão mundial em 2006 e quem será o jogador mais destacado.

 

Kaká

 

Colocar o Brasil como favorito não foi tanta novidade, mas a surpresa ficou por conta da indicação quase que unânime do jogador Kaká como destaque na próxima Copa do Mundo.

 

Michel Hidalgo se mostrou tão apaixonado pelo atual futebol brasileiro que até deixou constrangido os pouquíssimos brasileiros presentes ao evento, tal a veemência com que defendeu o talento dos nossos jogadores. O experiente treinador francês, num evento patrocinado, organizado e dominado, em sua maioria, por ingleses, não foi nada diplomático. Disse que a grande dúvida será saber quem disputará a final com a seleção brasileira. Falou de sua admiração por Ronaldinho Gaúcho e Robinho, mas apostou em Kaká como o grande destaque técnico da Copa da Alemanha.

 

Dois outros dirigentes, um inglês e outro escocês, seguiram a opinião de Hidalgo.  Embora sem o entusiasmo demonstrado pelo treinador francês, também colocaram o Brasil com grande favorito e Kaká como destaque técnico.

 

Na vez de Leonardo ele começou brincando dizendo que a Inglaterra era sua favorita, tirando risadas da grande platéia presente no evento, mas corrigiu em seguida dizendo que concordava com todos, confirmando o especial momento que vive o Brasil em termos de talentos.

 

A opinião mais diferenciada ficou por conta de Sir Bobby Robson. Embora reconhecendo o favoritismo do Brasil e a fartura de craques que hoje compõem a seleção brasileira, apostou em Rooney, atacante do Manchester United e da seleção inglesa, como destaque técnico na próxima Copa da Alemanha.

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Soccerex reuniu quase 100 países

Dubai (EAU) – Os Emirados Árabes Unidos talvez estejam na cabeça dos brasileiros que acompanham o futebol como o país que recentemente levou uma sonora goleada por 8 a 0 da seleção brasileira. Entretanto, este país, riquíssimo e exótico, é também conhecido por promover eventos, feiras, congressos das mais diversas áreas profissionais, atraindo gente de todo o mundo.

 

Até o futebol, que engatinha no país em termos de profissionalismo, embora já tenha conquistado uma vez a vaga para a Copa do Mundo, tem seu lugar nos luxuosos espaços especialmente construídos para abrigar e promover seus eventos. Foi o caso da realização da 9ª Soccerex, na cidade de Dubai, entre os dias 13 e 15 de novembro.

 

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Sir Bobby Robson e Leonardo

marcaram presença na

Soccerex 2005

 

O evento conseguiu reunir quase 100 países, representados por homens de negócios no futebol que incluiu desde agentes Fifa e vendedores de grama sintética até sofisticados projetos tecnológicos e de comunicação. Sem dúvida uma demonstração da força do futebol neste mundo globalizado de hoje.

 

A lamentar, talvez, somente a constatação da pouca presença de representantes brasileiros no evento. Um dos poucos destaques foi a participação do ex-atleta Leonardo da seleção brasileira e representante do Milan, em uma mesa que contou também com a participação de representantes do futebol mundial como sir Bobby Robson, famoso treinador inglês e o não menos renomado Michel Hidalgo, técnico francês.

 

Mais informações dessa convenção mundial de negócios do futebol podem ser obtidas no site www.soccerex.com.

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A inteligência do jogador de futebol

Não é raro depreciar-se e até ridicularizarem certas declarações dos jogadores de futebol em suas entrevistas à imprensa. Embora haja razões e exemplos de sobra para fundamentar certa ignorância e pobreza cultural que caracterizam tais depoimentos, é preciso destacar que, não raro certas respostas, óbvias ou surpreendentes, escondem, na verdade, uma sabedoria que precisa ser interpretada.

 

Primeiro é preciso considerar que algumas respostas dos atletas visam, prioritariamente, proteger suas privacidades e a relação extremamente hierarquizadas com seus superiores, e não responder objetivamente aquilo que foi perguntado.

 

O futebol, enquanto instituição conserva ainda um caráter bastante autoritário, onde aquele que sai do script tem que ter muita estrutura para suportar as pressões advindas de certas verdades declaradas. E isto não é exclusividade do futebol. Nossa cultura e sociedade são assim.

 

Afonsinho, Sócrates, Romário são exemplos de três gerações de jogadores que buscaram, dentro de certos limites, quebrar esta regra e agüentaram o tranco.

 

Outro fato pouco considerado é que a inteligência de um jogador de futebol não se mede apenas por sua capacidade de verbalizar idéias e pensamentos. A inteligência verbal-lingüística e a inteligência lógico-matemática são apenas dois dos diferentes tipos de inteligência destacados hoje pelas ciências.

 

Se entendermos a inteligência como a capacidade para solucionarmos problemas ou criarmos produtos que sejam valorizados por uma determinada cultura, como nos ensina Howard Gardner, então vamos compreender que ela envolve não só os elementos verbais e lógicos de expressão e raciocínio, como também outros elementos fundamentais do comportamento humano.

 

Temos que considerar também outros tipos de inteligência como a emocional, a espiritual, a visual e espacial entre tantas outras. Todas elas, em diferentes graus, importantes para o desempenho das pessoas, sejam atletas ou não. 

 

No caso do futebol, a inteligência sinestésica ou motora tem papel fundamental. Neste sentido, podemos observar jogadores analfabetos e ignorantes que conseguem encontrar soluções motoras geniais dentro de problemas que surgem dentro do campo.

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A função social do futebol

Já afirmei que o futebol nem sempre é sinônimo de saúde, como muitos imaginam. Sempre que abordo este assunto, as pessoas parecem ficar surpresas com este meu ponto de vista sobre o futebol, esporte que sem dúvida é uma das maiores manifestações culturais do século 20 e nada indica que não será assim, também neste século 21.

Muitas pessoas me questionam. “Medina como você, sendo professor e trabalhando no futebol há tanto tempo, pode falar mal do futebol?”

Penso que ter um olhar crítico sobre o futebol não significa necessariamente falar mal dele.  Pelo contrário, toda visão crítica pode contribuir mais para a valorização das práticas esportivas, do que uma visão ufanista ou de senso comum. 

Defendo que precisamos ter a capacidade para aproveitar o enorme potencial do futebol, para realmente assegurar a promoção da saúde, educação e cultura.

Se o esporte em geral, e o futebol em particular, fosse algo bom por si só, que dispensasse a necessária intervenção competente, positiva e pró-ativa de seus agentes, não veríamos em vários momentos exemplos de atletas envolvidos em drogas, atos de violência e corrupção que se repetem dentro e fora dos campos.

Cabe, portanto, àqueles que são os atores responsáveis pelas práticas esportivas, ou seja, treinadores, atletas, líderes comunitários e dirigentes, terem sempre em mente os valores que devem permear o esporte: solidariedade, cooperação, busca de superação dos limites, constante aperfeiçoamento, o espírito democrático,  respeito aos nossos oponentes etc.

Com uma visão crítica que dê mais clareza quanto à forma em que as relações sociais se dão no interior das atividades lúdicas, educativas e competitivas, talvez, possamos realmente entender o esporte e, em especial, o futebol, como um privilegiado instrumento que auxilia o desenvolvimento do ser humano de uma forma geral.

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