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O fator Ronaldo

Já abordamos diversas vezes neste espaço a questão da presença de um ídolo dentro de um time de futebol. E, no último domingo, mais uma vez a força de mídia de um ícone se mostrou mais clara do que qualquer outro evento futebolístico.

A presença do atacante Ronaldo, do Corinthians, no programa Terceiro Tempo, da Band, não causou alvoroço apenas nos corredores da emissora paulista. Sim, porque fazia tempo que uma noite de domingo não era tão agitada dentro da Band. 

Por dever de ofício, estava transmitindo o Sul-Americano sub-20 pelo BandSports e pude comprovar in loco o quanto o simples fato de Ronaldo ir para os estúdios da Band mexeu com o cotidiano da emissora. Talvez desde as eleições municipais, em outubro passado, um tema não mobilizou tanta gente da equipe quanto a ida de Ronaldo ao programa dominical.

Câmeras instaladas do lado de fora da emissora, cinegrafista acompanhando desde a chegada até a entrada no estúdio para a participação no programa. Auditório repleto de gente, tal qual um domingo com Raul Gil. Gente esperando do lado de fora da Band para pelo menos ver de perto o jogador. E por aí vai…

Ronaldo é isso aí. Mobiliza a mídia, movimenta as pessoas, causa comoção por onde passa. Sua presença física (sem qualquer trocadilho) já é sinal de atenção dos holofotes. Tanto que o conteúdo do programa Terceiro Tempo foi o de menos. O que valeu mesmo foi a presença do jogador. Que num simples sorriso arrancou aplausos da platéia (mais do que previsíveis), risos do apresentador (mais do que óbvio) e suspiros dos convidados (mais do que básicos). 

E, para variar, mesmo com todo um cenário previsível e batido, Ronaldo garantiu para o programa comandado por Milton Neves uma “turbinada” na audiência. Com o Fenômeno como atração principal, o Terceiro Tempo atingiu média de 4,2 pontos no Ibope. Ou cerca de um ponto a mais do que o programa geralmente tem quando está com suas atrações corriqueiras.

Ronaldo, desde sua “volta” ao futebol brasileiro, mostrou-se um grande fenômeno de mídia. Com base nisso o Corinthians se apoia para conseguir mais dinheiro do novo patrocinador. Mas, até agora, esse tão sonhado patrocínio não veio. E nem deve vir. Pelo menos não enquanto o jogador não estrear pelo alvinegro. 

Sempre igual

Muricy Ramalho já se irritou numa coletiva de imprensa no ano. Deu suas tradicionais patadas. A ESPN, em represália, decidiu boicotar as entrevistas com Muricy. Que, após pedir desculpas, contou com a volta da emissora às intermináveis coletivas de imprensa.

A ladainha continua. Mas, na próxima semana, discutiremos quem é o prejudicado nessa história toda. Se é que existe algum…

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O dilema da riqueza

Dinheiro, dizem, não traz felicidade.Para o Manchester City, no caso, não traz jogador. Muito pelo contrário. Curioso isso.

Boa parte da Indústria do Futebol é movida pela negociação de transferências e salários de jogadores. Como na maioria das vezes clubes e jogadores são movidos pelo dinheiro, quanto mais qualidade um jogador tem, maior é a possibilidade de ele e o clube com o qual ele tem contrato ficarem ricos. E quanto mais dinheiro o clube tem, maior é a possibilidade desse mesmo clube montar um time melhor, com jogadores de qualidade mais reconhecida.

Isso é o que aconteceu com o Chelsea, por exemplo. Pouco depois que o russo adquiriu o clube, disponibilizou fundos jamais vistos antes no mercado e permitiu que o Chelsea montasse um time quase imbatível, com jogadores de grande qualidade em quase todas as posições.

Tendo visto que a fórmula foi um sucesso no time londrino, os donos de Abu Dhabi resolveram aplicar no Manchester City. Dessa vez, pelo menos até agora, não tem dado muito certo.

O problema é que os árabes do City tem muito, mas muito dinheiro. E deixaram isso bem claro para quem quisesse ouvir. Não se importaram em anunciar que iriam montar rapidamente o melhor clube do mundo, com os jogadores mais famosos do planeta. Para isso, começaram com o Robinho. E tentaram dar continuidade agora na janela do meio da temporada, mas sem muito sucesso. A não ser que você considere o Bellamy um craque.

O movimento criado pelo próprio City está os matando. Colocando nas palavras de Ársene Wenger, eles inflacionaram um mercado que estava em deflação. Quer dizer, eles inflacionaram apenas para eles mesmos. Isso foi claríssimo na proposta pelo Kaká, mas também permitiu que o Valencia recusasse uma proposta de 100 milhões de libras pelo Villa e que a Juventus pedisse quase isso pelo Buffon. Não porque esses clubes achem que esses jogadores valham tanto, tampouco esteja precisando desse valor, mas porque eles sabem que o City tem dinheiro para gastar com isso.

Nas também palavras do diretor do Manchester City, os clubes estão aproveitando o interesse deles em alguns jogadores para fazerem propostas que sustentarão o clube por quatro anos. E é claro que o City não está gostando nada disso.

Se os clubes não soubessem que o City tem tanto dinheiro assim, é claro que eles aceitariam vender seus jogadores por valores mais reais, principalmente agora em tempos de crise. Mas a aposta é que o City vai se desesperar e, eventualmente, ter que abrir o bolso para comprar algumas estrelas, seja lá quanto for que elas custarem.

Esse risco pode fazer a indústria entrar em colapso, uma vez que clubes que recusem propostas por jogadores se vejam obrigados a aumentar o salário desses jogadores para compensarem as perdas financeiras de uma eventual transferência. Com isso, clubes aumentarão seus custos em uma época com declínio de receita. E isso, naturalmente, gera problemas.

Ter dinheiro é bom, claro. Mas não adianta nada ter dinheiro se ninguém quer vender nada para você.

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O futebol feminino

Nesta semana, caros amigos, vimos mais uma festa da Fifa para a escolha dos melhores jogadores do ano passado. O já tradicional Fifa Gala aproveita a oportunidade para também prestar algumas homenagens e reunir celebridades do futebol internacional.

Pudemos observar, na festa, a discrepância que existe entre os homens e as mulheres no mundo do futebol. Temos que reconhecer que a Fifa tem procurado promover ao máximo o futebol feminino. Mas ainda não chegamos nem perto de uma situação ideal. 

Claramente pudemos observar a preferência com relação aos homens. Após a entrega do prêmio (merecido) à Marta, ouvimos o apresentador dizer “agora chegamos ao momento mais esperado da noite”, ao anunciar o prêmio do melhor jogador masculino. Convenhamos, apesar de sutil, não foi muito respeitoso às mulheres.

De toda forma, essa é apenas uma chamada para o real problema e desafio que temos pela frente, que é promover as mulheres no esporte bretão. 

Não adianta apenas chamarmos atenção da Fifa ou das federações nacionais ou regionais. Nem tampouco das empresas investidoras. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer a nossa responsabilidade, da população, dos torcedores, da comunidade em geral. Temos que passar a encarar o futebol feminino com mais respeito. É a partir daí que teremos uma popularidade maior e, consequentemente, maior interesse por parte da mídia e de patrocinadores na categoria.

De outro lado, a mídia pode ajudar no processo. Pode incentivar. Pode transformar o futebol feminino em um esporte mais popular. Principalmente no Brasil em que as condições são favoráveis: temos as melhores jogadores do mundo, e temos uma emissora de televisão que tem grande poder de influência na massa. Devemos prestar atenção para um pagamento de direitos televisivos, ainda que, no início, a título de distribuição solidária de receitas.

Por fim, as federações devem continuar o seu papel de promover campeonatos e ligas nacionais. Nesse contexto, o produto tem que ser bem feito, para ajudar todo o resto. E sabemos que o produto quem faz são as federações (em conjunto, claro, com as emissoras). Cobramos aqui uma maior distribuição solidária de receitas ao esporte feminino (ainda que tais receitas venham de outras categorias). 

A partir dessas frentes atuando simultaneamente, então poderemos cobrar um maior investimento por parte dos investidores e patrocinadores. Poderemos mostrar que o futebol feminino é também um produto interessante a ser apoiado, com retorno tão garantido como em outros esportes.

No nosso país, levantar o futebol feminino seria um benefício a todos nós, e uma justa recompensa às batalhadoras e guerreiras jogadoras do Brasil, que sem praticamente nenhum apoio, conseguem elevar a imagem do nosso Brasil rotineiramente e nos encher e honra e orgulho.

Parabéns a elas; parabéns à Marta; cobrança para todo o resto!

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O retorno de craques

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Passadas as festividades do final do ano, é hora de começarmos a esquentar as turbinas para o ano de 2009. Como dissemos nas últimas colunas de 2008, é hora de checar o nosso bloco de anotações e ver quais foram as metas traçadas para o ano. E começar a trabalhar para atingi-las.

Uma anotação importante que tenho em meu bloco é a melhoria da nosso campeonato de futebol no Brasil. Não necessariamente em termos de organização. Mas principalmente em termos estratégicos, com vistas ao que está acontecendo ao redor do mundo.

Um importante evento ocorrido em 2008 foi a assinatura de Ronaldo “Fenômeno” com o Sport Club Corinthians Paulista. Toda a movimentação gerada por esse fato resulta em enorme contribuição para o futebol brasileiro. Mesmo aqueles comentários de natureza jocosa circulados principalmente pela internet.

A notícia do Fenômeno movimentou a mídia internacional. Isso mostra o aumento do interesse do nosso campeonato. Todos os comentários entre torcedores também indica que o interesse interno também crescerá. Vamos acompanhar o índice de audiência da estréia do Ronaldo. 

Agora, imaginem se cada time trouxer um grande astro, alguém que não estivesse sendo bem aproveitado no exterior e que tenha uma identificação com o clube, ou particular relevância no futebol nacional, etc. 

O retorno de ídolos é uma ferramenta que deve ser aproveitada e incentivada pelas autoridades do futebol. É claro que os “kakás” não voltarão. Mas existe uma infinidade de craques que poderia estar jogando no Brasil.

É claro que temos que ponderar a questão financeira que os clubes brasileiros enfrentam. Mas com a atual crise, todos os clubes, nos quatro cantos do mundo, estão sofrendo um pouco. E já existem mecanismos bastante criativos para trazer um jogador aparantemente inviável. Existem arranjos com patrocinadores, formas alternativas de remuneração variável, acordos de cooperação estratégica entre clubes, etc. 

Basta uma vontade extra e um pouco de visão.

O futebol brasileiro é pentacampeão, e o nosso campeonato interno tem que ter a mesma força.

Que venha 2009.

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É Natal

Então é Natal, e Natal tem muitos significados. Não a cidade, obviamente, que significa apenas uma cidade.

A data, porém, tem variadas interpretações para vários tipos de pessoa.

Este colunista acredita que, dentre outras coisas, muitas pessoas deveriam aproveitar a data, o fim de ano, as férias e tudo mais para refletir. Natal é tempo de reflexão.

Reflitamos, portanto.

Você pode pensar a respeito de várias coisas. Para aquilo que interessa esse espaço, é válido pensar para que afinal serve o futebol.

Acho que já perguntei isso aqui antes. Pergunto outra vez: para que serve o futebol?

Alguns acham que é um meio de inclusão social. Outros acham que é um fenômeno de massa. Terceiros acreditam que é um instrumento de manipulação política. E quartos acreditam que é entretenimento puro.

Obviamente que ninguém está errado, uma vez que todas as opções supracitadas são válidas. E essa validade permite que elas coexistam.

Nenhuma opção está errada. Mas também nenhuma opção está exclusivamente certa.

Para uma criança sem maiores perspectivas de vida, é um meio de ganhar dinheiro e subir de classe social. Para o primo dessa criança que sabe que ela joga muito, é um o futebol é bom jeito de garantir uma ajuda de custo no futuro. Para o olheiro que busca talento, a criança é uma aposta, e o futebol é o cassino. E assim por diante.

Futebol, assim como o Natal, significa diferentes coisas para diferentes pessoas.

Reflita sobre isso.Um ótimo Natal.

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O patrocínio e a crise

A queda no valor das ações, a quebra de algumas instituições financeiras e a escassez de crédito no mercado fez com que muitas empresas revissem seus investimentos para o futuro, obviamente.

Afinal, se o cenário de antes era bom e o de agora é ruim, não faz nenhum sentido manter a mesma perspectiva. Nada mais natural do que uma contenção de gastos, a começar pelos supérfluos.

É nessa que entra o mercado de patrocínio. Há uma tendência forte de redução de valores. Novamente, é algo bastante natural. Faz todo o sentido. Não me venham com essa que patrocínio é investimento. Tirando alguns poucos casos isolados, não é. Na grande maioria das vezes, principalmente – mas não isoladamente – em esportes de menor visibilidade, patrocínio é luxo, é ostentação.

Pesquisas, muitas pesquisas, apontam que uma das principais razões que levam empresas a patrocinar esportes é o gosto particular que o tomador de decisão possui por esse determinado esporte. A chefia gosta de golfe? A empresa patrocina golfe. A chefia gosta de cavalos? A empresa patrocina hipismo. A chefia gosta de música? A empresa patrocina a Macarena.

Ok. Ninguém patrocina a Macarena. Não mais, pelo menos. Acho.

De qualquer maneira, isso é fato. Empresas, em boa parte das vezes, não se preocupam muito com resultados das suas ações de patrocínios. Não chega a ser uma matemática exata. São tantas as variáveis que implicam no processo de compra de um produto ou serviço que é virtualmente impossível saber o quanto desse processo é exatamente motivado pelo patrocínio.

Diante dessa inexatidão, fica ainda mais compressível o motivo que leva empresas a não enxergarem o patrocínio como algo essencial ao seu processo mercantil. E daí o que leva elas a cortarem tantas verbas com o cenário e as perspectivas atuais.

Patrocínio, quando bem utilizado, é uma excelente ferramenta para alavancar negócios e não deve ser abandonado, até porque serve como fomentador de receita.

Quando é apenas uma vontade de quem controla o dinheiro, bem, aí é gasto mesmo.

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Reforço de peso

Sim, sem dúvida a ambigüidade do título é sarcástica. Mas o impacto que a contratação de Ronaldo pelo Corinthians causou não permite nenhum outro trocadilho a não ser esse. Durante uma semana, pelo menos, Ronaldo canalizou toda a atenção da mídia esportiva para o Corinthians. E qual o impacto disso?

O primeiro deles é o efeito que isso causou para a imagem do clube. Recém-promovido da Série B do Campeonato Brasileiro, o Corinthians, apesar de toda a força que tem, estava “ofuscado” pela conquista do hexacampeonato brasileiro do São Paulo.

Considerando que ambos os clubes estão em busca de um patrocinador para 2009, a jogada corintiana foi ainda mais brilhante. Não só pelo reforço de marca que Ronaldo proporciona, mas também pela concentração de mídia que a contratação do Fenômeno provocou.

O brilhantismo da estratégia de comunicação corintiana foi digno de um trabalho eficiente de gerenciamento de crise dentro de uma empresa. O problema (no caso, o triunfo são-paulino) estava ali, exposto. Em dois dias, o Corinthians não só deixou esse assunto esquecido como passou a causar intenso barulho sobre a sua marca.

No domingo seguinte à conquista tricolor, o alvinegro dominou o noticiário, com reportagens gigantescas sobre a história de Ronaldo, as perspectivas da contratação, o time dos sonhos do Corinthians, etc.

Mas o que foi mais interessante ainda foi poder perceber o amadurecimento da imprensa. Em vez de criticar o Corinthians pela contratação de risco, a maior parte da mídia entendeu que ela tem muito mais sentido do ponto de vista do negócio do que do esporte.

Sem dúvida a contratação de Ronaldo é uma das grandes notícias do negócio esportivo em 2008. E promete ser um bom divisor de caminho na cobertura esportiva brasileira. Afinal, qual jornalista não se empolgará em poder entrevistar Ronaldo? Qual jornalista não começará a defender estratégias ousadas de marketing para o país repatriar jogadores de renome?

Que Ronaldo faça com que, em 2009, nossa imprensa esteja mais consciente com a presença do marketing esportivo, entendendo que ele é parte importante do esporte.

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O órgão regulador de clubes

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Transparência na gestão de clubes, dívidas com o fisco, clubes perdendo para o exterior jogadores de talento, valores de transferências cada vez mais elevados. Esses são alguns dos temas polêmicos recorrentes no mundo do futebol. Nos dias de hoje, essas questões acaloram-se com (i) as recentes aquisições de clubes na Europa (Inglaterra principalmente) por parte de empresários milinários, (ii) o envolvimento de empresas na propriedade de clubes, e direitos sobre jogadores, e (iii) a atual crise financeira. 

O futebol, como estamos cansados de saber, é diferente dos demais negócios. 

A concorrência entre clubes é peculiar. Um concorrente precisa do outro para obter sucesso. A “quebra” de um grande clube no Brasil certamente prejudicaria o sucesso de seus concorrentes. 

Mas não é só o concorrente que deve se preocupar com a saúde do outro clube. As autoridades públicas também. É claro que não se pode abrir mão de exigências legais aplicáveis às atividades dos clubes. Porém, é interesse de ordem pública a existência dos clubes de futebol. Com a grande popularidade desse esporte, os grandes beneficiários do jogo são as comunidades locais que, para além do entretenimento, também podem utilizar os clubes como modo de inserção social, oportunidade de emprego, enaltecimento da dignidade humanda, e por aí vai.

Nesta medida, muito se discute sobre qual seria a justa medida de se ajudar os clubes a manterem-se vivos, saudáveis e, acima de tudo, cumpridores de suas obrigações legais e contratuais.

Na Europa, centro e precursora dessas discussões, está sendo plantada uma semente. A criação de um órgão continental de controle de gestão de clubes. Seria uma espécie de órgão fiscalizador, mas com uma grande contribuição consultiva.

Para o sucesso dessa iniciativa, todos os “stakeholders” seriam chamados para compor sua administração: ministros do esporte, representantes de ligas, clubes, federações e jogadores.

A idéia seria orientar os clubes, de forma harmonizada, a como agir, como gastar seus recursos, e como melhor administrar seu dia-a-dia.

Uma questão importante seria o alcance desse órgão e para que competições sua “licença” seria indispensável. Campeonatos continentais, nacionais (e, no caso do Brasil, estaduais)?

Essa discussão teve lugar no fórum de ministros esportivos da Europa que acaba de acontecer em Biarritz, na França.

Mas, como toda discussão democrátiva, as opiniões não são unânimes. Há países que concordam, outros que incentivam, outros que não tem opinião formada, e outros ainda que já são radicalmente contra (uma vez que esse órgão poderia ferir a soberania dos órgãos nacionais).

Importante é acompanharmos os debates, e sempre aproveitar a oportunidade para refletirmos se isso poderia ser aplicado no Brasil, ou na América do Sul.

Para isso, temos que levar em consideração as distintas realidades. Aqui ainda mais distintas ainda, uma vez que a realidade do Mercosul é profundamente distinta da União Européia.

Mas há sempre considerações que seriam válidas se a discussão fosse levada ao nosso país. Temos que abrir discussões nesse sentido em nosso país. Estamos convencido de que os clubes brasileiros, se melhor estruturados, teriam a possibilidade de “segurar” grande parte de seus jogadores que atualmente vão ao exterior.

Os clubes precisam de ajuda, e o governo sabe disso. Não só pelos clubes em si, mas pelo “capital emocional” injetado na população brasileira, que leva o Brasil (principalmente o Brasil) a lucrar todos os anos com esse esporte.

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O papel do marketing no futebol

Eis que Alexandre Kalil, o novo presidente do Atlético-MG, resolveu dar uma reformulada geral no departamento de marketing do clube, aparentemente demitindo quase todo mundo e concentrando nas próprias mãos as negociações com patrocinadores e afins.

E eis que esse ato gerou um certo burburinho no mercado, onde não param de palpitar discussões sobre tal decisão. Alguns acham que foi certo, muitos acham que foi errado. E eu, que não tenho absolutamente nada a ver com isso, também não tenho absolutamente nenhuma conclusão a respeito do ato.

Na verdade, é tudo uma questão de ponto de vista.

Para justificar tal postura, o novo presidente do Galo aparentemente argumenta que as principais negociações sobre os principais canais de receita do clube, como patrocínio, negociação de direitos de transmissão e venda de jogadores, serão devidamente tocadas por ele mesmo, enquanto outras receitas menores, como licenciamento, franquias e afins, serão terceirizadas.

É uma filosofia justificada.

As principais receitas dos clubes de futebol, em sua maioria, são de fato negociadas por cargos mais importantes da escala hierárquica e dificilmente precisam de um projeto mais elaborado para aumentar a barganha da negociação. São receitas consolidadas com pouquíssima volatilidade. Um departamento de marketing de um clube de futebol não negocia jogadores, por exemplo. Esse processo raramente depende diretamente de uma estratégia comercial direcionada, sendo, na verdade, um processo muito mais reativo do que pró-ativo. Ter um departamento de marketing bem estruturado, neste caso, dificilmente implicará num aumento considerável no valor da transferência. Não que justifique toda a operação do departamento, pelo menos. O mesmo vale para os direitos de transmissão, que somados às receitas com transferências, compõem metade do total arrecadado por um clube.

Um bom departamento de marketing implica em custos bastante elevados, uma vez que é necessário pagar bons profissionais e abastecê-los com uma estrutura física e tecnológica condizente com o seu potencial.

Os resultados que esse bom departamento pode trazer é uma maior aceitação do mercado pela marca, o fortalecimento da imagem institucional e a organização e potencialização de alguns canais de receita sub-explorados. Fora isso, pouco pode se fazer além, uma vez que uma das máximas do marketing no futebol é que não existe ação de marketing melhor do que uma vitória. E vitória se constrói com futebol, e não com marketing. Um bom programa de marketing traz mais torcedores ao estádio. Uma boa vitória traz muito mais.

A questão é que para saber aproveitar todo o valor de um clube, é imprescindível que exista um departamento de marketing bem estruturado. Mas não adianta ter os melhores profissionais com a melhor estrutura se não tiver resultado dentro de campo para ser explorado. E isso, aparentemente, é o que o presidente do Atlético-MG pensa. 

A filosofia adotada parece ser simples: uma marca mais forte não implica diretamente em resultados dentro de campo, mas o resultado dentro de campo implica diretamente em uma marca mais forte.

Não é certo, tampouco errado. É somente uma perspectiva.

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O canto da Iara

A lenda amazônica diz que a Iara é aquela sereia do canto irresistível. Sedutora, seu canto atrai o caçador que, ao se deixar levar pela beleza da voz de Iara, é atraído para uma armadilha mortal. 

Pois parece que Robinho deve ter visto que estava caindo no canto de Iara desde a sua polêmica transferência para o Real Madrid, em 2005. Semana passada, acredito até que, sem o devido alarde da imprensa, o jogador anunciou o rompimento de seu contrato com o empresário Wagner Ribeiro.

Considerado um “herói” na negociação do atacante com o Real Madrid, Ribeiro perdeu seu encanto com a malfadada ida de Robinho para o “saco de pancadas” Manchester City. O atacante tinha espaço de sobra em Madrid e poderia continuar a pedalar pelo Santiago Bernabéu. Só que a simples especulação da imprensa sobre a contratação de Cristiano Ronaldo fez com que Ribeiro decidisse tirar Robinho do Real, clube que então “não o merecia”.

Foi mais ou menos o mesmo enredo da transferência de Santos para Madrid. Recém-conquistado o título da Copa das Confederações pela seleção, Robinho foi convencido pelos amigos Roberto Carlos e Ronaldo de que seu ciclo no futebol brasileiro havia chegado ao fim. 

Na volta da seleção, ele decidiu parar de treinar. Nesse meio tempo, Wagner Ribeiro tentava acertar os detalhes da transferência para o Real Madrid. Demorou mais do que o esperado, até por insistência do Santos de que não precisava vender seu maior astro desde Pelé. Robinho teve de voltar a treinar e jogar. Até para que não ficasse 30 dias fora do clube e caracterizasse, assim, abandono de emprego.

Mas no fim Robinho conseguiu ir para Madri. No último dia da janela de transferências internacionais, o jogador custou 30 milhões de euros aos cofres do Real. À época, Ribeiro foi visto com o maior articulador dessa jogada. Pouco se discutiu o que ele fez com os 7 milhões de euros a que teve direito com a negociação.

Agora, três anos depois, o filme se repete. Robinho não é liberado para disputar as Olimpíadas com a seleção e a imprensa começa a dizer que Cristiano Ronaldo deve desembarcar no Santiago Bernabéu. É a senha para que Iara comece de novo o seu canto. O Real passa, de uma hora para outra, a significar um clube que não merece Robinho. O destino mais especulado do astro é o Chelsea, já que Felipão agora está por lá.

Assim como no episódio Santos-Real, a transferência demora a se concretizar. As negociações se arrastam e, por fim, se concluem. Mas com o inexpressivo Manchester City, clube figurante na Inglaterra e recém-adquirido por trilionários (sim, trilionários!) dos Emirados Árabes. Ou seja, clube em que gastar dinheiro não é problema algum. Por quase 100 milhões de euros, Robinho deixa o Real Madrid e vai para o lugar que, pretensamente, lhe “merece”.

Parece que, na semana passada, Robinho percebeu o canto de Iara em que havia se metido. Talvez por ver que não adianta só ter ele, Elano e Wright Phillips dentro do time. Ainda mais numa liga de time estrelares, como o Manchester United, de Cristiano Ronaldo, que deveria ter colocado Robinho no banco do Real Madrid…

De fato Iara cantou mais uma vez. E embolsou outros milhões de euros com mais uma saída conflituosa de Robinho do antigo time. Se o Santos havia projetado Robinho para o futebol, o Real ajudou-o a se tornar jogador de renome internacional. E o canto de Iara fez o atacante deixar de lado toda essa relação com os dois clubes e suas duas torcidas por um punhado a mais de dinheiro. 

Mas agora Iara deve ter desafinado no canto. Resta saber se não é tarde demais.

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