Categorias
Sem categoria

Dimensões tecnológicas na Copa de 2014: a comunicação

 

Olá amigos, no texto de hoje vamos explorar a questão de infra-estrutura de comunicação dos estádios. Ressaltando e sendo extremamente repetitivo em nossos textos, mas, porque é preciso termos isso em mente: tecnologia é recurso e processo, depende de organização e aplicação direcionada.

As inovações tiram as pessoas de uma zona de conforto e geram receio, exigem um tempo de adaptabilidade, é um ciclo. Desenvolvem-se em cima das necessidades com intuito de facilitar e otimizar, causam o desconforto, a adaptação e assim chegam à maturação e consolidação do recurso e do processo até que sejam superadas por um novo ciclo.

Sobre comunicação nos estádios levantamos alguns pontos que consideramos necessários serem pensados.

Marketing e promoção

A comunicação é fundamental para interação com o público, foco principal dos patrocinadores e investidores.

Relativamente, as ações estão se aperfeiçoando, mas não podemos ficar restritos à placas publicitárias, os “namerights” por exemplo, já deveriam ter se consagrado mais aqui no Brasil. Mas aí, entramos numa questão complexa, uma discussão bastante batida, mas sobre a qual emitirei minha opinião.

É freqüente ouvirmos que não dá certo porque a imprensa acaba não divulgando o nome do patrocinador. Isso ocorre de fato, e tem suas razões comerciais. Mas, nessa gangorra de razão para ambos os lados, o prejudicado é o futebol, que necessita do investimento. Ora, mas como fazer isso funcionar se por uma lado fere os interesses de quem divulga e, por outro, isso ocorrendo não cumpre com as expectativas do anunciante?

É realmente complicado mesmo. Não tenho uma solução específica (gostaria, ficaria milionário com isso), mas, sinceramente, acredito que o nome do estádio pode ser utilizado em inúmeras outras formas de comunicação, por meio de ações diretas com o público-alvo.

Outros mecanismos podem ser aperfeiçoados e implementados nesse quesito como a comunicação móbile (via celular) com o torcedor, além de outras ações complementares, e nisso, confesso que fico completamente aficionado com o Superbowl do futebol americano, que, diga-se de passagem, foi espetacular no último fim de semana, inclusive no aspecto de jogo.

Exige-se de fato uma estrutura, implementação de antenas bluethof, mecanismos de organização de pessoas para montar e desmontar um palco de shows (sem comunicação propriamente dita, não é possível coordenação), e tantas outras que podem fazer parte, mas o principal é ter noção de que tecnologia não precisa ser um feixe de raio lazer e coisas flutuando, haja visto o pequeno time do Ibiza (Eivissa) da Espanha que, por meio de recursos tecnológicos e processo (olha eles aí mais uma vez) desenvolveram uma forma de colocar as paisagens cartão postais da cidade em cada número nas costas dos jogadores. Uma comunicação sem muito raio lazer, mas diferenciada. E tantas outras possibilidades se abrem.

Impressa

Na questão de imprensa, talvez encontremos um dos pontos críticos dos estádios brasileiros. Uma central de impressa adequada, com infra-estrutura que atenda tanto o volume de pessoas envolvidas quanto o volume de equipamento e recursos necessários para uma boa cobertura.

Agora, as coisas melhoram um pouco, mas me recordo há bem pouco tempo, quando minha freqüência nos estádios era as vezes superior a duas  vezes por semana, sentíamos falta, inclusive, de tomadas para ligar os aparelhos mais simples, o que falar da internet, então.

Jogo

A questão do jogo é, talvez, a parte mais carente de comunicação. E olhe que, no Brasil, o tal radinho/celular do técnico com o auxiliar lá na cabine é moda.

Mas relato que já ouvi de muitos profissionais da bola, que não adotam soluções tecnológicas no processo de jogo, sobretudo na questão de análise do jogo, porque não tem como efetuar uma boa comunicação com as pessoas que seriam destacadas para esse fim.

Ora, aqui deixo duas indignações:

Se é possível conversar com o auxiliar na cabine não é possível comunicar-se com outros membros responsáveis por outros tipos de informação? E porque não o próprio auxiliar acompanhar o jogo tendo como suporte um aparato que atenda as grandes necessidades de um treinador?

Será que a tecnologia que é oferecida para esses técnicos hoje é tão, mas tão sofisticada que é inviável implementá-la? Não creio que o que se oferece hoje por aí para os clubes de futebol não seja solução de fácil implementação frente às possibilidades e avanços da ciência. Ops, essa palavra (ciência) em muitos lugares, no futebol, é persona non grata.

Poderíamos discutir muitos outros exemplos, deixo para os amigos a possibilidade de avançarmos no tema.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

 

Categorias
Sem categoria

Fé cega

Ontem, pela manhã, dei de cara com Arnaldo estrebuchando no salão da caverna, fora do lago onde mora. Estava roxo e se debatia como uma minhoca assustada. Corri e o joguei de volta na água. Por uns trinta segundos ele desapareceu no lago; confesso que temi por sua vida. Subitamente voltou à superfície, ofegante, lerdo ainda, mas animado; a cor voltara ao normal. 

– O que aconteceu? – perguntei-lhe – Como foi parar fora da água?

Tive que lhe pedir que refreasse a sofreguidão, que se acalmasse um pouco, pois, dessa maneira eu não conseguia entender sua fala de bagre. Aos poucos, Arnaldo fez-se inteligível e pude entender: ele assistia ao noticiário noturno na televisão que fica num dos cantos do salão da caverna, quando, sobre a realização da Copa do Mundo de 2014, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol começa a falar. Interrompi-o:

– Mas você não enxerga Arnaldo, como pôde assistir ao Ricardo Teixeira pela televisão? 

– Mas é como se eu enxergasse – redargüiu o bagre -Assim que ele começou a falar eu vi que era ele, sua voz inconfundível, aquela segurança de quem sabe aonde quer chegar, única no futebol brasileiro. 

O fato é que Arnaldo entusiasmou-se além da conta com a entrevista. Lembrando minha conversa com o bagre, consigo visualizar a cena: o presidente da CBF falando e meu amigo torcendo-se no lago, erguendo metade do corpo fora da água, cabriolando e aplaudindo com suas nadadeiras. Enquanto cofiava o barbilhão, o troglóbio dizia de sua admiração pelo homem que, segundo ele, foi o responsável pela emancipação do futebol brasileiro e pela definitiva internacionalização de nossa arte de jogar o esporte bretão; inclusive, palavras do bagre, pela inclusão de um item fundamental nos créditos de nossa balança comercial: a exportação de craques. Centenas, milhares deles foram vendidos ao exterior, da Espanha ao Azerbaijão. Além disso, mais que espalhar a cultura brasileira por todo o mundo, obrigamos os brasileiros, se quiserem ver futebol de qualidade, a sintonizar a TV nos canais internacionais, incorporando, dos estrangeiros mais civilizados, a língua, os costumes, os consumos, e aquilo que Arnaldo chama sempre, referindo-se aos europeus mais evoluídos, de finesse

Perguntei-lhe o que achava da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014, e o bagre me disse que achava o mesmo que o Sr. Ricardo Teixeira. Insisti e ele me respondeu, um tanto ofendido, que, se o presidente da CBF achava que era bom para o Brasil, ele assinava embaixo. 

– Será o maior acontecimento da década, senão do século – proclamou Arnaldo. 

– Mas você acredita na lisura dos procedimentos, na transparência das licitações? – perguntei, ao mesmo tempo argumentando em sentido contrário ao do bagre.

– Os fins justificam os meios – ele disse.

E creio que, com isso, Arnaldo pretendia encerrar o diálogo, pois que o incomodava profundamente a saraivada de críticas ácidas esgrimidas diariamente pela mídia mal esclarecida do esporte brasileiro. Acredita o bagre que a perseguição feita pela mídia contra homens do quilate do presidente da CBF, um verdadeiro brasileiro, é absolutamente vergonhosa. Um desses hereges da imprensa brasileira, dizia-me Arnaldo, vocifera diariamente em seu pasquim eletrônico, que toma chá de cadeira esperando a queda do Ricardo Teixeira.

– Ora – indignou-se o peixe – Ricardo Teixeira!!!, como se ele tivesse intimidade para chamar dessa maneira uma das figuras mais respeitáveis da cena nacional. Ah, e tem aqueles que contestaram a escolha da filha do presidente para integrar o comitê organizador da Copa do Mundo. Afinal, é claro que a filha, o filho ou a esposa são muito mais confiáveis que qualquer outra pessoa desligada de parentesco. E ficamos aqui no Brasil com essa história do judiciário proibir a contratação de parentes em cargos públicos. Se a gente não puder mais confiar nossos serviços aos parentes, a quem mais os confiaríamos. E além do mais, a CBF não é um órgão do governo. A solidez de uma sociedade prende-se, acima de tudo, aos laços familiares. A família deve transcender o teto da casa onde moram pai, mãe, irmãos, e estender seus braços ao trabalho, à política, quiçá à religião. Padres devem casar, seus filhos devem ser os coroinhas, seus cunhados os sacristãos, suas mulheres as confessoras. O que o nosso querido presidente da CBF faz não é outra coisa que dar o exemplo, que demonstrar ser tão importante o cargo que ocupa que não o dividiria com quem não seja seu parente, e próximo. 

Ainda pensei em mencionar as suspeitas de lavagem de dinheiro e a história de Liechtenstein, mas o bagre estava ficando novamente roxo. Infelizmente não me segurei e falei dos contratos com a Nike. Arrependi-me. Arnaldo passou de vermelho a roxo, torceu-se todo, espumou, deu um salto e caiu uns três metros fora do lago, e dessa vez, mesmo que o tenha jogado imediatamente de volta à água, ele não voltava a si. Percebi seu corpo inerte rolando no fundo do poço, apanhei-o com um puçá remendado que eu guardava de antigas pescarias de siri e o levei para meu tanque de lavar roupas. Arnaldo só voltou a si com respiração boca a boca. Presenteei-o com uma camisinha da CBF e uma foto do presidente Ricardo Teixeira sorrindo, e ele voltou, amuado mas feliz, para o poço que habita e de onde me faz companhia em minhas frias noites de inverno neste fundo de caverna para onde me retirei, cansado dos nepotismos e lavagens de dinheiro desse mundo de meu deus que é o nosso grande Brasil.

Para interagir com o autor: bernardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:

Categorias
Sem categoria

Mudar é preciso

Permita-me regredir um pouco no tempo e voltar ao último domingo, mais precisamente aos acontecimentos do jogo entre Náutico e Botafogo.
 
As cenas que agitaram os noticiários e os comentaristas não devem surpreender ninguém. Afinal, todo mundo sabe que esse tipo de coisa acontece a todo o tempo por todo o país. Estranhamente, o Brasil não parece ter um tipo de segurança preparada para lidar com eventos e multidões, seja segurança pública ou privada.
 
De qualquer maneira, o que se viu em Recife não me parece ser muito anormal. Já vi outras vezes, em outras situações. Muitas outras vezes, muitas outras situações. Pesquisadores e intelectuais dizem que uma das principais soluções a serem adotadas para solucionar o problema de violência brasileiro é a desmilitarização da polícia. Quando se vê o batalhão de choque agindo em um campo de futebol para prender jogadores, talvez eles não estejam errados.
 
Fato é que a violência no Brasil continua preocupando, seja por esse acontecimento ou pela pesquisa do IBGE recém-publicada que aponta o crescente número de homicídios. Ou até pela própria percepção pública, que não me parece caminhar em outro sentido diferente.
 
Esse problema é possivelmente um dos maiores desafios para a Copa no Brasil. Questões estruturais, a princípio, parecem ser algo mais simples de se resolver. Basta construir, o que é um trabalho mais concreto, previsível e exato. Agora, para conseguir fazer com que a sociedade fique menos violenta é necessário um trabalho muito mais árduo e arriscado.
 
Talvez o que mais preocupe não seja necessariamente a violência da população em si, mas sim o método de repressão aos inúmeros problemas e manifestações de massa que ocorrem durante uma Copa do Mundo. Como irá a polícia reagir aos hoolingans? E aos barra-bravas argentinos? E aos turistas que beberem e quiserem gritar e agitar no meio do centro da cidade? E aos brasileiros tirando sarro dos franceses?
 
Esse é o tipo de coisa que as pessoas tendem a ignorar, mas que pode facilmente gerar uma imensa repercussão negativa. Logo, é o tipo de coisa que pode comprometer todo o evento.
 
Construir um estádio não é das coisas mais fáceis. Mudar o comportamento da população e da polícia em seis anos é pior ainda.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

A crise energética e a Copa do Mundo na África do Sul

Caros amigos da Universidade do Futebol,
 
Todos sabemos que a próxima Copa do Mundo será realizada na África do Sul. Trata-se de uma copa muito especial, por tratar-se da primeira delas no continente africano, e, mais, por tratar-se de um país que teve seu processo de democratização realizado há pouco mais de dez anos.
 
Será mais do que nunca a oportunidade para a Fifa ratificar a ideologia de que o futebol une as pessoas para um mundo melhor. Na mesma linha que fez com que a Fifa alterasse sua frase de “for the good of the game” para “for the game, for the world”.
 
Muito bem, no âmbito do contrato que cosumeiramente se assina entre Fifa e LOC (Local Organizing Committee), representando o país-sede, a entidade teria até o presente ano para decidir trocar o país sede por descumprimento do encarte de exigências da Copa do Mundo.
 
E, pelo que tudo indica em termos de investimentos e esforço político, não restaria dúvidas que a Fifa confirmaria a África do Sul como o país-sede.
 
Ocorre que, este ano, fomos surpreendidos com a notícia da crise energética no país, que já ganha hoje contornos seríssimos e muito preocupantes. Pior do que isso, segundo o que se tem visto na mídia, não teria qualquer solução até aproximadamente o ano de 2013.
 
A estatal energética da África do Sul, Eskom, pronunciou-se recentemente alegando que o próprio governo não esperava um crescimento econômico como o que foi visto nos últimos anos no país, e que, portanto, não dispensou a atenção devida no que se refere a construção de estações de geração de energia que suportasse tal crescimento.
 
A questão é histórica. O regime do apartheid também contribuiu para o atual problema, já que seus governantes à época paralisaram todos os projetos de geração de novas energias e mais, permitiu um programa desenvolvido pela Eskom de fornecimento de energia para o continente africano.
 
Hoje, o que se vê, é o fornecimento da Eskom para a África, sendo que não há capacidade suficiente nem para atender a demanda nacional. E mais, as providências que foram tomadas até agora se resumem na orientação para que a população economize energia e na construção de novas plantas que estarão prontas para funcionameento apenas três anos depois da realização da Copa do Mundo.
 
Segundo notícia recentemente veiculada no jornal Finacial Times, a Eskom terá que desvendar a seguinte equação: a capacidade de geração de energia pode apenas crescer 2% ao ano até 2012, enquanto o crescimento da demanda de energia no país no mesmo período crescerá em torno de 4 a 4.5%.
 
Em algum momento, essa bomba vai estourar.
 
O governo está bastante preocupado com a questão, e tem plena consciência que isso poderá afetar inclusive a realização da Copa do Mundo (o que seria um desastre para a popularidade do Governo de Mbeki).
 
Para se ter uma idéia, diversas minas tiveram suas atividades suspensas por conta da falta de energia (e notem que a mineração é uma das principais atividades econômicas do país).
 
Para confirmar a relação entre a crise energética no país e a realização da Copa do Mundo, a Ministra de Minas e Energia, Sra. Buyelwa Sonjica, em assembléia do Parlamento sulafricano realizado em janeiro deste ano, terminou seu discurso com a seguinte frase: “we are confident that we have the ability to turn the situation around. We reassure the South African community and the world at large that the 2010 Fifa World Cup is not under threat”.
 
Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos. E torcer para que a Copa seja de fato realizada na África do Sul, ainda que os jogos tenham que ser realizados de dia, quando o governo e o LOC poderão contar com a iluminação solar gratuita…
 

Para interagir com o colunista: megale@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Copa do Mundo é oportunidade de aquecer construção civil

A realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 vai possibilitar ao país não apenas reformar seus estádios, mas aquecer alguns setores econômicos das cidades-sede, principalmente a construção civil. A afirmação é do presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Antônio Rocha, em entrevista à Rádio Nacional.
“A construção civil será extremamente privilegiada, já que será necessário fazer toda a reconstrução dos estádios e equipamentos esportivos. Também os setores de vestuário, alimentação e informática serão contemplados”, defende Rocha.
Ele diz esperar que o governo do Distrito Federal, a população e os empresários se mobilizem para que Brasília seja uma das cidades escolhidas para sediar a competição. “Essa movimentação da economia será muito importante para o Distrito Federal, porque vai permitir além de mais empregos, a adequação da estrutura esportiva para outros eventos”.
Apesar de a Federação Internacional de Futebol (Fifa) ter confirmado o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, tanto as cidades onde serão disputados os jogos, quanto as 32 onde ficarão hospedadas as seleções que vêm participar da disputa só serão conhecidas em 2008.
Para sediar as partidas, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) indicou 18 localidades. A intenção agora é convencer a Fifa a escolher, entre elas, 12 e não apenas dez, conforme previsto. A justificativa seria a grande dimensão territorial do país.

Para interagir com oautor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Cabeça de 2007

Você se lembra do ano 2000?
 
Eu lembro pouco. Minha memória, definitivamente, não é a minha melhor amiga. Aparentemente, tivemos algum affair no passado. Não me recordo.
 
Mas nada que a internet, esse bendito instrumento que substitui o cérebro, não consiga resolver.
 
Pois vamos lá.
 
O ano 2000 foi um ano peculiar. No momento em que ele começou, o mundo se sentiu mais leve. Afinal, o bug do milênio não aconteceu. As coisas não entraram em colapso por causa do calendário dos computadores. Todo mundo respirou mais aliviado.
 
Aliás, a tecnologia foi uma das grandes vedetes do ano 2000. Primeiro, não houve o Y2K. Depois, em compensação, houve o estouro da bolha da internet. Muita gente perdeu emprego e dinheiro. Um caos. Para restabelecer o balanço entre as coisas boas e as coisas ruins, o ying e o yang mundial, lançaram o Playstation 2. Entre uma internet superfaturada e um PS2, confesso que pendo para o lado do Winning Eleven.
 
Em 2000, foi o ano que eu entrei na faculdade, acredite. Naquela época eu não dava bola pra muita coisa que interessasse ao resto do mundo em particular. De importante para o meu universo, naquela época, é que então foi lançada a última tirinha do Charlie Brown, coisa que ninguém deve se lembrar e/ou sentir muita falta. Foi, também, o ano do No Limite, que rendeu horas de discussões acadêmicas bastante, muito, aprofundadas. Outro assunto que rendeu algum tempo de conversação foi a novela Laços de Família, muito por conta de um colega de sala que era algo como a versão bizarra do Miguel Soriano, papel interpretado por Tony Ramos. Foi nessa novela que a Carolina Dieckman raspou a cabeleira. Lembrou?
 
Ademais, em 2000 o presidente do Brasil ainda era o FHC e o presidente do Peru ainda era o Fujimori, que eventualmente acabou por renunciar o cargo. Nesse ano, Putin foi eleito presidente da Rússia, Bush foi eleito, ou não, presidente dos EUA, e Marta Suplicy pôde relaxar como prefeita eleita de São Paulo.
 
Foi também o ano em que a Ambev foi criada, que o garoto Elián González serviu de faísca para mais uma treta entre EUA e Cuba, que o genoma humano foi decifrado e que o ônibus da linha 174 no Rio de Janeiro foi seqüestrado.
 
No mundo esportivo, o Brasil acompanhava o desenvolvimento da CPI do Futebol, e Luxemburgo acompanhava o circo que se armava por causa das declarações da sua secretária, e por causa do fracasso da seleção nas Olimpíadas de Sidney. No começo do ano, Rivaldo foi eleito o melhor jogador do ano pela FIFA. No meio do primeiro semestre, Ronaldo estourou o joelho pela segunda vez no jogo da sua volta aos gramados pela Inter de Milão. No meio do ano, Guga venceu Roland Garros pela segunda vez e Rubinho conseguiu sua primeira vitória na F1 depois de 123 corridas. No fim do ano, a Fifa elegeu Pelé e Maradona como os melhores jogadores do século. Eu queria também dizer que no fim do ano o Vasco se sagrou campeão da Copa João Havelange, que em 2000 substituiu os campeonatos brasileiros, mas, como você bem deve saber, isso só aconteceu no ano seguinte.
 
Em 2000, por fim, o Brasil fez 500 anos. Teve festa e tudo mais. Pena que foi um desastre completo, que, bem verdade, era bastante previsível.
 
Agora, estamos em 2007. Fazendo as contas, de cabeça, são sete anos de separação. Sete anos de grandes transformações, de mudanças econômicas, políticas e culturais.
 
Sete anos, também, é o que nos separa de 2014.
 
Analisando o tempo de trás, é possível prever o que vem no tempo da frente. Ou, pelo menos, ter uma idéia do tamanho das mudanças que ocorrerão até lá. Sete anos é muita coisa. O mundo vai mudar, o país vai mudar e você também vai mudar. Você consegue se imaginar daqui sete anos?
 
Pois bem. Tudo isso para levar a você uma certa desconfiança que eu tenho com relação ao modo com que está sendo tratada a Copa de 2014. Não só pelos responsáveis diretos, mas por todos. Você, eu, todos.
 
Tenho ficado com a impressão de que paira a idéia de que a Copa já está pronta. Que é só construir, que é só investir. Ainda não vi alguém fazendo alguma previsão de como o mundo estará em 2014.
 
Em sete anos, como visto aqui, muita coisa vai mudar. Novas coisas serão inventadas, outras tantas coisas serão abandonadas. Não vejo, pelo menos até agora, nenhum plano que considere um cenário mais abrangente ou que leve em conta alguma medida de contingência. E se o Brasil não se classificar para a Copa de 2010, como vai ficar a Copa seguinte? E se em 2014 estivermos em 12º lugar do ranking da FIFA, as pessoas ainda vão se importar com a seleção? E se não gostarmos mais de futebol e preferirmos assistir partidas sangrentas de Rollerball? E se o Chávez invadir o Brasil e tornar o beisebol e o concurso de Miss os esportes nacionais?
 
Na nossa cultura imediatista, de curto prazo e populista, essa falta de planejamento de ações públicas e de análise de tendências de cenários são bastante comuns. Nada que leve muito alarde à população. Porém, do jeito que as coisas parecem estar indo, corremos o risco de ter uma Copa realizada em 2014, mas com a cabeça do ano de 2007.
 
P.S.: Nunca tinha reparado nisso, mas você também percebe uma certa semelhança nos preparativos pro Pan com os preparativos para as cerimônias de 500 Anos do Brasil? Deu no que deu. Era de se esperar que tivessem aprendido com alguma coisa.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

O Vermelho da Discórdia

O Brasil nem sequer apresentou a candidatura oficial para a Copa de 2014 e as polêmicas e reclamações já começaram. É fácil prever o que vem pela frente.

 
Tudo por causa da logomarca do lançamento da candidatura oficial.
Na verdade, tudo por causa de uma cor na logomarca da candidatura oficial do Brasil para a Copa de 2014.
 
Se você não viu a logomarca ainda, eu descrevo pra você:
A primeira palavra, obviamente, é ‘Brasil’, escrita em azul, em letra normal, tipo Arial. Em baixo do ‘Brasil’, está o ano, 2014, escrito com uma letra mais estilizada, e com os números coloridos e sobrepostos. O 2 está em amarelo, o 0 é uma bola de futebol azul com uma faixa branca no meio, o 1 está em verde, e o 4, por fim, em vermelho. Embaixo disso tudo, uma frase diz “Bid Nation”.
 
A inovação fica pro termo “bid nation”, que eu confesso jamais ter visto antes. Tentei achar alguém que o tenha utilizado previamente, mas não obtive sucesso. É verdade que não existe exatamente um termo definido a ser utilizado para os países candidatos a sediar uma Copa do Mundo. Em geral, usa-se somente o nome do país e o ano da Copa, que deixa muito bem a entender o que se pretende. Nas Olimpíadas, as cidades finalistas costumam a usar o termo “Candidate City”. Para a Copa de 2010, Marrocos utilizou o termo “Candidate Country”, mas a maioria dos outros países optou apenas por utilizar a palavra “bid”, que literalmente significa “oferta”. Nesse contexto, a tradução para “Bid Nation” ficaria algo como “Nação das Ofertas”, que dado o número de candidaturas recentes do Brasil para eventos esportivos mundiais, não fica muito longe da verdade.
 
Entretanto, a maior contestação em relação à logomarca, até o momento, é a presença da cor vermelha no número 4. Afinal, todos os outros números representam as cores do país. E o vermelho, representa o quê?
 
A hipótese mais óbvia e conspiratória sugere que o vermelho representa a cor do partido do atual presidente, que também é a mesma cor do partido do atual ministro dos esportes. A colocação do vermelho seria uma espécie de homenagem aos gerentes do poder público atualmente legitimados pela sociedade, ainda que o número 14 lembre as cores de Portugal. Não obstante, é bom lembrar que a logo para a proposta da Copa de 2010 não possuía a cor vermelha, apenas as cores nacionais.
 
Ainda assim, não acho que a presença do vermelho seja grande coisa. Vermelho representa muitas coisas, e – por ser uma cor primária – sua presença não indica necessariamente um fato consolidado. Porém, apenas a grande especulação a respeito da cor da logomarca já indica como será difícil fazer uma Copa no Brasil. A todo o momento, em qualquer ação, suspeitas serão levantadas. Principalmente suspeitas de manipulação política, como o vermelho.
 
Afinal, vale muito bem lembrar, 2014 será ano de eleição pra governador e pra presidente. Ou seja, ainda que qualquer retórica apolítica seja adotada, vai ser difícil, muito, mas muito difícil desvincular a realização da Copa do Mundo de uma jogada em busca de votos. Falem o que quiser, mas eu e você sabemos que no Brasil, quiçá em todo o mundo, as coisas não funcionam desse jeito.
 
E também não vai ser difícil imaginar o estrago que eventuais motivações populistas poderão causar à racionalidade do evento, e principalmente ao seu legado estrutural. Isso, claro, pra não falar da variação orçamentária.
 
O tamanho da polêmica e da contestação em cima de apenas um número da logomarca da candidatura oficial do país para a Copa pode ser um sinal do que vem pela frente.
 
Curiosamente, o sinal é vermelho.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Cafu é o único brasileiro que entrou em campo nas três últimas Copas

Algumas curiosidades cercam determinados jogadores que disputarão a Copa do Mundo da Alemanha. Uma delas recai justamente sobre Cafu. O lateral do time de Parreira é o único jogador do atual elenco que entrou em campo das três últimas edições do Mundial (2002, 1998 e 1994).

O atacante Ronaldo, outro brasileiro, também fez parte do elenco convocado para essas edições, mas não jogou nenhuma partida em 94, na Copa realizada nos Estados Unidos.

Os outros dois jogadores que se encontram em situação idêntica à de Cafu defendem a Arábia Saudita: o goleiro Mohammed Al Deayea e o atacante Sami Al Jaber ? ambos atuam no Al Hilal e também foram comandados pelo técnico Marcos Paquetá, que é o atual técnico da seleção árabe.

Se forem considerados os jogadores que foram chamados por seus países, ainda que não tenham necessariamente jogado em alguma das Copas, a lista aumenta para sete nomes: Cláudio Reyna (Estados Unidos), Oliver Kahn (Alemanha), Mohammed Al Deayea e Sami Al Jaber (ambos da Arábia Saudita), Cafu e Ronaldo (Brasil) e Kasey Keller, goleiro dos EUA e que é o único a ter participado do Mundial de 1990, mas não integrou a seleção do seu país justamente no ano em que a Copa aconteceu nas terras de Tio Sam em 1994.

Entre os jogadores que estarão presentes na Copa da Alemanha, o goleiro saudita Al Deayea aparece, desta vez, como o atleta que mais jogos realizou por sua seleção, com 181 participações. Logo atrás vem o mexicano Cláudio Suarez, com 176 jogos.

No quesito partidas disputadas numa Copa do Mundo, Cafu é o líder isolado: 16 atuações com a camisa brasileira. Em seguida estão seus próprios companheiros: Ronaldo (14) e Roberto Carlos (13). Os goleiros Barthez (França) e Al Deayea (Arábia Saudita) defenderam as seleções dos seus países em 10 jogos do Mundial.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Copa-2014 no Brasil

Quando falamos na possibilidade de o Brasil sediar uma Copa do Mundo, dois grupos distintos se formam: o daqueles que defendem e o daqueles que condenam de forma intransigente a idéia.

 

Levando-se em conta a posição do primeiro grupo, que considera legítimo o direito de um país de terceiro mundo poder realizar uma Copa, não basta que o Brasil manifeste vontade de sediar o evento de 2014 por meio de seu presidente da República e do presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

 

Independentemente das razões, a vontade de trazer a sede do mundial para o Brasil deve ser acompanhada de organização, planejamento, alocação de recursos humanos e financeiros.

 

Antes disso, porém, é preciso um aprofundamento dessa questão.  Que tal começarmos por um grande debate sobre a possibilidade de realização desse evento tão bilionário quanto planetário? Uma análise que, sem perder o calor de sua paixão, seja suficientemente racional e objetiva.

 

Em um país que ainda está construindo um projeto democrático de nação, nada melhor do que colocarmos à mesa, juntos para debate, todos os setores da sociedade que podem dar uma contribuição neste sentido.

 

Mas um debate que não fique nos chavões de que o futebol é uma coisa menor e que temos coisas mais importantes para tratar. Ou que a realização de uma Copa do Mundo só interessa às pessoas desonestas cujo único pensamento é ganhar dinheiro ou tirar vantagens pessoais dela.

 

Futebol pode ser cultura e poderosa ferramenta de educação de um povo, dependendo da forma como o utilizamos. E se futebol pode ser cultura e educação, não é disso que mais precisa um país de terceiro mundo?

 

Enfim, do debate sério e fundamentado podem surgir tanto idéias quanto envolvimentos e compromissos com a construção não só de uma melhor e saudável estrutura para o nosso futebol, mas sobretudo de um país melhor.

 

Sabemos todos que não vamos mudar a estrutura e o modus operandi do futebol profissional brasileiro do dia para a noite. É preciso começar passo-a-passo. É preciso, entre outras coisas, equacionar os problemas administrativos e de gestão dos clubes.

 

A decisão sobre a Copa de 2014 será feita daqui a dois anos, em 2008. O tempo para mobilização é pequeno e requer providências. E muitas destas providências não exigem muitos recursos financeiros. Aliás, algumas delas não exigem nenhum recurso financeiro. O debate é uma delas.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

 

Categorias
Sem categoria

Futebol, longo prazo e desenvolvimento

Um dos maiores economistas do século 20, John Keynes, certa vez disse que “no longo prazo estaremos todos mortos”. A frase, fora de contexto, parece desestimular ou criticar aqueles mais precavidos que buscam no planejamento uma ferramenta para programar mais adequadamente o futuro.

Sem deixar de considerar o aspecto positivo da mensagem do economista Keynes, alertando para a necessidade de pensarmos o planejamento sintonizado com a nossa realidade ou com o momento presente, temos que entender a nossa dificuldade em pensar no futuro de forma mais objetiva e clara.

No Brasil, via-de-regra, somos avessos aos projetos de longo prazo.  No futebol, então, nem se fale! Conheço dirigentes que não conseguem vislumbrar horizontes maiores além de uma semana ou um mês. E pautam suas atitudes, única e exclusivamente, em função dos resultados imediatos dos jogos de seu time. Ganhando, aproveitam para fazer a propaganda de sua “administração” na mídia. Perdendo, demitem o treinador e assim procuram renovar as esperanças dos torcedores no curto prazo. O panorama traçado é um pouco caricato, mas infelizmente verdadeiro em muitos casos.

Apesar dessa resistência quase cultural ao planejamento, vivemos um momento oportuno para repensarmos nossas instituições e, dentro delas, o futebol, este que é um dos nossos maiores patrimônios.

E neste repensar, bem que poderíamos começar um movimento para discutir e pensar seriamente na possibilidade de realização da Copa do Mundo em 2014 no Brasil.

A idéia já conta com o apoio oficial da CBF e a simpatia do governo federal, embora ainda divida um pouco a opinião pública. Seria ótimo se essa discussão fosse aprofundada. 

Que tal se utilizássemos o futebol como metáfora da vida? Será que, com isso, ao organizar melhor o nosso futebol não conseguiremos contribuir para o desenvolvimento de nossa sociedade como um todo?

A organização de uma Copa do Mundo não é tarefa simples. Exige a mobilização de forças políticas e econômicas. Mas depende também da compreensão de todo cidadão que participa da construção de um país como o Brasil, dentro de toda a sua complexidade.

Encarar o desafio de realizar uma Copa do Mundo vai exigir muito trabalho e competência. Mas está aí um bom motivo para exercitarmos nossa capacidade de construir uma grande Nação através do futebol.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br