Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Jornalismo Esportivo: uma nova disciplina para o curso de graduação em Jornalismo

Resumo

Jornalismo é jornalismo, seja qual for o tema abordado. Mas, há uma área do jornalismo que requer um estudo detalhado sobre sua importância e influência na sociedade e, consequentemente, sua inclusão dentro da grade de disciplinas dos cursos de graduação em Jornalismo: o jornalismo esportivo.

O esporte repesenta entre 2% a 3% do produto interno bruto brasileiro. A cultura brasileira e a sociologia explicam como o futebol, principal esporte brasileiro, mexe com a vida do brasileiro. Uma área onde 76% dos estudantes de jornalismo pretendem especializar-se, deve ser abordada dentro do curso de graduação e tratada como ciência pela comunidade acadêmica.

Introdução

Jornalismo é jornalismo, seja ele esportivo, político, econômico, social. Pode ser propagado em televisão, rádio, jornal, revista ou Internet. Não importa. A essência não muda porque sua natureza é única e está intimamente ligada às regras da ética e ao interesse público. Porém, trabalhar com jornalismo esportivo tem suas especificidades. Frequentemente, ele se confunde com entretenimento e tem uma linguagem própria. Em nenhuma outra área do jornalismo, informação e entretenimento estão tão próximos.

No Brasil, há cerca de 470 escolas de Jornalismo e cerca de 12.000 profissionais são colocados no mercado por ano.

Qual a importância desses novos profissionais em estudar o esporte e o jornalismo esportivo no Brasil? Um jornalista recém formado tem a noção do amplo mercado de trabalho que o Jornalismo Esportivo pode oferecer? Há espaço e necessidade do Jornalismo Esportivo tornar-se uma disciplina obrigatória dentro do curso de Graduação em Jornalismo? Essas questões serão discutidas e analisadas ao longo desse artigo.

Antes de analisar todas essas questões, levantamos a hipótese de que os alunos de jornalismo estariam mais bem preparados para o mercado de trabalho se pudessem estudar e entender a importância e o quanto o esporte e o jornalismo esportivo podem abrir portas para o futuro profissional.

Neste artigo, objetivamos também verificar a viabilidade de introduzir o Jornalismo Esportivo como disciplina obrigatória no curso de Graduação em Jornalismo e identificar sua necessidade dentro da grade curricular do curso. Iremos identificar a aceitação dos alunos de Jornalismo com a nova disciplina e elaborar um conteúdo programático para a nova disciplina, de forma que o aluno fique apto a trabalhar o jornalismo esportivo em diversas mídias, principalmente TV, rádio, Internet e impresso.

Metodologicamente, delimita-se esse artigo, inicialmente, como sendo uma pesquisa conjuntural. Qualquer análise científica envolve uma gama de ferramentas específicas e adequadas, afins de que se alcance algum tipo de resultado. Utilizaremos a Sociologia como ferramenta teórica para basearmos a importância do esporte na vida do brasileiro e fundamentarmos a importância de jornalismo esportivo como ciência e, consequentemente, mais discutida e analisada durante o período da graduação.

Através do estudo desse elemento, realizaremos uma análise conjuntural quantitativa asincrônica contemporânea analítica.

A análise conjuntural quantitativa é usada quando há a necessidade ou existe a possibilidade de se quantificar variáveis para se obter ou simular determinados resultados numéricos . Para tal análise, a pesquisa utilizará como ferramenta:

– Pesquisa Documental por meio de bibliografias que permitam conceituar o tema;

– Entrevista com jornalistas esportivos para saber o que a nova disciplina somaria ao curso de jornalismo. Nossos entrevistados foram: Nivaldo de Cillo, repórter esportivo da TV Bandeirantes; professor de Jornalismo e escritor Jober Teixeira Júnior e Carlos Gomes, professor de Jornalismo da FAAP e diretor do departamento de Esporte da TV Bandeirantes. Realizamos um questionário com 150 alunos de faculdades de Jornalismo das cidades de São Paulo, Mogi das Cruzes e Taubaté.

Como dito anteriormente, além de conjuntural e quantitativa, a análise será asincrônica, contemporânea e analítica, isto é, iremos analisar conjunturalmente e quantitativamente um conjunto de variáveis observadas sem um instante de tempo determinado (asincrônica), podendo-se conviver com os acontecimentos (contemporânea) e interpretando a situação conjuntural (analítica).

Capítulo I
A relevância da disciplina Jornalismo Esportivo para a graduação

As atividades esportivas no Brasil representam entre 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. De 1999 até 2005, o crescimento médio anual do PIB brasileiro foi de 4,85%. Nessa mesma época, o PIB do esporte foi de 11,8% ao ano. A atividade esportiva está presente, direta ou indiretamente, em dois terços da população brasileira. 315.000 pessoas são empregadas de forma direta ou indireta, e possui uma massa salarial de 6,9 milhões de reais. De 170 milhões de brasileiros, 102 milhões acompanham algum esporte .

Cerca de 90% da população brasileira acompanha algum tipo de esporte. Diferente do público das outras editorias do jornalismo, o esporte possui um público extenso e de diferentes níveis sócio econômicos, o que possibilita ao jornalista esportivo o trabalho com públicos de diferentes níveis de classe. O esporte é acompanhado ou praticado por todas as classes sociais.

De onde vem essa paixão pelo esporte? De onde vem esse sentimento de prazer que o brasileiro tem quando assiste uma partida de futebol, ou um jogo de vôlei, ou qualquer outro esporte? Usamos a sociologia para explicar como é o impacto do esporte da vida do brasileiro.

A sociologia é uma ciência que estuda as relações que se estabelecem entre as pessoas que vivem numa comunidade ou grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla. O futebol, por ser uma atividade grupal e também social, tem merecido, de parte dos sociólogos, estudo mais profundo, para que entendamos melhor suas relações, quando se tem uma atividade social da mais alta relevância.

"O futebol , como nossa paixão popular e esporte número um, encena um ritual coletivo de intensa densidade dramática e cultural, em consonância com a realidade brasileira. É a combinação de simbologias, por meio das quais podemos estudar o Brasil. Futebol é simbologia e metalinguagem, e como tal, revelador das culturas das coletividades e revelador expressivo das condições humanas.”

O futebol, oriundo da Inglaterra, chegou ao Brasil de forma elitista e racista. Proibido aos negros, mestiços e brancos pobres, teve uma resistência enorme das classes dominantes, porém teve que curvar-se à insistência da grande maioria menos favorecida, tornando-se o "esporte rei" e mais que isso, pela habilidade e magia de nossos atletas, um estilo de arte.

Passes, dribles, fintas, a malemolência e a ginga, coisas buscadas nas danças, na própria capoeira, cultura brasileira, nos diferenciaram dos demais atletas do mundo inteiro.
O "estilo" do futebol brasileiro está intimamente ligado ao modo de vida e á cultura da grande maioria de sua população.

"Eu é que já estava longe, me refugiando na arte. Que coisa lindíssima, que bailado mirífico um jogo de futebol!…Era Minerva dando palmadas num Dionísio adolescente e já completamente embriagado…Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambalísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos…"

Segundo o professor e escritor Jober Teixeira Jr, "o futebol, mais do que prática esportiva é uma oportunidade prática de se exercitar a cidadania. Portanto, mais do que constatação, interpretação e paradigma do Brasil, o futebol é proposta, é projeto e desejo da coletividade".

As raízes do futebol se espalham pelas esferas da realidade social,pois, diferentemente de outras instituições, o futebol reúne muita coisa na sua invejável multivocalidade. É uma estrutura totalizante em sua acepção teórica.

"Em uma das obras clássicas da Sociologia, Émile Dürkheim sugere que a religião é menos importante como um conjunto específico de crenças e divindades do que como uma oportunidade para a reafirmação pública da comunidade… Apesar da ausência de vínculos sangüíneos, os homens da tribo sentem que estão relacionados entre si porque partilham um totem. O culto a uma equipe esportiva, como o culto a um animal, faz com que todos os participantes se tornem altamente conscientes de pertencerem a um coletivo. Ao aceitarem que uma equipe em particular os representem simbolicamente, as pessoas desfrutam um parentesco ritual, baseado neste vínculo comum."

Segundo o professor Jober Teixeira, "o futebol é para os brasileiros um misto de necessidades imediatas e práticas de luta e obtenção de resultados e objetivos, e ao mesmo tempo a expressão de alegria e da arte popular, expressando uma sintonia entre o individual e o coletivo, dentro e fora dos gramados".

O professor exemplifica através de uma resposta que todo torcedor tem, na ponta da língua, quando questionado sobre qual time torce: "Eu sou gremista" ou "Eu sou corintiano". De acordo com o professor, a palavra "eu" significa a individualidade; a palavra "sou" representa a identidade; e "gremista" ou "corintiano" ou qualquer que seja o time, é a coletividade. A palavra “eu” indica a personalização ou a individuação do sujeito ao time. Dessa maneira, incorporado á sua personalidade, o time faz parte do indivíduo.

Na Copa do Mundo, há a maior comprovação sociológica do que o brasileiro é capaz, independente da camada social: organiza-se nas ruas e espaços comunitários para numa ação conjunta mostrar toda a sua cidadania. Como modalidade desportiva mais popular do mundo, o futebol cria espaços públicos permissíveis a experiências comunitárias sensacionais.

Em menos de um ano, teremos a Copa do Mundo na África do Sul. O jornalista esportivo Nivaldo de Cillo passou pouco mais de um mês na sede da Copa de 2010, cobrindo a Copa das Confederações, evento que antecede a Copa do Mundo.

Segundo o jornalista, é preciso entender que para a África do Sul o futebol , nos próximos meses, será mais que um megaevento de bilhões de dólares que vão ser gerados em função dele, ou ainda o legado que o país irá herdar quando os holofotes se apagarem. É, por consequência, mais que um evento esportivo.

Nivaldo afirma que estamos diante de um acontecimento histórico, filosófico e racial. O futebol é um esporte fundamentalmente dos negros da África do Sul. Os brancos, que são apenas 10% da população adotaram o rugby como o esporte principal do país. É nesse esporte onde estão as maiores verbas publicitárias, os maiores investimentos, a elite do país.

Os negros, maioria absoluta no país sul africano, também são a maioria esmagadora de pobres. Estamos diante do apartheid, mesmo depois da "libertação" alcançada pelo brilhante Nelson Mandela, praticamente sem forças para continuar a defesa de seu povo.

Através da convivência com os sul africanos, Nivaldo afirma que a Copa do Mundo é o orgulho de uma camada expressiva de uma população oprimida por anos e anos de segregação racial, de preconceito, de desigualdade social. Com a Copa do Mundo, brancos e negros estarão lado a lado, vibrando e torcendo, num dos eventos mais importantes do planeta.

"Pode chamar de esperança o ano do mundial de futebol. Não imagino que os problemas irão desaparecer a cada gol marcado, a cada vitória dessa ou daquela seleção. Mas pelo menos por um tempo, as diferenças gritantes que qualquer visitante percebe ao chegar no aeroporto de Joanesburgo, serão abrandadas por um só corrente: o futebol é um esporte onde todos podem ser iguais, no campo, na arquibancada, na vida. Depois, sei lá. Depois acho que tudo vai seguir como antes, infelizmente".

1.1 A voz dos estudantes

De maio a agosto, pesquisamos com 150 estudantes de Jornalismo sobre a inclusão da disciplina Jornalismo Esportivo na grade curricular de suas Universidades. Foram ouvidos 50 alunos da Universidade de Taubaté (UNITAU), 50 alunos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e 50 alunos da Unifiamfaam.

Dos 150 alunos de Jornalismo que foram entrevistados, 115 dos estudantes, ou seja, 76% dos futuros jornalistas, querem especializar-se, ou se interessam em jornalismo esportivo.

Mesmo com esse alto número, o Diretor do Departamento de Esportes da TV Bandeirantes de São Paulo, Carlos Gomes, não acha necessário que haja uma disciplina específica para jornalismo esportivo.

"Não vejo necessidade. Jornalismo esportivo deve ser um curso de pós graduação, uma especialização". Porém, Carlos Gomes acha importante que os estudantes de jornalismo tenham conhecimento sobre os negócios que envolvem o esporte, marketing esportivo e administração esportiva.

Apesar de não concordar com uma disciplina específica de jornalismo esportivo, Carlos Gomes concorda que os alunos de jornalismo devem obter conhecimento sobre marketing, negócios e administração esportivo e, é nessa lacuna, que pretendemos atuar, levando aos alunos de jornalismo, a importância de se conhecer o mundo esportivo, especificamente o futebol.

Todavia, Heródoto Barbeiro e Patrícia Rangel afirmam que a não existência de uma disciplina ou um curso de jornalismo esportivo é um erro grave. “Muitas faculdades não têm (ainda) um curso de jornalismo esportivo para adequar os princípios gerais do jornalismo ao esporte. Uma falta grave."

A disciplina de Jornalismo Esportivo preencheria esse espaço dentro do curso de jornalismo, já que levaria ao aluno a oportunidade de explorar esse mercado tão grande. O esporte possui uma diferença fundamental com relação as outras editorias: a paixão. Falar de esporte, em qualquer que seja a mídia, é falar da paixã
o e da emoção que envolve qualquer modalidade esportiva.

Segundo Wesley Cardia, quando trabalhamos com marketing e negócios do esporte, há um elemento que nunca deve ser esquecido, justamente a paixão, como citamos acima. Segundo o autor, nenhuma outra área do jornalismo usa tanto a emoção para "conversar" com seu público.

Em 2014, o Brasil será cede do maior evento de futebol do mundo. Com a Copa do Mundo da Fifa, inumas opções de trabalho se abrirão. Para quem gosta e pretende seguir a carreira de jornalista esportivo, o evento abrirá portas no mercado. Aos que não pretendem seguir essa carreira, o número de empregos e oportunidade de negócios que se abrirão antes e depois desse evento poderá ser uma grande fonte de renda.

O jornalista Nivaldo de Cillo, cita que o o tempo (para criação da disciplina de jornalismo esportivo) para isso é agora. Segundo ele, "nosso jornalismo esportivo está vivendo uma certa crise de identidade. No caso da televisão, a luta pelo Ibope, algumas vezes deixa a "verdade" de lado em busca do sensacionalismo. Não é regra, graças a Deus, mas exceção já preocupa. Além do que, os interesses comerciais/financeiros, falam sempre mais alto. O jornalismo impresso e radiofônico caminham, mesmo sem tanta exposição, pela mesma perigosa estrada. Mas há o que se comemorar. Os espaços estão surgindo, com as novas mídias".

Capítulo II
Conteúdo para a disciplina de Jornalismo Esportivo

Quando pensamos no conteúdo dessa nova disciplina, não podemos esquecer que, apesar do alto número de alunos que se interessam pelo jornalismo esportivo, o curso é de graduação e há, mesmo que seja um número mínimo, alunos que não gostam ou não pretendem trabalhar com jornalismo esportivo. Porém, trabalharemos com esses alunos a importância de se estudar o jornalismo esportivo e suas diversas atuações no mercado, como marketing, administração e negócios do esporte.

Por esse motivo, abordaremos questões teóricas de produção, direção, sociologia e marketing, mas sempre voltados para o esporte e para o jornalismo esportivo. Aos alunos que não pretendem trabalhar com a editoria de esportes, colocaremos a importância de saber utilizar as ferramentas do jornalismo esportivo, já que é uma área crescente no Brasil e, como vimos no capítulo anterior, de um público consideravelmente grande.

Aqui, sugeriremos um conteúdo de 2 semestres para a disciplina Jornalismo Esportivo.

• 1º Semestre

– Apresentação da disciplina e cronograma de seminários e programas
– História do Jornalismo Esportivo no Rádio e na TV
– Sociologia do Esporte
– Conceitos de Categoria, gênero e formato
– Pautas/Espelho/Roteiro e Texto e Edição para Rádio e TV
– Remake (reprodução) de um programa esportivo em Rádio e TV

Nesse primeiro semestre, o aluno teria uma boa carga teórica sobre a relação da sociologia com o esporte. Essa visão serve para mostrar ao aluno a importância que o esporte têm na vida do brasileiro. Atrelado a esses conceitos, propomos uma pequena carga teórica de conceitos de categoria, gênero e formato na TV e no rádio, o que serve de base para a discussão de pautas, roteiros e textos para os mais variados veículos de comunicação.

Ao final do semestre, os alunos escolheriam um programa de TV e um programa de rádio que não esteja mais na grade de programação de nenhuma emissora, e reproduziriam esse programa, utilizando as técnicas específicas do jornalismo esportivo expostas em aula.

• 2º Semestre

– Cronograma de seminários e programas
– Produção e Direção de programas esportivos em Rádio e TV
– Marketing e Negócios do Esporte
– O esporte e as novas mídias
– Esporte e Política
– Elaboração de projeto
– Elaboração de programa em Rádio e TV ou impresso, Web, etc.

No início do 2º semestre da disciplina, teremos a exposição dos programas de rádio e TV que foram produzidos e analisaremos os aspectos de produção e direção. Isso será feito como gancho para a parte teórica de direção e produção de programas esportivos.

Propomos conceitos de marketing e negócios do esporte e como o futuro profissional poderá usufruir as novas tecnologias e as oportunidades que elas dão ao jornalista esportivo. Por fim, após todo conteúdo exposto, os alunos apresentarão ao final da disciplina, um novo programa de TV, rádio, ou jornal impresso, site, etc.

Considerações finais

O Jornalismo esportivo deve ser encarado como ciência, e não apenas como uma extensão do jornalismo. Por trás de cada programa de TV, de cada texto no jornal ou na revista, de cada site, ou de qualquer outra nova mídia que tenha conteúdo esportivo, há uma série de conceitos que envolvem não apenas a simples narração ou comentário dos fatos, mas sim uma gama de teorias que envolvem não só o "como", o "porque" ou "pra quem" falamos, mas envolvem toda uma cultura de como o brasileiro encara o esporte.

E é essa cultura e essa magia que o esporte trás ao brasileiro, que deve ser levada mais a sério nas faculdades de jornalismo. Abrir espaço para que os futuros profissionais possam entender como o esporte mexe e muda com a vida das pessoas; como o esporte faz parte da vida de cada um que enxerga no seu time de coração, uma extensão de sua família.

Como abordamos, o jornalismo esportivo tem espaço dentro do curso de graduação. Estudar o esporte e a ciência que é o jornalismo esportivo, é de grande necessidade, não só para quem é apaixonado por futebol ou outro esporte, mas também para todo profissional de jornalismo, que precisa saber da importância e da influência que o esporte tem na cultura e na política brasileira.

O esporte tem uma participação relativamente grande dentro do PIB nacional e 90% da população brasileira acompanham algum tipo de esporte. Com esses números temos obrigação de tratar o esporte, consequentemente o jornalismo esportivo, como uma ciência, suas variáveis, importância e influência do esporte na sociedade brasileira.

Diversos dirigentes esportivos são filiados á partidos políticos, se elegendo vereadores ou participando de campanhas políticas. Sem contar ex-jogadores que, usando a força do esporte, atrelam-se à política.

A força do esporte, principalmente do futebol, deve-se a exploração do marketing esportivo e da paixão/emoção que o esporte gera nas pessoas. Através dessa paixão, o esporte pode decidir o futuro político do país.

Bibliografia

ANDRADE, Mário de. Crônicas, 1939.

BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do Jornalismo Esportivo. Ed.
Contexto, 2006.

BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa, São Paulo: FTD, 1998.

CARDIA, Wesley; Marketing e Patrocínio Esportivo. Ed. Bookman, 2004.

DA MATTA, Roberto, Antropologia do Óbvio, in Dossiê Futebol, Revista USP, 1994.

HELAL, R. Passes e impasses: Futebol e cultura de massa no Brasil, ed. Petrópolis, Vozes 1997.

MACINTOSH, P.C. O desporto na sociedade. Lisboa, Prelo, 1975.

MURAD, Maurício. Dos pés a cabeça. Ed. Irradiação Cultural, 1996.

PRIONI Marcelo, Ricardo LUCENA. Esporte: história e sociedade. Como o esporte explica a vida. Ed. Vozes, 1996.

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Craques na mira da justiça

Há quase dois anos, o ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza, responde em prisão ao processo que o acusa de ter organizado o sequestro e o assassinato da ex-amante, a modelo Eliza Samudio, desparecida desde julho de 2010. Mas o escândalo causado pelo jogador não é a exceção envolvendo boleiros nas páginas policiais, embora, seja um dos exemplos mais extremos.

Casos de repercussão semelhante, como o homicídio culposo cometido pelo jogador Edmundo, “o Animal”, e o flagrante com armas e suposto envolvimento com drogas do craque Adriano, ex-corinthians, escandalizam a opinião pública e desafiam a justiça a esclarecer os fatos com precisão.

Mas além da decepção do público em geral, essas personalidades do futebol também podem perder o crédito diante dos próprios patrocinadores, com quem estabelecem contratos que vão muito além do que apresentam em campo. E uma vez perdida essa credibilidade, até onde seria possível recuperá-la? Estratégias de marketing e de relações públicas seriam suficientes? Quais seriam as medidas adequadas para contornar a crise?

O Professor-mestre e jornalista especializado em negócios do esporte, Anderson Gurgel, defende que em casos de menor gravidade, esses trabalhos têm resultados positivos, mas em situações extremas, como o caso do ex-Flamengo, os problemas tendem a pesar mais do que os atributos de carisma e empatia do jogador, ou mesmo do que sua performance nos jogos. “Em situações de fuga de concentração e frequência em casas noturnas, por exemplo, ainda é possível reverter o quadro, mas no caso do Bruno, eu não consigo imaginar grandes clubes, envolvidos com empresas de ponta, querendo relacionar sua marca a ele, pois não é algo comum”, justifica.

Também compartilha da mesma opinião o diretor da agência Press FC, Fernando Mello, que presta serviços de assessoria de imagem e consultoria a clubes nacionais. “Acho muito difícil a reconstrução da imagem de um atleta acusado de um crime hediondo. Não há precedentes deste caso no esporte mundial, um crime com tamanha crueldade. Sinceramente, não vejo qual trabalho de relações públicas ou de marketing possa ser feito em uma situação como essa.”, opina.

Já o diretor executivo da L Signo Comunicação, Luciano Signorini, acredita que o trabalho de gestão da imagem pode ser feito da mesma forma, contanto que se considerem os agravantes do segundo caso. “Teria que seguir a mesma linha estratégica: entregar nas mãos do advogado a responsabilidade de porta-voz, e deixar o jogador falar somente quando tiver algo realmente importante para revelar, pois, nesses casos de escândalo, não é bom expor muito o cliente”, explica Signorini. O assessor gerenciou a imagem do jogador Edmundo na época da condenação pelo crime de infração de trânsito que levou três pessoas à morte, e durante sua estreia como comentarista esportivo.

Contra ou a favor

A atuação da imprensa também pode construir ou deturpar uma imagem por meio da comoção pública. E no mundo do esporte não é diferente. De acordo com o advogado criminalista Paulo Cremonesi, que já atendeu personalidades como o jogador Paulo Nunes e os técnicos Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo, os veículos de comunicação são os principais responsáveis por levar ações penais ao conhecimento da população, influenciando indiretamente no resultado do processo. “A maioria dos jornalistas que eu conheço não entende o contexto jurídico dessa questão, mas o clamor público em cima do júri, gerado pela divulgação de casos de grande magnitude, influencia de tal maneira, que, às vezes, acabamos não tendo um julgamento muito isento”, pontua.

Para a Dra. Eliana Passarelli, promotora do Juizado do Torcedor, o algoz da imagem do jogador pode ser o próprio patrocinador, em função de interesses comerciais.

”Você não sabe até que ponto esse patrocinador está afim de manter a imagem dele forte ou de vender a condição em que ele está . O apelo de marketing em relação à marca é bastante significativo”, revela.

Torcedores de atletas

Mesmo sob influência da mídia, os torcedores dos clubes nacionais, em geral, parecem não se importar muito com as peripécias e irregularidades jurídicas dos jogadores, mas avaliam sua condição técnica e reposta dentro do campo. Além de torcerem pela equipe, também torcem pelos atletas, ainda mais quando esses são estrelas, como Neymar, Edmundo, Ronaldo e até mesmo, o polêmico Bruno. “Com certeza a torcida apoiaria a volta dele, sim, se ele desempenhasse bem o seu papel nos jogos. E o tempo se encarregaria de anular os agravantes”, declara o flamenguista Denilson Cafala, estudante de engenharia, sobre o regresso do ex-goleiro ao rubro-negro.

Para o torcedor do Vasco, Lucas Rocha, em casos gerais, essa “segunda chance” depende tanto do jogador quanto da mentalidade da torcida e da diretoria. Ele cita o exemplo do jogador Adriano. “Ele não deu certo no Corinthians, mas é o maior anseio da torcida do Flamengo, para fazer companhia a Ronaldinho e Vagner Love”, compara o estudante de comunicação social. Ele afirma que apoiaria a entrada de um atleta com problemas na justiça no Vasco, caso o time carecesse, mas também destaca a importância da boa condição técnica. “Se o jogador não estiver em grande fase, críticos surgiram por todos os lados”, concorda.

O envolvimento de atletas com escândalos de origem judicial é um fenômeno que abrange diversas esferas da sociedade, contudo o maior prejudicado com a situação é sempre o próprio jogador, devido ao ônus da cobrança, sofrido em função da fama. “Ele é um ídolo, e como tal, também é uma imagem, com atributos de carisma, performance e empatia. Se essa imagem está brilhando mais, os problemas são amenizados, mas o contrário também é real”, conclui o Professor-mestre Anderson Gurgel.

*Orientada por Rodrigo Viana, professor de pós-graduação em Jornalismo Esportivo na FMU

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Pequenas considerações sobre jornalismo e seleção brasileira

O jornalismo esportivo no Brasil passa por um processo de espetacularização sem precedentes. Confunde-se o “espetáculo esporte” com a informação/análise sobre ele.

O desvio metonímico da parte (mídia) pelo todo (esporte, em especial o futebol) é exacerbado nos programas de tv – principalmente os de tv aberta. Aprisionados pela guerra da audiência, os noticiários de esporte deram lugar a programas de entretenimento.

Cortes de cabelo, cores de chuteira e um conteúdo em que tudo – exceto a informação – importam, ganham cada vez mais espaço na tela. Por outro lado, os formatos não lineares de edição confundem ainda mais este ‘novo telespectador’, que já nasceu na internet e usa a tv como complemento de seu conteúdo imagético. Quanto mais sensação, melhor. Quanto mais confusão, melhor.

Os novos ângulos de câmera, a linguagem informal e o bom humor não são um pecado. Aliás, nunca foram. Não são poucos os exemplos do passado que abusaram destes recursos. O problema é a falta de informação atual. Melhor dizendo, a substituição da informação pelo simples “entreter”.

É bem verdade que a crônica, enquanto gênero literário, nasce para entreter. Inaugurada na França pelo jornalista Jean Louis Geoffroy, em 1800 no Journal dês Débats, ela tinha a função de passar em revista os fatos da semana e entreter o leitor e conceder-lhe uma pausa para o descanso.

Mas será que não evoluímos de 1800 pra cá? Fico preocupado com a garotada que escolhe prestar jornalismo no vestibular e acha que jornalismo é isso. Ou apenas isso.

Ao lado da preocupação acadêmica, incomoda-me o lado torcedor da seleção brasileira de futebol. Assim como setores midiáticos esquecem o principal – a notícia - a seleção de Mano Menezes esquece o futebol.

Tudo é mais importante: o patrocínio, o cabelo, o assédio dos times europeus, a entrevista depois do jogo… Menos aquilo que é feito durante os 90 minutos.

Fico pensando que esta falta de comprometimento dos jogadores com a camisa é que provocou o divórcio entre o torcedor e a seleção. Não vi ninguém chorando indignado pela derrota na Copa América. Talvez, ao invés de chorar, estejamos todos – a exemplo do presidente da CBF, “cagando” para tudo isto.

Estamos a menos de três anos da Copa do Mundo no Brasil. O relógio corre pra imprensa, torcida, cartolas e jogadores. Mas a principal questão não é de velocidade. É de postura. Dentro e fora de campo.

*Rodrigo Viana é jornalista esportivo da TV Brasil e professor de pós-graduação em Jornalismo Esportivo na FMU

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

A interferência da televisão no futebol brasileiro: 'reapitando' uma partida

RESUMO

Este trabalho analisa a interferência da televisão em uma partida de futebol, do ponto de vista dos erros cometidos pela arbitragem e mostra como esse veículo de comunicação pode modificar diretamente decisões da autoridade máxima em campo ou ainda substituir tal autoridade, “reapitando” os jogos eletronicamente e, às vezes, modificando o andamento dos campeonatos no Brasil. Tal interferência, que faz o árbitro quase sempre parecer incompetente aos olhos dos torcedores, rende ao “homem do apito” duras críticas da imprensa, de amigos e parentes, o que, muitas vezes, causa seu afastamento do convívio social, seja por vergonha, por medo de ofensas ou ainda por receber graves ameaças pessoais.

Para ler o material na íntegra, clique aqui.

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

A estatização das transmissões de futebol na Argentina

Introdução

Agosto de 2009. Buenos Aires amanhecia triste e o gélido vento do rio de La Plata se fazia sentir. Aquela singela melancolia tinha um forte motivo: a primeira rodada do Torneio Apertura – a primeira divisão do futebol argentino – havia sido cancelada. Pelos Cafés da Avenida Corrientes não era possível encontrar vestígios daquela portenha tradição de discutir futebol. A causa, razão ou circunstancia pelo ocorrido, tinha uma sinistra origem: a disputa pelos direitos de transmissão dos jogos do campeonato argentino de futebol.

Uma verdadeira guerra entre o Governo Federal – comandado pelo casal Kirchner – e o grupo midiático mais importante da Argentina – Clarín – que culminou com a estatização das transmissões dos jogos da primeira divisão do futebol local. O episodio serviu para desnudar toda a obscura estrutura, não só do futebol, como de todo um país.

A perda de um de seus negócios mais rentáveis foi o mais duro golpe recebido pelo grupo Clarín em sua disputa particular contra o casal Kirchner. Julio Humberto Grondona – um dos homens mais ricos e poderosos da Argentina – tornou-se o fiel da balança, mostrando uma vez mais o circulo mafioso por trás do alto escalão do futebol local.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

*Orientador: Prof. Rodrigo Viana

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Jornalismo x Publicidade: o clássico do esporte contemporâneo

Resumo

Este artigo foi produzido para a disciplina Jornalismo Esportivo, Comunicação Mercadológica e Assessoria Esportiva, ministrada pelo prof. Ms. Rodrigo Viana, do curso de pós-graduação lato sensu em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, da FIAM/FAAM – FMU.

Busca levantar argumentos e incitar uma discussão fundamentada sobre os papeis do Jornalismo e da Publicidade no esporte, principalmente no futebol, para que essa relação seja melhor compreendida e chegue-se a uma fórmula em que ambos possam conviver harmoniosamente, sem prejudicar a qualidade da cobertura feita sobre o assunto pela grande mídia.

Aquecimento

Paixão. Definir o esporte, seja o profissional ou o amador, o futebol ou o críquete, o praticado nas escolas ou nas grandes arenas, em uma só palavra, não é missão fácil. Mas essa parece ser a mais plausível.

Paixão que transformou o esporte no que ele é hoje: tema obrigatório nas páginas dos grandes jornais e nas grades de programação de praticamente todas as emissoras de TV aberta do Brasil; foco de pelo menos três grandes canais segmentados de TV fechada (SporTv, ESPN [e ESPN Brasil] e Band Sports); e também de inúmeros sites e blogs, inclusive pessoais, que se multiplicam com velocidade impressionante pela internet.

Falando especificamente do futebol brasileiro, que tende a ser o principal tópico de discussão desse artigo, tudo começou na virada do século IXX para o XX. ARAÚJO (2000) narra o surgimento desse esporte no Brasil a partir da chegada de Charles Miller, que naquela época trouxe, da Inglaterra para São Paulo, os primeiros equipamentos para a prática do então soccer. Promoveu as partidas iniciais envolvendo funcionários da Companhia de Gás, do London Bank e da São Paulo Railway, que explorava a linha férrea entre Jundiaí e o porto de Santos.

Seguiu praticado apenas pela elite, mas despertou a atenção, a curiosidade e a paixão dos operários do bairro paulistano do Bom Retiro, que, em 1910, fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, e da colônia italiana na cidade, que atuava em grande número nos negócios da família Matarazzo e, em 1914, fundou o Palestra Itália (hoje Palmeiras), para citar os principais times do futebol paulistano, além do São Paulo Futebol Clube, que surgiu anos mais tarde.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

*Umberto Alves Ferretti é bacharel em Jornalismo (2007) e em Publicidade e Propaganda (2009), pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo-SP.

Contato: umberto.ferretti@hotmail.com
 

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Armando Nogueira 83

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Armando Nogueira morreu? O Brasil está triste e toda a multidão de leitores está em transe. Parece uma comoção nacional: admiradores com os olhos deitados nos livros, revistas, jornais e arquivos. Cem olhos a lembrá-lo.

Levam-lhe os jornais levam-lhe os livros. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do país, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as crônicas esportivas dos jornais. Só faltava, agora, alguém tomar-lhe a vida, derradeiro poeta da bola. Uma pena lírica de um semideus dos escritos.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Armando Nogueira completamente esquecido aos olhos de quase duzentos milhões de brasileiros.

E lá se vai Armando, correndo pelo céu afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está aqui por amor, vai acabar sufocando as crônicas de Armando Nogueira. Se os jornalistas não entram em campo para homenageá-lo, coitado dele.

Coitado, também, dos livros de Armando, pendurados em mil prateleiras – Drama e glória dos Bicampeões, Na Grande Área, Bola na Rede, O Melhor da Crônica Brasileira, Bola de Cristal, O Homem e a Bola, A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar, O Canto dos meus Amores, A Ginga e o Jogo e um sombreiro imenso de outros textos, entrelaçando ficção e realidade, carregando, por todos os lados, o sabor da paixão coletiva.

O jornalismo brasileiro, nesse momento, é um manicômio: botafoguenses e vascaínos, corintianos e palmeirenses, flamenguistas e fluminenses, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria e saudosismo.

Agora, quase não posso ver o futebol lá embaixo: chove reportagem e emoção no texto de Nogueira. Esse acreano que nasceu jornalista foi feito para o futebol: sua arquitetura de palavras põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, somente em Armando Nogueira, toma emprestado à literatura.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito texto que meus olhos jamais sonharam ver.

Pela correção dos parágrafos, escritos em oitenta e três anos de vida. Pelo respeito com que todos os profissionais da imprensa prestam a ele, imagem a imagem, reportagem a reportagem, trocando informações, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em alguma crônica de Armando Nogueira.

Choremos a alegria de uma vida admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma máquina de escrever, seu brinquedo fascinante. Oitenta e três anos, nenhuma baixa. Várias emissoras de TV e jornais – hoje ele morreu. Mas não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, logo mais, no velório, no Maracanã, o herói do Mundial de 70, de 1994, de 2002 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria da obra de Armando Nogueira. Mas textos póstumos são assim mesmo: as análises cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de ídolos que já se foram e, em nenhum deles, falou-se de análises de vidas. Homenagem é sublimação, homenagem é pirâmide humana de olhos nas frases geniais de Armando Nogueira: “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance” ou, ainda: “Deus é esférico”. Homenagem é antes do nascimento, depois do nascimento. Nunca durante a vida.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um texto, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais de futebol em volta do caixão, a beijar a corpo de Armando Nogueira, pai adotivo de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dele no seu rosto fatigado: escreveu para sempre, escreveu por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. Armando, agora, é teu, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para ler seus textos. Ele é quem vai baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nos textos de Nogueira, amiguinho, a glória de Pelé e do nosso futebol, que tem a fragrância da nossa infância.

Armando Nogueira é eternamente teu, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outro.

*Rodrigo Silva Viana é jornalista, com mestrado em Literatura. Analisou crônicas de futebol. É também professor de jornalismo esportivo na pós-graduação da FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas.

Contato: www.blogdorodrigoviana.blogspot.com / twitter.com/rodrigosviana

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

A paixão futebolística como mercadoria

Resumo
O presente artigo discorre acerca da relação patrocínio-clube, mostrando como as empresas investem em grandes times de futebol em busca de mídia espontânea. Para exemplificar tal parceria, é apresentado o caso do Sport Club Corinthians Paulista durante o ano de 2008, quando a equipe disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. São detalhados os investimentos em forma de patrocínio e o retorno financeiro dessas ações.
———
Utilizando-se da paixão dos brasileiros por futebol, cada vez mais empresas percebem e identificam as vantagens de associarem sua marca a esta modalidade esportiva. Dentro do atual cenário econômico mundial, muitas vezes as empresas têm dificuldade em se comunicar com seus consumidores. O patrocínio esportivo acaba por estreitar essa relação com o público-alvo, favorecendo a exposição midiática da marca naquele que é o esporte mais praticado e mais adorado do Brasil. E por ser considerado de caráter mundial, o esporte abre-se como um nicho importante e estratégico para a divulgação de marcas e a movimentação de bilhões de dólares pelo mundo.
A relação patrocinador-clube é definida por Thiago Gabardo da seguinte forma, em artigo publicado no site Universidade do Futebol, utilizando como fonte o livro A bola da vez, de Antonio Afif:

Para um bom trabalho e desenvolvimento de uma marca no futebol, fatores devem ser levados em consideração, como a associação de marcas executadas de formas planejadas, ou seja, um clube deve saber exatamente qual o perfil de seu patrocinador e de que forma isso irá repercutir sobre a sua imagem. Afif vê com uma visão bastante interessante esta questão da imagem do clube como “seu maior patrimônio”, relatando evidências da necessidade da fixação de uma marca e os cuidados com os padrões visuais. Outro foco que o autor aponta, refere-se ao formato comunicativo utilizado pelos clubes e sobre a necessidade de haver total controle e utilização de uma linha adequada ao seu público e ao perfil em questão, com um vigor que gere sintonia e aproxime a relação entre a torcida e o clube.

Aqueles que investem em um clube de futebol, ou em qualquer outra modalidade esportiva, precisam ter em mente que o torcedor é o público-alvo. E aquilo que move o poder de consumo é a paixão pelo time do coração. O torcedor, nesta relação patrocínio-clube, é o cliente preferencial, o consumidor final dos produtos da empresa patrocinadora por meio da aquisição de tudo aquilo que possui o brasão do time e, consequentemente, a marca dos investidores.
Ainda utilizando Antonio Afif como fonte, dados que datam do ano de 2000 colocam o Brasil como o 5º maior mercado esportivo do ano, movimentando aproximadamente US$ 2 bilhões anualmente. Este valor, em comparação aos US$ 87 bilhões que circulam nos EUA, pode parecer pequeno. Mas no âmbito nacional, esta quantia representa cerca de 3% do PIB do Brasil. Em torno de 72% do faturamento dos times brasileiros correspondem à televisão, patrocínios e bilheteria. Os outros 28% provêm de ações de merchandising, licenciamento e exploração de estádio.
Como exemplo dessa relação, o presente artigo apresenta os investimentos recebidos pelo Sport Club Corinthians Paulista durante o ano de 2008, quando o time disputou a série B do Campeonato Brasileiro. Apesar de não estar, durante o ano citado, entre os clubes considerados de elite, o Corinthians expandiu sua receita em todas as frentes, e os contratos de transmissão de jogos do time pela televisão foram renovados até o ano de 2011.
No início do ano, o clube fechou o maior contrato de patrocínio já feito no esporte brasileiro. Foram investidos R$ 16,5 milhões pela Medial Saúde para manter a sua marca nos uniformes do Corinthians. Em entrevista ao blog Jogo de Negócios, Carla Altman, diretora de marketing da Medial Saúde, fez um balanço do investimento feito pela empresa:

Durante todo o ano de 2008, o patrocínio ao Corinthians foi extremamente positivo para ambos os lados. Para a Medial foi possível levar a marca a todos os cantos do país, por onde o time passou. Fortalecemos nossa presença e junto com o clube alcançamos o melhor resultado: o retorno à elite do futebol. É claro que ao estampar a marca no peito dos jogadores gerou um retorno de exposição positivo, assim como as outras ações que desenvolvemos junto ao clube, como os camarotes nos jogos, onde construímos uma plataforma de relacionamento com os nossos públicos de interesse (médicos, corretores e clientes corporativos) e o lançamento do plano Medial Corinthians, um produto customizado para os torcedores, lançado em abril.

De acordo com o Relatório de Sustentabilidade referente ao ano de 2008, disponibilizado pelo Corinthians na internet, as receitas brutas obtidas apenas com o futebol profissional foram da ordem de R$ 69,65 milhões, valor que representa um crescimento de 36,83% em relação ao ano anterior. Além deste dado, o clube apresenta a evolução de outras formas de rendimentos, como pode ser constatado na tabela abaixo.

 
Estudo conduzido pela Informídia Pesquisas Esportivas constatou que o Corinthians, em 2008, durante a disputa da série B do Campeonato Brasileiro teve exposição na mídia nacional todos os dias do ano. Esse espaço, se caracterizado como propaganda, corresponde a R$ 2,69 bilhões.
Como explicação para este fato, pode-se apontar os 34 milhões de corinthianos espalhados pelo mundo. São os torcedores que movimentam esses valores, seja adquirindo camisas oficiais do time, frequentando o estádio ou comprando ingressos. Tudo isso é revertido em renda para o clube e, consequentemente, para a empresa parceira, no caso a Medial Saúde.
No final de 2008, o Corinthians contratou Ronaldo, um dos principais jogadores da história do futebol brasileiro, maior artilheiro em Copas do Mundo. A contratação do jogador foi o acontecimento mais noticiado do futebol mundial. A Medial Saúde encerrou sua parceria com o Corinthians tendo sua marca exposta em quase todos os países do mundo.
Em março de 2009, mais uma vez, o Corinthians firmou o maior contrato de patrocínio em vigor no Brasil. A Batavo (Grupo Perdigão) desembolsou R$ 18 milhões para estampar sua marca na camisa do time até janeiro de 2010.
Contratos com valores como esses não são feitos à revelia. De acordo com o Relatório de Sustentabilidade do Corinthians, já citado neste artigo, o time oferece um retorno de mídia espetacular pelos motivos citados abaixo:

Na pesquisa Ibope – Lance!, constata-se que o Corinthians é o primeiro time nas regiões metropolitanas do Brasil, com 14,3%, seguido pelo Flamengo, com 13,4%, e pelo São Paulo, com 7,3%. Ser o primeiro entre os que gostam de futebol e possuir a torcida com maior concentração nas regiões metropolitanas nos credencia como o melhor produto para o futebol. (…) Segundo os números da pesquisa Ibope-Lance!, entre os entrevistados que gostam de futebol, o Corinthians é o primeiro clube nacional, com 17,4%, seguido por Flamengo, como 15,8%. Assim, podemos afirmar que entre os espectadores que consomem futebol, nós lideramos. Trata-se de um dado relevante para as empresas com negócios relacionados ao futebol.

A fidelidade que nasce da paixão de um torcedor pelo seu time de coração o transforma em um consumidor diário de futebol e de tudo aquilo que possui alguma relação com o seu clube de preferência. Para uma empresa, ter sua marca associada a um time de futebol de massa, como é o caso do Corinthians, gera um retorno sem precedentes para a empresa. Sua marca e seus produtos serão lembrados pelos consumidores como parceiros da sua paixão. Com isso, é possível entender as elevadas quantias investidas pela Medial Saúde, no ano de 2008, e a Batavo, durante o ano de 2009. A mídia espontânea gerada pela transmissão dos jogos do Corinthians pela televisão, por exemplo, atinge públicos de todas as idades e de todos os segmentos da sociedade. Todos eles são consumidores em potencial dos produtos oferecidos por essas empresas, o que justifica os altos investimentos realizados na área esportiva atualmente.
Desta forma, é possível concluir que o Brasil, como grande “produtor” de jogadores e representante do futebol mundial, é um potencial mercado para o marketing esportivo. Clubes e empresas têm nas mãos um filão econômico que precisa ser mais bem aproveitado, já que foi possível comprovar, por meio dos dados utilizados para a produção deste artigo, que o torcedor brasileiro é um grande consumidor de produtos relacionados ao esporte.
Bibliografia
SANTOS, Roberto Rappa. A marca futebol: produto e paixão. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/a-marca-futebol-produto-e-paixao/=. Acesso em 14 dez. 2009.
BELLENZIER, Mauro. O esporte como alternativa de negócios. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/o-esporte-como-alternativa-de-negocios/=. Acesso em 14 dez. 2009.
GABARDO, Thiago. O marketing esportivo como estratégia de sucesso. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/o-marketing-esportivo-como-estrategia-de-sucesso/=. Acesso em 14 dez. 2009.
SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA. Relatório de Sustentabilidade 2008. [On-line]. Disponível em: http://www.corinthians.com.br/upload/site/relatorio%20de%20sustentabilidade%202008.pdf. Acesso em 15 dez. 2009
KADOW, Fábio. O ano da Medial no Corinthians. [On-line]. Disponível em: http://jogodenegocios.blog.terra.com.br/2008/12/16/o-ano-da-medial-no-corinthians/. (Insdisponível) Acesso em 15 dez. 2009.

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Os blogs esportivos como meios de comunicação

RESUMO

Este trabalho apresenta um estudo sobre os blogs esportivos brasileiros. O objetivo é entender qual o papel destas ferramentas para o jornalismo. O artigo busca descobrir se os blogs podem ser considerados como meios de comunicação ou apenas uma das possibilidades de se comunicar por meio da internet, este sim já um meio reconhecido como tal.

INTRODUÇÃO

Não existe consenso quanto ao início dos weblogs [o termo weblog vem do inglês e significa diário pessoal na internet] no mundo, mas uma das teorias mais aceitas é de que tenha surgido em 1997 nos Estados Unidos. Jorn Barger teria criado o “robot wisdom” o primeiro blog. Foi Barger quem usou a denominação Weblog pela primeira vez para ao seu site. A título de curiosidade, Barger também é o autor de um dos primeiros FAQs (Frequently Asked Questions), conhecido no Brasil por “perguntas freqüentes”.

Os blogs tinham uma estrutura diferente da mais comum dos dias de hoje. Eram páginas com um layout rudimentar, mas que tinham foco no conteúdo. Os blogueiros, autores dos blogs, costumavam resumir as notícias e criar links para outras páginas com os créditos ao real autor da notícia.

Já no ano de 2000, empresas de softwares passaram a investir na criação de programas para atualização de blogs. Um desses é o blogger, uma das mais famosas ferramentas de publicação de blogs do mundo. Com esses softwares ficou dispensável o conhecimento em programação para a criação de blogs e isto acabou democratizando a ferramenta, que passou a ser utilizada por milhões de pessoas.

Para se ter uma ideia a blogosfera, termo que define o mundo dos blogs, era de menos de 50 blogs em 1999. No final de 2000 o número já havia saltado para mais de mil. Três anos depois a blogosfera atingiu a marca de quatro milhões de blogs. Segundo estudos do site Technorati (http://www.technorati.com) denominado “State of blogosphere” existem hoje cerca de 133 milhões de blogs e esses números crescem vertiginosamente, tendendo a dobrar a cada seis meses.

Ao contrário de outras ferramentas de comunicação, os blogs não demoraram a chegar ao Brasil. O primeiro blog brasileiro que se tem registro é datado de fevereiro de 1998. Porém a gaúcha Viviane Vaz de Menezes criou seu blog, o Delights to cheer, todo em inglês. O primeiro a ser escrito em português foi criado um mês depois por Renato Pedro Junior e se chamava Diário da megalópole. O blog Zamorim (http://zamorim.com), criado em março de 2000, é o mais antigo ainda em atividade no país.

Apesar de todo esse sucesso imediato, ainda não existem muitos estudos sobre os blogs, suas origens e suas perspectivas, por isso essa história não é aceita com consenso. Além disso, não há registros confiáveis sobre o histórico dos blogs esportivos, reais objetos de pesquisa desse artigo científico.

Essa nova maneira de se ler, e por conseqüência escrever, na internet trouxe uma nova maneira de se entender a comunicação. Apesar do domínio da escrita pela maioria da população mundial, poucos eram os que tinham a oportunidade de se fazer ouvir, de expor suas idéias. Agora, com a democratização desse meio de comunicação, os blogs, qualquer um pode ser um comunicador. E, mais importante que isso, não apenas para seu grupo de convívio, mas de todo o mundo.

Outro ponto importante a ser estudado é a nova possibilidade de agrupamento. Podemos, com a chamada blogosfera, criar novas aldeias através dos interesses e não das barreiras geográficas. Não importa onde se mora, se gosta de futebol, por exemplo, o sujeito pode se unir a uma comunidade que discute futebol. O pesquisador Pierre Levy assim definiu as novas “aldeias”:

“Uma comunidade virtual pode, por exemplo, organizar-se sobre uma base de afinidade por intermédio de sistemas de comunicação telemáticos. Seus membros estão reunidos pelos mesmos núcleos de interesses, pelos mesmos problemas: a geografia, contingente, não é mais nem um ponto
de partida, nem uma coerção. Apesar de “não-presente”, essa comunidade está repleta de paixões e de projetos, de conflitos e de amizades. Ela vive sem lugar de referência estável: em toda parte onde se encontrem seus membros móveis… ou em parte alguma. A virtualização reinventa uma cultura nômade, não por uma volta ao paleolítico nem às antigas civilizações de pastores, mas fazendo surgir um meio de interações sociais onde as relações se reconfiguram com um mínimo de inércia”
(LEVY, 1996, p. 20).

Isto posto, O objetivo deste trabalho é identificar como os blogs esportivos brasileiros se tornaram meios democráticos de comunicação. Porém, com essa facilidade de se ter um blog, são eles meios confiáveis de divulgação de notícias?

Acreditamos que os blogs esportivos brasileiros podem sim ser meios confiáveis de divulgação de notícias, desde que nos atentemos a alguns detalhes na hora de julgar um blog, como quem é o autor, se as informações publicadas são checadas pelo autor, dentre outros.

Para obtermos as respostas quanto aos objetivos propostos no artigo, serão feitos alguns questionamentos básicos para nortearem as pesquisas, são eles:

– Como separar os blogs informativos, de caráter jornalístico, dos demais?
– Qual a opinião dos blogueiros, excepcionalmente os esportivos, quanto ao
conteúdo da blogosfera esportiva brasileira?
– Como os blogueiros recebem o feedback dos leitores?

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Jornalismo Esportivo: uma nova disciplina para o curso de graduação em Jornalismo

Orientador: Prof. Ms. Rodrigo Viana

INTRODUÇÃO

Jornalismo é jornalismo, seja ele esportivo, político, econômico, social. Pode ser propagado em televisão, rádio, jornal, revista ou Internet. Não importa. A essência não muda porque sua natureza é única e está intimamente ligada às regras da ética e ao interesse público. Porém, trabalhar com jornalismo esportivo tem suas especificidades. Frequentemente, ele se confunde com entretenimento e tem uma linguagem própria. Em nenhuma outra área do jornalismo, informação e entretenimento estão tão próximos.

No Brasil há cerca de 470 escolas de Jornalismo e cerca de 12.000 profissionais são colocados no mercado por ano.

Qual a importância desses novos profissionais em estudar o esporte e o jornalismo esportivo no Brasil? Um jornalista recém formado tem a noção do amplo mercado de trabalho que o Jornalismo Esportivo pode oferecer? Há espaço e necessidade do Jornalismo Esportivo tornar-se uma disciplina obrigatória dentro do curso de Graduação em Jornalismo? Essas questões serão discutidas e analisadas ao longo desse artigo.

Antes de analisar todas essas questões, levantamos a hipótese de que os alunos de jornalismo estariam mais bem preparados para o mercado de trabalho se pudessem estudar e entender a importância e o quanto o esporte e o jornalismo esportivo podem abrir portas para o futuro profissional.

Neste artigo objetivamos também verificar a viabilidade de introduzir o Jornalismo Esportivo como disciplina obrigatória no curso de Graduação em Jornalismo e identificar sua necessidade dentro da grade curricular do curso. Iremos identificar a aceitação dos alunos de Jornalismo com a nova disciplina e elaborar um conteúdo programático para a nova disciplina, de forma que o aluno fique apto a trabalhar o jornalismo esportivo em diversas mídias, principalmente TV, rádio, Internet e impresso.

Metodologicamente, delimita-se esse artigo, inicialmente, como sendo uma pesquisa conjuntural. Qualquer análise científica envolve uma gama de ferramentas específicas e adequadas, afins de que se alcance algum tipo de resultado. Utilizaremos a Sociologia como ferramenta teórica para basearmos a importância do esporte na vida do brasileiro e fundamentarmos a importância de jornalismo esportivo como ciência e, conseqüentemente, mais discutida e analisada durante o período da Graduação.

Através do estudo desse elemento, realizaremos uma análise conjuntural quantitativa asincrônica contemporânea analítica.

A análise conjuntural quantitativa é usada quando há a necessidade ou existe a possibilidade de se quantificar variáveis para se obter ou simular determinados resultados numéricos . Para tal análise, a pesquisa utilizará como ferramenta:

– Pesquisa Documental por meio de bibliografias que permitam conceituar o tema;

– Entrevista com jornalistas esportivos para saber o que a nova disciplina somaria ao curso de jornalismo. Nossos entrevistados foram: Nivaldo de Cillo, repórter esportivo da TV Bandeirantes; Professor de Jornalismo e escritor Jober Teixeira Júnior e Carlos Gomes, professor de Jornalismo da FAAP e diretor do departamento de Esporte da TV Bandeirantes. Realizamos um questionário com 150 alunos de faculdades de Jornalismo das cidades de São Paulo, Mogi das Cruzes e Taubaté.

Como dito anteriormente, além de conjuntural e quantitativa, a análise será asincrônica, contemporânea e analítica, isto é, iremos analisar conjunturalmente e quantitativamente um conjunto de variáveis observadas sem um instante de tempo determinado (asincrônica), podendo-se conviver com os acontecimentos (contemporânea) e interpretando a situação conjuntural (analítica).

CAPÍTULO I – A RELEVÂNCIA DA DISCIPLINA JORNALISMO ESPORTIVO PARA A GRADUAÇÃO

As atividades esportivas no Brasil representam entre 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. De 1999 até 2005, o crescimento médio anual do PIB brasileiro foi de 4,85%. Nessa mesma época, o PIB do esporte foi de 11,8% ao ano. A atividade esportiva está presente, direta ou indiretamente, em dois terços da população brasileira. 315.000 pessoas são empregadas de forma direta ou indireta, e possui uma massa salarial de 6,9 milhões de reais. De 170 milhões de brasileiros, 102 milhões acompanham algum esporte .

Cerca de 90% da população brasileira acompanha algum tipo de esporte . Diferente do público das outras editorias do jornalismo, o esporte possui um público extenso e de diferentes níveis sócio econômicos, o que possibilita ao jornalista esportivo o trabalho com públicos de diferentes níveis de classe. O esporte é acompanhado ou praticado por todas as classes sociais.

De onde vem essa paixão pelo esporte? De onde vem esse sentimento de prazer que o brasileiro tem quando assiste uma partida de futebol, ou um jogo de vôlei, ou qualquer outro esporte? Usamos a sociologia para explicar como é o impacto do esporte da vida do brasileiro.

A sociologia é uma ciência que estuda as relações que se estabelecem entre as pessoas que vivem numa comunidade ou grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla. O futebol, por ser uma atividade grupal e também social, tem merecido, de parte dos sociólogos, estudo mais profundo, para que entendamos melhor suas relações, quando se tem uma atividade social da mais alta relevância.

“O futebol , como nossa paixão popular e esporte número um, encena um ritual coletivo de intensa densidade dramática e cultural, em consonância com a realidade brasileira. É a combinação de simbologias, por meio das quais podemos estudar o Brasil. Futebol é simbologia e metalinguagem, e como tal, revelador das culturas das coletividades e revelador expressivo das condições humanas”.

O futebol, oriundo da Inglaterra, chegou ao Brasil de forma elitista e racista. Proibido aos negros, mestiços e brancos pobres, teve uma resistência enorme das classes dominantes, porém teve que curvar-se à insistência da grande maioria menos favorecida, tornando-se o “esporte rei” e mais que isso, pela habilidade e magia de nossos atletas, um estilo de arte. Passes, dribles, fintas, a malemolência e a ginga, coisas buscadas nas danças, na própria capoeira, cultura brasileira, nos diferenciaram dos demais atletas do mundo inteiro. O “estilo” do futebol brasileiro está intimamente ligado ao modo de vida e á cultura da grande maioria de sua população.

“Eu é que já estava longe, me refugiando na arte. Que coisa lindíssima, que bailado mirífico um jogo de futebol!…Era Minerva dando palmadas num Dionísio adolescente e já completamente embriagado…Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambalísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos…”.

Segundo o professor e escritor Jober Teixeira Jr, “o futebol, mais do que prática esportiva é uma oportunidade prática de se exercitar a cidadania. Portanto, mais do que constatação, interpretação e paradigma do Brasil, o futebol é proposta, é projeto e desejo da coletividade”. As raízes do futebol se espalham pelas esferas da realidade social,pois, diferentemente de outras instituições, o futebol reúne muita coisa na sua invejável multivocalidade. É uma estrutura totalizante em sua acepção teórica.

“Em uma das obras clássicas da Sociologia, Émile Dürkheim sugere que a religião é menos importante como um conjunto específico de crenças e divindades do que como uma oportunidade para a reafirmação pública da comunidade… Apesar da ausência de vínculos sangüíneos, os homens da tribo sentem que estão relacionados entre si porque partilham um totem. O culto a uma equipe esportiva, como o culto a um animal, faz com que todos os participantes se tornem altamente cons
cientes de pertencerem a um coletivo. Ao aceitarem que uma equipe em particular os representem simbolicamente, as pessoas desfrutam um parentesco ritual, baseado neste vínculo comum”.

Segundo o professor Jober Teixeira, “o futebol é para os brasileiros um misto de necessidades imediatas e práticas de luta e obtenção de resultados e objetivos, e ao mesmo tempo a expressão de alegria e da arte popular, expressando uma sintonia entre o individual e o coletivo, dentro e fora dos gramados”. O professor exemplifica através de uma resposta que todo torcedor tem, na ponta da língua, quando questionado sobre qual time torce: “Eu sou gremista” ou “Eu sou corintiano”. De acordo com o professor, a palavra “eu” significa a individualidade; a palavra “sou” representa a identidade; e “gremista” ou “corintiano” ou qualquer que seja o time, é a coletividade. A palavra “eu” indica a personalização ou a individuação do sujeito ao time. Dessa maneira, incorporado á sua personalidade, o time faz parte do individuo.

Na Copa do Mundo há a maior comprovação sociológica do que o brasileiro é capaz, independente da camada social: organiza-se nas ruas e espaços comunitários para numa ação conjunta mostrar toda a sua cidadania. Como modalidade desportiva mais popular do mundo, o futebol cria espaços públicos permissíveis a experiências comunitárias sensacionais.

Em menos de um ano, teremos a Copa do Mundo na África do Sul. O jornalista esportivo Nivaldo de Cillo passou pouco mais de um mês na sede da Copa de 2010, cobrindo a Copa das Confederações, evento que antecede a Copa do Mundo. Segundo o jornalista, é preciso entender que para a África do Sul o futebol , nos próximos meses, será mais que um megaevento de bilhões de dólares que vão ser gerados em função dele, ou ainda o legado que o país irá herdar quando os holofotes se apagarem. É, por consequência, mais que um evento esportivo. Nivaldo afirma que estamos diante de um acontecimento histórico, filosófico e racial. O futebol é um esporte fundamentalmente dos negros da África do Sul. Os brancos, que são apenas 10% da população adotaram o rugby como o esporte principal do país. É nesse esporte onde estão as maiores verbas publicitárias, os maiores investimentos, a elite do país. Os negros, maioria absoluta no país sul africano, também são a maioria esmagadora de pobres. Estamos diante do apartheid, mesmo depois da “libertação” alcançada pelo brilhante Nelson Mandela, praticamente sem forças para continuar a defesa de seu povo.

Através da convivência com os sul africanos, Nivaldo afirma que a Copa do Mundo é o orgulho de uma camada expressiva de uma população oprimida por anos e anos de segregação racial, de preconceito, de desigualdade social. Com a Copa do Mundo, brancos e negros estarão lado a lado, vibrando e torcendo, num dos eventos mais importantes do planeta.

“Pode chamar de esperança o ano do mundial de futebol. Não imagino que os problemas irão desaparecer a cada gol marcado, a cada vitória dessa ou daquela seleção. Mas pelo menos por um tempo, as diferenças gritantes que qualquer visitante percebe ao chegar no aeroporto de Joanesburgo, serão abrandadas por um só corrente: o futebol é um esporte onde todos podem ser iguais, no campo, na arquibancada, na vida. Depois, sei lá. Depois acho que tudo vai seguir como antes, infelizmente”.

1.1 A VOZ DOS ESTUDANTES

De maio a agosto, pesquisamos com 150 estudantes de Jornalismo sobre a inclusão da disciplina Jornalismo Esportivo na grade curricular de suas Universidades. Foram ouvidos 50 alunos da Universidade de Taubaté (UNITAU), 50 alunos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e 50 alunos da UniFIAM/FAAM.

 

Opinião/ UniversidadeUMCUNITAUFIAM/ FAAM
Aceitaram374038
Não aceitaram554
Tanto faz858

Pesquisa realizada entre 10 de Maio de 2009 e 27 de Junho de 2009

Dos 150 alunos de Jornalismo que foram entrevistados, 115 dos estudantes, ou seja, 76% dos futuros jornalistas, querem especializar-se, ou se interessam em jornalismo esportivo.

Mesmo com esse alto número, o Diretor do Departamento de Esportes da TV Bandeirantes de São Paulo, Carlos Gomes, não acha necessário que haja uma disciplina específica para jornalismo esportivo. “Não vejo necessidade. Jornalismo esportivo deve ser um curso de pós graduação, uma especialização”. Porém, Carlos Gomes acha importante que os estudantes de jornalismo tenham conhecimento sobre os negócios que envolvem o esporte, marketing esportivo e administração esportiva. Apesar de não concordar com uma disciplina específica de jornalismo esportivo, Carlos Gomes concorda que os alunos de jornalismo devem obter conhecimento sobre marketing, negócios e administração esportivo e, é nessa lacuna, que pretendemos atuar, levando aos alunos de jornalismo, a importância de se conhecer o mundo esportivo, especificamente o futebol.

Todavia, Heródoto Barbeiro e Patrícia Rangel afirmam que a não existência de uma disciplina ou um curso de jornalismo esportivo é um erro grave. “Muitas faculdades não têm (ainda) um curso de jornalismo esportivo para adequar os princípios gerais do jornalismo ao esporte. Uma falta grave”.

A disciplina de Jornalismo Esportivo preencheria esse espaço dentro do curso de jornalismo, já que levaria ao aluno a oportunidade de explorar esse mercado tão grande. O esporte possui uma diferença fundamental com relação as outras editorias: a paixão. Falar de esporte, em qualquer que seja a mídia, é falar da paixão e da emoção que envolve qualquer modalidade esportiva. Segundo Wesley Cardia , quando trabalhamos com marketing e negócios do esporte, há um elemento que nunca deve ser esquecido, justamente a paixão, como citamos acima. Segundo o autor, nenhuma outra área do jornalismo usa tanto a emoção para “conversar” com seu público.

Em 2014 o Brasil será cede do maior evento de futebol do mundo. Com a Copa do Mundo da Fifa, inumas opções de trabalho se abrirão. Para quem gosta e pretende seguir a carreira de jornalista esportivo, o evento abrirá portas no mercado. Aos que não pretendem seguir essa carreira, o número de empregos e oportunidade de negócios que se abrirão antes e depois desse evento poderá ser uma grande fonte de renda.

O jornalista Nivaldo de Cillo, cita que o o tempo (para criação da disciplina de jornalismo esportivo) para isso é agora. Segundo ele, “nosso jornalismo esportivo está vivendo uma certa crise de identidade. No caso da televisão, a luta pelo Ibope , algumas vezes deixa a “verdade” de lado em busca do sensacionalismo. Não é regra, graças a Deus, mas exceção já preocupa. Além do que, os interesses comerciais/financeiros, falam sempre mais alto. O jornalismo impresso e radiofônico caminham, mesmo sem tanta exposição, pela mesma perigosa estrada. Mas há o que se comemorar
. Os espaços estão surgindo, com as novas mídias”.

CAPÍTULO II – CONTEÚDO PARA A DISCIPLINA DE JORNALISMO ESPORTIVO

Quando pensamos no conteúdo dessa nova disciplina, não podemos esquecer que, apesar do alto número de alunos que se interessam pelo jornalismo esportivo, o curso é de Graduação e há, mesmo que seja um número mínimo, alunos que não gostam ou não pretendem trabalhar com jornalismo esportivo. Porém, trabalharemos com esses alunos a importância de se estudar o jornalismo esportivo e suas diversas atuações no mercado, como marketing, administração e negócios do esporte.

Por esse motivo, abordaremos questões teóricas de produção, direção, sociologia e marketing, mas sempre voltados para o esporte e para o jornalismo esportivo. Aos alunos que não pretendem trabalhar com a editoria de esportes, colocaremos a importância de saber utilizar as ferramentas do jornalismo esportivo, já que é uma área crescente no Brasil e, como vimos no capítulo anterior, de um público consideravelmente grande.

Aqui, sugeriremos um conteúdo de dois semestres para a disciplina Jornalismo Esportivo:

 Primeiro Semestre

– Apresentação da disciplina e cronograma de seminários e programas
– História do Jornalismo Esportivo no Rádio e na TV
– Sociologia do Esporte
– Conceitos de Categoria, gênero e formato
– Pautas/Espelho/Roteiro e Texto e Edição para Rádio e TV
– Remake (reprodução) de um programa esportivo em Rádio e TV

Nesse primeiro semestre, o aluno teria uma boa carga teórica sobre a relação da sociologia com o esporte. Essa visão serve para mostrar ao aluno a importância que o esporte têm na vida do brasileiro. Atrelado a esses conceitos, propomos uma pequena carga teórica de conceitos de categoria, gênero e formato na TV e no rádio, o que serve de base para a discussão de pautas, roteiros e textos para os mais variados veículos de comunicação. Ao final do semestre, os alunos escolheriam um programa de TV e um programa de rádio que não esteja mais na grade de programação de nenhuma emissora, e reproduziriam esse programa, utilizando as técnicas específicas do jornalismo esportivo expostas em aula.

 Segundo Semestre

– Cronograma de seminários e programas
– Produção e Direção de programas esportivos em Rádio e TV
– Marketing e Negócios do Esporte
– O esporte e as novas mídias
– Esporte e Política
– Elaboração de projeto
– Elaboração de programa em Rádio e TV ou impresso, Web, etc.

No início do segundo semestre da disciplina, teremos a exposição dos programas de rádio e TV que foram produzidos e analisaremos os aspectos de produção e direção. Isso será feito como gancho para a parte teórica de direção e produção de programas esportivos. Propomos conceitos de marketing e negócios do esporte e como o futuro profissional poderá usufruir as novas tecnologias e as oportunidades que elas dão ao jornalista esportivo. Por fim, após todo conteúdo exposto, os alunos apresentarão ao final da disciplina, um novo programa de TV, rádio, ou jornal impresso, site, etc.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Jornalismo esportivo deve ser encarado como ciência, e não apenas como uma extensão do jornalismo. Por trás de cada programa de TV, de cada texto no jornal ou na revista, de cada site, ou de qualquer outra nova mídia que tenha conteúdo esportivo, há uma série de conceitos que envolvem não apenas a simples narração ou comentário dos fatos, mas sim uma gama de teorias que envolvem não só o “como”, o “porque” ou “pra quem” falamos, mas envolvem toda uma cultura de como o brasileiro encara o esporte.

E é essa cultura e essa magia que o esporte trás ao brasileiro, que deve ser levada mais a sério nas faculdades de jornalismo. Abrir espaço para que os futuros profissionais possam entender como o esporte mexe e muda com a vida das pessoas; como o esporte faz parte da vida de cada um que enxerga no seu time de coração, uma extensão de sua família.

Como abordamos, o jornalismo esportivo tem espaço dentro do curso de graduação. Estudar o esporte e a ciência que é o jornalismo esportivo, é de grande necessidade, não só para quem é apaixonado por futebol ou outro esporte, mas também para todo profissional de jornalismo, que precisa saber da importância e da influência que o esporte tem na cultura e na política brasileira.

O esporte tem uma participação relativamente grande dentro do PIB nacional e 90% da população brasileira acompanham algum tipo de esporte. Com esses números temos obrigação de tratar o esporte, conseqüentemente o jornalismo esportivo, como uma ciência, suas variáveis, importância e influência do esporte na sociedade brasileira.

Diversos dirigentes esportivos são filiados á partidos políticos, se elegendo vereadores ou participando de campanhas políticas. Sem contar ex-jogadores que, usando a força do esporte, atrelam-se à política.

A força do esporte, principalmente do futebol, deve-se a exploração do marketing esportivo e da paixão/emoção que o esporte gera nas pessoas. Através dessa paixão, o esporte pode decidir o futuro político do país.

Bibliografia

ANDRADE, Mário de. Crônicas, 1939.
BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do Jornalismo Esportivo. Ed. Contexto, 2006.

BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa, São Paulo: FTD, 1998.

CARDIA, Wesley; Marketing e Patrocínio Esportivo. Ed. Bookman, 2004.

DA MATTA, Roberto, Antropologia do Óbvio, in Dossiê Futebol, Revista USP, 1994.

HELAL, R. Passes e impasses: Futebol e cultura de massa no Brasil, ed. Petrópolis, Vozes 1997.

MACINTOSH, P.C. O desporto na sociedade. Lisboa, Prelo, 1975.

MURAD, Maurício. Dos pés a cabeça. Ed. Irradiação Cultural, 1996.

PRIONI Marcelo, Ricardo LUCENA. Esporte: história e sociedade. Como o esporte explica a vida. Ed. Vozes, 1996.