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Semelhanças e coincidências

O caso em voga é agora o Grêmio Barueri, que anunciou na semana passada um desmanche da comissão técnica e demissão de membros ligados a direção do clube. A notícia saiu no site “Máquina do Esporte” e pode ser conferida aqui

A situação da agremiação é típica. Encaixa muito bem como exemplo para um texto que escrevi em janeiro deste ano aqui mesmo no portal da Universidade do Futebol, falando da dificuldade que os clubes têm em absorver aprendizado contínuo. Não implementam mudanças ou inovações, mesmo vivenciando na prática aquilo que deu errado ou mesmo certo para servir como base para a sua evolução enquanto instituição.

Lembro-me da história recente deste clube paulista, que em menos de três anos saiu da Série C para a Série A, fruto de um planejamento consistente, com a contratação de profissionais estudiosos que, coincidentemente (ou não), figuram hoje nos quadros de grandes clubes do futebol brasileiro.

O site oficial destacava a existência de uma equipe multidisciplinar que dava suporte aos treinamentos, composta por profissionais do Esporte, Educação Física, Administração, Comunicação Social, Marketing, Direito, Contabilidade, Psicologia, Pedagogia, Nutrição, Fisioterapia, Fisiologia e Medicina.

A sequência de episódios protagonizada pelo Grêmio Barueri não é apenas um caso dentro do futebol brasileiro. E qualquer semelhança com o clube da sua cidade não é mera coincidência, caro leitor.

Isso tudo se deve ao continuísmo de pensamento arcaico da quase totalidade dos dirigentes esportivos que, mesmo no Século XXI, período em que temos acesso a mais informação de qualidade, a possibilidade de aperfeiçoamento e intercâmbio internacional, a cursos e conhecimentos diversos – inclusive em outras modalidades – preferem a ignorância sobre os fatos.

A impressão que dá é que erros desta natureza se repetem como ciclos, a exemplo das fases da lua. Na verdade não é só impressão, e sim uma realidade do nosso futebol, que só irá mudar se um dia houver uma mudança radical de pensamento e pessoas.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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A montagem de um elenco – parte III

Nessa sequência de textos sobre montagem de elenco, já discutimos a importância em compartilhar as responsabilidades, bem como ouvir o maior número possível de profissionais a fim de selecionar uma gama de informações consistentes e que facilitem a tomada de decisão, considerando dois olhares: o primeiro, relativo ao encaixe do atleta de forma mais precisa no elenco; e o segundo, pertinente à questão de tempo e gastos despendidos nas negociações, tornando-as mais precisas e menos custosas tanto financeira, como politicamente.

Assim, como construir um processo de leitura e discussão das informações sobre os atletas?

Os primeiros passos já foram expostos (compartilhar e ouvir diferentes profissionais), e são de suma importância para o desenvolvimento do processo, isso porque precisamos quebrar alguns paradigmas e sobretudo convicções pessoais que todos possuímos quanto ao teor de informações.

Existem aqueles que dizem que os números nadam querem dizer, que a estatística não serve, pois não apresenta nada. Por outro lado, existem alguns que criticam informações subjetivas, pois estas não podem ser tomadas com rigor e seriedade confiáveis. Outros ainda não aceitam a ideia de que o feeling do profissional possa ter importância na tomada de decisão.

Enfim, opiniões existem e são divergentes. Porém, isso deve ser o ponto mais forte de um processo de montagem de elenco pautado em informações. Quanto mais informação, e mais precisamente, quanto mais informação de diferentes formatos, tipos e espécies, mais rica e mais completa será a análise.

Dessa forma é importante criar, desenvolver, adaptar, comprar, seja qual for o formato, aplicativos e sistemas de coleta, armazenamento, controle e interação de diferentes tipos de dados.

E são estas algumas variáveis que apresentamos, e que nas próximas semanas pretendemos entrar mais em detalhes:

Scout quantitativo
Scout com vínculo aos Modelos de Jogo e situações (qualitativo/quantitativo)
Histórico de lesões
Histórico comportamental (Relatório de adaptabilidade)
Histórico de relacionamentos (Relatório de adaptabilidade)
Feeling de profissionais da área técnica

Assim como na coleta de informações com diferentes profissionais, aqui temos a distribuição em diferentes ferramentas e informações que devem ser transformadas em linguagem padrão para a tomada de decisão e devem adquirir seus pesos de importância de acordo com os critérios e filosofia adotados pelo clube.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br  

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Futebol da (dá) televisão: moldurações audiovisuais

Introdução

Há quem argumente que assistir a um jogo de futebol na televisão não tem a mesma graça de assisti-lo no estádio. Na perspectiva desse trabalho, tal comparação é injusta: trata-se de duas coisas distintas. A fruição no estádio é uma experiência mais informativa para quem entende de futebol, mas a televisão não parece se preocupar com isso: ela empurra a experiência de uma partida ao extraordinário.

Nesta pesquisa, estudaremos como ocorre a reconstrução televisiva desse esporte. Nosso objeto mostrou-se escorregadio: como apontamos no título, a identidade televisiva do futebol não é criação da televisão, mas já existia virtualmente desde sempre. Esse jogo que é “maior do que a vida” (como certa vez disse um treinador britânico) é dramático como uma novela, possui uma legião de fanáticos espectadores e vai ao ar ao menos uma vez por semana – além disso, há neles marcas que o distinguem de outros esportes que seriam facilmente assimiladas pela televisão. Ou seja, o futebol sempre deu televisão, mesmo antes de ela existir – seus agentes é que demoraram a perceber isso.

Ainda assim, é inegável que a televisão alterou a dinâmica do futebol praticado em campo. Esperamos que, ao final da leitura, o leitor perceba que o jogo hoje atuado dentro de campo é construído visando sua reatualização como produto televisivo. O futebol sempre deu televisão (sua macroestrutura virtualmente comportava isso), mas o futebol da televisão está em via de tornar-se outro esporte, mais uma entre as dezenas de variantes de futebol atualmente jogadas no mundo.

Futebol da televisão

A era do futebol da televisão tem seu marco zero a 16 de setembro de 1937, quando a estatal inglesa BBC transmitiu para alguns poucos televisores o amistoso entre o clube londrino Arsenal e seus reservas, em jogo especialmente preparado para a ocasião. No ano seguinte, ocorreria a primeira partida internacional televisionada, entre Inglaterra x Escócia, a 9 de abril de 1938, mesmo ano em que aconteceram as primeiras  ransmissões de corrida de barco (2 de abril) e críquete (24 de junho). Porém, coube aos Jogos Olímpicos de 1936, realizados em Berlim, a “honra” de ter sido o primeiro megaevento esportivo a ter transmissão televisiva – prevendo o imbricamento entre esporte, televisão e política que caracterizaria as teletransmissões esportivas ao longo do século XX.

Registros audiovisuais do futebol existem desde os primeiros anos do século passado, inclusive no Brasil. Segundo ORICCHIO (2006), a primeira filmagem brasileira de um jogo é Match Internacional de Futebol entre Brasileiros e Argentinos, de 1908, produzido por Antonio Leal, dono da maior produtora carioca da época, a Fotocinematografia Brasileira. O
mesmo autor contabiliza algo em torno de 60 filmes sobre futebol produzidos no Brasil até 1920, o que, segundo ele, é “muita coisa, mesmo se considerarmos a existência de uma ou outra repetição, ou seja, o mesmo filme apresentado com títulos diferentes” (p.54).

Nos mais de setenta anos entre a primeira transmissão e as atuais, não só a televisão mudou como também o futebol. Esse relacionamento muitas vezes conturbado entre futebol e televisão constituiu uma linguagem própria, criada através de um longo processo de experimentação, onde novos procedimentos – possibilitados por inovações tecnológicas – constantemente reorganizaram a dinâmica dessa linguagem audiovisual e do próprio futebol.

Dentro da televisão, o futebol tornou-se outra coisa, aculturado pela cultura televisa – que, afinal, transforma tudo aquilo que com sua tela toca. Mesmo inconscientemente, os atores do futebol indicam a existência dessa nova identidade do futebol, que chamamos de sua ethicidade televisiva. É ela que está implícita, por exemplo, no comentário do jornalista Rodrigo Bueno sobre a partida entre Manchester United e West Bromwich, transmitida por
um canal por assinatura especializado em esportes:

Nossa, é como aqueles filmes de Hollywood. Até parece que alguém escreveu um roteiro: o time vencia com facilidade por 2×0, daí o outro empata. Então chama do banco dos reservas logo o jogador [Wayne Rooney] que está brigado com a torcida e o treinador. Só falta ele entrar e fazer o gol da vitória (transmissão da ESPN Brasil, grifo nosso).

Os jogadores também percebem a nova natureza do jogo. Em entrevista a uma revista esportiva, o português Cristiano Ronaldo, ex-Manchester United e hoje atuando no CF Real Madrid, argumenta:

Não devemos nos esquecer de que o futebol é entretenimento, e estou dedicado à arte de entreter. Nesse sentido, sou um showman, alguém que se preocupa em divertir quem paga um ingresso (RONALDO, 2010, p.63, grifos nossos).

Em livro sobre os bastidores do futebol europeu, o jornalista britânico David CONN (1997) olha desolado para o novo panorama do esporte em seu país. Impressionado com a higienização dos estádios ingleses, que baniu os tradicionais torcedores de classes operárias, trocou arquibancadas por poltronas e escancarou as portas das modernas arenas (outro termo significativo) à classe média e às elites financeiras, comenta:

Algumas poucas pessoas aplaudiam [no estádio]. Então você pensa, se o [Manchester] United quer domesticar o futebol dentro da ‘indústria do entretenimento’ da classe média, porque a atmosfera [de um estádio de futebol] deveria ser diferente de outros lugares (…) como a ópera e o teatro? Por que deveria ter qualquer barulho durante a apresentação? Por acaso se aplaude no cinema? (CONN, 1997, p.50, tradução nossa).

É justamente o Manchester United o clube de futebol considerado mais valioso do mundo, em relatório montado pela revista de negócios Forbes: seu valor estimado é de 1,38 bilhão de euros, com receita anual de 327 milhões. É o resultado de uma política adotada desde o início da década de 1990, quando este e outros 21 clubes romperam com a federação local e venderam seus recém-criados direitos televisivos para a emissora a cabo de um australiano fã de críquete, para quem “futebol é jogo de favelado”.

Da noite para o dia, torcedores britânicos descobriram que precisavam pagar para ver (pay per view) o mesmo conteúdo que assistiram de graça por 40 anos na televisão aberta. Ao mesmo tempo, a mudança do futebol dentro do panorama televisivo alterou também seu status na sociedade inglesa, o que levou à escalada do preço dos ingressos – obrigando os velhos fãs de classes assalariadas a torcerem por seus times das poltronas de suas casas.

O slogan escolhido para lançar a Premier League na televisão a cabo não poderia ser mais propício: “Um jogo de bola completamente novo” (a whole new ball game), ressaltando não só a emergência de uma nova forma de competição, mas também de transmissão. Para CONN (1997), a propaganda da Sky parecia ressaltar que eles “haviam inventado o futebol”. De certa maneira, eles o reinventaram.

No plano televisivo, o modelo de negócios e de transmissão do campeonato inglês tornar-se-ia ao longo da década no ideal a ser copiado em outros países (inclusive no Brasil).

As diferenças entre as transmissões da Copa de 1990 e a de 1994 só são comparáveis às mudanças entre 1962 e 1966, quando o intervalo deu origem ao Match of the Day da BBC, programa semanal que praticamente ergueu as pilastras da linguagem televisiva do futebol.

Todavia, as novidades de 1994 são muito mais extraordinárias: dollys laterais, gruas atrás dos gols, múltiplas câmeras – tudo feito para mostrar ao assinante aquilo que ele é “incapaz de ver de dentro do estádio”, mas que pouco importa informativamente: a whole new ball game.

Para ler a monografia na íntegra, clique aqui.< /p>

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Esporte e sociedade

Os textos reunidos no livro resultam do seminário Esporte e Sociedade, realizado pelo SESC-SP Vila Mariana e a Prefeitura de São Paulo, iniciativa que reforça o papel da entidade como fomentadora de ideias por uma melhoria da qualidade de vida e o interesse da coletividade. Opiniões nada rebuscadas. Ao contrário, textos simples e diretos. Textos que tratam do esporte com alma, verdade e inclusão.

Sumário

Apresentação, 8

A cultura e o esporte: o esporte como manifestação cultural, 13
Dante Silvestre Neto

Mídia e esporte, 25
Bernardo Ajzenberg

O esporte e o jogo como formadores de comportamentos sociais, 27
Roberto DaMatta

A concepção de política de inclusão social e a contribuição do esporte, 49
Oscar Azuero Ruiz

Futebol se joga na alma: um novo caminho para o esporte social, 63
Célio Turino

Aos 15 anos, aprendendo sobre o medo, o pênalti e a história, 91
Alexandre Machado Rosa

Esporte: uma estratégia para a vida, 115
Jorge Werthein

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Diga não!

O ser humano reina na Terra.

Reina porque a evolução das espécies privilegiou-nos com a capacidade intelectual.

O cérebro é nosso maior signo distintivo perante os demais seres.

É verdade, existem outros atributos que nos tornam únicos e favoreceram nossa adaptação, como a oposição do polegar ante outros dedos da mão, que permitiram a manipulação de instrumentos, em especial de defesa e, posteriormente, de domínio da agricultura e de outros animais.

Na transição evolutiva de milhares de anos entre os primatas e o primeiro ser humano, muito se perdeu e muito se conservou em nosso DNA. Herança genética que também condiciona, até hoje, nossa parte instintiva.

Passados alguns milhares de anos, o homem, de fato, usou essa inteligência para gerar riquezas, melhorar as condições de vida de seus pares, inventar maravilhas tecnológicas.

Também fez uso dela para destruir, matar, subjugar, escravizar, dominar, excluir, aproveitar-se.

Vendo o filme O Planeta dos Macacos – A origem, entendemos que, tanto o primata quanto o homem, dispõem de uma carga genética, inata, bem como o condicionamento ao meio em que vivem.

E que ambos conseguem, à sua medida, dispor de inteligência para aprender e executar ações.

No filme, César, o chimpanzé inteligente, consegue, com treino e estímulo medicinal, realizar tarefas em número recorde de movimentos.

Mas o homem consegue também ensinar, principalmente pelo exemplo.

E o homem também possui a capacidade de dizer não. O livre arbítrio.

Os primatas são condicionados a um aprendizado que lhes é imposto, sem questionamentos.

O homem pode dizer não. Pode indignar-se.

Se continuarmos fazendo as mesmas coisas, atingiremos os mesmos resultados.

Se o futebol brasileiro continuar formando jogadores autômatos, e não questionadores, pensantes, críticos, que desafiem a lógica, embora a respeitem, seguirá como a boiada pro abate.

Declínio técnico, que se refletirá em declínio comercial, e, com isso, o sistema não se sustentará.

Muitos de nossos jogadores sabem realizar tarefas com precisão.

Uns poucos sabem seu papel, o por quê de sua função no meio social, que lhes permita transferir o conhecimento e experiência adquiridos, quando almejarem novos horizontes na carreira – como treinadores, por exemplo, ou diretores de futebol.

É dever dos gestores do futebol criar condições favoráveis para essa evolução.

Dizer não a uma série de coisas equivocadas que são feitas no futebol, e encontrar caminhos diferentes, é o ponto de partida.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Estruturando o espaço de jogo: do anárquico ao elaborado

Estruturar o espaço de jogo não se resume apenas a “fechar o espaço aqui ou ali” ou saber se posicionar neste ou naquele esquema tático, mas sim no entendimento do jogo como um ambiente de cooperação e disputas posicionais.

Estruturar bem o espaço de jogo passa por saberes anteriores aos conteúdos estruturais do Modelo de Jogo e faz parte das competências essências.

Conforme nos trazem em seus estudos Alcides Scaglia e Júlio Garganta, a estruturação do espaço, a relação com a bola e a comunicação na ação fazem parte das competências essenciais do jogo de futebol. Essas competências caminham juntas em todo o processo de evolução do jogar dos atletas e são habilidades básicas dentro do jogo.

Na estruturação do espaço, os jogadores caminham de uma fase anárquica, em que os jogadores se aglutinam em torno da bola, até uma fase elaborada, quando há polivalência de funções e as ações dos jogadores são coordenadas coletivamente.

Antes de chegar à fase elaborada, os jogadores passam ainda pelas fases de descentração, em que a ocupação do espaço acontece em função dos elementos do jogo, e estruturação, quando há uma ocupação racional do espaço do jogo.

Ao longo desse processo de evolução da fase de jogo no que tange a estruturação do espaço, os jogadores vão entendendo gradativamente: o espaço de jogo; como se posicionar em função dos elementos constituintes da partida (campo, bola, alvos, companheiros, adversários); suas funções e as de seus companheiros; como a regra orienta a ocupação do espaço; posicionamentos básicos; a coordenação coletiva de funções dentro do jogo, etc.

Nesse processo de evolução, os jogadores passam a visualizar, entender e elaborar respostas cada vez mais evoluídas aos problemas “espaciais” do jogo.

Como nada ocorre por acaso, é preciso criar um processo de aprendizagem adequado para o desenvolvimento da “habilidade espacial” dos jogadores.

Abaixo, apresento três atividades que têm a estruturação do espaço como norte. Vale ressaltar que elas fazem parte de um processo hipotético de treino.

Atividade 1

Descrição
– Atividade é composta por duas equipes de três jogadores.

Pontuação
– Equipe que fizer o gol nos golzinhos adversários marca 1 ponto.



 

Atividade 2

Descrição
– Atividade é composta por duas equipes de quatro jogadores mais um coringa que joga para a equipe que estiver com a posse de bola.

– Cada jogador deve ficar no seu quadrante dentro do campo e o coringa se movimenta de forma livre pelos quadrantes.

Pontuação
– Equipe que trocar cinco passes marca 1 ponto.



 

Atividade 3

Descrição
– Atividade é composta por duas equipes de cinco jogadores mais quatro coringas que jogam dentro de um espaço delimitado nos vértices do campo.

Pontuação
– Equipe marca ponto quando conseguir fazer um passe para os coringas.



 

Estruturar o espaço de jogo vem antes e vai muito além do esquema tático…

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br  

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O que deve ser aperfeiçoado para evolução do jogar da seleção brasileira sub-20?

A seleção brasileira de futebol sub-20 conquistou o pentacampeonato mundial da categoria vencendo a equipe de Portugal, na prorrogação, por 3 a 2. Mesmo com as ausências de Lucas e Neymar, que serviram a equipe principal na Copa América, os atletas comandados pelo técnico Ney Franco fizeram uma excelente campanha com cinco vitórias, dois empates, 18 gols marcados e cinco sofridos nos sete jogos que disputaram.

Diferentemente do ocorrido na Copa América, as críticas que foram amplamente distribuídas pela mídia ao treinador Mano Menezes, foram poupadas ao Ney Franco (e, consequentemente, à sua comissão técnica), devido à conquista do primeiro lugar. Porém, se quando se perde não significa que exatamente tudo está equivocado, quando se ganha, não significa que tudo está perfeito. Após as merecidas comemorações, é momento de reflexões do que precisa ser aperfeiçoado, ajustado, mantido e, até mesmo, modificado. Reflexões necessárias para que o potencial de supremacia da seleção brasileira seja confirmado não só como foi no Mundial, mas também, no Panamericano que acontecerá em outubro, nos Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem e a fim de que em cada competição que as categorias inferiores estejam envolvidas, comecem a ser observados os jogadores que, futuramente, poderão integrar a equipe principal (como já aconteceu com Danilo).

Individualmente, a seleção brasileira contou com peças-chave em diferentes jogos, tanto em ações defensivas como em ofensivas. O goleiro Gabriel falhou (e não foi sozinho) em um único lance frente à equipe portuguesa. Nos demais jogos, mostrou-se muito eficaz na ação de proteção do alvo e praticamente imbatível no 1×1. Bruno Uvini foi muito seguro na manutenção do posicionamento zonal, nas coberturas defensivas e combates, além de ter sido a grande referência de liderança da equipe. Casemiro, de volante pelo lado direito, zagueiro da sobra ou central, poupou diversas substituições de Ney Franco para posições mais defensivas de modo que Dudu e Negueba pudessem entrar em todos os jogos.

Oscar, desta vez utilizado em setores do campo em que melhor pensa o jogo (se você ler o artigo sobre o Modelo de Jogo da seleção brasileira no sul-americano sub-20, poderá observar que algumas regras de ação de Oscar eram de atacante, o que lhe custou a titularidade), fechava muito bem linhas de passe, posicionava-se rapidamente atrás da linha da bola na ação defensiva e tinha a componente tomada de decisão-ação para o passe acima da média. Um belo organizador.

Henrique, com finalizações de média distância, linhas de passe abertas na zona de risco ou ataque à bola, mostrou recursos ofensivos suficientes para a premiação de bola de ouro do Mundial. Defensivamente, pressionou alto, retardou, recompôs e nas transições atacou a bola como poucos no Brasil geralmente fazem.

Dudu e Negueba precisam evoluir tática, defensiva e coletivamente, porém, com a bola nos pés, a imprevisibilidade da ação ofensiva deles aumenta exponencialmente. Desconcertam, driblam, fintam, cruzam e, o primeiro, ainda faz gols.

Coletivamente, a plataforma de jogo mais utilizada foi a 1-4-3-1-2 que, no segundo tempo, variava preferencialmente para a 1-4-3-3. A 1-3-4-3 contra a Espanha e 1-3-5-2 contra o México, também foram observadas. As variações estruturais do sistema aconteciam visando um melhor aproveitamento das características de Dudu e Negueba que têm melhores desempenhos pelas faixas laterais. Para utilizar três zagueiros, a solução encontrada por Ney Franco era recuar Casemiro entre Juan e Bruno Uvini.

Resumidamente, na fase defensiva, a organização zonal era mais bem executada na plataforma que a equipe utilizava no primeiro tempo. Com bom equilíbrio defensivo, boa compactação, retardamento e flutuação, a superioridade numérica e a cobertura defensiva eram constantes. Na transição ofensiva, a ação vertical era a mais procurada. Na fase ofensiva, as ultrapassagens dos laterais eram constantes; com dois atacantes, um recuava entre linhas adversárias para procurar tabelas, pivô e finalizações; Philippe Coutinho buscava diagonais para as faixas laterais e Oscar procurava a melhor linha de passe. Já com três atacantes, a amplitude gerada tendia a abrir a linha defensiva dos adversários e a bola nas faixas implicava em jogada individual para cruzamentos. Nas transições defensivas, ocorria principalmente a tentativa de recuperação imediata da posse com devida recomposição dos demais jogadores.

As breves linhas apresentadas até aqui indicam muitos comportamentos que foram eficazes ao longo do Mundial, no entanto, algumas ações individuais e coletivas necessitarão aperfeiçoamentos para evolução do jogar da seleção brasileira. Como, por exemplo, as reposições de bola do goleiro Gabriel que, por muitas vezes, resultaram em perda da posse e que remetem a um comportamento coletivo que não está bem internalizado.

As falhas de posicionamento da dupla William e Henrique, nas quais o primeiro apresentava dificuldade de movimentação entre linhas quando Henrique buscava profundidade na zona de risco. A maior circulação da posse no campo ofensivo para desorganizar as organizações defensivas adversárias e a amplitude de Danilo que diminuía o campo efetivo de jogo em setores muito distantes do alvo. Sobre as transições defensivas, executá-las em maior velocidade poderá dificultar as transições ofensivas de seleções de qualidade.

Em relação à organização defensiva, um melhor equilíbrio quando em três zagueiros, um melhor posicionamento de Juan, que tende a esquecer de proteger o alvo, sai para combates desnecessários nas faixas laterais e expõe significativamente seu setor, além de maior participação de Philippe Coutinho fechando as linhas de passe e limitando o tempo de ação dos jogadores próximos ao seu setor. Uma observação sobre Casemiro: resolveu o problema da seleção sub-20 como zagueiro, mas dificilmente exercerá esta função na seleção principal. Para finalizar, nas transições ofensivas, melhorar o passe vertical, especialmente de Fernando e Juan.

Gostaria de postar vídeos, como geralmente faço, para identificar os comportamentos da seleção brasileira, acertos e erros acima descritos, porém, nesta semana, o tempo que tenho para produzir a coluna ficou ainda mais reduzido devido a uma viagem a Porto Alegre para participar do II Seminário de Futebol – Construindo os alicerces da formação nas categorias de base. Esta semana, o tempo que levo para editar os vídeos será dedicado para o meu aperfeiçoamento profissional.

Aguardem que compartilharei o conhecimento. Abraços e até a próxima semana!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Meu filho, craque de bola?

“Já nasceu com a bola no pé…”.

“Observa meu filho…”.

“Não é porque eu sou pai dele, não, mas é um craque de bola, joga muito…”.

“Ele só precisa de uma oportunidade…”.

“Não entendi por que o técnico tirou ele de campo, estava jogando tão bem…”.

“O treinador não gosta dele…”.

“Panelinha, aqui só joga filho de diretor…”.

“Aqui pra jogar tem que pagar…”.

Essas frases, ouvidas nos corredores das escolinhas de futebol e mais tarde nos centros de treinamento das categorias de base dos clubes, indicam a trajetória que a grande maioria dos garotos percorre no mundo da bola. Afirmativas corriqueiras e frequentes dos pais que, inconscientemente, pressionam os seus filhos e, na maioria das vezes, querem que os filhos sejam aquilo que eles não foram.

Durante esta fase de iniciação esportiva e descoberta os objetivos dos pais com relação aos filhos não devem superar os aspectos voltados para recreação, saúde e convívio. Se tornar um jogador de futebol, um atleta de alta performance, fica para um segundo plano, deve ser consequência e não finalidade.

Devemos repensar as nossas atitudes sobre cobrança e responsabilidade que jogamos precocemente nos ombros dos nossos filhos “atletas”. O momento deve ser formativo e educativo, e eles devem conviver com o esporte de forma prazerosa, lúdica, sem rótulos e cobranças.

Como bem diz o meu amigo e especialista em iniciação esportiva, professor Fabrício Moreira Filgueira, a criança é um ser em formação e não um pequeno adulto.

Fica aqui o alerta para os pais (me incluindo também): não queiram se realizar profissionalmente na figura de seus filhos. Cabe a nós a função de informar, educar e apoiar. A vontade e a escolha do caminho profissional a ser seguido deve ser deles.

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Para quê a Filosofia?

São muitos os que questionam, por vezes desdenhosamente: para quê a Filosofia? Nunca lhes passou pela cabeça interrogarem: para quê a Geologia, ou a Matemática, ou a Física, ou a Geografia?…

A Filosofia exige profunda reflexão e, nos dias em que vivemos, reflectir parece-nos algo de perfeitamente inútil. Imaginemos que uma pessoa pergunta: que horas são? Se substituir esta pergunta por estoutra: o que é o tempo? Só filosofando poderá encontrar o caminho da resposta.

Suponhamos ainda que uma pessoa é habitualmente mentirosa. Se alguém, a propósito, perguntar: o que é a verdade? Também só filosofando poderá aproximar-se de uma resposta. Por vezes, quando me questionam: para que serve a Filosofia? Sou tentado a responder: para não aceitar como óbvias e evidentes todas as coisas, todas as ideias, todas as atitudes, sem uma profunda reflexão.

A fundamentação teórica e prática do Homem, da vida, da Sociedade e da História: eis aí a grande função da Filosofia – que não é ciência, mas uma reflexão crítica sobre os procedimentos e os conceitos científicos; que não é religião, mas uma reflexão crítica sobre as origens e as formas das crenças religiosas; que não é sociologia nem psicologia, mas uma interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da psicologia. É útil, ou inútil, a Filosofia?

Num tempo, como o nosso, onde não há tempo para a reflexão, a Filosofia defende o direito de ser inútil. Platão definia a Filosofia como o verdadeiro saber, o qual deverá aplicar-se em benefício dos seres humanos. Descartes afirmava que a Filosofia é o estudo da sabedoria, para que os seres humanos melhor vivam, alcancem a saúde e descubram novas artes e novas técnicas. Kant ensinou que a filosofia é o conhecimento que a razão adquire de si mesma, para saber o que pode conhecer, o que deve fazer, visando a felicidade humana. Marx declarou que a Filosofia havia passado demasiado tempo, contemplando o mundo e que era tempo de transformá-lo. Marx queria dizer, na sua, que é preciso des-construir a sociedade injusta e que, para tanto, as palavras não bastam. Merleau-Ponty referiu que a Filosofia é um despertar, para ver mais e transformar para melhor o nosso mundo. Só transformando poderemos ser plenamente conscientes de nós mesmos. Como se vê, tudo inutilidades…

Os jornais, a rádio, a televisão, a internet, os telefones móveis, as tecnologias digitais proclamam, sem cansaço, que estamos no rumo certo, em direcção às Sociedades do Conhecimento da Idade da Informação. Filosoficamente, nasce a dúvida metódica: será que todos se encontram no caminho certo, para as Sociedades do Conhecimento?

A Constituição da Unesco sublinha a nítida ligação entre a dignidade humana e “a ampla difusão de cultura e a educação da humanidade, para a justiça, liberdade e paz”. Assim, os direitos e as liberdades fundamentais situam-se, inevitavelmente, no seio das Sociedades do Conhecimento. Foi Peter Drucker que criou, em 1969, o termo “sociedade do conhecimento” (cfr. The Age of Discontinuity Guidelines to our Changing Society, Harper & Row, Nova Iorque). Só que a implementação da “sociedade do conhecimento” supõe educação ao longo da vida e… para todos!

“Interrogar a nossa condição humana é (…) interrogar primeiro a nossa situação no mundo. Uma afluência de conhecimentos, nos finais do século XX, permite aclarar de um modo completamente novo a situação do ser humano, no universo”. Daí que não será exagero adiantar que a Sociedade do Conhecimento não está no horizonte de todas as pessoas, de todos os povos. Passo agora a palavra a Edgar Morin: “O século XXI deverá abandonar a visão unilateral, definindo o ser humano pela racionalidade (homo sapiens), ou pela técnica (homo faber), ou pelas actividades utilitárias (homo oeconomicus), ou pelas necessidades obrigatórias (homo prosaicus). O ser humano é complexo (…). O homem da racionalidade é também o da afectividade, do mito e do delírio. O homem do trabalho é também o homem do jogo. O homem empírico é também o homem imaginário. O homem da economia é também o do consumo” (Os Sete Saberes para a Educação do Futuro, Instituto Piaget, 2002).

Para quê a Filosofia? Para que o código genético da Sociedade do Conhecimento seja povoado de interrogações, na boca de todos; para que não seja impossível questionar os ditadores (que os há também, na velha democracia em que vivemos); para que ninguém falte ao encontro marcado com a liberdade, “porque não há machado que corte a raiz ao pensamento”. Para quê a Filosofia? Para que as palavras voltem a ter significado, na práxis de emancipação de todos e de cada um! Para que o conhecimento científico seja pensado, como merece!

Segundo Luc Ferry, no seu livro Aprender a Viver (Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa, 2009, pp. 23 ss.) são três as dimensões da filosofia: a inteligência daquilo que é (teoria), a sede de justiça (ética) e a busca da salvação (sabedoria). No caso particular do “desporto-rei”, importa perguntar também: o que é o futebol? Trata-se de um desporto e, como tal, um aspecto particular da motricidade humana.

Ora, o ser humano em movimento intencional há-de distinguir-se por uma filosofia, isto é, por uma inteligência, por uma ética e por uma sabedoria. Para que o futebol tenha sentido – para que o futebol se transforme num exemplo de militância cívica. Mesmo nos anos fatigados em que as chamas do inconformismo começam a esmorecer, é preciso acreditar que o futebol é uma lição de obra colectiva, visando um mundo diferente.

*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.

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Jogos reduzidos vs treino convencional: vantagens e desvantagens

Historicamente, o desenvolvimento das capacidades físicas exigidas pelo futebol desenvolveram-se de forma seperada dos aspectos motores do jogo, principalmente pelo fato de se “importar” modelos de treinos já consagrados em outras modalidades esportivas, como o atletismo, por exemplo.

Embora em muitos clubes do mundo ainda seja comum encontrarmos treinos técnicos, físicos e táticos sendo realizados em sessões separadas, atualmente, a popularização dos chamados “jogos reduzidos” trouxeram a tendência de se integrar as diferentes exigências do futebol moderno.

Mas será que há indícios suficientes que garantam aos jogos reduzidos maior efetividade do que o treino convencional?

Os jogos reduzidos utilizam pequenos jogos em que as regras são adaptadas às quais variam o tamanho do campo, o número de jogadores e o tipo de estímulo que é dado (contínuo vs intervalado). Entre seus benefícios encontram-se a reprodução de movimentos específicos em situação competitiva, exigindo dos atletas tomadas de decisão em situação de pressão e também com fadiga acumulada facilitando a aquisição da habilidade técnica e da inteligência de jogo.

Para o sucesso efetivo desse tipo de estratégia é fundamental que as regras utilizadas permitam um jogo que aprimore exatamente aquilo que se deseja. Nesse caso, fatores como a área do jogo selecionada, o número de jogadores, a utilização ou não de goleiros, o incentivo do treinador e a característica do estímulo serão fatores que influenciam diretamente no sucesso ou fracasso da execução dos jogos reduzidos.

 

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Como controle da efetividade deste tipo de treino estudos já identificaram boa validade e reprotudibilidade. O controle da intensidade geralmente é feito pela análise da frequência cardíaca (FC), das concentrações sanguíneas de lactato ([La]) e da percepção subjetiva de esforço (PSE), sendo que a PSE apresenta-se mais confiável do que a FC e o [La].

Quanto à distância percorrida e as velocidades de deslocamento, a monitoração pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) tem se mostrado efetiva e impressindível no controle da carga, embora existam algumas limitações em atividades realizadas em alta velocidade e outros problemas técnicos como frequência de aquisição dos dados, quantidade de satélites para captação do sinal, bem como restrição de medida em lugares cobertos.

Quanto à especificidade do jogo, no geral os estudos demonstram que a intensidade da tarefa é maior quanto menor for o número de jogadores utilizados em relação à área do campo; entretanto, nem sempre isso significa que cada jogador tenha maior quantidade/qualidade na distância dos deslocamentos.

Também tem se sugerido que nos jogos reduzidos a intensidade costuma ser maior do que o jogo propriamente dito, assemelhando-se inclusive aos treinos genéricos realizados de forma intervalada, tanto de curta quanto de longa duração. Isso sugere que parece não haver diferença sobre o aspecto físico em se fazer um treino com jogo reduzido ou tradicional.

Sem dúvida, a grande vantagem dos jogos reduzidos está em integrar aspectos técnicos, físicos e táticos específicos do jogo que permitem economizar tempo – fator muito importante nos dias atuais. Porém, para que isso seja efetivo, a comissão técnica terá que ter o trabalho de desenvolver treinos lógicos e com logística suficiente para aprimorar aspectos específicos conforme os objetivos pré-estabelecidos. Caso isso não seja pensado, corre-se o risco de os jogos reduzidos desenvolverem outros aspectos que não são desejados no momento, ou até mesmo de se tornar menos efetivo do que os treinos convencionais.

Pelo visto, a escolha entre o chamado treino tradicional e os jogos reduzidos dependerá do conhecimento e da experiência prévia de cada comissão técnica que deverá calcular riscos, benefícios, vantagens, desvantagens e limitações de cada estratégia.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br  

Saiba mais:

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Gray AJ, Jenkins DG. Match analysis and the physiological demands of Australian football. Sports Med. 2010 Apr 1;40(4):347-60.

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Rampinini E, Impellizzeri FM, Castagna C, Abt G, Chamari K, Sassi A, Marcora SM. Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games. J Sports Sci. 2007 Apr;25(6):659-66.