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O fortalecimento do elo entre torcedor/clube por meio da gestão de marca

Atualmente, a marca é o mais significativo dos vínculos entre uma instituição e seus stakeholders. Na função de expressar sua personalidade, cultura, valores, identidade, posicionamento e reputação, a marca da instituição une suas várias nuances para agregar valor a seus produtos e serviços, ampliando a conexão com seu público final, através da emoção e sensação extraídas da experiência que esta marca proporciona, levando ao consumidor final um reflexo da marca, ou seja, a sua imagem.

No âmbito do esporte, mais precisamente do futebol, o cuidado com a marca poderá dar subsídio ao clube para atender melhor às expectativas de seu torcedor, para se fortalecer como uma instituição, que se preocupa com seus adeptos, dando maior profundidade ao relacionamento, conscientização e profissionalismo nas ações realizadas.

Neste trabalho, é apresentado um estudo sobre o Villa Nova Atlético Clube de Nova Lima, Minas Gerais, apresentando sugestões de ações estratégicas para sua gestão de marca, que priorize o relacionamento clube/torcedor.

Para ler o artigo completo, basta clicar aqui.

*Graduado em Comunicação Social – Produção Editorial, UniBH, 2004. Pós-graduado em Design e Cultura, FUMEC, 2007. Gestor de Marca e Imagem da Banda The Hells Kitchen Project, desde 2007

 

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A final que pode mudar o nosso final

Brasil e Espanha: em 2011, representados por Santos e Barcelona respectivamente, a final do Mundial de clubes foi vexatória para o futebol brasileiro e ponto de partida para muitos veículos de imprensa, dirigentes, treinadores e outros profissionais do futebol apontarem o abismo entre o jogo brasileiro e o europeu.

Menos de dois anos depois, a escola brasileira e espanhola se reencontram, agora representadas pelas suas seleções, na final da Copa das Confederações disputada no Brasil.

Como a grande maioria dos atletas da escola brasileira atua no futebol do Velho Continente e estão habituados aos comportamentos de jogo por lá praticados (no onze inicial, 3 jogam na Inglaterra, 2 na Espanha, 1 na França, 1 na Alemanha e 1 na Rússia), descarta-se a hipótese de vexame semelhante ao sofrido pela equipe santista. Porém, os princípios de jogo apresentados por cada seleção podem, novamente, expor a distância entre o futebol brasileiro e o europeu.

Uma vez que o placar é a única variável considerada na análise de um trabalho e o futebol é, por característica, imprevisível, a vitória da equipe de Felipão pode mascarar diversos elementos das ideias de jogo do treinador brasileiro que, ocupando o mais alto cargo de técnico de futebol no país, representa como temos pensado a modalidade.

Para a análise do que pode ser a final, além de exercer o papel social de treinador (ainda que num cargo de pequena expressão), exerço também o papel de torcedor.

E enquanto o torcedor quer o título para o nosso país e a confiança para a Copa do Mundo que se aproxima, o treinador quer mais uma aula espanhola, de ideias para um bom e belo futebol.

O torcedor vislumbra que em pouco tempo de comando, Scolari conseguiu transformar uma equipe desacreditada em favorita. Imagina o quanto não poderá ser feito num trabalho em longo prazo? Já o treinador questiona se, mesmo com mais tempo para treinar, os princípios de jogo serão mantidos.

O torcedor vê David Luiz extremamente raçudo e marcador. O treinador o vê muitas vezes mal posicionado em um ataque à bola desordenado.

O torcedor vê Luiz Gustavo com uma precisão impecável no passe. O técnico vê um volante que escolhe preferencialmente o passe cadenciado e praticamente não pisa no campo de ataque.

O torcedor vê Neymar decisivo, exímio finalizador. O técnico, lamentavelmente, o vê como "boleirão", reclamão e pouco coletivo.

O torcedor concorda com a opinião da imprensa, que classifica o Oscar como exausto neste final de temporada. O técnico o vê isolado, com volantes distantes, num setor em que todos os adversários têm conseguido, com boa organização defensiva, neutralizar o Brasil.

O torcedor não se importa com o futuro da modalidade, com a evolução do jogo, do treino e com aquilo que é tendência no futebol mundial. O treinador sonha que o futebol praticado pelos espanhóis sirva de exemplo para nossos treinadores e dirigentes, grandes responsáveis pelo futebol do futuro (e por falar em futuro, lembram-se que nossa seleção não está no Mundial sub-20?).

Por fim, o torcedor quer gritar "É Campeão!” e o treinador bater palmas para a seleção que joga o melhor futebol da atualidade e que precisa vencer para, quem sabe, permanecer acesa a chama que em 2011 se acendeu e que alguns profissionais lutam arduamente para que assim permaneça. Uma vitória do Brasil pode atrasar este processo e apagar a chama!

Até domingo, às 19h, decido em qual papel assisto ao jogo…

Você já se decidiu? Escreva a sua opinião!

 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Copa das Confederações e o seu legado

Desde 2007, quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações de 2013, um assunto, sempre recorrente nas pautas jornalísticas, políticas e conversas de boteco, foi o legado destes eventos, ou seja, o que eles deixariam para o país e seus habitantes.

Inicialmente há de se destacar o empenho do Poder Público em melhorar a mobilidade urbana e a estrutura dos estádios (agora denominados arena). Vale destacar que o país passou por anos de estagnação em investimentos em infra-estrutura e é possível que esta inércia permanecesse, caso não tivéssemos a Copa do Mundo.

Se houve ou não houve superfaturamento e corrupção, isto deve ser objeto de análise, investigação e punição dos órgãos competentes, mas, destaque-se que está havendo um esforço para melhora de vias públicas, aeroportos e estádios e isto ficará para sempre.

Outro legado importante diz respeito ao turismo. Barcelona de cidade portuária "abandonada" passou a ser o quinto destino turístico do Mundo. A Alemanha aqueceu o seu turismo pós Copa. Atualmente vemos cada vez mais menções de passeios à África do Sul.

Enfim, o Brasil pode triplicar o número de visitantes em seus mais diversos centros turísticos como Rio, São Paulo, Serras Gaúchas, Foz do Iguaçu, Pantanal, Amazônia, Nordeste, Cidades históricas de Minas, dentre uma infinidade de outros.

Ademais, estes eventos podem auxiliar o crescimento do PIB com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos, bem como aumentar a arrecadação fiscal, afinal de contas, em cada partida movimenta-se milhões de reais.

O Brasil ainda pôde contar com um legado inesperado que foi o renascimento de movimentos populares que, com todos seus erros e atos exacerbados (e até criminosos) serviu para mostrar aos governantes que aqui há uma nação cujo sangue pulsa nas veias.

De tudo isso, imprescindível destacar o legado do aprendizado que estamos tendo na organização dos grandes eventos e no respeito aos seus torcedores.

A Fifa traz uma série de recomendações de segurança e conforto já utilizados na Europa e em outros grandes eventos como o s Jogos Olímpicos e que podem mudar definitivamente o paradigma do torcedor brasileiro. Tais recomendações são fruto de anos de estudo e experiência em grandes eventos.

Estive em alguns jogos da Copa das Confederações e, apesar de haver, ainda, muito o que ser feito, foi engrandecedor notar o respeito dos torcedores ao local de assento indicado nos bilhetes, adquirir produtos nos bares com cartão de crédito, circular nas imediações do estádio sentindo-se seguro, dentre outros.

A Copa das Confederações aproxima-se de seu fim, mas o que ganhamos com a sua realização ficará para sempre na prática e no coração de todo brasileiro.

Que venha a Copa do Mundo de 2014.

 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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A utilização de indicadores de desempenho técnico e tático no futebol como meio de facilitar o treino e o entendimento do jogo

A análise do jogo é realizada por meio das informações recolhidas acerca dos comportamentos dos jogadores, tanto em competições quanto em treinos, possibilitando anotações dos dados e a sua interpretação.

Esse trabalho se iniciou na década de 30 com anotações simples feitas à mão, evoluindo para modernos programas computacionais, fazendo com que as análises chegassem com o mínimo de erro e num tempo bem menor (REEP; BENJAMIN, 1968; GARGANTA, 2001).

Os indicadores de desempenho são uma seleção ou combinação de variáveis que tem por objetivo definir alguns ou todos os aspectos do desempenho, na qual, são utilizados para relatar a eficácia do desempenho no jogo ou treino (HUGHES; BARTLETT, 2002).

A utilização destes indicadores de desempenho possibilita um entendimento melhor da partida, bem como uma análise mais precisa dos elementos críticos do jogo que, na maioria das vezes são os pontos que decidem a vitória ou derrota de uma equipe durante um jogo.

Neste contexto, alguns estudos têm realizado análises de desempenho técnico utilizando algumas variáveis do jogo. Para as ações ofensivas são utilizados a posse de bola, passes, número total de chutes ao gol, número de gols em uma partida, entre outros.

Já para as ações defensivas são utilizados os impedimentos, escanteios, faltas, número de cartões amarelos e vermelhos, entre outros (HUGHES; BARTLETT, 2002; LAGO; MARTÍN, 2007; LAGO-BALLESTEROS; LAGO-PEÑAS, 2010).

Para as análises dos indicadores de desempenho tático alguns estudos vêm utilizando algumas variáveis do jogo. Para ações ofensivas são utilizados: o contra-ataque (CA), velocidade de transmissão da bola (VTB), tempo de realização do ataque (TRA), número de variações do corredor (NVC), número de contatos com a bola (Nct), entre outros.

Já para as ações defensivas são utilizados: tipo de organização defensiva (TOD), número de bolas conquistadas (NC), forma de aquisição/recuperação da posse de bola (FAR), local de aquisição ou recuperação da posse de bola (LAR), entre outras. (RAMOS, 1982; DUGRAND, 1989; CASTELO, 1992; GOWAN, 1982; GARGANTA, 1997).

Estes estudos oferecem resultados importantes para os profissionais da área, mostrando que a análise do jogo utilizando os indicadores de desempenho técnico e tático no futebol têm a finalidade de sistematizar os processos de ensino e treino do jogo, além de facilitar o entendimento do jogo, possibilitando análises sequenciais de ações táticas e dos comportamentos que conduzem a diferentes produtos, (como por exemplo, ataque sem finalização, ataque finalizado sem a obtenção do gol, ataque finalizado com a obtenção do gol).

No Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol da Universidade Federal de Viçosa (NUPEF/UFV), são realizados estudos de Análise do Jogo utilizando Indicadores de Desempenho Técnico e Tático nas Seleções que participaram da Copa do Mundo de Futebol Fifa 2010TM.

Os interessados poderão acompanhar este trabalho por meio do link: www.nucleofutebol.ufv.br.

Referências:

CASTELO, J. Conceptualização de um modelo técnico-táctico do jogo de futebol. Identificação das grandes tendências evolutivas do jogo das equipas de rendimento superior (Tomos I e II). Tese de Doutoramento. FMH-UTL. Lisboa. 1992.

DUGRAND, M. Football, de la transparence à la complexité. P.U.F. Paris. 1989.

GARGANTA, J. Modelação táctica do jogo de futebol-estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Porto, p.312. 1997.

GARGANTA, J. A análise da performance nos jogos desportivos: revisão acerca da análise do jogo. Revista Portuguêsa de Ciências do Desporto, v.1, p.57-64. 2001.

GOWAN, G. A análise do jogo. Futebol em Revista, v.11, n.3, p.35-40. 1982.

HUGHES, M. D.; BARTLETT, R. M. The use of performance indicators in performance analysis. Journal of Sports Sciences, v.20, p.739-754. 2002.

LAGO-BALLESTEROS, J.; LAGO-PEÑAS, C. Performance in team sports: Identifying the keys to success in soccer. Journal of Human Kinetics, v.25, p.85-91. 2010.

LAGO, C.; MARTÍN, R. Determinants of possession of the ball in soccer. Journal of Sports Sciences, v.25, n.9, p.969 – 974. 2007.
RAMOS, A. L. Iniciation a la tactica y la estrategia. Esteban Sanz Martinez, España. 1982.

REEP, C.; BENJAMIN, B. Skill and Chance in Association Football. Journal of the Royal Statistical Society, v.131, n.4, p.581-585. 1968.

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A conta da Copa

Dando continuidade ao tema iniciado na semana passada, a coluna desta semana se propõe a ampliar o debate no sentido de esclarecer qual a real conta imputada à Copa do Mundo 2014. Muito se falou sobre o excessivo dispêndio público sobre um evento de “apenas” 30 dias e o real valor que será deixado para a população.

Quanto aos estádios, é indiscutível, na minha percepção, que poderíamos ter investido o mesmo montante de maneira mais inteligente, a ponto de deixar um legado relevante para o país. Acho que isto está muito claro para todo mundo.

Contudo, importa esclarecer que a conta de pouco mais de R$ 23 bilhões que se está associando única e exclusivamente ao evento não está simplesmente relacionada aos estádios. Existem inúmeras obras, que já estavam planejadas nas cidades-sede, e que estão sendo aceleradas por conta do megaevento. É o tal efeito catalisador da Copa.

Na realidade, 72,1% do orçamento relacionado à Copa 2014 está imputado em obras e projetos para Aeroportos, Portos, Turismo, Mobilidade Urbana, Segurança e Telecomunicações. Os 27,9%, que equivalem a R$ 6,4 bilhões, são para a construção ou reforma de estádios.

Até aqui, tudo ótimo.

Temos a garantia, pelo planejado, de um legado relevante para o país, somado à construção e reforma das novas arenas para o futebol.

O grande problema é perceber a aplicação destes recursos. Olhando para a relação daquilo que foi orçado ante o que foi efetivamente contratado, vemos que os estádios captaram (contrataram) 95,2% daquilo que foi planejado (ou R$ 6,1 bilhões).

Na outra parte do orçamento, as obras e projetos contrataram somente 43,7% do que planejaram (ou R$ 7,2 bilhões). No somatório, contratamos 58,1% do orçado.

O quadro abaixo demonstra o cenário encontrado em 26-jun-2013, baseado no Portal da Transparência do Governo Federal.

Levando-se em conta que os investimentos totais planejados para a Copa 2014 terão a seguinte divisão entre os poderes:

(…) o cenário não é dos mais calamitosos como tentam pintar alguns críticos. A perspicácia de um protesto se faz com informação e inteligência. Portanto, nossa reivindicação deve partir não por negar ou boicotar a Copa que, como evento e acontecimento tem uma relevância histórica significativa para os países que a sedia. Devemos, sim (e aí incluindo a comunidade esportiva), pedir algo simples como: “CONCLUIR TUDO AQUILO QUE FOI PLANEJADO”.

Essa é, a meu ver, a bandeira justa e na medida correta. Simplesmente fazer, sem desvios ou superfaturamentos, o que prometemos e planejamos.
 

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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De volta ao basicão

Seja no âmbito pessoal ou profissional, observo as pessoas quebrando a cabeça em busca de soluções "inovadoras" para resolver seus problemas. Depois de muito tempo e esforço, em geral, chegam a soluções por vezes complexas e difíceis de serem implementadas. E pode ser pior, como nas vezes em que encontram a solução, mas, já se passou tanto tempo que um pequeno problema se transformou em um desastre, com sérias consequências para as pessoas ou organizações.

Ao ser consultado sobre algum problema, recomendo soluções simples, rápidas e práticas. Isso não quer dizer soluções simplistas. Percebo que durante a explanação da solução pessoas fazem anotações e no final olham como se estivessem diante de um gênio. Tenho certeza que minha vó ficaria feliz se isso fosse verdade, mas sou apenas um sujeito atento, experiente e uso a técnica de relembrar o passado, vendo se problemas semelhantes já existiram, como foram solucionados e como posso dentro de novas "combinações" propor soluções simples e de fácil realização. Enfim, faço o "basicão".

O que seria fazer o "basicão"? É buscar e aplicar soluções simples, diretas e sem rodeios. Eu pratico e estimulo minha equipe a olhar o basicão sempre, pois além de economizar tempo desmistifica a ideia de que soluções complicadas são as mais valorizadas! O termo tomei emprestado do amigo Marcos Nascimento, executivo da ManStrategy Consulting Ltda, após assistir sua palestra para um grupo de executivos sobre execução de estratégias bem sucedidas tendo como premissa "voltar a fazer o basicão".

Exemplos de situações e soluções no estilo "basicão" existem na vida pessoal e profissional, em todas as áreas e segmentos. Vejamos alguns deles:

A maioria dos adultos já teve uma DR – discutir a relação. Já imaginou ter uma DR em plena rede social? Hoje não acontece apenas com os jovens, tem muitos quarentões que, de um pequeno problema em casa, reclamam do cônjuge em pleno Facebook. Eles contam suas histórias e pedem ajuda para toda a rede de amigos.

Além de todos ficarem sabendo da intimidade do casal, os palpites vêm de todos os lados e as consequências são em alguns casos desastrosas. Como isso era resolvido fazendo o basicão?

A pessoa até pedia conselho para amigos, os mais próximos, não para os 2.807 do seu Facebook. Refletia, conversava em casa e tudo se resolvia aos poucos de maneira íntima e menos traumática.

No esporte, pequenos problemas se transformam em problemões, mesmo aqueles que seriam resolvidos aplicando a técnica do "basicão". Hoje, na maioria dos clubes de futebol, existe pouca conversa direta e reta entre o presidente e treinador, entre o treinador e atletas e entre os próprios atletas. Quando precisam falar algo, mandam recados pela imprensa ou pelos seus Twitters, entre outros. Muitos treinadores descobrem que estão desempregados pelo rádio ou nas mídias sociais. Como isso era resolvido fazendo o "basicão"?

Com uma boa conversa, olho no olho, em um local neutro e descontraído, por vezes em uma boa churrascaria, restaurante ou bar, seria mais fácil e prático discutir os conflitos e evitar as desinteligências.

Outro bom exemplo é a discussão em todo país a respeito do "apagão profissional". A falta de mão de obra e a dificuldade de reter talentos nas empresas geram reclamações do tipo:

1) Temos muitas vagas que demoram a fechar por falta de candidatos
Eu pergunto: suas vagas são bem descritas e estão bem "embaladas". Nelas, fala-se sobre oportunidades de crescimento e diferenciais da empresa. Você tem um vídeo institucional mostrando como é a cultura da empresa? A resposta é NÃO.

2) Na minha região é complicado contratar
Eu pergunto: sua empresa tem estratégias de atração nas proximidades da empresa? Tem um profissional recrutando ou pensando em estratégias de captação regional? Faz atração em agências governamentais, igrejas, templos, universidades, escolas, sindicatos regionais, feiras e eventos? A resposta é NÃO.

3) Faltam profissionais experientes e prontos
Eu pergunto: sua empresa tem um programa para contratar e formar profissionais menos experientes? Estão treinando e preparando jovens potenciais para assumir mais responsabilidades no futuro?
A resposta é NÃO.

4) O turn over está alto e custando caro. Não consigo reter meus funcionários
Eu pergunto: as vagas são oferecidas aos funcionários antes do selecionador buscar profissionais no mercado? Seus funcionários são estimulados a desenvolver-se, pois podem ser aproveitados internamente e serem promovidos ? Os líderes estão "motivados" com a causa de atração e seleção? A resposta é NÃO.

De fato, existem alguns setores com mais dificuldades em contratar funcionários, mas, após ouvir os NÃOs, os lembro de como tais problemas eram resolvidos no passado e que contratar bem e formar para o futuro sempre foram fatores cruciais de sucesso para os negócios. Por esta razão, no princípio os próprios donos de empresas eram responsáveis por contratar. Falo de estatísticas que mostram que as empresas de maior longevidade são as que contratam melhor, ou seja, novamente a solução está em olhar o passado, pensar em novas combinações e fazer o "basicão".

Arrisco uma explicação para a dificuldade em fazer o "basicão", atualmente. Em primeiro lugar, somos ensinados nas instituições educacionais a decorar coisas e seguir modelos prontos, ao invés de pensar no sentido e no porquê das coisas. Em segundo lugar, hoje se emprega pouco tempo na atividade de pensar sobre como as coisas funcionam.

As diversas distrações e facilidades tecnológicas acostumaram as pessoas a chegarem às respostas. Isso as tem levado a não usarem seu tempo para estudar e entenderem o princípio das coisas, enfim, como são feitas as coisas e quais os conceitos que dão sustentação à sua existência. Posso dar vários exemplos, o meu preferido é o da luz elétrica, então vejamos: A pessoa aperta um botão e a luz acende, e ao perguntar se a pessoa sabe porque a luz acende, a resposta é simples, porque apertei o botão.

Pois bem, de maneira simplista, posso dizer que para a luz acender é necessária uma estrutura sincronizada e organizada, que começa com a armazenagem de água, turbinas poderosas em hidroelétricas, torres de transmissão, postes de distribuição, transformadores de energia, fiação interna no estabelecimento e, por fim, o botão.

Este é um caso típico do que vemos hoje em muitas situações, a perda do contato com o básico, a origem. Graças aos avanços tecnológicos, é verdade que um toque
no botão acende a luz. No entanto, saber como as coisas acontecem e seus princípios básicos nos faz entender as diferentes variáveis que podem, quando necessário, nos levar a pensar em soluções criativas para contornar restrições, assim como imaginar novas combinações que tragam soluções inovadoras.

Reflitam sobre os problemas em seu dia a dia e pensem se fazer novas combinações do que já viram, vivenciaram ou observaram no passado é o melhor caminho para vocês solucionarem problemas e evitarem perda de tempo. Na dúvida optem por fazer o simples, o "basicão".

*Cezar Antonio Tegon é graduado em Estudos Sociais, Administração de Empresas e Direito. É presidente da Elancers e sócio-diretor da Consultants Group by Tegon. Com experiência de 30 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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Jornalismo Esportivo: uma nova disciplina para o curso de graduação em Jornalismo

Resumo

Jornalismo é jornalismo, seja qual for o tema abordado. Mas, há uma área do jornalismo que requer um estudo detalhado sobre sua importância e influência na sociedade e, consequentemente, sua inclusão dentro da grade de disciplinas dos cursos de graduação em Jornalismo: o jornalismo esportivo.

O esporte repesenta entre 2% a 3% do produto interno bruto brasileiro. A cultura brasileira e a sociologia explicam como o futebol, principal esporte brasileiro, mexe com a vida do brasileiro. Uma área onde 76% dos estudantes de jornalismo pretendem especializar-se, deve ser abordada dentro do curso de graduação e tratada como ciência pela comunidade acadêmica.

Introdução

Jornalismo é jornalismo, seja ele esportivo, político, econômico, social. Pode ser propagado em televisão, rádio, jornal, revista ou Internet. Não importa. A essência não muda porque sua natureza é única e está intimamente ligada às regras da ética e ao interesse público. Porém, trabalhar com jornalismo esportivo tem suas especificidades. Frequentemente, ele se confunde com entretenimento e tem uma linguagem própria. Em nenhuma outra área do jornalismo, informação e entretenimento estão tão próximos.

No Brasil, há cerca de 470 escolas de Jornalismo e cerca de 12.000 profissionais são colocados no mercado por ano.

Qual a importância desses novos profissionais em estudar o esporte e o jornalismo esportivo no Brasil? Um jornalista recém formado tem a noção do amplo mercado de trabalho que o Jornalismo Esportivo pode oferecer? Há espaço e necessidade do Jornalismo Esportivo tornar-se uma disciplina obrigatória dentro do curso de Graduação em Jornalismo? Essas questões serão discutidas e analisadas ao longo desse artigo.

Antes de analisar todas essas questões, levantamos a hipótese de que os alunos de jornalismo estariam mais bem preparados para o mercado de trabalho se pudessem estudar e entender a importância e o quanto o esporte e o jornalismo esportivo podem abrir portas para o futuro profissional.

Neste artigo, objetivamos também verificar a viabilidade de introduzir o Jornalismo Esportivo como disciplina obrigatória no curso de Graduação em Jornalismo e identificar sua necessidade dentro da grade curricular do curso. Iremos identificar a aceitação dos alunos de Jornalismo com a nova disciplina e elaborar um conteúdo programático para a nova disciplina, de forma que o aluno fique apto a trabalhar o jornalismo esportivo em diversas mídias, principalmente TV, rádio, Internet e impresso.

Metodologicamente, delimita-se esse artigo, inicialmente, como sendo uma pesquisa conjuntural. Qualquer análise científica envolve uma gama de ferramentas específicas e adequadas, afins de que se alcance algum tipo de resultado. Utilizaremos a Sociologia como ferramenta teórica para basearmos a importância do esporte na vida do brasileiro e fundamentarmos a importância de jornalismo esportivo como ciência e, consequentemente, mais discutida e analisada durante o período da graduação.

Através do estudo desse elemento, realizaremos uma análise conjuntural quantitativa asincrônica contemporânea analítica.

A análise conjuntural quantitativa é usada quando há a necessidade ou existe a possibilidade de se quantificar variáveis para se obter ou simular determinados resultados numéricos . Para tal análise, a pesquisa utilizará como ferramenta:

– Pesquisa Documental por meio de bibliografias que permitam conceituar o tema;

– Entrevista com jornalistas esportivos para saber o que a nova disciplina somaria ao curso de jornalismo. Nossos entrevistados foram: Nivaldo de Cillo, repórter esportivo da TV Bandeirantes; professor de Jornalismo e escritor Jober Teixeira Júnior e Carlos Gomes, professor de Jornalismo da FAAP e diretor do departamento de Esporte da TV Bandeirantes. Realizamos um questionário com 150 alunos de faculdades de Jornalismo das cidades de São Paulo, Mogi das Cruzes e Taubaté.

Como dito anteriormente, além de conjuntural e quantitativa, a análise será asincrônica, contemporânea e analítica, isto é, iremos analisar conjunturalmente e quantitativamente um conjunto de variáveis observadas sem um instante de tempo determinado (asincrônica), podendo-se conviver com os acontecimentos (contemporânea) e interpretando a situação conjuntural (analítica).

Capítulo I
A relevância da disciplina Jornalismo Esportivo para a graduação

As atividades esportivas no Brasil representam entre 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. De 1999 até 2005, o crescimento médio anual do PIB brasileiro foi de 4,85%. Nessa mesma época, o PIB do esporte foi de 11,8% ao ano. A atividade esportiva está presente, direta ou indiretamente, em dois terços da população brasileira. 315.000 pessoas são empregadas de forma direta ou indireta, e possui uma massa salarial de 6,9 milhões de reais. De 170 milhões de brasileiros, 102 milhões acompanham algum esporte .

Cerca de 90% da população brasileira acompanha algum tipo de esporte. Diferente do público das outras editorias do jornalismo, o esporte possui um público extenso e de diferentes níveis sócio econômicos, o que possibilita ao jornalista esportivo o trabalho com públicos de diferentes níveis de classe. O esporte é acompanhado ou praticado por todas as classes sociais.

De onde vem essa paixão pelo esporte? De onde vem esse sentimento de prazer que o brasileiro tem quando assiste uma partida de futebol, ou um jogo de vôlei, ou qualquer outro esporte? Usamos a sociologia para explicar como é o impacto do esporte da vida do brasileiro.

A sociologia é uma ciência que estuda as relações que se estabelecem entre as pessoas que vivem numa comunidade ou grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla. O futebol, por ser uma atividade grupal e também social, tem merecido, de parte dos sociólogos, estudo mais profundo, para que entendamos melhor suas relações, quando se tem uma atividade social da mais alta relevância.

"O futebol , como nossa paixão popular e esporte número um, encena um ritual coletivo de intensa densidade dramática e cultural, em consonância com a realidade brasileira. É a combinação de simbologias, por meio das quais podemos estudar o Brasil. Futebol é simbologia e metalinguagem, e como tal, revelador das culturas das coletividades e revelador expressivo das condições humanas.”

O futebol, oriundo da Inglaterra, chegou ao Brasil de forma elitista e racista. Proibido aos negros, mestiços e brancos pobres, teve uma resistência enorme das classes dominantes, porém teve que curvar-se à insistência da grande maioria menos favorecida, tornando-se o "esporte rei" e mais que isso, pela habilidade e magia de nossos atletas, um estilo de arte.

Passes, dribles, fintas, a malemolência e a ginga, coisas buscadas nas danças, na própria capoeira, cultura brasileira, nos diferenciaram dos demais atletas do mundo inteiro.
O "estilo" do futebol brasileiro está intimamente ligado ao modo de vida e á cultura da grande maioria de sua população.

"Eu é que já estava longe, me refugiando na arte. Que coisa lindíssima, que bailado mirífico um jogo de futebol!…Era Minerva dando palmadas num Dionísio adolescente e já completamente embriagado…Havia umas rasteiras sutis, uns jeitos sambalísticos de enganar, tantas esperanças davam aqueles volteios rapidíssimos…"

Segundo o professor e escritor Jober Teixeira Jr, "o futebol, mais do que prática esportiva é uma oportunidade prática de se exercitar a cidadania. Portanto, mais do que constatação, interpretação e paradigma do Brasil, o futebol é proposta, é projeto e desejo da coletividade".

As raízes do futebol se espalham pelas esferas da realidade social,pois, diferentemente de outras instituições, o futebol reúne muita coisa na sua invejável multivocalidade. É uma estrutura totalizante em sua acepção teórica.

"Em uma das obras clássicas da Sociologia, Émile Dürkheim sugere que a religião é menos importante como um conjunto específico de crenças e divindades do que como uma oportunidade para a reafirmação pública da comunidade… Apesar da ausência de vínculos sangüíneos, os homens da tribo sentem que estão relacionados entre si porque partilham um totem. O culto a uma equipe esportiva, como o culto a um animal, faz com que todos os participantes se tornem altamente conscientes de pertencerem a um coletivo. Ao aceitarem que uma equipe em particular os representem simbolicamente, as pessoas desfrutam um parentesco ritual, baseado neste vínculo comum."

Segundo o professor Jober Teixeira, "o futebol é para os brasileiros um misto de necessidades imediatas e práticas de luta e obtenção de resultados e objetivos, e ao mesmo tempo a expressão de alegria e da arte popular, expressando uma sintonia entre o individual e o coletivo, dentro e fora dos gramados".

O professor exemplifica através de uma resposta que todo torcedor tem, na ponta da língua, quando questionado sobre qual time torce: "Eu sou gremista" ou "Eu sou corintiano". De acordo com o professor, a palavra "eu" significa a individualidade; a palavra "sou" representa a identidade; e "gremista" ou "corintiano" ou qualquer que seja o time, é a coletividade. A palavra “eu” indica a personalização ou a individuação do sujeito ao time. Dessa maneira, incorporado á sua personalidade, o time faz parte do indivíduo.

Na Copa do Mundo, há a maior comprovação sociológica do que o brasileiro é capaz, independente da camada social: organiza-se nas ruas e espaços comunitários para numa ação conjunta mostrar toda a sua cidadania. Como modalidade desportiva mais popular do mundo, o futebol cria espaços públicos permissíveis a experiências comunitárias sensacionais.

Em menos de um ano, teremos a Copa do Mundo na África do Sul. O jornalista esportivo Nivaldo de Cillo passou pouco mais de um mês na sede da Copa de 2010, cobrindo a Copa das Confederações, evento que antecede a Copa do Mundo.

Segundo o jornalista, é preciso entender que para a África do Sul o futebol , nos próximos meses, será mais que um megaevento de bilhões de dólares que vão ser gerados em função dele, ou ainda o legado que o país irá herdar quando os holofotes se apagarem. É, por consequência, mais que um evento esportivo.

Nivaldo afirma que estamos diante de um acontecimento histórico, filosófico e racial. O futebol é um esporte fundamentalmente dos negros da África do Sul. Os brancos, que são apenas 10% da população adotaram o rugby como o esporte principal do país. É nesse esporte onde estão as maiores verbas publicitárias, os maiores investimentos, a elite do país.

Os negros, maioria absoluta no país sul africano, também são a maioria esmagadora de pobres. Estamos diante do apartheid, mesmo depois da "libertação" alcançada pelo brilhante Nelson Mandela, praticamente sem forças para continuar a defesa de seu povo.

Através da convivência com os sul africanos, Nivaldo afirma que a Copa do Mundo é o orgulho de uma camada expressiva de uma população oprimida por anos e anos de segregação racial, de preconceito, de desigualdade social. Com a Copa do Mundo, brancos e negros estarão lado a lado, vibrando e torcendo, num dos eventos mais importantes do planeta.

"Pode chamar de esperança o ano do mundial de futebol. Não imagino que os problemas irão desaparecer a cada gol marcado, a cada vitória dessa ou daquela seleção. Mas pelo menos por um tempo, as diferenças gritantes que qualquer visitante percebe ao chegar no aeroporto de Joanesburgo, serão abrandadas por um só corrente: o futebol é um esporte onde todos podem ser iguais, no campo, na arquibancada, na vida. Depois, sei lá. Depois acho que tudo vai seguir como antes, infelizmente".

1.1 A voz dos estudantes

De maio a agosto, pesquisamos com 150 estudantes de Jornalismo sobre a inclusão da disciplina Jornalismo Esportivo na grade curricular de suas Universidades. Foram ouvidos 50 alunos da Universidade de Taubaté (UNITAU), 50 alunos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e 50 alunos da Unifiamfaam.

Dos 150 alunos de Jornalismo que foram entrevistados, 115 dos estudantes, ou seja, 76% dos futuros jornalistas, querem especializar-se, ou se interessam em jornalismo esportivo.

Mesmo com esse alto número, o Diretor do Departamento de Esportes da TV Bandeirantes de São Paulo, Carlos Gomes, não acha necessário que haja uma disciplina específica para jornalismo esportivo.

"Não vejo necessidade. Jornalismo esportivo deve ser um curso de pós graduação, uma especialização". Porém, Carlos Gomes acha importante que os estudantes de jornalismo tenham conhecimento sobre os negócios que envolvem o esporte, marketing esportivo e administração esportiva.

Apesar de não concordar com uma disciplina específica de jornalismo esportivo, Carlos Gomes concorda que os alunos de jornalismo devem obter conhecimento sobre marketing, negócios e administração esportivo e, é nessa lacuna, que pretendemos atuar, levando aos alunos de jornalismo, a importância de se conhecer o mundo esportivo, especificamente o futebol.

Todavia, Heródoto Barbeiro e Patrícia Rangel afirmam que a não existência de uma disciplina ou um curso de jornalismo esportivo é um erro grave. “Muitas faculdades não têm (ainda) um curso de jornalismo esportivo para adequar os princípios gerais do jornalismo ao esporte. Uma falta grave."

A disciplina de Jornalismo Esportivo preencheria esse espaço dentro do curso de jornalismo, já que levaria ao aluno a oportunidade de explorar esse mercado tão grande. O esporte possui uma diferença fundamental com relação as outras editorias: a paixão. Falar de esporte, em qualquer que seja a mídia, é falar da paixã
o e da emoção que envolve qualquer modalidade esportiva.

Segundo Wesley Cardia, quando trabalhamos com marketing e negócios do esporte, há um elemento que nunca deve ser esquecido, justamente a paixão, como citamos acima. Segundo o autor, nenhuma outra área do jornalismo usa tanto a emoção para "conversar" com seu público.

Em 2014, o Brasil será cede do maior evento de futebol do mundo. Com a Copa do Mundo da Fifa, inumas opções de trabalho se abrirão. Para quem gosta e pretende seguir a carreira de jornalista esportivo, o evento abrirá portas no mercado. Aos que não pretendem seguir essa carreira, o número de empregos e oportunidade de negócios que se abrirão antes e depois desse evento poderá ser uma grande fonte de renda.

O jornalista Nivaldo de Cillo, cita que o o tempo (para criação da disciplina de jornalismo esportivo) para isso é agora. Segundo ele, "nosso jornalismo esportivo está vivendo uma certa crise de identidade. No caso da televisão, a luta pelo Ibope, algumas vezes deixa a "verdade" de lado em busca do sensacionalismo. Não é regra, graças a Deus, mas exceção já preocupa. Além do que, os interesses comerciais/financeiros, falam sempre mais alto. O jornalismo impresso e radiofônico caminham, mesmo sem tanta exposição, pela mesma perigosa estrada. Mas há o que se comemorar. Os espaços estão surgindo, com as novas mídias".

Capítulo II
Conteúdo para a disciplina de Jornalismo Esportivo

Quando pensamos no conteúdo dessa nova disciplina, não podemos esquecer que, apesar do alto número de alunos que se interessam pelo jornalismo esportivo, o curso é de graduação e há, mesmo que seja um número mínimo, alunos que não gostam ou não pretendem trabalhar com jornalismo esportivo. Porém, trabalharemos com esses alunos a importância de se estudar o jornalismo esportivo e suas diversas atuações no mercado, como marketing, administração e negócios do esporte.

Por esse motivo, abordaremos questões teóricas de produção, direção, sociologia e marketing, mas sempre voltados para o esporte e para o jornalismo esportivo. Aos alunos que não pretendem trabalhar com a editoria de esportes, colocaremos a importância de saber utilizar as ferramentas do jornalismo esportivo, já que é uma área crescente no Brasil e, como vimos no capítulo anterior, de um público consideravelmente grande.

Aqui, sugeriremos um conteúdo de 2 semestres para a disciplina Jornalismo Esportivo.

• 1º Semestre

– Apresentação da disciplina e cronograma de seminários e programas
– História do Jornalismo Esportivo no Rádio e na TV
– Sociologia do Esporte
– Conceitos de Categoria, gênero e formato
– Pautas/Espelho/Roteiro e Texto e Edição para Rádio e TV
– Remake (reprodução) de um programa esportivo em Rádio e TV

Nesse primeiro semestre, o aluno teria uma boa carga teórica sobre a relação da sociologia com o esporte. Essa visão serve para mostrar ao aluno a importância que o esporte têm na vida do brasileiro. Atrelado a esses conceitos, propomos uma pequena carga teórica de conceitos de categoria, gênero e formato na TV e no rádio, o que serve de base para a discussão de pautas, roteiros e textos para os mais variados veículos de comunicação.

Ao final do semestre, os alunos escolheriam um programa de TV e um programa de rádio que não esteja mais na grade de programação de nenhuma emissora, e reproduziriam esse programa, utilizando as técnicas específicas do jornalismo esportivo expostas em aula.

• 2º Semestre

– Cronograma de seminários e programas
– Produção e Direção de programas esportivos em Rádio e TV
– Marketing e Negócios do Esporte
– O esporte e as novas mídias
– Esporte e Política
– Elaboração de projeto
– Elaboração de programa em Rádio e TV ou impresso, Web, etc.

No início do 2º semestre da disciplina, teremos a exposição dos programas de rádio e TV que foram produzidos e analisaremos os aspectos de produção e direção. Isso será feito como gancho para a parte teórica de direção e produção de programas esportivos.

Propomos conceitos de marketing e negócios do esporte e como o futuro profissional poderá usufruir as novas tecnologias e as oportunidades que elas dão ao jornalista esportivo. Por fim, após todo conteúdo exposto, os alunos apresentarão ao final da disciplina, um novo programa de TV, rádio, ou jornal impresso, site, etc.

Considerações finais

O Jornalismo esportivo deve ser encarado como ciência, e não apenas como uma extensão do jornalismo. Por trás de cada programa de TV, de cada texto no jornal ou na revista, de cada site, ou de qualquer outra nova mídia que tenha conteúdo esportivo, há uma série de conceitos que envolvem não apenas a simples narração ou comentário dos fatos, mas sim uma gama de teorias que envolvem não só o "como", o "porque" ou "pra quem" falamos, mas envolvem toda uma cultura de como o brasileiro encara o esporte.

E é essa cultura e essa magia que o esporte trás ao brasileiro, que deve ser levada mais a sério nas faculdades de jornalismo. Abrir espaço para que os futuros profissionais possam entender como o esporte mexe e muda com a vida das pessoas; como o esporte faz parte da vida de cada um que enxerga no seu time de coração, uma extensão de sua família.

Como abordamos, o jornalismo esportivo tem espaço dentro do curso de graduação. Estudar o esporte e a ciência que é o jornalismo esportivo, é de grande necessidade, não só para quem é apaixonado por futebol ou outro esporte, mas também para todo profissional de jornalismo, que precisa saber da importância e da influência que o esporte tem na cultura e na política brasileira.

O esporte tem uma participação relativamente grande dentro do PIB nacional e 90% da população brasileira acompanham algum tipo de esporte. Com esses números temos obrigação de tratar o esporte, consequentemente o jornalismo esportivo, como uma ciência, suas variáveis, importância e influência do esporte na sociedade brasileira.

Diversos dirigentes esportivos são filiados á partidos políticos, se elegendo vereadores ou participando de campanhas políticas. Sem contar ex-jogadores que, usando a força do esporte, atrelam-se à política.

A força do esporte, principalmente do futebol, deve-se a exploração do marketing esportivo e da paixão/emoção que o esporte gera nas pessoas. Através dessa paixão, o esporte pode decidir o futuro político do país.

Bibliografia

ANDRADE, Mário de. Crônicas, 1939.

BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual do Jornalismo Esportivo. Ed.
Contexto, 2006.

BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa, São Paulo: FTD, 1998.

CARDIA, Wesley; Marketing e Patrocínio Esportivo. Ed. Bookman, 2004.

DA MATTA, Roberto, Antropologia do Óbvio, in Dossiê Futebol, Revista USP, 1994.

HELAL, R. Passes e impasses: Futebol e cultura de massa no Brasil, ed. Petrópolis, Vozes 1997.

MACINTOSH, P.C. O desporto na sociedade. Lisboa, Prelo, 1975.

MURAD, Maurício. Dos pés a cabeça. Ed. Irradiação Cultural, 1996.

PRIONI Marcelo, Ricardo LUCENA. Esporte: história e sociedade. Como o esporte explica a vida. Ed. Vozes, 1996.

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(Des)construindo um ídolo

Ainda é extremamente cedo para rotular o que está acontecendo atualmente no Brasil. Sem um distanciamento histórico, qualquer análise pode ser tão precipitada quanto o famoso "Taison ou Messi".

No entanto, a enxurrada de manifestações populares gerou reações que podem ser deslindadas. Algumas delas, aliás, são exemplos perfeitos de como a comunicação ajuda a construir (ou destruir) ídolos.

É essa a ideia suscitada por um vídeo gravado por Pelé. Em 1min15, o "Rei" pediu que os brasileiros sejam condescendentes com a seleção que representa o país na Copa das Confederações. Além disso, sugeriu que o povo esqueça os protestos e se concentre na competição.

Pelé chega a dizer que o vídeo é um apelo de Edson Arantes do Nascimento, o torcedor. Mesmo assim, é impossível dissociar uma figura da outra. Declarações como essa, de pura alienação, demonstram falta de compromisso com o povo que moldou o ídolo. Não há como evitar que a imagem do atleta seja debelada.

O mesmo acontece com Ronaldo. Em meio aos protestos em várias cidades brasileiras, circulou em redes sociais um vídeo de 2011 em que o "Fenômeno" cobrou autoridades do país sobre a preparação para receber o Mundial de 2014. Preocupado com os atrasos em obras de estádios, ele disse que "Copa do Mundo não se faz com hospitais" e pediu maior preocupação com os palcos dos jogos.

A distância entre um atleta brilhante em um ídolo tem uma série de degraus: carisma e identificação popular, por exemplo. Quando fazem declarações assim, Pelé e Ronaldo jogam contra a imagem que construíram em campo.

A diferença é que Ronaldo demonstrou preocupação com isso. Quando percebeu a repercussão em torno da declaração, o pentacampeão mundial pediu desculpas, disse que o conteúdo foi "tirado de contexto", culpou "a edição" e usou outros subterfúgios para tentar amenizar um posicionamento extremamente infeliz.

Por tudo que fez como atleta, Pelé expressa excelência. Ronaldo simboliza superação, fé, esforço e outros atributos positivos. Tudo isso tem valor enorme para a publicidade, mas depende de aceitação popular. A preocupação do "Fenômeno" tem muito a ver com o lado comercial.

Ronaldo não demonstrou igual consideração para explicar as funções que ele acumula. O "Fenômeno" é um dos fundadores da 9ine, agência de marketing esportivo que agencia carreiras de atletas. Há clientes da empresa disputando a Copa das Confederações, torneio em que o ex-jogador trabalha no membro do comitê organizador e comentarista da TV Globo.

Na prática, Ronaldo é responsável por organizar a competição e por gerenciar carreiras de atletas que estão em campo. E depois precisa ter isenção para avaliar na principal emissora do país o andamento do torneio e o desempenho de seus clientes.

Ele pode até argumentar que tem reputação ilibada e autonomia para desempenhar todas as funções sem cair em contradição moral. Contudo, vale para Ronaldo a história da “mulher de Cesar”: não basta ser honesto…

Ao se aliar ao poder, Ronaldo empresta credibilidade a muita coisa que ele não pode controlar. E isso é um risco enorme para quem, depois de ter deixado os campos, tem na imagem a principal fonte de negócios.

Outro problema contido nesse tipo de comportamento é que Ronaldo se distancia da figura de homem humilde, que triunfou a despeito de não ter origem nobre. Ao se aproximar do poder, o “Fenômeno” compromete muito do que o conduziu até lá.

Nesse caso, porém, Ronaldo é apenas um exemplo. Não são poucos os atletas que aproveitaram a fama consolidada no esporte e emprestaram esse renome a diferentes instâncias de poder.

Para quem trabalha com comunicação, esse tipo de transição representa um desafio enorme. É fundamental criar um discurso condizente com a nova etapa da vida do atleta, mas que não abra mão de atributos que o moldaram.

As respostas de Ronaldo à disseminação da declaração dele são parte disso. Mais do que apresentar alguma justificativa plausível, o importante era não permitir que o rótulo de opositor ao movimento pespegasse no "Fenômeno". Para isso, ele precisou se posicionar.

As evasivas do ex-jogador também são parte de uma estratégia para evitar rusgas com qualquer lado. Quanto menos ele se posicionar de forma peremptória, menor o risco de aumentar seu nível de rejeição.

Por tudo isso, chamou atenção de forma muito positiva o posicionamento dos jogadores da seleção brasileira de futebol. Incitados a questionar os protestos e as manifestações populares, todos corroboraram o clamor público por uma série de mudanças no país.

Um dos mais veementes foi o atacante Neymar. Ele usou a rede social Instragram para publicar uma foto e um texto sobre a ida do povo às ruas. "Poderia parecer demagogia minha – mas não é – levantar a bandeira das manifestações que estão ocorrendo em todo o Brasil", diz um trecho da declaração do camisa 10.

Neymar foi sucinto, direto e enfático. Ainda que estivesse concentrado na Copa das Confederações, não ignorou um momento importantíssimo para a história do país.

Em campo, Neymar ainda fez pouco para ser comparado a ídolos como Pelé e Ronaldo. Nas recentes manifestações, porém, ele mostrou que já pode dar aulas de comunicação para ambos…

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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A importância da aplicação prática da Biomecânica nas equipes de futebol

Nos últimos anos, o interesse pela análise da técnica do gesto motor no futebol tem aumentado, principalmente, pelos profissionais que trabalham com esporte, visando um melhor entendimento da habilidade motora, que possa gerar planos de treinamento mais eficazes, em diferentes setores; seja na aprendizagem básica ou no treinamento desportivo de alto nível.

O profissional de Educação Física tem no estudo do movimento o seu principal objetivo. Para isso, estes profissionais buscam estudar as habilidades dos esportes e os movimentos do cotidiano. A partir desta análise, pode-se definir um padrão cinemático de movimento, ou seja, encontrar um modelo para uma habilidade motora ou movimento.

Com isso, poderão ocorrer intervenções na prática, corrigindo o movimento visando à melhora na execução. Para que ocorra uma definição de um padrão cinemático de movimento, este necessita ser analisado meticulosamente, e a ciência que vem permitindo grandes avanços quanto a este tipo de análise é a Biomecânica.

O que é Biomecânica?

[1] define biomecânica como um ramo da engenharia biomédica, sendo um campo interdisciplinar no qual os princípios e métodos da engenharia, das ciências básicas e da tecnologia são aplicados para projetar, testar e fabricar equipamentos para uso em medicina, a fim de entender, definir e resolver problemas em fisiologia e biologia.

É tarefa da Biomecânica das atividades esportivas a caracterização e melhoria das técnicas de movimento através de conhecimentos científicos. Atualmente, esta ciência tem muita importância e trás muitas contribuições para o esporte, dentre estas contribuições podemos citar a análise e melhoria da técnica desportiva, prevenção de lesões, desenvolvimento de equipamentos esportivos, etc.

[2] classifica a Biomecânica em: interna e externa, sendo a primeira responsável em determinar as forças transmitidas pelas estruturas internas do corpo humano e a segunda em determinar modelos de gestos desportivos ou de movimentos padrões cotidianos, a fim de diagnosticar e corrigir os erros encontrados.

No futebol, os métodos mais utilizados num laboratório de biomecânica são: cinemetria (filmagem do movimento do atleta em 2D ou 3D, medindo posição, velocidade e aceleração no espaço), antropometria ( elaboração de modelos matemáticos ou das medidas por exemplo do centro de massa do atleta, do centro de gravidade), dinamometria (medidas de forças externas, com destaque para a análise da força de reação do solo, utilizando plataformas de força ou análise do centro de equilíbrio postural, utilizando plataforma de equilíbrio), eletromiografia (objetivo de verificar a atividade muscular de superfície ou detectar o nível de fadiga muscular que ocorre com o atleta no período de treinamento e recuperatório pós-jogos);

[3] acrescenta que também como suporte para estes, ocorre a aplicação dos conhecimentos da microeletrônica e informática.

O ensino e a pesquisa em Biomecânica ainda requerem padronizações metodológicas e incremento para formação de teorias com explicação experimental do movimento humano; as pesquisas nesta área podem proporcionar a melhoria do conhecimento sobre uma estrutura muito complexa, que é o corpo humano, pois leva em consideração cada área que compõe sua formação, sendo considerada uma ciência multidisciplinar.

Contribuições da Biomecânica para o esporte

Nos últimos anos, o progresso das técnicas de medição, armazenamento e processamento de dados contribuiu enormemente para a análise do movimento humano. É claro que nenhuma disciplina científica se desenvolve por si mesma. De acordo com [4], a Biomecânica do esporte é o estudo das técnicas desportivas procurando a maximização de sua eficiência e, redução dos riscos de lesão.

Atualmente, existem centenas de estudiosos interessados em Biomecânica. Os resultados das suas pesquisas contribuem grandemente para aumentar a compreensão sobre os limites do corpo humano. As suas aplicações ao nível da Medicina, Ergonomia, Desporto e equipamentos, são inúmeras.

A importância do estudo da Biomecânica no futebol

Apesar de ser uma área que vem sendo estudada há algum tempo, principalmente nos EUA, o estudo da Biomecânica aplicada aos esportes, e em particular no futebol, no Brasil é recente. Atualmente, alguns clubes brasileiros e na Europa utilizam os recursos da análise biomecânica, com destaque para o Sport Club Corinthians/SP e, no exterior, para o Porto, Real Madrid e Milan. Os resultados são evidentes e as análises dos atletas são realizadas por profissionais de diversas áreas integradas.

A implantação de laboratórios de biomecânica nos clubes de futebol ainda "esbarra" em vários obstáculos, que vão desde o alto custo para implantação do sistema integrado, tais como: estrutura física, equipamentos e materiais utilizados, mão de obra especializada, entre outros; e alguma desconfiança dos investidores e dirigentes que esperam sempre um retorno visível e que seja imediato.

Sabe-se que a biomecânica atua na melhoria gradativa, seja do atleta ou de um grupo de atletas, mas os resultados somente são percebidos através do feedback com outros setores, tais como: departamento médico, preparação física e comissão de planejamento técnico; as informações advindas destas áreas são primordiais para o sucesso do programa desenvolvido pela biomecânica à equipe.

 

Cada vez mais aplicada ao esporte, essa modalidade da educação física / fisioterapia é vista como ideal

Aplicação prática da Biomecânica no futebol

para análise e diagnóstico e tratamento de lesões, e melhoria da performance motora. Os laboratórios de Biomecânica existem nas universidades, mas não são aplicados diretamente num esporte de alto rendimento, como o futebol.

O que acontece ainda são parcerias entre Instituições de ensino e clubes, a fim de desenvolver pesquisas utilizando os atletas como amostras de pesquisas, mas normalmente é um trabalho com grupos limitados e que não se estende para a equipe toda; apenas alguns jogadores são privilegiados com a participação nestas pesquisas.

A Biomecânica aplicada com sucesso no futebol: o caso Sport Club Corinthians Paulista

Implantado em 2010, o lab R9 é sucesso e também precursor de uma metodologia que será constante nos clubes considerados grandes do futebol brasileiro, assim como a fisiologia hoje é extremamente importante para os clubes, a implantação de laboratórios de biomecânica também será; devido às demandas evolutivas da modalidade e a necessidade de implantação de
recursos tecnológicos diferenciais.

Com essa estrutura, o corpo médico do Corinthians consegue ter o mapeamento completo de todos os atletas da base, visando diminuir as chances desses jogadores se machucarem e otimizando os fundamentos, detectando falhas no gesto mecânico.

No laboratório, os profissionais do Corinthians medem a força de contato, os ângulos e as velocidades das articulações durante os movimentos de salto, corrida, chute, entre outros movimentos de acordo com a necessidade clínica do atleta. Nas três plataformas instaladas no corredor central da sala, mede-se as forças de reação dos apoios durante a aceleração e a desaceleração, e desta forma pode-se analisar como esse esforço afeta as articulações e os músculos do atleta.

Além disso, é possível também diagnosticar a forma da pisada do jogador, que descalço observa se a forma como pisa o chão é correta ou não. De acordo com o fisioterapeuta responsável pelo laboratório, Luciano Rosa, o objetivo é "analisar os movimentos, e se encontradas alterações com influências clínicas, o atleta será treinado no laboratório com "biofeedback" (treinamento simultâneo com software de movimento) e com exercícios sensório-motores no departamento de fisioterapia, e após esse treino, o jogador irá voltar ao LAB para analisar os resultados".

Com a associação entre os dados do laboratório e a análise clínica dos profissionais do clube, a reabilitação do atleta poderá ser otimizada, ou seja, será mais um parâmetro quantitativo para auxiliar o departamento médico.

A integração deste processo é fundamental e os envolvidos devem ter a percepção de que este trabalho deve ser duradouro e que os resultados certamente serão percebidos no decorrer das competições em que o número de lesões tende a diminuir, a efetividade dos atletas aumentar e a otimização de resultados acontecer mediante a estrutura oferecida aos jogadores e comissão técnica.

Referências

NORDIN, M.; FRANKEL, V.H. Biomecânica Básica do Sistema musculoesquelético. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

AMADIO, A.C; SERRÃO, J.C. Contextualização da biomecânica para a investigação do movimento: fundamentos, métodos e aplicações para análise da técnica esportiva. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.21, p.61-85, dez. 2007.

WINTER, D.A. Biomechanics and Motor Control of Human Movement, 202f. Waterloo Press, Waterloo, 1990.

CARR, G. Biomecânica dos esportes – um guia prático. 1 ed. São Paulo: Manole, 1998. 214p.

*(Aluno de Doutorado do curso de Engenharia Mecânica/Biociências da UNESP – Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" – Campus de Guaratinguetá)

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O que queremos?

Uma das páginas muito bem-humoradas e inteligentes do Facebook se chama "O que queremos?". Nela, em tirinhas em quadrinhos, com bastante ironia, são levadas ao público, num tom de convocação e intimação para um movimento em torno de determinadas causas, certas mensagens paradoxais, contraditórias, que desafiam a lógica racional.

Num exemplo: "Quem somos? Mulheres! O que queremos? Não sabemos!!! E quando queremos? Agora!!!"

Outro bem sacado: "O que queremos? Que nossas namoradas parem de mandar em nós! Quando queremos?" E a voz pergunta pra namorada: "Quando queremos, amor?" Ela responde: "Depois da novela da tarde." E a voz finaliza: "Depois da novela da tarde!".

As manifestações generalizadas, em todo Brasil, que ocorrem tendo a Copa das Confederações e a Copa do Mundo como cenário e motivação, são legítimas e necessárias.

De fato, a sociedade brasileira precisava dar um claro sinal a todos aqueles que não se acham parte dela e fazem da corrupção prática frequente em sua vida pública, enquanto políticos e mandatários do poder popular, e em sua vida privada, enquanto cidadãos despreocupados em olhar para os lados e que reproduzem a falsa sensação de que vivemos na Noruega ou na Suíça.

Quem vive na Suíça é a Fifa, tão somente. Lá, tudo funciona bem, e, em boa parte, com o dinheiro oriundo do mundo todo custeando seu alto grau de desenvolvimento social, tal qual um paraíso na Terra.

Aqui, do outro lado do Atlântico, não estamos sequer perto do padrão Fifa em termos de desenvolvimento e gestão esportiva, capaz de alçar nosso esporte a um patamar de sustentabilidade plena e dividir esta sustentabilidade com a sociedade toda, devolvendo a ela parte do que o esporte absorve em sua construção, como legado social.

Eis a razão de grita e revolta perante os megaventos esportivos no Brasil, agravados pelo estouro sucessivo nos orçamentos das obras das instalações esportivas, em contraponto ao que se destina aos serviços essenciais a que todos deveríamos ter acesso, como saúde, educação, segurança, transporte público.

O legado social da Copa do Mundo, para o Brasil, é esse: o despertar de todos nós para ocupar posição crítica numa sociedade ainda muito desigual, que pode ter no esporte papel fundamental para transformá-la positivamente.

Contudo, não podemos ficar reféns de uma esquizofrenia social que não sabe pra onde vai e, simplesmente, nega o presente sem, sequer, sugerir e lutar pelo futuro.

Ou…: O que queremos? Que…que… que não seja realizada a Copa da Fifa e a Olimpíada no Brasil!

Por que queremos? Porque isso vai acabar com nossos problemas de corrupção, desvio de dinheiro, falta de escolas, quadras esportivas, hospitais, creches, aeroportos, transporte público, melhores estradas, segurança pública e falta de engajamento político da população na hora de votar e ser votado!

Cuidado com o que desejarmos, pois isso pode se transformar em realidade, e seremos responsáveis pelo resultado.

 

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br