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A leveza do futebol no banco dos réus

Na última rodada do Campeonato Brasileiro, Luis Fabiano e Carlos Alberto, protagonizaram uma cena que remonta aos tempos românticos do futebol, quando por brincadeira, trocaram tapas e “safanões” .

O fato ficaria marcado como um ato de amizade e leveza em um esporte tão competitivo como o futebol, não fosse a Procuradoria de Justiça Desportiva denunciá-los por conduta contrária à ética desportiva, prevista no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Importante, neste momento, definir ética que corresponde à parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Pois bem, as normas aplicáveis ao caso tratam de punições disciplinares, ou seja, a condutas que assegurem o bem estar dos envolvidos e o bom funcionamento da partida.

A conduta dos atletas, portanto, não viola o respeito à essência das normas, eis que não se ocorreu violência ou prejuízo ao andamento da partida, mas de meros afagos (pouco convencionais, mas afagos) entre os atletas.

O futebol e a vida precisam de mais leveza e de menos “politicamente correto”. Brincadeiras e atos de descontração como comemorações inusitadas e atitudes excêntricas, desde que não perturbem o bem estar e o andamento da partida devem ser toleradas e até incentivadas.

O futebol está na alma do povo brasileiro e sua importância extrapola as quatro linhas, eis que é o espelho da “molecagem” e da irreverência que tanto qualificam o atleta brasileiro.

O Brasil conquistou a alcunha de “país do futebol” graças ao seu jeito “moleque”, leve e bonito de jogar e não por possui 11 “robôs” disciplinados. A irreverência do futebol brasileiro encantou o mundo nas Copas de 1958, 1962, 1970 e 1982.

O 7 a 1 que tanto retunda nos nossos corações também é fruto da onda do “politicamente” correto que, como um tsunami, varre do futebol brasileiro sua alma, sua essência.

O que seria do futebol brasileiro sem os dribles moleques de Garrincha, sem a falta de compromisso tático de Zagalo, sem a Malandragem de Romário ou sem a ousadia de Pelé?

Enquanto o futebol brasileiro insistir na “chatice” do “politicamente correto” e do rigor disciplinar, inclusive com relação a atos lúdicos e românticos como os perpetrados por Luis Fabiano e Carlos Alberto, continuaremos amargando derrotas históricas. 

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O que há de novo no futebol?

Recentemente assisti uma reportagem recente sobre os alguns treinadores que estão fazendo reconhecidamente um bom trabalho no futebol este ano, o foco principal da reportagem abordava a questão da preparação do profissional para o exercício da profissão de treinador de futebol profissional.

Sabemos que seja para aqueles que tiveram uma carreira no futebol profissional, quanto para os que não tiveram uma carreira profissional e talvez tenham tido a oportunidade de praticar o esporte de maneira amadora, alguns pilares podem ser fundamentais no desenvolvimento de uma carreira de treinador.

Destaco os pilares que acredito terem contribuição efetiva para uma boa carreira de treinador.

• Estudo e formação – o estudo adequado e a formação de qualidade sobre o desporto e sobre a modalidade para qual se deseja trabalhar formam bases fundamentais para o profissional que atuará como treinador profissional de futebol.

• Realização de intercâmbios – os estágios, intercâmbios e ciclos de aprendizagem orientada são igualmente importantes para os futuros profissionais, uma vez que nesses momentos o treinador em desenvolvimento pode observar na prática a aplicação de muitos conceitos aprendidos durante seu desenvolvimento acadêmico sobre o tema. Vivenciar experiências distintas e poder compreender estilos de jogos e dinâmicas diferentes poderão ampliar a visão deste futuro profissional.

• Busca pelo desenvolvimento contínuo – a busca constante por aprimoramento dos seus conhecimentos pode contribuir para que este profissional possa desenvolver novas formas de pensamento, amplitude de conhecimento técnico e tático, além de aumento da capacidade de argumentação profissional no seu ramo de atuação.

• Conhecimento do ser humano – buscar conhecimentos sobre o funcionamento do ser humano e também do funcionamento da mente humana irá contribuir para o treinador compreender o universo complexo que somos cada um de nós, com isso ele poderá entender essencialmente as diferenças dos seres humanos, seus atletas, podendo ter consciência elevada de que cada um pode ser abordado de uma forma diferente, aumentando as chances de sucesso em sua capacidade de comunicação.

• Desenvolvimento da empatia e liderança – a empatia e a liderança desenvolvidas poderão contribuir e muito para que o treinador possa entrar no universo dos seus atletas, se colocando quando necessário no lugar deles para que possa interpretar cada vez melhor as situações cotidianas de seu elenco. Uma capacidade de liderança bem desenvolvida possibilitará ao futuro treinador promover coesão de suas equipes, atuando junto aos atletas e oferecendo suporte apoio adequado ao desenvolvimento de todos eles. Contribuirá igualmente para ampliar sua capacidade de resolução de conflitos e sua habilidade em conduzir o grupo aos melhores resultados coletivos e individuais.

Bem, essa é apenas uma reflexão a respeito de quais pilares poderiam fornecer melhor base para formação dos futuros treinadores de futebol profissional e podemos constatar que vão além do conteúdo mínimo e necessário de uma boa formação acadêmica.

Até a próxima! 

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A influência do jogo e do modelo de jogo na performance dos atletas

De modo que a cada ano aumenta-se a necessidade de treinar um ‘’x’’ número de variáveis, monitorar a evolução do processo de treino, controlar as cargas e amenizar o efeito da fadiga, ao mesmo tempo em que proporcionalmente diminui-se o tempo para tais atividades, buscou-se na Pedagogia do Jogo, na Teoria da Complexidade, na Teoria do Caos, na Periodização Tática e na Periodização de Contexto/Jogo, possibilidades de otimização do contexto e justificativas para a chamada Visão Sistêmica.

No decorrer dessa temporada, numa frustrada tentativa de justificar resultados negativos da equipe profissional do S.C. Corinthians Paulista, alguns órgãos da imprensa apontaram possíveis falhas no processo de treino durante o Período Preparatório Geral, a pré-temporada. Realizada quase inteiramente nos EUA, questionou-se os direcionamentos das atividades, que teriam sido de cunho quase inteiramente tático-técnico, tendo assim sido ‘’isolado’’ ou ‘’negligenciado’’ o segmento físico, e que supostamente em algum momento no decorrer da temporada isso teria ficado evidente com as eliminações em competições importantes.

Exemplo típico de como pensar nas ‘’partes’’ isolando o ‘’todo’’, ou no ‘’todo’’ isolando as ‘’partes.

Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.

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Bola nos pés e livro nas mãos, objetivo de formar para transformar

Filosofia de trabalho criada há 50 anos pelo professor, treinador, advogado, psicólogo, escritor e poeta, José Rossi, um visionário, idealista seguro em suas convicções, que nos deixou um grande legado educacional e esportivo com bases na cidade de São Bernardo do Campo, e teve influência impactante na minha vida e na formação de centenas de jovens.

Nosso objetivo aqui é trazer uma reflexão sobre a formação de nossos jovens, seja como cidadão ou esportiva. Mais uma dentre tantas que não esgotam nem delimitam discussões sobre as mais variadas interferências que atuam nestas formações.

Desta vez, não nos aprofundaremos nas questões físicas, técnicas, táticas, porém abordaremos muitas outras tão importantes quanto, que bem ajustadas, conscientes e desenvolvidas interferem positivamente em todo o processo. O elemento norteador principal, abordado em questão, é o ser humano seguido pelo jogador de futebol. Se ambos forem desenvolvidos juntos, pode-se alcançar uma boa aprendizagem esportivo-educacional, entretanto, os que alcançam tal aprendizagem, podem tornar-se capazes de influenciar de forma positiva o meio onde estiverem inseridos.
Porém, a realidade construída por um processo ineficiente, vicioso e imediatista geralmente não nos permite tal aprendizagem em sua totalidade. Primeiro o ser humano, depois o jogador de futebol. Não raramente se invertem as prioridades, ou seja, ser jogador de futebol de qualquer forma com todas as forças a todo custo, e se não der certo, depois em segundo plano vejamos como fica o ser humano e sua formação educacional como cidadão. Acreditamos que, uma boa educação seguida de conhecimento, é a base do ser humano que impreterivelmente é conquistada com leitura, pois é através dela que podemos aumentar o conhecimento, enriquecer nosso vocabulário, dinamizar o raciocínio, a interpretação e ter censo crítico. Através desta educação podemos desenvolver qualidades e competências que nos auxiliam bem em nossa vida social, em diversas áreas e ambientes como: família, trabalho, planejamento pós carreira e, principalmente, ao jogador de futebol no entendimento e assimilação de um futebol que se mostra cada vez mais complexo e exigente na compreensão do jogo.

Cremos na transformação pelo conhecimento, “bola nos pés e livro nas mãos”, não é somente uma frase e sim uma filosofia de trabalho necessária, que poderá potencializar uma transformação no pensar futebol através de uma visão sistêmica e, sobretudo, uma transformação social. Mudanças necessárias para a evolução e desenvolvimento de nosso futebol também passam pela educação e cultura de todos os envolvidos nesse universo. Porém, nossa realidade nos mostra o quanto devemos melhorar, sobretudo, na área cultural.
Estudos mostram que o brasileiro lê apenas um livro ao ano. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revela que a média de leitura da população brasileira é de apenas 1,3 livros por ano, segundo a bibliotecária Wilma Nóbrega percentual abaixo da Colômbia, com 2,4. Esse número é considerado baixo, em comparação com outros países, a exemplo dos Estados Unidos, cuja média anual é de 5,1 e a França, tem uma das maiores médias, com sete livros lidos por ano por pessoa.

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Além dos componentes voltados à formação física e técnica, os clubes deveriam ter uma preocupação com estrutura e condições para a formação educacional de seus atletas, realmente com o foco no ser humano, no cidadão. Dificilmente uma criança ou jovem não tem o sonho em ser jogador de futebol, porém muitos são os obstáculos e adversidades que interferem nesta realização e a maioria não consegue seu objetivo. Como administrar esta decepção ou frustração se não estiver devidamente preparado para tal?

A nossa preocupação na base tem sido a categoria sub-20. É esta que precisa ter um olhar especial já que é uma faixa etária de transições e definições, pois a categoria sub-20 pode ser o fim de um sonho com mudança de rota, ou para quem passar pelo funil, o começo de uma carreira como jogador profissional que sem dúvida será muito difícil.
Nesta categoria o atleta encontra-se numa zona cinzenta com muito mais competitividade, um verdadeiro funil onde o mercado proporciona poucas vagas para uma demanda extremamente desproporcional. E, se até os 20 anos de idade o atleta não se tornou um profissional, com 21 anos ele já não pode mais atuar como amador.

Ao analisarmos as informações constantes no site da Federação Paulista de Futebol, referente à Taça São Paulo, podemos verificar o seguinte: dos três últimos anos da competição, poucas são as equipes que conseguem manter os mesmos atletas por 2 ou 3 anos, ou seja, há uma rotatividade muito grande nos elencos sinalizando descontinuidade. Em um universo de 2.600 atletas poderíamos ter mais revelações e jogadores prontos para o profissional. Onde estão os jogadores que não foram aproveitados? Estão tendo suas oportunidades? Em um momento de definição e transição da categoria juniores para a profissional, estão sendo avaliados de forma coerente para serem dispensados ou promovidos?

Enfim a história, os números, as poucas revelações apresentadas neste panorama nos fazem repensarmos se as categorias de base e suas competições, sobretudo a Taça São Paulo, estão sendo eficientes e estão atingindo os objetivos (que não devem ser só o esportivo), ou seja, em quem de fato estamos formando nossos jovens?

Existem clubes que em suas categorias de base incentivam a frequência escolar e outros colocam isso até como uma condição para que o atleta possa jogar e participar dos campeonatos, porém geralmente este olhar vai até a categoria sub-17 ou 18 onde se subentende que o atleta finalizou o ensino médio. Infelizmente, não encontramos registros sobre este assunto nos apontando quantos clubes realizam este trabalho, mas sabemos que são poucos, a maioria que não realiza possuem menos estrutura e recursos.

Nesta edição da Taça São Paulo de 2015, abordamos algumas equipes e atletas com o objetivo de saber como tem sido feito o trabalho do clube na questão educacional e qual a situação escolar dos atletas, com 18, 19 e 20 anos, que já poderiam ter finalizado o ensino médio e/ou cursando uma faculdade, porém a realidade esta um pouco distante disto. Sabemos que é difícil conciliar treinos, viagens e estudos e muitos quando se tornam profissionais abandonam os estudos. E como será para aqueles que após os 20 anos não se tornaram jogador profissional? Estão preparados para enfrentarem a vida, sobretudo profissional fora dos gramados?

Existem realidades e cultura diferentes de outros países, como os Estados Unidos onde em vários esportes o atleta primeiro entra em uma universidade para depois aderir á profissionalização.

Por outro lado, em todos os lugares onde se utilizam o futebol como ferramenta educacional, devemos ter através desta educação profissionais/educadores capacitados com experiências e conteúdos preparados para ensinar além do futebol, ensinamentos para a vida, abordando temas como: alimentação, saúde, meio ambiente, valores morais, entre outros.

Se não conseguirmos transformar nosso futebol, nem formar jogadores de futebol, ao menos teremos uma sociedade melhor construída por pessoas que através do futebol puderam ser transformadas adquirindo educação, cultura e conhecimento.

* Graduado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, Pós-Graduado em Futebol pela USP, Gestor Esportivo e ex-atleta de futebol.  

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Futebol Feminino: caminhando…

Quantos já não ouvimos que “Futebol é só para rapazes”, ou já ouvimos chamar tal menina de “Maria Rapaz”, por “jogar à bola” e muitas vezes no meio dos rapazes. São estes e outros obstáculos, que o Futebol Feminino tem vindo a ultrapassar ao longo dos tempos, tendo percorrido um caminho longo e muitas vezes sinuoso. Mas o Futebol Feminino, embora ainda amador e dependente de muita “carolice”, está vivo, hoje já ouvimos de uma forma regular falar “deste” Futebol, os campeonatos são noticiados, as jogadoras premiadas, as seleções obtêm resultados dignos de registo, fala-se de jogadoras no exterior e temos equipes a disputar a Champions League.

Ora vejamos:

– Quem acompanha o fenômeno desportivo e lê jornais especializados, por certo que não lhe passou despercebido, olhando para resultados, tabelas classificativas e pequenas reportagens nomes como: Valadares-Gaia, Atlético Ouriense, Futebol e Benfica, Fundação Laura Santos, entre outros;

– Quem não acompanhou, o centenário da Federação Portuguesa de Futebol – Quinas de ouro? Onde não foi esquecida a variante feminina, e onde Carla Couto foi eleita a jogadora do século;

– As seleções portuguesas, que mesmo contra algumas potências (já profissionais), vão conseguindo alguns brilharetes como o atingir das semifinais do Campeonato Europeu sub-19, realizado na Turquia em 2012 e o apuramento para o Campeonato Europeu de 2013, em sub-17 que se realizou na Inglaterra. Tais brilharetes ganham maior destaque, quando apenas são apuradas para a fase final desta competição oito equipas (contando com a equipa anfitriã que é apurada automaticamente) num lote de 60 seleções à partida;

– Jogadoras portuguesas no estrangeiro, já são muitas que escolhem o além fronteiras para dar continuidade à sua carreira, sob uma forma profissional e mais competitiva, por outro lado, a jogadora portuguesa já é alvo de cobiça de emblemas estrangeiros, poderemos dar como exemplos, Ana Borges, Adriana Rodrigues, Carolina Mendes, Patrícia Morais, Cláudia Neto, Dolores Silva, Laura Luís, Mônica Mendes, entre outras;

– Outro grande destaque do nosso Futebol Feminino, foi o apuramento inédito de uma equipe portuguesa, neste caso o Clube Atlético Ouriense, para a Champions League Feminina na presente época, após ter ganho o grupo 8 da competição, ficando à frente das equipes do Standard de Liège, ASA Tel-Avi e Cardif Met.

Estes são realmente fatos muito positivos, mais ainda muito tênues, o Futebol Feminino necessita de alicerces fortes, que façam que situações destas aconteçam mais vezes e possibilitem um maior crescimento da modalidade. Tal crescimento e desenvolvimento da modalidade passa por alguns vetores:

– Aumento do número de praticantes, atualmente em Portugal praticam Futebol (variante de 11) cerca de duas mil praticantes, num universo de cerca de 150 000. Daqui se entende, que o recrutamento para a modalidade é algo de fulcral, como fazê-lo? 1º passo, teremos que ir à “fonte”, a Escola, o Desporto Escolar, é aqui que nos dias de hoje, as meninas começam a dar os primeiros “pontapés”; 2º passo, articulação entre escolas e clubes, formando parcerias de formação, criando por exemplo “clubes escola”; 3º passo, tutela e detecção de talentos por parte de associações e federações;

– Tornar mais apelativa a participação em competições, dado que até ao escalão de sub-15, não existem escalões de formação femininos, as meninas que queiram competir, têm que jogar conjuntamente com os rapazes, criando por vezes alguns constrangimentos e afastamento da modalidade. No entanto, algumas associações, começam a organizar campeonatos regionais de futebol 7 (sub-19, sub-18 e sub-16), será importante abranger tal medida a todo o país, assim como a nível distrital, organizar concentrações periódicas de pequenas competições informais de escalões ainda mais jovens;

– Maior incentivo aos clubes para a criação de equipes de formação femininas e organização, entre eles de encontros pontuais;

– Criação de dinâmicas ao nível local, de forma a obter um maior investimento/apoio ao Futebol Feminino;

– Combater os constrangimentos ainda muito presentes, que desvalorizam o Futebol Feminino e dificultam o acesso das mulheres ao Desporto.

Podemos concluir que o Futebol Feminino em Portugal está em expansão, com pouco tem-se feito muito, imagine-se o que não se poderá atingir com uma maior concertação de ideias, estratégias e vontades.

“O caminho faz-se caminhando”…. Vamos acreditar que sim!!

 

*Professor de Educação Física, Treinador Sub-16/Diretor Técnico Formação – Sport Grupo Sacavenense, Selecionador Adjunto – Seleção Sub-16 Feminina e Sub-14 Masculina – AFLisboa 

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Pela porta da frente

Por seguir Barcelona, Messi e Neymar no Instagram, minha manhã de segunda começou inundada de fotos do atacante Pedro, recém-contratado pelo Chelsea e que, inclusive, marcou gol na estreia pelo novo clube no Campeonato Inglês. Foi a despedida do atacante espanhol do clube catalão, realizada na própria segunda-feira, um dia após a sua estreia no clube londrino.

O que foi feito pelo Barcelona em relação a Pedro é uma forma comum de os clubes europeus tratarem seus ídolos, ou ex-ídolos. É para ser vista, pensada e aprendida pelos clubes brasileiros. Por aqui, tem-se um hábito muito ruim de tratar mal aqueles que trocam de clube ou que deixam o clube por ter acabado um ciclo esportivo. Pensa-se em “trairagem” ao invés de encarar com a naturalidade cíclica que um nível competitivo tão alto exige.

Em determinados momentos, o casamento entre interesses individuais já não combinam mais com os coletivos por uma série de circunstâncias, o que leva a um processo natural de ruptura. Nem por isso essa ruptura precisa virar “novela mexicana”. Ela pode terminar com algo bom para todos, mostrando que tudo faz parte de um processo – e realmente faz!

Foi o que o Barcelona fez com Pedro. Não foi o que o Palmeiras, recentemente, fez com Valdivia, por mais que não se possa comparar o comportamento dentro e fora de campo de ambos jogadores. Apenas para ficamos em dois exemplos com atitudes diametralmente opostas dos respectivos clubes.

Um tratamento elegante desmoraliza qualquer atitude de enfrentamento, choque ou oposição ao término de um ciclo, em que se poderia contar tão somente as coisas boas da relação. Perde-se a oportunidade de falar bem e escolhe-se a opção pelo ruim, o fracasso ou o que não deu certo.

O processo como o de Pedro+Barcelona acaba sendo bom para todos: (1) para as marcas do clube e do atleta, que são vistas sob o holofote de notícias positivas e não no caderno de fofocas, que poderia denegrir a imagem de todos os participantes; (2) para o clube, que passa uma mensagem positiva para os jogadores que estão no elenco naquele momento, de que poderão receber um tratamento respeitoso em eventual desejo de saída. Isso tranquiliza qualquer ambiente de trabalho e impacta sim na performance da equipe; e (3) para o jogador, que mantém as portas abertas e a admiração dos torcedores, sem a necessidade de se criar tumulto em eventual duelo futuro.

Este é só um exemplo de muitos que tem ocorrido de maneira similar em clubes europeus. Como disse no início, eis um trabalho que precisamos aprender, absorver e aplicar efetivamente aqui em nosso mercado, de modo a contribuir com a construção de um mercado mais sólido. A construção de ídolos/mitos é uma peça importantíssima neste processo! 

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O ambiente de jogo no treinamento

No último dia 15 de agosto, fui convidado pelo amigo Fábio Cunha para dar uma palestra no Meeting de futebol que ele organizou. O assunto dessa palestra era sobre como criar um ambiente de jogo dentro do treinamento.
Resolvi abordar este tema em uma palestra, pois em muitas conversas e aulas que tenho dado este é um assunto que sempre gera perguntas, além de ser MUITO importante em minha opinião. No meu modo de ver o futebol, quando falamos de especificidade no treino, não me refiro apenas a realizar trabalhos com bola. Eu me refiro a trazer o máximo que um jogo de futebol tem para dentro de uma sessão de treinamento.
Em outro texto eu já falei que sou um grande fã da Universidade do Futebo e que através dela eu acredito ser um profissional muito melhor. E uma das coisas que me fez gostar muito da UdoF (como é conhecida) foram as colunas do Eduardo Barros, lá por meados de 2011. E nas suas colunas da UdoF, o Eduardo publicou 3 textos os quais eu utilizei como referência para a minha palestra sobre ambiente de Jogo.
Confira o texto na íntegra clicando aqui.

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O ambiente de jogo no treinamento

No último dia 15 de agosto, fui convidado pelo amigo Fábio Cunha para dar uma palestra no Meeting de futebol que ele organizou. O assunto dessa palestra era sobre como criar um ambiente de jogo dentro do treinamento.
Em outro texto eu já falei que sou um grande fã da Universidade do Futebol (https://universidadedofutebol.com.br/) e que através dela eu acredito ser um profissional muito melhor. E uma das coisas que me fez gostar muito da UdoF (como é conhecida) foram as colunas do Eduardo Barros, lá por meados de 2011. E nas suas colunas da UdoF, o Eduardo publicou 3 textos os quais eu utilizei como referência para a minha palestra sobre ambiente de Jogo.
Confira o texto na íntegra clicando aqui.

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O curioso caso do líder Corinthians

Atrasos em contas e salários. Dívida crescente e dificuldade para obter fluxo de caixa em curto prazo. Desmanche no meio da competição. Jogadores com muito tempo de casa e passado vencedor ficam perto do fim de seus contratos, mas não são procurados para negociar novos vínculos. Reforços rendem pouco, e a principal contratação da temporada acaba relegada ao banco de reservas. Ainda assim, a liderança de um torneio tão equilibrado quanto o Campeonato Brasileiro. O Corinthians de 2015 pode não ser um exemplo de gestão institucional ou de bom futebol, mas é definitivamente um case de gestão de pessoas.

Nos oito meses do ano, não foram poucos os assuntos que poderiam ter minado o desempenho alvinegro. Principalmente pela questão financeira – com dívida crescente e a necessidade de pagar custos referentes à construção de seu estádio, o Corinthians atrasou salários, premiações e valores referentes a compra de direitos de atletas. Além disso, deixou de renovar com Paolo Guerrero, perdeu nomes como Fabio Santos e Emerson Sheik e tentou empurrar para fora do clube outros titulares, como Gil e Elias.

Jogadores como Danilo e Ralf, campeões de tudo pelo Corinthians, ambos com cinco anos de casa, têm contrato até o fim do ano e ainda não chegaram a qualquer definição sobre futuro. Em meio a esse processo arrastado, os dois também perderam espaço na rotação montada por Tite: Ralf, que já foi capitão, hoje é reserva de Bruno Henrique; Danilo, outrora uma espécie de 12º jogador, perdeu minutos e tem sido menos acionado.

O que o Corinthians tem feito com os dois pode ser comparado com um caso do atual vice-líder do Campeonato Brasileiro. No Atlético-MG, o lateral direito Patric também tem vínculo apenas até o fim do ano e não chegou a um acordo para renovação. O jogador assinou pré-contrato com o Osmanlispor (Turquia), foi afastado pelo técnico Levir Culpi durante dez partidas, recebeu críticas públicas de dirigentes, desistiu de sair e agora tenta encontrar um meio legal para seguir na equipe brasileira.

E o caso de Vagner Love, então? Maior contratação da temporada, dono de um dos maiores salários do elenco, o jogador oriundo do Shandong Luneng perdeu espaço e deixou até de entrar em algumas partidas. Em outros clubes, esse roteiro seria suficiente para reclamações e insatisfação. No Corinthians, ele até chegou a se manifestar de forma negativa depois de uma substituição, mas logo contemporizou. A diferença de perfil dos atletas conta nesse caso, é evidente, mas o que chama atenção é a condução que o líder do Brasileirão teve em todas essas histórias.

Talvez seja justamente esse o maior mérito de Tite no atual Corinthians. De volta ao clube em que foi vitorioso, o técnico tem alguns aspectos que o transformam em para-raios: é respaldado pela torcida, sabe gerir pessoas e vive num contexto de paz política.

Tite e os responsáveis pelo departamento de futebol conseguiram blindar o Corinthians de todas as coisas erradas que aconteceram em 2015, e isso não é pouco. Até seleções brasileiras, como a que disputou a Copa do Mundo de 1990, já tiveram ambientes minados por questões administrativas.

Isso não faz do Corinthians um mundo perfeito. Sequer faz do clube um favorito ao título ou às primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Independentemente do desfecho da história, porém, o grau de competitividade de uma equipe tão abalada por fatores externos é notável.

O Corinthians é exemplo do quanto o fator humano é importante no futebol. O futebol é um esporte, e nós costumamos avaliá-lo a partir de diferentes aspectos – tático, físico e técnico, por exemplo. Enquanto a lupa, os telões interativos e as imagens pausadas pululam em análises, o componente humano ainda é pouco abordado. E o esporte, afinal, é feito de gente.

Ou não foram componentes humanos que decidiram o triunfo do Flamengo sobre o São Paulo no último domingo (23)? O time paulista vencia por 1 a 0 no Maracanã, mas falhas assustadoras de Thiago Mendes e Auro deram base para a virada. Foram erros técnicos, de fundamentos, mas eles teriam acontecido se os atletas estivessem concentrados, tranquilos e convictos de suas ações?

O futebol é um trabalho como outros, e é comum que os profissionais tenham lapsos em qualquer ambiente. Erros podem ser potencializados por problemas pessoais ou questões simples – uma dor de dente, uma conta atrasada, um filho doente ou uma briga em casa, por exemplo. Em qualquer processo de gestão de pessoas, lidar com isso é um processo fundamental.

Em diferentes graus e de diferentes fontes, problemas vão existir sempre e vão afetar constantemente o rendimento dos profissionais de qualquer segmento. No caso do futebol, já passou da hora de entendermos que isso acontece e que os atletas não podem ser vistos apenas como máquinas. A blindagem feita pelo Corinthians é uma prova inequívoca do quanto isso é relevante.

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O encaixe de área para evitar gols!

Caro leitor,

Na última coluna, foi discutido um princípio defensivo que tem como objetivo minimizar as possibilidades de finalização do adversário, logo, de gols, a partir de jogadas com cruzamentos.

No texto, foi sugerida a realização de um encaixe de área, executado com marcação individual nos jogadores que estão em zonas potenciais de finalização, em situações imediatamente prévias aos cruzamentos.

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui