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Cinema & Esporte: diálogos

A obra procura promover o reconhecimento do esporte como uma forma de arte. Falando não somente sobre futebol, Victor Andrade de Melo, aponta vários lances extremamente plásticos que ocorrem durante as partidas.

Segundo ele, o prazer pelo esporte é constantemente considerado como um prazer popular e baixo, sendo tratado, portanto, como indigno de considerações positivas no campo da estética. No entanto, não há dúvidas de que o esporte, em muitos aspectos, se relaciona com conceitos e formas de manifestação artística já institucionalizados como arte, por mais polêmico que seja o tema.

Alguns exemplos dessa relação entre esporte e arte são a participação do público esportivo, que é semelhante ao que acontece noteatro; o fascínio no esporte tem origem nas performances caracterizadas pelo improviso e pela impermanência, entre outros.

O livro pode, resumidamente, ser dividido em duas partes: a primeira trata de um debate teórico onde o autor recorre a pensadores de outras épocas (Bernard Jeu, Pierre Bourdieu, Jean Claude Carrière, dentre outros) para embasar seu argumento; a segunda investiga a forma complexa dos relacionamentos e as similaridades entre ambas as artes desde suas gêneses. Aqui é importante ressaltar a diferença entre os jogos, que são ancestrais, e o esporte, que conta com a organização dos clubes e confederações.

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A virada do século

O livro relata os fatos ocorridos em uma das mais emocionantes partidas finais de um campeonato continental: o jogo entre Vasco da Gama e Palmeiras, pela Copa Mercosul de 2000.

O primeiro tempo terminou com o placar de 3 x 0 para a equipe paulista. Tudo indicava que o jogo estava definido, uma vez que o Palmeiras é um dos principais adversários vascaínos e que o clube carioca não realizava uma boa campanha naquele ano. Porém, a partida terminou 4 x 3 para o Vasco.

A publicação relembra ainda outras grandes viradas do futebol brasileiro e mundial, mostra curiosidades dos dois clubes, depoimentos dos envolvidos e dados sobre a campanha do Vasco na temporada 2000, quando conquistou a Mercosul e o Campeonato Brasileiro (Copa João Havelange).

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Cinema & Esporte: diálogos

A obra procura promover o reconhecimento do esporte como uma forma de arte. Falando não somente sobre futebol, Victor Andrade de Melo, aponta vários lances extremamente plásticos que ocorrem durante as partidas.

Segundo ele, o prazer pelo esporte é constantemente considerado como um prazer popular e baixo, sendo tratado, portanto, como indigno de considerações positivas no campo da estética. No entanto, não há dúvidas de que o esporte, em muitos aspectos, se relaciona com conceitos e formas de manifestação artística já institucionalizados como arte, por mais polêmico que seja o tema.

Alguns exemplos dessa relação entre esporte e arte são a participação do público esportivo, que é semelhante ao que acontece noteatro; o fascínio no esporte tem origem nas performances caracterizadas pelo improviso e pela impermanência, entre outros.

O livro pode, resumidamente, ser dividido em duas partes: a primeira trata de um debate teórico onde o autor recorre a pensadores de outras épocas (Bernard Jeu, Pierre Bourdieu, Jean Claude Carrière, dentre outros) para embasar seu argumento; a segunda investiga a forma complexa dos relacionamentos e as similaridades entre ambas as artes desde suas gêneses. Aqui é importante ressaltar a diferença entre os jogos, que são ancestrais, e o esporte, que conta com a organização dos clubes e confederações.

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FootballSystem: juntando conhecimento e tecnologia

Olá, amigos!

Nesta terça-feira abro espaço para falar de um caso que ilustra muito o que sempre argumentamos sobre a tecnologia ser desenvolvida essencialmente através do conhecimento do profissional que conhece o esporte.

Desde os tempos de faculdade – como alguns devem saber, sou formado em Educação Física -, quando o assunto era treinamento esportivo, uma série de nomes russos formavam a base bibliográfica desse conhecimento. Uma Ciência do Treinamento Desportivo. Dentre esses nomes, era frequente um tal de Antonio Carlos.

“Pera aí”, amigo, o colunista não enlouqueceu. Eu sei que vocês esperavam eu dizer algo terminado com o sufixo oviski ou algo similar, afinal estou falando de russo. Mas é Antonio Carlos mesmo.

Genuinamente russo. Ao menos em sua fundamentação teórica sobre o treinamento desportivo.

Falo do professor Antonio Carlos Gomes. Para quem é do meio, imagino não precisar de apresentações, mas refresquemos a memória: professor que desenvolveu grande parte de sua carreira acadêmica na Rússia, tendo passagens por Olimpíadas e outras competições internacionais e mais recentemente marcado pela sua trajetória vitoriosa como diretor técnico e cientifico do Atlético Paranaense.

Bom, não sou agente nem empresário de tal professor, ainda que tenha tido o privilegio de conhecê-lo e ouvir um pouco de suas boas histórias. Para quem não o conhece, além de conhecimento, possui o dom também de contar bons causos.

Mas e o que isso tem a ver com tecnologia e futebol ? Simples. Quando dizemos que algumas áreas do futebol já possuem certo avanço em termos de tecnologia, talvez a dimensão da preparação física esteja entre essas um pouco mais adiantadas. Afinal, muitos profissionais lançam mão de recursos tecnológicos para predizer, armazenar, tabular e organizar seus processos de treinamento, testes e avaliações. E aí já aparece um grande passo para a boa utilização da tecnologia, o processo, a organização das ações e conhecimento em busca de otimizar os resultados.

Nesse ponto, ainda que possam existir algumas divergências, o professor Antonio Carlos Gomes é uma das referências quando se fala em planejamento e periodização do treinamento. Haja vista os livros e palestras que se espalham pelo Brasil afora. E agora transfere seus conhecimentos para um sistema (software) direcionado ao futebol, com base nos seus anos de estudos e em dados peculiares a modalidade.

Essa transferência de conhecimento, e esse é o termo que devemos usar mesmo, pois para que um recurso tecnológico se torne eficiente e utilizável, ele precisa essencialmente do conhecimento específico. E este, com todo respeito ao excelente trabalho dos engenheiros de computação e sistemas, que não é nada mais além do que um simples (ou um complexo) recurso, se não tiver por trás as informações, os dados e frutos de pesquisas de um profissional, ou um grupo desses, não sai do escopo de um aparato tecnológico para uma tecnologia a serviço do futebol.

É por essa significativa junção do conhecimento com a tecnologia que abri o espaço para a divulgação desse sistema. Confesso-me empolgado pela vivencia na prática daquilo que há um certo tempo defendemos sobre a importância do profissional no desenvolvimento das inovações. E para quem quiser ver um pouco desse fruto, vai a indicação para download:
http://www.mresolucoes.com.br/footballsystem/

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Análise das principais ações realizadas em partidas de futebol através do scout técnico

Introdução

No futebol atual a tecnologia se faz sempre presente e é elemento indispensável para auxiliar a comissão técnica das equipes com informações sobre adversário e sobre a própria equipe, a fim de trazer subsídios para a montagem de estratégia de jogo. É dessa forma que o treinador terá informações suficientes para encontrar os pontos positivos e negativos tanto da sua equipe como a do oponente e assim explorar essas características de tal forma que sua formação saia sempre vencedora do confronto.

É nessa perspectiva que, além dos vídeos tape das partidas, temos também o scout técnico, que tem por objetivo mensurar as ações que acontecem em uma partida de futebol, desde o tempo dos gols marcados, até número de escanteios, impedimentos e qualquer outra ação que caracteriza um duelo.

Objetivos

O objetivo principal desse estudo é referenciar as ações dos jogos de futebol que aconteceram na atual temporada de uma equipe de elite do futebol brasileiro por meio do scout técnico. Como objetivos secundários, temos a apresentação dos números em forma de média das ações de um jogo de futebol, além da análise do tempo em que os gols saíram nas partidas dessa equipe.

Metodologia

O scout técnico foi desenvolvido a partir de observação direta de uma partida de futebol e a anotação das ações do jogo quantificando-as por meio de uma planilha. As variáveis coletadas são bem definidas pelo entendimento popular, tais como gols, escanteios, passes errados e impedimentos. Quanto aos gols, foram coletados a forma em que saíram bem como o tempo de jogo em que aconteceram.

Resultados e discussão

A tabela a seguir mostra os números em mínimo, médio e máximo de alguns dos fundamentos coletados no scout técnico.
 

 
Passes Errados
Escant. a Favor
Gols
Impedimentos
Minímo
Médio
Máximo
Desvio Padrão
41
63
90
15,1
4
8
12
2,1
0
2
4
1,5
1
2
5
1,3
TABELA 1 – NÚMEROS DO SCOUT TÉCNICO DE UMA EQUIPE DE FUTEBOL

Os números apresentados nesse estudo correspondem aos resultados de scout realizado durante o 1º turno do Campeonato Brasileiro de 2009.

Podemos observar um valor médio importante de dois gols por jogo que essa e
quipe tem conquistado. É interessante ressaltar também o valor médio de escanteio, evidenciando que essa equipe teve um bom poder ofensivo, penetrando até a linha de fundo de seu adversário. Esses valores também têm a influencia de o scout sempre ter sido realizado com essa equipe jogando em seu estádio, com o apoio da torcida.

Outra questão a se ressaltar é o alto índice de passes errados com a equipe chegando a uma média de 63 por jogo. Um fato importante a se colocar nesse sentido é, novamente, o fato de a equipe jogar em casa, o que lhe conferiu maior posse de bola nos jogos em que o scout foi realizado.

Todavia, esses números, ao passo que mostram poder ofensivo da equipe, também mostram a falha em manter uma sequência de passes. Com certeza esses números influenciaram diretamente no aproveitamento dessa equipe nos seus jogos como mandante, o que lhe conferiu durante o 1º turno um aproveitamento de 62,96% em seus domínios, tendo a 8ª campanha em jogos em casa.

Na sequência, apresentaremos a tabela com o tempo de jogo em que saíram os gols nos jogos dessa equipe.

 
Gols a Favor
Gols Contra
0 a 15 minutos
16 a 30 minutos
31 a 45 minutos
46 a 60 minutos
61 a 75 minutos
76 a 90 minutos
3
7
3
2
4
5
5
4
5
2
5
6
TABELA 2 – TEMPO DE JOGO EM QUE SAÍRAM OS GOLS

De acordo com a tabela acima apresentada, podemos verificar que no 1º tempo existe um índice maior de gols. Foram 13 gols marcados no 1º tempo, contra 11 gols marcado no 2º, bem como 14 gols sofridos no 1º tempo, contra 13 sofridos no segundo.

Outro ponto importante é a quantidade de gols que saíram nos 15 minutos finais de jogo. Isso demonstra quanto é importante a equipe manter a atenção até o fim do jogo, pois um gol nesse tempo pode definir uma partida. Os gols nesse período também podem ser um indicador da fadiga, física e mental, que os atletas podem ter, condicionando falhas de marcação e até mesmo erros individuais.

Conclusão

Conforme colocado anteriormente, o scout técnico é ferramenta indispensável para uma equipe grande de futebol. Os profissionais dessa área devem ser valorizados, e um clube que visa ser modelo na modalidade não pode abrir mão de tal departamento, pois qualquer detalhe que não passa despercebido pode conferir informações suficientes para a comissão técnica utilizar de forma a explorar as deficiências do adversário, bem como trabalhar as deficiências da sua própria equipe. Pode-se, a partir disso, até mesmo decidir um jogo com alguma informação relevante acerca dos números não só coletivos, mas também individuais de performance técnica.

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Até onde deve ir o poder da TV

Que a TV é essencial para a promoção do esporte, não há dúvida alguma. Mas, neste final de semana, tivemos uma mostra de que os interesses dos meios de televisão não podem ser superiores ao esporte em si.

Internacional x Flamengo disputaram uma maratona aquática no estádio Beira-Rio. O jogo era o escolhido pela TV para compor a grade de programação da emissora no domingo. Só que o aguaceiro que castigou Porto Alegre fez com que o óbvio aparecesse: era impossível jogar futebol no gramado do Beira-Rio.

Só que o árbitro Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, achou melhor não contrariar os interesses daquela que pagou R$ 400 milhões para exibir o campeonato em 2009. E, assim, decidiu fazer a bola rolar (?) no gramado (?) do Beira-Rio.

O que se viu a partir daí foram 90 minutos de nenhuma bola rolando e de muita água espalhada, chute errado, canela preservada… Futebol, daquele que a gente gosta de assistir, não teve absolutamente nada.

Em vez de preservar a qualidade do espetáculo, o árbitro da partida preferiu dar bola para a emissora de TV, que por sua vez teve de tudo para mostrar, menos a bola de fato!

Imprevistos acontecem, e a própria emissora que detém os direitos de transmissão sabe disso. E, se é para exibir um jogo de futebol em que não se há jogo, o melhor é reprisar um filme enlatado ou até mesmo mudar o sinal para outra partida que acontece no mesmo horário, algo que é absolutamente compreensível para o torcedor. Além de ser mais justo para ele.

O poder de decisão da TV no futebol tem um limite. Ela até pode determinar alguns horários, escolher quando será uma partida para atender seus interesses de grade de programação ou pedir que um determinado time esteja mais vezes na TV. Afinal, é ela quem paga a maior parte da conta de um torneio.

Mas o limite da TV é, claramente, o limite da preservação da qualidade do produto. Se esse status inviolável do esporte for preservado, todos saem ganhando. Inclusive a TV. Afinal, não seria melhor se neste último domingo houvesse um jogo de futebol transmitido na telinha em vez da maratona aquática do Beira-Rio?

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Treinos táticos pela ótica do preparador físico

Nos tempos atuais, ainda não é consenso, mais tudo encaminha para que treinadores e preparadores físicos unifiquem cada vez mais a parte física, técnica, tática e emocional durante o treinamento dos atletas.

Segundo Weineck (2000), os treinamentos recebem formas, execuções e intensidades diferenciadas, que serão distribuídas no decorrer da temporada. Para Araújo (2002), o modo como as competições são organizadas e distribuídas ao longo de cada época desportiva constitui fator decisivo para a obtenção e manutenção de um elevado nível de resultados.

Entretanto, devido ao alto número de competições durante o ano e com intervalos de tempo muito curtos, acaba dificultando e provocando novos problemas de organização e estruturação do treinamento, gerando um desgaste dos atletas, acrescentando a importância de aliar a parte física com a tática, para que cada sessão do treinamento seja aproveitada ao máximo.

Durante as sessões de treino são desenvolvidos exercícios, que constroem e aprimoram a forma de jogar, especificando algumas situações de acordo com o que o treinador ou o preparador físico tenha como meta para aquele treinamento. Uma das formas de treinamento que está crescendo cada vez mais nos clubes de futebol é o treinamento integrado – de acordo com (Chirosa Rios e Chirosa Rios, 2002) são exercícios que devem conter componentes técnicos, táticos, estratégias, físicas e até mesmo psicológicas que são encontrados durante uma partida de futebol.

Um exemplo de treinamento tático que pode ser integrado por treinadores e preparadores com o treinamento físico é o de marcação pressão, tanto por zona ou individualmente (menos comum no futebol brasileiro). Nele, pode ser treinado na parte física a resistência, velocidade e agilidade, enquanto na parte tática, o posicionamento de cada jogador em virtude dessa marcação.
Outra maneira bastante discutida de treinamento integrado são os jogos reduzidos. Puygnaire e col. (2003) já diziam que é possível também atingir um objetivo físico determinado durante a realização de um jogo reduzido, através da manipulação de variáveis. Essas variações devem ser controladas pelos preparadores físicos e podem ser, por exemplo, o tempo de duração, o número de jogadores, as regras impostas para induzir a ação e também o posicionamento dos atletas, além de outras a serem definidas pela comissão técnica.

Agora, fato é que para essa integração surtir o efeito esperado durante a temporada, necessita ser planejada e estruturada antes mesmo da pré-temporada, para que as etapas de treinamento não sejam queimadas.
 
Tubino e Moreira (2003) reforçam que, todavia, o planejamento, independentemente da área de trabalho, é fundamental para obter parâmetros para a planificação da próxima temporada e, ainda, inclusive, repensar algumas metas, ou alterar a metodologia de trabalho, objetivando corrigir os pontos falhos do treinamento.

Enfim, cabe a preparadores, fisiologistas e treinadores trabalhar de forma unificada e planejada para o melhor rendimento de todos os aspectos que envolvem o futebol.

*Thiago Bandeira de Mello é preparador físico e integrante do Grupo de Estudos Aplicados ao Futebol – Geaf

Bibliografia

ARAÚJO, M. Do modelo de jogo do treinador ao jogo praticado pela equipe. In: Júlio Garganta, Antonio Soares e Carlos Peños. A investigação em futebol. Estudos ibéricos, FCDEF – Universidade do Porto – Portugal, 2002.

BARBANTI, Valdir J. Formação de esportistas. Barueri: Manole, 2005.
Chirosa Rios, L. J.: Chirosa Rios, I. (2002). El trabajo integrado dentro del entrenamiento de un procedimiento de juego en Balomano. Asociacion de Entrenadores de Balomano. Revista Digital-http://www.aebm.com. Ref. Comunicação Técnica 176.

Puygnaire, A. R.; Sánchez, J. S.; Cabezón, J. M. Y. (2003). El entrenamiento aeróbio del futbolista. Educación Física y Deportes. Revista Digital-http://www.efdeportes.com, n. 58, ano 8.

TUBINO, Manoel J. Gomes; MOREIRA, Sergio B. Metodologia científica do treinamento desportivo. 13. ed. Rio de Janeiro: Editora Shape, 2003.

Weineck EJ. Futebol total – o treinamento físico no futebol. Guarulhos: Phorte; 2000.

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Oprimidos

Tradicionalmente, o futebol é governado por um sistema hierárquico vertical forte e consolidado. Aqui no Brasil, isso é evidente. Primeiro tem a Fifa, aí tem a Conmebol, aí tem a CBF, as Federações Estaduais e, aí, os clubes. Um em cima do outro, um mandando no outro, um não podendo fazer muito para suplantar o outro.

Esse modelo de governança é não apenas exercido, mas também fortemente perpetuado pela Fifa. Por isso que ela tenta, ao máximo, impedir a entrada de outros agentes no sistema, como os governos, por exemplo. As coisas do futebol, de acordo com o próprio, devem permanecer no futebol. E quem manda no futebol é a Fifa, depois as Confederações continentais, as Federações nacionais, em alguns casos as federações regionais e, por fim, os clubes. Quanto menos desenvolvido for o mercado de futebol de uma determinada localidade, mais obediente será esse mercado a essa estrutura.

O oposto, porém, também é verdadeiro. Ou seja, quanto mais desenvolvido for um mercado de futebol, menor a necessidade de ele obedecer a essa hierarquia vertical e fechada. Um exemplo são as Ligas. Quando clubes possuem incentivos suficientes para formar uma entidade própria, eles formam uma Liga, que pode deixar de obedecer à hierarquia futebolística para andar com as próprias pernas. Quanto mais forte for a Liga, mais independente ela consegue ser.

É o caso da English Premier League, que essa semana rebateu o projeto do ‘jogo limpo financeiro’ da Uefa. Com razão, diga-se. O argumento externado pelo Richard Scudamore, um sujeito simpático que é o CEO da EPL, é aquele justamente exposto aqui nesse espaço na semana passada. Ele deve ter lido. Basicamente, a crítica parte do fato de que se é para se controlar, fiscalizar e estabelecer parâmetros mínimos para a despesa de clubes de futebol, o mesmo deve ser feito para as receitas. Ou seja, no momento que se padroniza o quanto os clubes vão gastar com salários e transferências, é preciso também padronizar o quanto o clube se beneficia economicamente de diferentes formas, como o subsídio público ao estádio, o subsídio fiscal às despesas do clube e a quantidade de imposto pago pelo salário do jogador. Tudo isso conta, porque tudo isso, no final, influencia na capacidade do clube em contratar os melhores atletas, que por sua vez influencia na chance do time se tornar campeão.

É claro que a EPL tem lá suas razões, uma vez que o ‘jogo limpo financeiro’ pode afastar a entrada de novos bilionários nos clubes ingleses, além de reduzir a dominância dos clubes ingleses na Champions League. Mas quem pode reclamar, pode. E se tem uma organização que pode hoje levantar a voz contra a Uefa, essa organização é a Premier League. Antes tinha o G-14, mas o Platini, na sua aparente incansável luta para se tornar o manda-chuva da Fifa, conseguiu desmantelar. Até a ECA conseguir se organizar para protestar contra medidas desse tipo, o Platini já terá conseguido se eleger.

E antes que você se indigne sobre o fato de eu ter escrito que as federações regionais mandam nos clubes brasileiros, isso ainda é fato. Pelo menos na maioria dos clubes do país. Assim como no caso Europeu, apenas aqueles situados em regiões com o mercado de futebol mais desenvolvido conseguem, hoje, brigar com a federação estadual. Um dia, quem sabe, eles poderão ter voz contra a federação nacional. Um dia. Quem sabe.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Como um talento pode ser reconhecido?

Aqui no Brasil são pouco divulgadas essas linhas de pesquisas, ou são meramente excluídas dos temas de pesquisas. Também, com certa razão, pois é um tema muito complexo e sem muitas definições teóricas para explicar tal fenômeno. Assim, certas pessoas, baseadas no empirismo, têm sido contratadas para identificar os talentos para o futebol dos grandes clubes, mas comprovado na prática que muitos também não têm uma porcentagem muito grande de acertos.

Não temos como prever o futuro de um menino apenas observando-o jogando futebol num campo de várzea. Podemos, sim, identificar alguma facilidade desse menino ou menina com a bola.

Na questão de identificação de um talento, Joch (2005, p. 43), relata que:

“Na falta de critérios inequívocos, são mencionadas características sem sistema e ao acaso, que se baseiam em hipóteses de formação corporal, (suposto) potencial genético, tolerância à carga, dedicação ao treino, alto desempenho juvenil, condições ambientais favoráveis ao desempenho, etc. É considerável a variedade de critérios, específica à modalidade esportiva, vinculada à experiência subjetiva de cada um. Combinações de critérios, também mencionadas em relações cientificamente comprovadas, referem-se aos desempenhos marcantes precoces, em combinação com interesse especial e aumento rápido de desempenhos obtidos sem grande esforço.”

Outros autores, como Gabler e Mergner (1990, p. 8), definem talento com um elevado grau de liberdade e baixa precisão no detalhe:

“Como talento esportivo pode ser chamada uma pessoa que, em uma certa etapa do desenvolvimento, possui determinadas condições corporais, motoras e psicológicas e que, com condições externas favoráveis, com grande probabilidade, irá alcançar altos desempenhos futuros.”

Embora digamos que essa definição é de baixa precisão, precisamos tomá-la como um parâmetro, pois, infelizmente, na literatura nacional, não temos uma definição melhor. Por isso, comento que precisamos de uma política esportiva mais elaborada e preocupada com essa questão da identificação de talentos esportivos, mas isso precisa ser estudado cientificamente e colocado em prática, a fim de que possamos aumentar ainda mais a qualidade de nossos futuros jogadores de futebol.

Existe outra linha de pesquisa defendida por Michel e Novack (1983, p. 43-44), que diz respeito a vocação, interesse especial, determinação e promoção pelo meio ambiente, como sendo determinantes de um talento. Aqui, como sinônimo de vocação:

“Podemos falar de vocação especial, quando já em idade precoce, desempenhos acima da média e até excepcionais são alcançados. Esta vocação especial é reconhecida por meio das seguintes características:

1. A criança já apresenta na idade pré-escolar uma tendência incomum de realizar certas tarefas;

2. A criança realiza as tarefas com uma certa facilidade e felicidade, e demonstra interesse especial e motivação para o esforço de alcançar desempenhos ainda maiores;

3. A vocação é desenvolvida em idades precoces, onde sobretudo o importante é a educação e promoção pelo ambiente.”

Com essas citações, nota-se a preocupação europeia com a identificação de talentos esportivos já na mais tenra idade; assim, podemos entender como países que têm dimensão territorial e populacional menor do que a do Brasil (um “país continental”) possuem tantos atletas bem formados e sendo considerados sempre os melhores do mundo. Na Europa existe essa preocupação do embasamento científico para colocar em prática nos treinamentos a melhor metodologia possível, colhendo dessa forma ótimos frutos.

Precisamos despertar para essas questões de identificação de talentos baseadas em dados científicos, para que assim possamos melhorar ainda mais o nosso material humano.

Bibliografia

Bompa, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4 ed. São Paulo: Phorte, 2005.

Joch, W. O Talento Esportivo: identificação, promoção e perspectivas do talento. Rio de Janeiro: Publishing House Lobmaier, 2005.

Weineck, J. Treinamento Ideal. 9 ed., São Paulo: Manole, 2003.
 

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Civilização e barbárie

Sábado, 19 de setembro de 2009. O dia em que o futebol mundial levou uma grande lição de moral ao vivo e a cores.

Esperando pelo início da transmissão da Bundesliga, pela ESPN Brasil, do jogo entre Bayern de Munique e Nuremberg, o corretivo aplicado em todos aqueles que estavam presentes no Allianz Arena calou fundo em todos os que estão envolvidos no futebol – por amor ou por profissão.

Na semana anterior ao jogo, um cidadão alemão de 57 anos – e nem importa para qual clube torcia – foi interpelar um grupo de jovens que estavam atormentando crianças numa estação de trem da cidade. Resultado do ato de cordialidade e humanidade: covardemente agredido até a morte.

O diretor do Bayern, Uli Hoeness, logo após a entrada das duas equipes em campo, foi ao centro do gramado e, de microfone em punho, relatou o episódio triste.

Entretanto, a atitude que chamou a atenção, verdadeiramente, foi o discurso firme, rigoroso, dirigido genericamente a todos os torcedores do país, para banir a hostilidade do futebol e conviver em respeito, harmonia e, sobretudo, civilidade.

Todos atentos, jogadores perfilados, um minuto (inteiro) de silêncio, com a foto da vítima da violência no telão do estádio. Grande exemplo de civilização, a partir de um episódio de barbárie protagonizado por um diretor de um dos maiores clubes de futebol do mundo que, com a necessária humildade e a firmeza dos líderes, conclamou a todos para refletir e agir para transformar positivamente o contexto.

No Brasil, cansaríamos em tentar listar os exemplos recentes de violência entre torcedores, não-torcedores, violência geral, no contexto do futebol.

Violência não apenas no sentido físico, mas moral. Ou as palavras de Helio dos Anjos não desrespeitaram ninguém? E as constantes vaias e xingamentos sofridos por Richarlyson vindos das organizadas do São Paulo? E o que dizer de pesadíssimas críticas irresponsáveis de jornalistas que detêm as tribunas em caráter exclusivo e não outorgam defesa aos profissionais do esporte?

Aqui, nossos diretores dão exemplo, sim: invadem vestiários com seguranças armados para achacar a equipe que não ganha os jogos dentro de campo…

“Civilização” e “barbárie” são palavras com significados opostos.

A primeira é uma palavra que denota qualidades e se remete ao bem – educados, os que vivem em sociedade e que se adequam a padrões gerais pré-estabelecidos.

Por outro lado, “barbárie” é o estado em que vivem os sem-educação, violentos, cruéis, os que não se adequam a padrões gerais pré-estabelecidos pela sociedade.

A conclusão sociológica de que o povo brasileiro é pacífico está mais do que correta.

Vou além e digo que é passivo, não pacífico. Não costumamos formar líderes com poder de transformação social. Desistência prevalece sobre resistência.

Ajude-me a concluir se nosso futebol caminha para a civilização ou para a barbárie.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br