Categorias
Conteúdo Udof>Biblioteca

Os 11 maiores laterais do futebol brasileiro

Sempre tive interesse em saber mais sobre quem vive um pouco à margem dos holofotes do sucesso, como os laterais. Quem se importa com o lateral do seu time? Quem se interessa em saber de um cara que corre para o ataque feito um alucinado e depois tem que voltar no mesmo pique correndo atrás dos adversários? Time bom tem que ter um grande goleiro, um zagueiro vigoroso, um volante capaz de bater até na avó, alguém no meio de campo com habilidade de um craque e um centroavante matador. Lateral? Põe qualquer um, desde que não faça besteiras e acerte os cruzamentos.

Mas não é bem assim. Cada vez mais os laterais se fazem importantes nos esquemas táticos das equipes. A posição é sem dúvida a que mais evoluiu no futebol mundial. De meros marcadores dos pontas adversários, os laterais foram se transformando em homens de todo o terreno, ampliando cada vez mais suas fronteiras dentro dos esquemas táticos traçados pelos treinadores. Viraram alas, assumindo também funções na armação das jogadas. Ajudaram a sacramentar a “morte” dos pontas na tática das equipes. Aproveitaram a evolução da medicina esportiva e dos métodos de preparação física para se tornarem os grandes atletas de um time. Correm sem parar os 90 minutos, batem faltas, escanteios, defendem, chutam e fazem gols.

A posição de lateral evoluiu muito nos últimos cinquenta anos. Tanto que corre o risco de desaparecer. Muitos clubes já abandonaram os laterais natos e improvisam volantes pelas beiradas do campo. Alguns laterais de muita qualidade, como Maicon e Daniel Alves, por exemplo, já não podem ser definidos apenas como alas, são verdadeiros multi-homens dentro de campo.

O destino da posição é incerto. Está cada vez mais difícil encontrar jogadores que acrescentem um pouco de talento ao bom preparo físico para exercer esta função em campo. A maior prova disso é a recente história da seleção brasileira. Durante dez anos Cafu e Roberto Carlos foram donos absolutos da posição. Nenhum outro jogador apareceu com força suficiente para desbancar a dupla. Cafu parou de jogar após se tornar o atleta que mais vezes vestiu a camisa verde e amarela. Roberto Carlos segue em atividade. Foi considerado culpado pela torcida por ficar parado ajeitando a meia em vez de ajudar a marcar o ataque adversário na derrota do Brasil para a França na Copa do Mundo de 2006. Nunca mais foi chamado.

O técnico Dunga teve quatro anos para encontrar um substituto. Testou vários jogadores. Não apareceu nenhum lateral tão completo quanto Roberto Carlos para defender o Brasil na Copa de 2010 na África do Sul. Ao contrário do que muitos imaginam, não é nada fácil jogar como lateral.

Foi com a intenção de mostrar toda essa evolução que escalei, em parceria com os editores, uma seleção de 11 laterais. Uma tarefa difícil, afinal, teria de condensar em uma única lista os melhores jogadores da lateral direita e os da esquerda.

Na emocionante pesquisa sobre o tema pude deparar com verdadeiros craques da bola. A começar pelos “santos” Nilton e Djalma, a dupla de gênios que ajudou o Brasil a ser campeão do mundo duas vezes, em 1958 e 1962. Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do tri, concedeu uma entrevista tocante sobre suas glórias. Nelinho, um dos maiores cobradores de falta que o mundo já viu. Wladimir, que fez do Corinthians a sua seleção. Júnior e Leandro, homens que brilharam no Flamengo e no injustiçado time que o Brasil montou na Copa de 1982. Branco, um dos heróis do tetra. Leonardo, o lateral que virou camisa 10. Cafu e Roberto Carlos, batalhadores, polêmicos, campeões do mundo.

Reconheço que muita gente boa acabou ficando de fora. Marinho Chagas merecia um lugar no time. Jorginho, o lateral-direito do tetra, também. Zé Maria, Mazinho, Rildo, Geraldo Scotto e Josimar foram alguns dos nomes lembrados. Como esta “seleção” seria totalmente brasileira, ficaram de fora laterais estrangeiros que brilharam nos clubes daqui, como o paraguaio Arce, ídolo no Grêmio e no Palmeiras, o uruguaio Pablo Forlán, do São Paulo, e o argentino Sorín, do Cruzeiro.

Como todo homem que escala uma seleção, ser chamado de “burro” faz parte do jogo. Ajudaram muito a experiência de vinte anos de jornalismo esportivo e as conversas com gente que vive intensamente o futebol, bem como as reuniões com Jaime e Luciana Pinsky, da Editora Contexto, que me apresentaram este encantador projeto de uma coleção de livros sobre os melhores jogadores de cada posição.

Mais do que destacar as habilidades e os títulos de cada jogador, a intenção do livro foi mostrar também o lado humano de quem teve de superar as desconfianças para também poder virar protagonista. E resgatar, de certa forma, a história do futebol brasileiro, que no fundo tem tudo a ver com a história de cada um de nós.

É por isso que jogar, escrever, ler ou debater futebol é sempre uma experiência inesquecível.

*Introdução da obra

Categorias
Conteúdo Udof>Biblioteca

Os 11 maiores camisas 10 do futebol brasileiro

Nos meus times de futebol de botão, o camisa 10 era a tampinha de relógio ou o galalite que melhor conseguia encobrir o goleiro com a bolinha. Naquele tempo, os anos 1970, o Brasil vivia o auge do 4-3-3, e o meio de campo de qualquer time – real ou de botão – tinha cabeça de área, meia-direita e meia-esquerda: 5, 8 e 10. O mais avançado, com dois dígitos às costas, era invariavelmente o mais técnico, e muitas vezes exercia também uma função de liderança. Era o ponta de lança, o craque, o dono do time, o herdeiro da camisa de Pelé.

Mas os anos passaram, o futebol mudou. E a tarefa de escalar uma seleção histórica de camisas 10 tornou-se tão difícil quanto prazerosa. Na apresentação de Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro, o livro que abriu esta coleção, Maurício Noriega escreveu: "Atacante bom é aquele que faz gol. Goleiro bom é aquele que evita gol. E técnico bom, quem é?" A criteriosa lista que se seguiu a esse bem sacado primeiro parágrafo não escapou da corneta de torcedores e jornalistas – e este livro está longe de ter tal pretensão. Mas o Nori tinha uma vantagem: o técnico, bom ou ruim, é aquele lá na beira do campo. E o camisa 10, nesse futebol que foi do wm às duas linhas dequatro, passando por 4-2-4, 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2. Onde está?

Para explicar o que é um camisa 10 talvez seja melhor começar falando sobre quem não é. Mas antes, um lembrete importante: usar o número às costas não é critério para ser escalado ou cortado da nossa seleção.

Roberto Dinamite, por exemplo, durante muito tempo foi o 10 do Vasco. Mas era centroavante. Camisa 10, neste livro, não é numeração, é função.

E que função é essa? Um grande armador não é necessariamente um camisa 10. Craques como Didi e Gérson conduziam o jogo no meio de campo, mas a tarefa deles começava lá atrás. Não eram volantes como os de hoje – embora Didi, ao lado de Zito na seleção de 58, e Gérson, com Carlos Roberto no Botafogo e Carlinhos no Flamengo, formassem linhas de apenas dois jogadores à frente da zaga, em tempos menos defensivos do futebol. Mas serviam os atacantes com passes longos, sem ter a obrigação de se apresentar para dialogar com eles.

Estilo nunca lhes faltou – assim como a Falcão, que chegava muito ao ataque, só que partindo de uma função defensiva. Contudo, no meu time de botão, todos seriam 5 ou 8.

Houve outros meias mais avançados, que até bateram na trave na hora da escolha. Sócrates, Juninho Pernambucano, jogadores de criação, com talento para chutar a gol. Mas ainda não era o suficiente. Ocupavam uma faixa de terreno um pouquinho mais distante da área. Podiam até ter a função de ditar o ritmo do time, ser aquele cara pelo qual todas as bolas passam. Mas o camisa 10 precisa jogar mais próximo dos atacantes, às vezes até finalizar como eles. No meu time de botão, esses seriam 8.

Mas e aqueles jogadores que atuam pertinho do ataque, sem responsabilidade de marcar, com liberdade para criar e chutar a gol? Jairzinho, Paulo César Caju, Edmundo, Bebeto. Esses, na minha avaliação, passaram um pouco do ponto. Quase incluí Ronaldinho Gaúcho nessa lista, mas em sua fase mais brilhante – que infelizmente não durou o que poderia -, ele jogou de 10, embora vestisse a 11. E seria a 11, ou a 7, que eu daria aos outros craques deste parágrafo.

Finalmente, há alguns que eram legítimos camisas 10 e não entraram neste livro. Cito seus nomes aqui não para me defender da corneta, mas porque realmente doeu não ter encontrado espaço para eles. Zenon, Dicá, Pita, Mendonça. Todos brilharam no tempo em que eu armava meus times de botão com um craque na meia-esquerda e sonhava ser como eles nos campinhos de pelada de Bicas.

Outros, como Dida, eu não vi jogar, mas ninguém é ídolo do Zico à toa. Talvez o seu camisa 10 tenha ficado fora destas e das próximas páginas. Mas espero que a seleção que montei, submetida aos palpites dos amigos e aos conselhos dos editores, consiga traçar o retrato mais fiel possível de uma posição que, para mim, é a cara do futebol brasileiro.

*Introdução da obra

Sobre o autor

Marcelo Barreto é jornalista e apresentador brasileiro, atualmente correspondente internacional do Sportv

Categorias
Conteúdo Udof>Biblioteca

11 gols de placa – uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol brasileiro

Organizado pelo jornalista Fernando Molica, 11 gols de placa, terceiro volume da Coleção Jornalismo Investigativo, uma iniciativa da Editora Record e da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), traz uma seleção de grandes reportagens que ajudam a explicar muitas das mazelas do nosso futebol.

Os textos escalados buscam dar um panorama do que ocorre nos bastidores e oferecem um painel desse esporte desde a década de 60, com as reportagens de João Máximo e de Michel Laurence, revelando a dificuldade em concretizar o sonho de virar craque neste dito ‘país do futebol’, que abrem o livro e funcionam como alicerce para os capítulos seguintes.

A leitura das matérias transcritas no livro é uma jornada cheia de emoções e joga luz sobre problemas que se acumulam há muitas décadas. Uma escalação que mistura corrupção, pobreza, desemprego, falsificação de documentos, abuso de poder e exploração de menores. 11 gols de placa é uma espécie de cartão amarelo para dirigentes e para todos aqueles que se aproveitam do futebol brasileiro.

O futebol revela o que temos de melhor e de pior. Como lembra o jornalista Paulo Vinicius Coelho, que assina a orelha do livro, a editoria de esportes é um celeiro de grandes jornalistas, e engloba todo tipo de reportagem – a eleição de um clube ou a crise em um time podem gerar boas matérias sobre política ou economia, enquanto a lesão de um craque e uma entrevista com o médico da equipe resultam em interessantes pautas de saúde.

O futebol brasileiro é pródigo, também, em matérias policiais. Nas páginas dos principais jornais do Brasil, nasceram as CPIs da Nike e da CBF, no começo da década de 2000. O mesmo país do futebol produziu três escândalos de arbitragem num período de oito anos, entre o ‘1-0-0’, de Alberto Dualib, em 1997, ao caso Edílson Pereira de Carvalho, em 2005. Este último caso, na pena de André Rizek, é um dos escolhidos neste trabalho brilhante de Fernando Molica.

Como nos outros dois volumes da coleção – 10 Reportagens que abalaram a ditadura e 50 anos de crimes -, as reportagens são enriquecidas por relatos e comentários que detalham os bastidores da apuração, produzidos pelos jornalistas envolvidos na cobertura dos casos e em sua edição, como Marcos Penido e Mário Magalhães, entre outras feras do jornalismo esportivo. Esses textos de apoio contextualizam os fatos e contam como os profissionais conseguiram chegar a revelações importantes.

Em 11 gols de placa, não faltarão chances para vaias – para cartolas, empresários e juízes – e aplausos. Estes, principalmente, para os atletas que brilham nas redações.

Relação dos autores:

André Rizek; Diogo Olivier; Fernando Rodrigues; João Máximo; Juca Kfouri; Leonardo Mendes Júnior; Marceu Vieira; Marco Senna; Marcos Penido; Mário Magalhães; Michel Laurence; Sérgio Rangel.

*Informações da editora

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

Armando Nogueira 83

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Armando Nogueira morreu? O Brasil está triste e toda a multidão de leitores está em transe. Parece uma comoção nacional: admiradores com os olhos deitados nos livros, revistas, jornais e arquivos. Cem olhos a lembrá-lo.

Levam-lhe os jornais levam-lhe os livros. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do país, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as crônicas esportivas dos jornais. Só faltava, agora, alguém tomar-lhe a vida, derradeiro poeta da bola. Uma pena lírica de um semideus dos escritos.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Armando Nogueira completamente esquecido aos olhos de quase duzentos milhões de brasileiros.

E lá se vai Armando, correndo pelo céu afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está aqui por amor, vai acabar sufocando as crônicas de Armando Nogueira. Se os jornalistas não entram em campo para homenageá-lo, coitado dele.

Coitado, também, dos livros de Armando, pendurados em mil prateleiras – Drama e glória dos Bicampeões, Na Grande Área, Bola na Rede, O Melhor da Crônica Brasileira, Bola de Cristal, O Homem e a Bola, A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar, O Canto dos meus Amores, A Ginga e o Jogo e um sombreiro imenso de outros textos, entrelaçando ficção e realidade, carregando, por todos os lados, o sabor da paixão coletiva.

O jornalismo brasileiro, nesse momento, é um manicômio: botafoguenses e vascaínos, corintianos e palmeirenses, flamenguistas e fluminenses, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria e saudosismo.

Agora, quase não posso ver o futebol lá embaixo: chove reportagem e emoção no texto de Nogueira. Esse acreano que nasceu jornalista foi feito para o futebol: sua arquitetura de palavras põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, somente em Armando Nogueira, toma emprestado à literatura.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito texto que meus olhos jamais sonharam ver.

Pela correção dos parágrafos, escritos em oitenta e três anos de vida. Pelo respeito com que todos os profissionais da imprensa prestam a ele, imagem a imagem, reportagem a reportagem, trocando informações, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em alguma crônica de Armando Nogueira.

Choremos a alegria de uma vida admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma máquina de escrever, seu brinquedo fascinante. Oitenta e três anos, nenhuma baixa. Várias emissoras de TV e jornais – hoje ele morreu. Mas não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, logo mais, no velório, no Maracanã, o herói do Mundial de 70, de 1994, de 2002 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria da obra de Armando Nogueira. Mas textos póstumos são assim mesmo: as análises cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de ídolos que já se foram e, em nenhum deles, falou-se de análises de vidas. Homenagem é sublimação, homenagem é pirâmide humana de olhos nas frases geniais de Armando Nogueira: “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance” ou, ainda: “Deus é esférico”. Homenagem é antes do nascimento, depois do nascimento. Nunca durante a vida.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um texto, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais de futebol em volta do caixão, a beijar a corpo de Armando Nogueira, pai adotivo de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dele no seu rosto fatigado: escreveu para sempre, escreveu por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. Armando, agora, é teu, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para ler seus textos. Ele é quem vai baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nos textos de Nogueira, amiguinho, a glória de Pelé e do nosso futebol, que tem a fragrância da nossa infância.

Armando Nogueira é eternamente teu, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outro.

*Rodrigo Silva Viana é jornalista, com mestrado em Literatura. Analisou crônicas de futebol. É também professor de jornalismo esportivo na pós-graduação da FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas.

Contato: www.blogdorodrigoviana.blogspot.com / twitter.com/rodrigosviana

Categorias
Sem categoria

A mídia da vez

Por aqui já comentei, em várias ocasiões, que não se pode pensar mais em esporte sem se falar das mídias sociais. Nada de mesa-redonda pós-jogo, com a análise modorrenta de comentaristas. Tudo em tempo real, com a opinião e a participação do torcedor, alçado à condição de comentarista da vez, podendo ainda dar o recado para os atletas, serem de fato ouvidos, conectarem-se a eles.

E isso vale para o bem e para o mal!

Um bom exemplo disso foi neste domingo durante o eletrizante Corinthians 4×3 São Paulo. Alex Glikas é diretor comercial da Locaweb. Não é uma figura pública. Mas representa a empresa que, neste domingo, estreou o patrocínio de dois jogos para o São Paulo. Corintiano (assim como são os donos da empresa), Glikas não se conteve e tirou sarro do Tricolor em sua página na internet. São pouco mais de 200 seguidores, provavelmente quase todos eles amigos e conhecidos de Glikas, passíveis de entenderem a brincadeira e darem risada dela.

Só que algum jornalista (tinha de ser!!!!) viu a gozação de Glikas ao rival. E a história se espalhou. Ganhou chamada de capa nos sites, revoltou a torcida tricolor. Glikas retirou seu comentário do ar e publicou um pedido de desculpas aos torcedores.

Em seu perfil no microblog, agora, diz ele: “Sinceras desculpas à torcida e ao SPFC. No calor do clássico, o torcedor tomou conta do profissional. Não acontecerá de novo”. Algo bem mais polido e insosso do que as palavras “no calor do clássico”. Algo típico de uma mesa de bar.

Em 140 caracteres veio a frase que comprova o quanto o torcedor, hoje, está ligado nas redes sociais, interagindo, interferindo, palpitando, mudando o rumo das coisas. A Locaweb teve de publicamente dizer que não vai retirar o patrocínio ao São Paulo, permanecendo na quarta-feira para a o jogo da Copa Libertadores. E que a opinião foi dada por um funcionário, não representando o sentimento da empresa.

É a mídia da vez, que reforça o quanto é importante, para as empresas, para o esporte e para as figuras públicas, se policiarem com essa exposição aparentemente inofensiva dos malditos 140 caracteres.

É claro que Glikas não queria ofender o Tricolor, muito menos relacionou seu ato com o patrocínio recém-acertado. Foi a opinião de um torcedor. Como se estivesse na mesa do bar, ou no estádio, ou em frente à televisão.

Só que a mídia social não é o bar da esquina. Está ali, para quem quiser acessar, cornetar, reclamar. E, pior de tudo. Reproduzir.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>Futciência

A paixão futebolística como mercadoria

Resumo
O presente artigo discorre acerca da relação patrocínio-clube, mostrando como as empresas investem em grandes times de futebol em busca de mídia espontânea. Para exemplificar tal parceria, é apresentado o caso do Sport Club Corinthians Paulista durante o ano de 2008, quando a equipe disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. São detalhados os investimentos em forma de patrocínio e o retorno financeiro dessas ações.
———
Utilizando-se da paixão dos brasileiros por futebol, cada vez mais empresas percebem e identificam as vantagens de associarem sua marca a esta modalidade esportiva. Dentro do atual cenário econômico mundial, muitas vezes as empresas têm dificuldade em se comunicar com seus consumidores. O patrocínio esportivo acaba por estreitar essa relação com o público-alvo, favorecendo a exposição midiática da marca naquele que é o esporte mais praticado e mais adorado do Brasil. E por ser considerado de caráter mundial, o esporte abre-se como um nicho importante e estratégico para a divulgação de marcas e a movimentação de bilhões de dólares pelo mundo.
A relação patrocinador-clube é definida por Thiago Gabardo da seguinte forma, em artigo publicado no site Universidade do Futebol, utilizando como fonte o livro A bola da vez, de Antonio Afif:

Para um bom trabalho e desenvolvimento de uma marca no futebol, fatores devem ser levados em consideração, como a associação de marcas executadas de formas planejadas, ou seja, um clube deve saber exatamente qual o perfil de seu patrocinador e de que forma isso irá repercutir sobre a sua imagem. Afif vê com uma visão bastante interessante esta questão da imagem do clube como “seu maior patrimônio”, relatando evidências da necessidade da fixação de uma marca e os cuidados com os padrões visuais. Outro foco que o autor aponta, refere-se ao formato comunicativo utilizado pelos clubes e sobre a necessidade de haver total controle e utilização de uma linha adequada ao seu público e ao perfil em questão, com um vigor que gere sintonia e aproxime a relação entre a torcida e o clube.

Aqueles que investem em um clube de futebol, ou em qualquer outra modalidade esportiva, precisam ter em mente que o torcedor é o público-alvo. E aquilo que move o poder de consumo é a paixão pelo time do coração. O torcedor, nesta relação patrocínio-clube, é o cliente preferencial, o consumidor final dos produtos da empresa patrocinadora por meio da aquisição de tudo aquilo que possui o brasão do time e, consequentemente, a marca dos investidores.
Ainda utilizando Antonio Afif como fonte, dados que datam do ano de 2000 colocam o Brasil como o 5º maior mercado esportivo do ano, movimentando aproximadamente US$ 2 bilhões anualmente. Este valor, em comparação aos US$ 87 bilhões que circulam nos EUA, pode parecer pequeno. Mas no âmbito nacional, esta quantia representa cerca de 3% do PIB do Brasil. Em torno de 72% do faturamento dos times brasileiros correspondem à televisão, patrocínios e bilheteria. Os outros 28% provêm de ações de merchandising, licenciamento e exploração de estádio.
Como exemplo dessa relação, o presente artigo apresenta os investimentos recebidos pelo Sport Club Corinthians Paulista durante o ano de 2008, quando o time disputou a série B do Campeonato Brasileiro. Apesar de não estar, durante o ano citado, entre os clubes considerados de elite, o Corinthians expandiu sua receita em todas as frentes, e os contratos de transmissão de jogos do time pela televisão foram renovados até o ano de 2011.
No início do ano, o clube fechou o maior contrato de patrocínio já feito no esporte brasileiro. Foram investidos R$ 16,5 milhões pela Medial Saúde para manter a sua marca nos uniformes do Corinthians. Em entrevista ao blog Jogo de Negócios, Carla Altman, diretora de marketing da Medial Saúde, fez um balanço do investimento feito pela empresa:

Durante todo o ano de 2008, o patrocínio ao Corinthians foi extremamente positivo para ambos os lados. Para a Medial foi possível levar a marca a todos os cantos do país, por onde o time passou. Fortalecemos nossa presença e junto com o clube alcançamos o melhor resultado: o retorno à elite do futebol. É claro que ao estampar a marca no peito dos jogadores gerou um retorno de exposição positivo, assim como as outras ações que desenvolvemos junto ao clube, como os camarotes nos jogos, onde construímos uma plataforma de relacionamento com os nossos públicos de interesse (médicos, corretores e clientes corporativos) e o lançamento do plano Medial Corinthians, um produto customizado para os torcedores, lançado em abril.

De acordo com o Relatório de Sustentabilidade referente ao ano de 2008, disponibilizado pelo Corinthians na internet, as receitas brutas obtidas apenas com o futebol profissional foram da ordem de R$ 69,65 milhões, valor que representa um crescimento de 36,83% em relação ao ano anterior. Além deste dado, o clube apresenta a evolução de outras formas de rendimentos, como pode ser constatado na tabela abaixo.

 
Estudo conduzido pela Informídia Pesquisas Esportivas constatou que o Corinthians, em 2008, durante a disputa da série B do Campeonato Brasileiro teve exposição na mídia nacional todos os dias do ano. Esse espaço, se caracterizado como propaganda, corresponde a R$ 2,69 bilhões.
Como explicação para este fato, pode-se apontar os 34 milhões de corinthianos espalhados pelo mundo. São os torcedores que movimentam esses valores, seja adquirindo camisas oficiais do time, frequentando o estádio ou comprando ingressos. Tudo isso é revertido em renda para o clube e, consequentemente, para a empresa parceira, no caso a Medial Saúde.
No final de 2008, o Corinthians contratou Ronaldo, um dos principais jogadores da história do futebol brasileiro, maior artilheiro em Copas do Mundo. A contratação do jogador foi o acontecimento mais noticiado do futebol mundial. A Medial Saúde encerrou sua parceria com o Corinthians tendo sua marca exposta em quase todos os países do mundo.
Em março de 2009, mais uma vez, o Corinthians firmou o maior contrato de patrocínio em vigor no Brasil. A Batavo (Grupo Perdigão) desembolsou R$ 18 milhões para estampar sua marca na camisa do time até janeiro de 2010.
Contratos com valores como esses não são feitos à revelia. De acordo com o Relatório de Sustentabilidade do Corinthians, já citado neste artigo, o time oferece um retorno de mídia espetacular pelos motivos citados abaixo:

Na pesquisa Ibope – Lance!, constata-se que o Corinthians é o primeiro time nas regiões metropolitanas do Brasil, com 14,3%, seguido pelo Flamengo, com 13,4%, e pelo São Paulo, com 7,3%. Ser o primeiro entre os que gostam de futebol e possuir a torcida com maior concentração nas regiões metropolitanas nos credencia como o melhor produto para o futebol. (…) Segundo os números da pesquisa Ibope-Lance!, entre os entrevistados que gostam de futebol, o Corinthians é o primeiro clube nacional, com 17,4%, seguido por Flamengo, como 15,8%. Assim, podemos afirmar que entre os espectadores que consomem futebol, nós lideramos. Trata-se de um dado relevante para as empresas com negócios relacionados ao futebol.

A fidelidade que nasce da paixão de um torcedor pelo seu time de coração o transforma em um consumidor diário de futebol e de tudo aquilo que possui alguma relação com o seu clube de preferência. Para uma empresa, ter sua marca associada a um time de futebol de massa, como é o caso do Corinthians, gera um retorno sem precedentes para a empresa. Sua marca e seus produtos serão lembrados pelos consumidores como parceiros da sua paixão. Com isso, é possível entender as elevadas quantias investidas pela Medial Saúde, no ano de 2008, e a Batavo, durante o ano de 2009. A mídia espontânea gerada pela transmissão dos jogos do Corinthians pela televisão, por exemplo, atinge públicos de todas as idades e de todos os segmentos da sociedade. Todos eles são consumidores em potencial dos produtos oferecidos por essas empresas, o que justifica os altos investimentos realizados na área esportiva atualmente.
Desta forma, é possível concluir que o Brasil, como grande “produtor” de jogadores e representante do futebol mundial, é um potencial mercado para o marketing esportivo. Clubes e empresas têm nas mãos um filão econômico que precisa ser mais bem aproveitado, já que foi possível comprovar, por meio dos dados utilizados para a produção deste artigo, que o torcedor brasileiro é um grande consumidor de produtos relacionados ao esporte.
Bibliografia
SANTOS, Roberto Rappa. A marca futebol: produto e paixão. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/a-marca-futebol-produto-e-paixao/=. Acesso em 14 dez. 2009.
BELLENZIER, Mauro. O esporte como alternativa de negócios. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/o-esporte-como-alternativa-de-negocios/=. Acesso em 14 dez. 2009.
GABARDO, Thiago. O marketing esportivo como estratégia de sucesso. [On-line]. Disponível em: https://universidadedofutebol.com.br/o-marketing-esportivo-como-estrategia-de-sucesso/=. Acesso em 14 dez. 2009.
SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA. Relatório de Sustentabilidade 2008. [On-line]. Disponível em: http://www.corinthians.com.br/upload/site/relatorio%20de%20sustentabilidade%202008.pdf. Acesso em 15 dez. 2009
KADOW, Fábio. O ano da Medial no Corinthians. [On-line]. Disponível em: http://jogodenegocios.blog.terra.com.br/2008/12/16/o-ano-da-medial-no-corinthians/. (Insdisponível) Acesso em 15 dez. 2009.

Categorias
Sem categoria

Ego Sum

Se você acompanha essa coluna há pouco tempo, você deve saber que eu faço um doutorado.

Se você acompanha essa coluna desde seu começo, você deve imaginar que eu estou chegando ao final do meu doutorado.

Mas ninguém deve acompanhar essa coluna desde seu começo. Talvez apenas os editores da Universidade do Futebol, já que eles são obrigados a revisar semanalmente o que eu escrevo para evitar que os incontáveis erros gramaticais sejem publicados. E olha que acho que por essas alturas eles já devem estar usando a correção automática.

De qualquer maneira, o problema com o doutorado é que você começa a pesquisar uma coisa achando que você vai chegar em algum lugar, mas, depois de um tempo, você não apenas se dá conta que você não está chegando em lugar algum, mas que tem muitas outras coisas que deveriam ser pesquisadas.

Uma questão que eu acho que merece uma discussão detalhada para a melhor compreensão possível sobre o comportamento da indústria do futebol brasileiro é a influência que o ego possui nas ações dos tomadores de decisão envolvidos com o jogo. Até que ponto as pessoas tomam decisões baseadas em princípios lógicos, desprovidas de qualquer necessidade de auto-sustentação? Até que ponto essa necessidade de se auto confortar influencia o rumo das suas ações?

Eu venho batendo na tecla de que o futebol gera mais exposição do que dinheiro há muito tempo. Assumindo que isso seja verdade, é natural imaginar que boa parte das pessoas que se envolvem com o futebol buscam mais exposição do que dinheiro. Isso explica, por exemplo, o grande envolvimento de diretores não remunerados com os clubes. O cara larga o trabalho, a casa e a família para se dedicar ao clube. Muita gente vê nisso, não sem subsídios, uma ação de picaretagem. Afinal, se o cara se dedica tanto assim, o cara deve levar uma boa grana por fora. Por vezes, isso é verdade. Mas a impressão que eu tenho é que na maioria das vezes isso se dá por uma questão de auto-estima.

Pessoas que se envolvem com o futebol rapidamente alcançam um status de importância não necessariamente relacionada ao seu currículo pessoal. Isso acontece, por exemplo, com um cara qualquer que de repente vira presidente do clube de futebol. Do dia pra noite, o cara larga o anonimato e se torna uma figura pública. Alguns não gostam disso. A maioria acaba se embebedando. E não larga o osso. Pior, acha que a exaltação é pessoal, e não institucional. Acha que a bajulação se dá pela figura individual, e não pelo fato de ser presidente de uma organização muitas vezes histórica e influente. Aí começa a confundir as coisas. Faz uma conta no Twitter e vai pro abraço. Tenta ser maior que o clube. Logicamente, não é. E tudo, hora ou outra, acaba se esfacelando.

Mas não é só o presidente. Talvez pior sejam os diretores. Afinal, presidente é presidente. Justo que seja minimamente egocêntrico. Diretor, porém, é outra história. O cara é eleito, nunca foi nada, e de repente acha que é o ó do borogodó, que eu não sei se está relacionado apenas à última vogal ou ao fato de ocupar 50% de uma palavra oito letras. Enfim, o cara sobe nas tamancas e, por ter feito parte de uma chapa – uma vez que na maioria dos clubes os diretores não são eleitos individualmente, mas sim fazem parte de um grupo encabeçado pelo presidente – acha que tem certeza daquilo que está fazendo. Afinal o cara é diretor. E diretor é da diretoria. E diretoria é vip. É nata. É elite. É qualquer outro adjetivo que indique superioridade. Tipo a última bolacha do pacote, ainda que eu ache que não seja muito apropriado uma vez que a última bolacha está sempre quebrada e sai junto com um monte de farelo. Ainda assim, ele vai lá, acha que sabe, faz o que quer e dificilmente alguém vai reclamar, uma vez que isso pode gerar um problema político.

Normalmente, portanto, há forte influência do ego no processo cognitivo dos principais tomadores de decisão do futebol.

O problema é que o esquema não para aí. Afinal, não é só dentro do clube que o ego impera. Fora dele pode ser pior ainda, principalmente na imprensa. Muito jornalista que trabalha com futebol ganha muito pouco. Muito comentarista que comenta futebol não ganha nada. Ainda assim, o cara não larga o osso por duas razões: a) porque ele gosta do que está fazendo e é feliz, o que é muito justo; e b) porque ele aparece na televisão e assim ele se torna uma pessoa conhecida e respeitada, o que até pode ser justo também, mas pode carregar um lado nefasto.

Ao aparecer todo dia e ser reconhecido na rua, um jornalista pode eventualmente achar que automaticamente sabe tudo sobre aquilo que ele está falando, e não se preocupa em aprofundar muito a sua opinião. Seu ego influencia na não necessidade do aprimoramento profissional. Muitas vezes, essa opinião é crítica em relação às decisões tomadas pelo clube, que por sua vez também são geradas pela necessidade de auto-estima. Aí, quando um ego bate outro ego, a coisa se complica. E o rumo das decisões começa a tomar a direção do caos.

Se você é psicólogo, você deve ter percebido que eu não sei muito bem sobre o que eu estou falando. Por isso que eu mencionei a necessidade do assunto ser mais bem pesquisado. O entendimento mais profundo dessa questão me parece ser bastante importante para o desenvolvimento mais apropriado da indústria.

E, se eu estou falando, pode ir com fé.

Acredite.

Não seje burro.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Diário de viagem – Parte 3

Nossa jornada seguia agora para a Irlanda, onde iríamos cumprir a agenda de visitas técnicas aos estádios locais, bem como assistir a um jogo da Primeira Divisão local e participar de um ciclo de palestras na sede da Federação Irlandesa de Futebol (FAI).

E aqui, vale a pena mencionar algo sobre a infraestrutura e os serviços dos aeroportos da Inglaterra e Irlanda, em contraponto ao que vivenciamos no Brasil, nessa mesma viagem – e que também são importantes dentro de um contexto de Copa do Mundo, como anteriormente destacamos.

O aeroporto internacional de Curitiba opera, até hoje, sem voos internacionais, à exceção do destino Buenos Aires. Não há a devida preparação alfandegária para operar um maior número de voos, nem para receber aviões de maior porte. E estamos falando da chamada “Capital do Mercosul”.

O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, está envelhecido e sobrecarregado. Nitidamente. Na ida, não houve muitos problemas com check-in e despacho de bagagens. Na volta, sim. Mesmo com folga de algumas horas, sobrou pouco tempo para confirmar a conexão para Curitiba, porque muitos voos internacionais chegam no mesmo horário e, dado o duopólio de nossa aviação, temos que suportar a sobrecarga e ineficiência dos serviços de uma das companhias aéreas.

Por outro lado, no Aeroporto de Londres, Heathrow, as coisas funcionam. Mesmo quando falamos do terceiro maior do mundo em número de passageiros. São vários terminais, interligados por um sistema de metrô interno e também com estação para ligá-lo ao centro da cidade. E existem várias lojas para compras e praças de alimentação muito bem servidas. Não houve atrasos, apesar das distancias percorridas entre um terminal e outro e o rigor da revista antes do embarque.

Em Dublin, obviamente, o movimento é bem menor e os serviços também funcionaram em alto nível.

Ali, conhecemos o novo estádio da FAI, Aviva, para 50.000 pessoas, que se encontra em fase final de construção, e será inaugurado em agosto, num amistoso contra a Argentina, e que servirá exclusivamente ao futebol. Lindíssimo e com o projeto totalmente preocupado com questões socioambientais (iluminação solar e impacto nas casas vizinhas, água de chuva captada para irrigação e uso sanitário, gestão de recursos e resíduos).

Além disso, visitamos o estádio de Croke Park, sede dos Gaelic Games (Jogos Gaélicos) – belíssimo e com capacidade para 83.000 pessoas, um dos maiores da Europa.

O jogo a que assistimos foi no estádio Dalymount Park, do Bohemian Football Club, com capacidade para 8.000 pessoas e com atmosfera típica da Rua Javari. Bem familiar mesmo, ainda que a casa do maior clube da Irlanda.

A Irlanda é um país interessante no que concerne aos seus principais esportes. Não só existe o futebol, como também o Rúgbi, o Gaelic Football (Futebol Gaélico) e o Hurling.

O Futebol Gaélico é uma mistura de Rúgbi, com o nosso futebol, com o americano Lacrosse e com o críquete e com o próprio Hurling. Vai entender… Vou tentar explicar.

É um dos quatro jogos Gaélicos que promove a GAA (Associação Atlética Gaélica), a maior e mais popular organização na Irlanda, com regras rígidas sobre amadorismo e o principal evento do esporte é o inter-condado, o All-Ireland Football Final. Acredita-se que o jogo descende do antigo Futebol Irlandês, conhecido como caid, que remete ao ano de 1537. O jogo moderno tomou forma em 1887.

O Futebol Gaélico é jogado por times de 15 jogadores em gramado retangular com traves em forma de H localizadas no fim do campo. O objetivo principal é marcar gols, conduzindo a bola com chutes e socos. O time com maior pontuação no fim da partida ganha.

Jogadores podem avançar no campo com uma combinação de carregar a bola, fazer uma embaixada e pegar a bola novamente, chutando, e passando a bola com os pés ou mãos para os companheiros de time.

No Croke Park, visitamos o museu da GAA, muito bem gerido e servido, onde pudemos (tentar) entender mais a respeito das origens dos Jogos Gaélicos.

O que nos impressionou, definitivamente, foi uma bem visível convergência entre a infraestrutura esportiva e a história das instituições que nela desfilam suas equipes.

História construída por dentro e por fora dos estádios, nas arquibancadas, nos museus e memoriais – como símbolos representativos dos valores e do orgulho de todo o povo irlandês.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Conteúdo Udof>Colunas|Sem categoria

Tecnologia no futebol – “Mini fórum” com os leitores: os portões fechados

Olá, amigos!

Damos sequência ao texto Portas Fechadas: tecnologia não entra! Por quê?

Agradeço os emails recebidos e tentarei sintetizar aqui algumas das opiniões colocadas pelos leitores. Como o espaço é curto, não reproduzo todos os diálogos, mas indico os nomes dos amigos que colaboram com essa ideia de “mini fórum” a respeito da tecnologia no futebol.

A modalidade fechou as portas para a tecnologia e a pergunta que fazemos a respeito disso é:

estão certos os homens que gerenciam o futebol? Sim? Não? Talvez? Por quê?

Hoje, apresento algumas das ideias do pessoal que defende a postura da Fifa. No final deste “mini fórum”, faremos uma grande amarração entres pensamentos e participantes.

Portão Fechado

Alguns amigos defendem que a Fifa está num caminho certo, que não deve adotar tecnologia sobre diversos pretextos, os quais estão topificados a seguir:

Permitir o acesso à tecnologia tira o aspecto humano do jogo, é como se o futebol fosse automatizado (Fred Souza, Elisário Soares, Rodolpho);

Perde-se a polêmica, a discussão, grande atrativo para o torcedor (Elisário Soares, Rodolpho, José Irineu);

Se gastaria muito tempo para utilizar os recursosm acarretando em atraso e muitas paralisações (Rodrigo Martins, Amauri Furlan, José Irineu, Fred Souza);

Não seria democrático, pois nem todas as categorias poderiam se beneficiar. Teríamos um futebol diferente de acordo com as condições financeiras de cada região ou mesmo num determinado campeonato, como o Brasileiro, com claras diferenças entre estádios e poder econômico (Rodrigo Martins).

São argumentos defendidos pelos colegas de diferentes formas, mas que de modo sintético estão contidos nesses aspectos.

Para não “contaminar” tais tópicos com meus contrapontos a esses argumentos, deixo-os para que outros amigos emitam suas opiniões a respeito.

Na próxima semana, apresentarei os tópicos da turma do “Portão Aberto”, que defende o acesso à tecnologia no futebol. Existe ainda a turma do “Portão Encostado”, que defende em partes a tecnologia – esta também terá seu espaço nessa coluna.

Após exposto sem juízo num primeiro momento os tópicos, darei espaço para o debate propriamente dito, com direito à réplica e tudo mais.

Acredito, assim, pessoal, contribuirmos para aprofundar um pouco mais a respeito do uso da tecnologia no futebol, sem ficar numa perspectiva batida, e para tal disponibilizo esta proposta de “mini fórum”

Participe, mande seus comentários, via email ou twitter (@edufanta).

Para interagir com o autor: fantato@149.28.100.147

Categorias
Sem categoria

Tecnologia no futebol – "Mini fórum" com os leitores: os portões fechados

Olá, amigos!

Damos sequência ao texto Portas Fechadas: tecnologia não entra! Por quê?

Agradeço os emails recebidos e tentarei sintetizar aqui algumas das opiniões colocadas pelos leitores. Como o espaço é curto, não reproduzo todos os diálogos, mas indico os nomes dos amigos que colaboram com essa ideia de “mini fórum” a respeito da tecnologia no futebol.

A modalidade fechou as portas para a tecnologia e a pergunta que fazemos a respeito disso é:

estão certos os homens que gerenciam o futebol? Sim? Não? Talvez? Por quê?

Hoje, apresento algumas das ideias do pessoal que defende a postura da Fifa. No final deste “mini fórum”, faremos uma grande amarração entres pensamentos e participantes.

Portão Fechado

Alguns amigos defendem que a Fifa está num caminho certo, que não deve adotar tecnologia sobre diversos pretextos, os quais estão topificados a seguir:

Permitir o acesso à tecnologia tira o aspecto humano do jogo, é como se o futebol fosse automatizado (Fred Souza, Elisário Soares, Rodolpho);

Perde-se a polêmica, a discussão, grande atrativo para o torcedor (Elisário Soares, Rodolpho, José Irineu);

Se gastaria muito tempo para utilizar os recursosm acarretando em atraso e muitas paralisações (Rodrigo Martins, Amauri Furlan, José Irineu, Fred Souza);

Não seria democrático, pois nem todas as categorias poderiam se beneficiar. Teríamos um futebol diferente de acordo com as condições financeiras de cada região ou mesmo num determinado campeonato, como o Brasileiro, com claras diferenças entre estádios e poder econômico (Rodrigo Martins).

São argumentos defendidos pelos colegas de diferentes formas, mas que de modo sintético estão contidos nesses aspectos.

Para não “contaminar” tais tópicos com meus contrapontos a esses argumentos, deixo-os para que outros amigos emitam suas opiniões a respeito.

Na próxima semana, apresentarei os tópicos da turma do “Portão Aberto”, que defende o acesso à tecnologia no futebol. Existe ainda a turma do “Portão Encostado”, que defende em partes a tecnologia – esta também terá seu espaço nessa coluna.

Após exposto sem juízo num primeiro momento os tópicos, darei espaço para o debate propriamente dito, com direito à réplica e tudo mais.

Acredito, assim, pessoal, contribuirmos para aprofundar um pouco mais a respeito do uso da tecnologia no futebol, sem ficar numa perspectiva batida, e para tal disponibilizo esta proposta de “mini fórum”

Participe, mande seus comentários, via email ou twitter (@edufanta).

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br