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Metabolismo Lipídico Durante o Exercício

Introdução

As duas principais fontes de energia durante o trabalho muscular são as gorduras (triglicerídeos) e os carboidratos (glicogênio e glicose) armazenados no organismo – existem muitas pesquisas e experiências práticas acumuladas nos últimos 30 anos, demonstrando a importância do glicogênio muscular e hepático na redução da fadiga e na melhoria do desempenho atlético.

Como exemplo, podemos dizer que dietas contendo teores elevados de carboidratos são necessárias para a manutenção das reservas de glicogênio em níveis elevados, durante as sessões de exercício intenso e, também, que essas dietas são, aparentemente, ótimas para a promoção de uma melhoria no desempenho induzido pelo treinamento (Simonsen et al. 1991).

A principal razão para que as reservas de glicogênio sejam essenciais é porque os atletas convertem suas reservas lipidicas em energia, lentamente, durante o exercício. Entretanto, quando as reservas de glicogênio são diminuídas, ou seja, o glicogênio muscular e a glicose sanguínea estão baixas, a intensidade dos exercícios ficam reduzidas aos níveis que podem ser suportadas pela limitação da habilidade do organismo em converter as gorduras corporais em energia.

Com treinamento de resistência, os atletas aumentam significativamente a capacidade de oxidação das gorduras, assim, o organismo permanece ativo por um período mais longo, antes de se instalar a exaustão, devido à depressão do glicogênio. Assim sendo, o treinamento também aumenta a capacidade individual para o exercício mais intenso, assim, atletas treinados continuam a obter energia dos carboidratos durante o treinamento intenso e competição, porque o aumento da capacidade de oxidar gorduras não atende a demanda de energia.

Qual o limite que o organismo pode converter gordura em energia? As pesquisas recentes usando novas técnicas lançaram alguma luz sobre essa questão, e neste artigo, discutiremos esses aspectos. Embora até o momento ainda não tenhamos uma visão completa para entender o metabolismo das gorduras durante o exercício, temos, entretanto, informações que esclarecem algumas dúvidas para dietas especiais e suplementação nutricional que reforçam a utilização de maior quantidade de gordura e menos carboidratos.

Para ler o artigo completo, basta clicar aqui

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Racismo na Copa do Brasil

Na partida entre Grêmio e Santos válida pela Copa do Brasil, mais do que o resultado (vitória de 2 a 0 do clube paulista), o grande destaque foram as atitudes racistas de parte da torcida gaúcha contra o goleiro Aranha. Atos absurdos como esses sempre causam revolta e devem ser fortemente combatidos.

Sob o ponto de vista desportivo, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê em seu artigo 243-G a possibilidade de punições para atos de racismo.

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

Como se tratou de atos oriundos da torcida, o Grêmio pode ser multado, perder mando de campo e até ser excluído da competição.

Além da punição ao clube, os torcedores identificados poderão ficar proibidos de ir ao estádio pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias.

Vale ressaltar que, apesar de não ter constado na súmula, a Procuradoria do STJD pode efetuar denúncia com base nas imagens. Esta omissão da arbitragem também pode ser objeto de processo disciplinar.

Além da punição desportiva, os torcedores podem ser acionados na esfera criminal já que trata-se de crime de injúria racial tipificada no artigo 140, § 3º do Código Penal Brasileiro que e consiste em ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem.

Ou seja, muito embora comumente tratemos o caso como racismo, tecnicamente o termo é inadequado, já o crime de racismo, previsto na Lei 7.716/89, implica em conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade.

Portanto, comete o crime do artigo 140, § 3º do CP, e não o delito do artigo 20 da Lei nº 7.716/89, o agente que utiliza palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima, como no caso em comento.

Diante do exposto, conclui-se pela clara incidência de falta disciplinar desportiva e de crime de injúria racial e espera-se punições rápidas e efetivas de forma a desestimular situações tão lamentáveis. 

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Capítulo II – Jornalismo Esportivo x Assessoria de Imprensa

O jornalismo esportivo no Brasil começou no ano de 1856, e cobriam os esportes mais populares da época que eram o cricket, o turfe e o remo. Então, aparece Mário Cardim, um jovem jornalista e estudante de Direito, que se interessou pelo futebol e tornou-se o primeiro repórter a cobrir a modalidade no Brasil.

A tarefa de Cardim não era fácil, já que conseguir sucesso nas pautas falando sobre o futebol era complicado. Pois os chefes das redações dos principais jornais impressos não tinham interesse no esporte, que ao mesmo tempo crescia constantemente nas várzeas paulistanas.

A informação para ser publicada ainda era muito precária. Primeiro pelo fato das redações ainda não estarem preparadas para este novo tipo de cobertura, e segundo por serem pequenas e não possuírem luz elétrica.

Os responsáveis para noticiar os assuntos do futebol nas redações eram chamados de “noticiaristas”, cuja função era receber informações externas e transformá-las em notícias. Quando divulgada, a informação deveria ser feita de forma objetiva, sem detalhar o que ocorria na partida. Resumindo, apenas dizer o jogo, quem contra quem, os gols e o local da partida (uma Ficha Técnica dos dias atuais).

Os jornais impressos de São Paulo e do Rio de Janeiro, passaram a contratar mais repórteres para que fizessem a cobertura dos jogos. Entretanto, a FIFA acabou vetando a regulamentação da entidade. Os principais periódicos publicavam através de seus artigos a necessidade de uma união política do futebol, com o intuito de que o esporte se popularizasse e organizasse.

Após o surgimento da Associação dos Cronistas Esportivos (Aceesp), em 1917, algumas principais expressões começaram a ser usadas no futebol, como por exemplo, tiro de canto ou escanteio, finta ou drible, falta, zagueiro, atacante, entre outros.

A questão da participação ou não dos negros da Seleção Brasileira foi discutido nas redações dos jornais, após a eliminação do Brasil com duas derrotas em três jogos no Sul-Americano de Futebol. Mas a discussão só mostrava que o futebol estava cada vez mais em grau de popularização.

O rádio marcou a cobertura jornalística esportiva e despertou o interesse de empresários, tornando-se um grande aliado na divulgação do esporte. O veículo se aproximava das transmissões de futebol, por meio de notas sobre os resultados dos jogos.

Enquanto as transmissões radiofônicas ‘engatinhavam’, o futebol já estava em ritmo acelerado de crescimento e de popularização. O narrador, Amador Santos criou o estilo de narração que é visto hoje nas rádios e televisões. Porém, da mesma forma que o jornal tinha dificuldades de divulgação de notícias sobre o futebol, no começo do século, o rádio teve que enfrentar alguns obstáculos.

A popularização definitiva do futebol só foi acontecer, após Getúlio Vargas tornar o rádio acessível para as classes inferiores. O ex-presidente utilizou do veículo para decretar os atos do poder e desta forma o futebol, aproveitou o momento, e enfim virou popular, inclusive passando a fazer parte do cotidiano e da cultura dos brasileiros.

Em 1940, a Rádio Cruzeiro do Sul inovou na transmissão esportiva usando o comentarista de futebol para realizar, junto com o narrador esportivo, a transmissão do jogo. Porém foi a Rádio Panamericana (atual Jovem Pan), que veio o primeiro comentarista de arbitragem do Brasil, além do plantão esportivo, e o primeiro departamento de Esportes, que posteriormente ganharia os repórteres de campo.

A primeira emissora a realizar a transmissão de uma partida de futebol foi a TV Record em 1954, que foi pioneira também do primeiro programa de debates da televisão brasileira, o ‘Mesa-Redonda’, que além de debater sobre o futebol, realizava as transmissões das partidas ao vivo.

A grande revolução aconteceu na década de 1990. Os principais acontecimentos foram, além das coberturas esportivas das Olimpíadas de Barcelona (1992) e Atlanta (1996), ainda teve as Copas do Mundo de 1990, 1994, e 1998. Ainda no início da década de 1990, o Governo Brasileiro, liberou a concessão para as empresas de televisão por assinatura. Com isso, o mercado do jornalismo esportivo cresceu de maneira considerável e os próprios clubes passaram a ter mais espaço para divulgar e ter as suas informações.

Por sua vez, a Internet chegou ao Brasil no começo da década de 1990, mas somente a partir de 2000 é que o jornalismo online foi aperfeiçoado. As apostas na interatividade e na velocidade das notícias fizeram a ferramenta crescer gradativamente, e colaboraram para a evolução do jornalismo esportivo, sendo permitidas postagens de vídeos, áudios e de imagens fotográficas.

A internet não é somente uma mídia eletrônica. A ferramenta é capaz de comportar conteúdos do rádio, no áudio, conteúdos da televisão, no vídeo e no impresso, através dos textos. Contudo, o principal destaque da Internet é o dinamismo e a interatividade.

O surgimento das redes sociais como o Twitter, Facebook e Instagram fizeram com que as noticias se tornassem mais acessíveis e fossem veiculadas ainda mais rápidas, pelos principais portais. No caso esportivo, as ferramentas de interatividade viraram peças fundamentais no trabalho do jornalismo.

Atletas, membros das comissões técnicas, dirigentes e presidentes de clubes e federações possuem suas contas nas redes sociais e acabaram virando um canal de acesso mais próximo com os internautas, pois utilizam a ferramenta para expor opiniões pessoais, que por consequência geram conteúdos noticiosos de sites jornalísticos e outros veículos de comunicação como o rádio, TV e impresso.

No próximo capítulo iremos ver como as assessorias de imprensa surgiram no cenário esportivo, mais precisamente no futebol. Por meio delas, o que era fácil começa a se tornar complicado e o futebol fica elitizado, com difícil acesso a informação e bastidores dos clubes não revelados.

 

*Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos – UniSantos – e pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias, pela Universidade Anhembi Morumbi. Autor do livro “Manual de Assessoria de Imprensa Esportiva – Capítulo Futebol”
 

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O medo e como enfrentá-lo

Muitos atletas, bem como qualquer outra pessoa, podem ser acometidos pelo medo em diversos momentos de suas carreiras, dificultando o seu desenvolvimento pessoal e esportivo. Esse sentimento pode gerar uma paralisia no atleta e bloquear sua capacidade de executar suas ações mais cotidianas.

De uma maneira geral todos nós tememos os erros, os fracassos, as críticas, bem como a falta de reconhecimento, tememos não suportar a pressão, muitas vezes tememos a própria competição, a rejeição e acreditem, em muitos casos tememos até o sucesso. Os medos que sentimos podem ser classificados em objetivos e subjetivos.

• Medos objetivos: o medo de errar e perder as chances de crescimento profissional, de perder a vaga na equipe ou o medo de passar por necessidades.

• Medos subjetivos (e não menos reais por serem subjetivos): de ser depreciado, desconsiderado no elenco ou de ser humilhado pela crítica ou pelos torcedores.

Mas, muitas vezes o problema em geral não é termos medo, porque na verdade ele é benéfico quando nos alerta de um determinado perigo e nos coloca em prontidão para a necessidade de nos defendermos. O problema é que muitas vezes o medo que sentimos está relacionado com o nosso passado, eventualmente com lembranças desagradáveis, que possuem a capacidade de reduzir consideravelmente nossa autoestima. Como em todo processo de evolução, o desenvolvimento pessoal e profissional de um atleta é um processo de mudanças e no transcorrer destes processos todo atleta pode apresentar defesas pessoais clássicas que a maioria das pessoas utilizam para lidar com o medo presente, como por exemplo:

• Atacar desafios, dedicando-se da maneira extremamente excessiva aos objetivos, gerando impressão de estar sobrecarregado;

• Fingir-se de morto ou camuflado, sempre buscando desviar a atenção para o desempenho de outras pessoas ou áreas e evitando que avaliem o seu próprio desempenho;

• Inventa desculpas muito criativas, porém aparentemente razoáveis para prorrogar seus compromissos;

• Justifica-se sem parar!

Para lidar com o medo é importante sabermos que o nosso mecanismo de defesa se trata de um processo completamente inconsciente e que a melhor defesa na verdade é nenhuma defesa. Quer dizer, em vez de nos defendermos incansavelmente dos outros nós precisamos fortalecer o autoconceito e a autoestima. Refletindo mais ainda, percebemos que o maior desafio para vencermos o medo é sermos capazes de aceitar e compreender a realidade e com isso passarmos a ter coragem para promover as mudanças em nós mesmos que nos levem ao autodesenvolvimento.

Por isso, muitas vezes precisamos enterrar coisas do passado e com os atletas isso também se torna importante. Mas você deve estar se perguntando: porque é importante para qualquer pessoa enterrar o passado para conseguir evoluir? Para responder isso, compartilho três razões apontadas por Ane Araújo publicadas em seu livro denominado Coach:

1º – O passado simplesmente não volta mais, ele passou! Parece tão óbvio, que geralmente não nos damos conta disso.

2º – Qualquer processo de transformação ou de realizações parte necessariamente do nosso presente, e não do passado! O verdadeiro e precioso poder para realizar o que desejamos está no aqui e no nosso agora.

3º – Porque nem sempre é fácil mudar, como parece muitas vezes. Para isso precisamos ter muita coragem e principalmente determinação! Por este motivo é que nos pegamos inúmeras vezes em nossas vidas esperando que os outros mudem, em vez de produzirmos as mudanças em nós mesmos.

Sendo assim, caro amigo leitor, todo atleta precisa encarar o desafio de vencer o medo para poder progredir rumo a sua excelência pessoal e profissional, porém para isso deve estar consciente de que muitas vezes somente após enterrar situações e lembranças do passado ele poderá encarar seus medos e partir numa nova jornada, que praticada essencialmente no hoje e no agora poderá leva-lo ao futuro desejado.

Até a próxima! 

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Jogo em circulação x Jogo direto

Uma das grandes discussões nos dias atuais do futebol e um dos dilemas enfrentados pelos treinadores no futebol de base é referente ao defensivismo motivado pela sensação equivocada da necessidade de resultados, pela insegurança na aplicabilidade de se jogar em passes curtos em circulação de bola e pela falsa sensação de segurança ao estimular os "chutões" em situações de pressão no campo defensivo, dando-lhe a equivocada alcunha de jogo direto.

Deixando de lado um pouco as questões referentes à aprendizagem e cognição (como se fosse possível), a segurança percebida pelo treinador de base, ao coibir qualquer tentativa de saída de bola com circulação (pé em pé), no momento em que o adversário pressiona desde a saída de bola, implica em sensação de insegurança, pela possibilidade de erro do jovem atleta. Este por sua vez passa a entender que a alternativa para não ser "cobrado" ou "julgado culpado" por uma possível falha seja o "chutão" com intuito de "passar a responsabilidade" para outrem, seja adversário ou colega de equipe.

O chutão, neste sentido, não pode ser confundido com o jogo direto. O jogo direto se caracteriza como uma estratégia definida de buscar o campo ofensivo com passes longos direcionados, seja no espaço vazio ou mesmo para o atacante central de costas para os defesas. Sendo assim, jogar em circulação é o jogo em passes curtos ou médios em que se busca encontrar as falhas no sistema defensivo adversário em um jogo predominantemente em amplitude. Vejam bem, não disse obrigatoriamente.

A partir deste contexto, como devemos pensar o processo de formação?

No torneio sub 17 "Future Champions", na edição 2010 em Belo horizonte, duas equipes chamaram a atenção, tanto o poderoso Barcelona, quanto o sul-africano Mamelod Sundowns, mesmo com marcação pressão, não abdicaram do jogo em circulação desde sua meta defensiva, sem mostrando bem confiantes ao saírem das referidas situação-problema. Em momento algum, seus treinadores demonstraram o desespero presente em muitos treinadores de base aqui no Brasil, muito perceptível quando suas equipes são pressionadas e demoram a "passar a responsabilidade".

Referente a isto, podemos e precisamos entender que o "como ganhar" faz toda diferença no processo de formação. Entender o jogo para poder vencê-lo é fundamental, mas os caminhos que tomamos para executá-lo define qual o perfil de atleta que queremos, qual a "qualidade" do jogo que pretendemos para nosso futebol de base e, com certeza, para o futebol profissional.

Ainda podemos mencionar que no processo de formação o erro precisa ser permitido, aceito, tolerado mas não como motivo de acomodação. Errar um passe no campo defensivo não pode ser motivo de gritos ou "xingamentos", mas oportunidade de aprendizado, de entendimento do jogo, seus conceitos, e para aquisição de princípios pertinentes no desenvolvimento do jogar a que pretende o treinador para a equipe. Claro, não podemos nos confundir, o modelo não pode ser maior que o jogo. O modelo é de jogo, pelo jogo e para o jogo. Assim, e reforçando, o entendimento do jogo é a matriz de todo o processo para entendimento do modelo de jogo, mas é no desenvolvimento deste modelo que colocamos nossas intenções de adaptação aos atletas.

Sendo assim, estimular a saída curta, os passes curtos mesmo em situação de pressão, pode ser um valioso incremento na autoconfiança desportiva, nas aquisições cognitivas e com certeza na formação de um atleta de alto nível para o futebol.
 

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A história se repete…

Há pouco mais de 3 anos o imbróglio envolvendo a negociação de Ronaldinho Gaúcho com o Flamengo, tendo ainda como personagens o Grêmio (que chegou a montar uma festa de apresentação para o atleta) e o Palmeiras, que disputaram até o último dia a “preferência” do jogador, teve um enredo de novela, nada agradável para uma estrela do futebol mundial que fora eleito melhor do mundo em duas oportunidades.

Quem já teve a oportunidade de ler o livro “A Bola não entra Por Acaso”, de Ferran Soriano, percebe no descritivo do autor sobre o craque do Barcelona os inúmeros desentendimentos que teve na relação do clube com o seu empresário, que desgastou uma relação de apreço e culminou com a saída do jogador em 2008, após 5 brilhantes temporadas no clube catalão.

Nesta semana a história se repetiu, dentro de uma possível negociação de Ronaldinho com o Palmeiras, no ano do seu centenário, que não se concretizou. Apesar de ficar difícil fazer uma análise mais coerente e abalizada sobre informações da imprensa, é notória a falta de profissionalismo na gestão da carreira do atleta.

Na realidade, é lamentável que uma carreira construída de forma brilhante nos gramados seja manchada por uma conduta nefasta fora das quatro linhas. Reforça-se, portanto, a necessidade cada vez mais premente de clubes e agentes se prepararem melhor para a formação e a condução da carreira dos astros do futebol, sem negligenciarem ou transferirem responsabilidades neste processo.

O mais triste disso tudo é: ao invés de estarmos celebrando o encerramento de uma carreira de um craque como Ronaldinho, estamos, na realidade, torcendo para que termine logo e, desta forma, nos poupe (enquanto torcedores e brasileiros) da falta de bom senso sobre relações formais com clubes e comprometimento com quem paga seus altos salários. 

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A mentalidade vencedora – parte 2

primeira parte desta série de artigos sobre a mentalidade vencedora explica as mentalidades fixa e de crescimento. Claramente, a mentalidade de crescimento é aquela que permitirá a um atleta desenvolver todo seu potencial.

Este artigo desenvolverá respostas às seguintes perguntas: “é possível modificar a mentalidade de uma pessoa para a mentalidade de crescimento?” e “como isso pode ser feito?”.

Tanto a mentalidade fixa como a de crescimento são ideias no “subconsciente” de uma pessoa. E ideias podem ser sempre modificadas, mas não necessariamente é um processo fácil. Não basta simplesmente dizer “eu acredito nisso” para realmente acreditar e, como consequência, modificar as ações de uma pessoa.

O filme de ficção “Inception” – apesar de, até onde vai meu conhecimento do assunto, não ser fundamentado em fatos científicos – trata do conceito de que uma ideia é “implantada” no subconsciente de uma pessoa. Claro, na vida real as ideias não são implantadas no cérebro da mesma forma que ocorre no filme. Contudo, desde que nascemos somos expostos as ideias dos pais, familiares, professores e amigos: qual tipo de brinquedo é apropriado, para qual time deveremos torcer, etc. Nossas próprias reflexões sobre as interações que sofremos com o meio ambiente irão moldando nossas ideias.

A autora da pesquisa sobre as mentalidades fixa e de crescimento conta sobre quando estava no ensino fundamental, que sua professora aplicou nos alunos o IQ teste, pois esta acreditava ser uma medida da inteligência de cada criança. Baseada nos resultados dos testes, os alunos foram organizados em ordem de “inteligência” e aqueles com melhores resultados estavam na frente na fila, carregavam a bandeira etc.

Seu exemplo mostra um caso extremo de como desde criança a mentalidade com a qual nascemos, com uma certa quantidade de inteligência, pode ser fortemente implantada. A autora relata como mais tarde descobriu que o IQ teste, na verdade, não foi feito para se medir a inteligência de uma pessoa (percepção até hoje muito comum), mas sim – desenvolvido por Binet, um francês trabalhando em Paris – para medir como as crianças estavam se beneficiando do sistema acadêmico da cidade. A intenção era colher dados para fazer um sistema de ensino mais efetivo.

Da mesma forma, atualmente, a forma como a informação chega muitas vezes passa a ideia de que pessoas atingiram seus objetivos, status ou fama, simplesmente por terem um talento fora do normal.

Quando olhamos as pessoas, atletas ou não, que atingiram muitas conquistas, é mais fácil acreditar que alcançaram o sucesso por uma questão de oportunidades ou genética, não como consequência do próprio esforço durante anos de dedicação. A Dra. Dweck cita em seu livro dezenas de pessoas que parecem que simplesmente “nasceram perfeitas ou geniais”, mas que se estudarmos suas vidas, veremos que o sucesso veio como consequência de anos de esforço, dedicação e, especialmente, persistência. A habilidade de lidar com o fracasso é uma constante nas histórias de sucesso (DWECK, 2006).

Basquete nunca foi o meu esporte. No entanto, como para muitos adolescentes da minha época, assistir o Chicago Bulls e os Los Angeles Lakers se enfrentarem era uma grande atração. E Michael Jordan era “o cara”. Perfeita combinação de talento e condição física. Simplesmente um “natural”, ou seja, o cara que nasceu com o talento e não podia ser superado. No entanto, estudando a história de sua carreira, as dificuldades que enfrentou como jogador no ensino médio, na faculdade e depois na NBA, me dei conta de que ele não nasceu perfeito, mas sim tinha uma mentalidade que o permitiu enfrentar uma série de desafios e superá-los, sempre se desenvolvendo.

Outro exemplo que não posso deixar de citar é o de Thomas Edson, inventor da lâmpada elétrica incandescente. A primeira impressão que se pode ter é do “cara genial”, no laboratório do fundo da casa que, como num passe de mágica, descobriu o que até então poderia parecer impossível. Na verdade, foram anos de pesquisa, mais de 50 pessoas trabalhando para ele e uma infinidade de testes, até que os resultados aparecessem e ele, o organizador desse processo, entrasse para a história como “o gênio” que inventou a lâmpada elétrica.

Voltando ao esporte, foi uma grande surpresa para mim, depois de ouvir tantas histórias sobre sua carreira, descobrir que Muhamad Ali não foi simplesmente aquele lutador doido que tinha um talento fora do comum e conseguia derrotar adversários mais fortes do que ele. Muhamed procurava analisar até mesmo a personalidade de seus oponentes fora dos ringues para prever as reações destes quando lutassem contra ele.

O livro cita outras dezenas de casos de pessoas que o grande público acredita que chegaram ao sucesso simplesmente como resultado de um talento fora do normal. A cada caso que eu lia, sentia que “uma parte” de mim começava a acreditar um pouco mais que o “talento” não era realmente tudo. Claro, cada um de nós nasce com uma genética diferente e única, mas grande parte do resultado final será consequência de nossas ações.

Assim, começando a abordar diretamente a questão levantada neste artigo de “como desenvolver a mentalidade de crescimento”, tratando-se de adultos, a primeira resposta óbvia seria através de conhecimento. Conhecimento das duas mentalidades, das consequências de cada uma, de dezenas e dezenas de exemplos de pessoas que acreditávamos terem nascido praticamente perfeitas, mas que na verdade tiveram que superar uma infinidade de problemas para atingirem o potencial que atingiram.

No caso de crianças, as informações precisam ser processadas de forma diferente. As sementes de que o esforço e a dedicação são tão ou mais importantes do que o talento precisam ser plantadas desde cedo.

Por exemplo, quando um garoto de nove anos consegue um “A” em matemática, muitos farão elogios como “você é tão inteligente!”. Apesar de, provavelmente, ser bem intencionado, o comentário estará implantando no garoto, a mentalidade fixa, e se na próxima prova o garoto não for tão bem, é possível que ele comece a duvidar da própria inteligência. Existe a possibilidade de consequências negativas nesse processo, como baixar sua autoestima.

A longo prazo, para defesa da autoestima, muitas pessoas desenvolvem estratégias como self-handicapping (BREHM et al., 2005). O self-handicapping pode variar de estratégias simples e com menos consequências, como somente ter desculpas prontas no caso de um desempenho ruim, até uma estratégia chamada de sandbagging, onde uma pessoa prediz às outras que não espera sucesso e não usa todas as próprias habilidades para atingir um certo desempenho.

Então, como reforçar a menta
lidade de crescimento? Reforçando o conceito de que mais do que “inteligências” ou outras qualidades inatas, o sucesso foi consequência de esforço e dedicação. Voltando ao exemplo do garoto de nove anos, o mais adequado seria dizer a ele: “parabéns, um garoto dedicado como você irá longe”.

Claro, dar os parabéns por uma qualidade inata (“como você tem talento para desenhar”, “você tem o dom para cantar” ou “você é craque de bola”) soa mais fácil e prazeroso do que ressaltar o esforço e dedicação de alguém. Mas, como explicado no artigo anterior, as consequências no desenvolvimento, de acordo com a mentalidade adquirida, podem ser grandes.

Da mesma forma como um adulto pode mudar de mentalidade estudando e sendo exposto a fatos que indiquem que o sucesso vem como consequência de muito trabalho, expor crianças a trajetórias de ídolos, que se dedicaram e batalharam por anos para alcançar objetivos pode ser uma forma de ir plantando a mentalidade de crescimento. É muito mais comum crianças verem só o “produto final” de seus ídolos, quando já alcançaram o sucesso, fama e prestígio do que serem expostos à trajetória deles para chegar até uma posição de destaque.

Esse artigo procurou discutir alguns conceitos e mostrar exemplos simples para se trabalhar o desenvolvimento da mentalidade de crescimento em situações gerais. Cada leitor deve fazer uma análise da própria realidade e refletir como desenvolver a mentalidade de crescimento em seu próprio ambiente.

No próximo artigo, terceira parte de “A Mentalidade Vencedora”, iremos discutir como a mentalidade de crescimento afeta o dia a dia de um jogador de futebol.

 

Referências bibliográficas

BREHM, Sharon S.; KASSIN, Saul; FEIN, Steven. Social Psychology. Boston, MA: Houghton Mifflin Company, 2005.

DWECK, Carol S. (Ph.D). Mindset, The New Psychology of Success. New York, NY: Random House, 2006.

INCEPTION. Direção, roteiro e produção: Christopher Nolan. Intérpretes: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Elle Page e outros. 2010.
 

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Um verdadeiro STAR

É o nome dado para o Programa de MBA Executivo que foi criado pela Escola de Negócios da George Washington University nos Estados Unido, cuja ênfase dos cursos repousa na responsabilidade social corporativa, ética e liderança.

Os focos do curso são liderança, estratégias de sucesso e responsabilidade social. O público-alvo são atletas, músicos e artistas, pois os desafios que estes enfrentam – profissionais e financeiros – são únicos e o MBA os auxilia na construção e implementação de planos de negócio para seus empreendimentos e melhor gestão de carreira e pós-carreira.

É o primeiro MBA totalmente dedicado a este escopo e proporciona aos alunos experiências personalizadas projetadas para se encaixar em seus horários e perfis profissionais não-tradicionais.

O programa é projetado para ensinar estes talentos a como traduzir seu sucesso atual da carreira em negócios e no desenvolvimento social. Os cursos são personalizados em torno da disponibilidade de tempo dos alunos, permitindo-lhes obter um grau avançado de estudos e desenvolver oportunidades de negócios, enquanto administram suas carreiras e vidas pessoais.

“É uma ferramenta para o empoderamento", segundo Sanjay Rupani, diretor de estratégia da GWU. "Ele é personalizado especificamente para ajudar estes ícones talentosos a definir um caminho e encontrar novas oportunidades de carreira e desafios. Nossos alunos têm grande experiência e são líderes naturais. Eles vão gerar resultados muito poderosos para suas comunidades por meio da criação de negócios e atividade filantrópica."

O programa, que inclui cursos a distância e presenciais, também proporciona aos alunos o acesso a uma rede especial de indivíduos e organizações que podem ajudar a expandir seu alcance e influência na comunidade empresarial. Além disso, os alunos são estimulados a criar seus próprios planos de negócios, orientados por professores, mentores e coaches.

"O programa é uma grande oportunidade para eu tomar a experiência de liderança que eu ganhei durante o meu tempo na NFL e traduzi-lo para o sucesso dos negócios fora do campo", afirma um dos alunos, Marques Colston, wide receiver do New Orleans Saints.

"Eu quero estar mais envolvido na minha comunidade e influenciá-la de uma forma positiva. O comprometimento da GWU com a sociedade e a educação personalizada permitem combinar o meu interesse pessoal em fazer a diferença na sociedade com um conjunto de habilidades profissionais para garantir o sucesso dos meus projetos."

Historicamente, nossas estrelas do esporte, das artes e da indústria do entretenimento, não dispunham de ferramentas técnicas e de conhecimento apurado sobre como “devolver” (give back) à sociedade aquilo em que nelas foi depositado como ideário das esperanças e expectativas de transformação social.

Além disso, a cultura do engajamento social, da filantropia e do ativismo transformador, notadamente associada ao terceiro setor (ONG), é muito recente no Brasil e, mais recente e incipiente ainda, no esporte.

Outro aspecto que também desfavorece esse protagonismo é o fato de que o país optou por dissociar esporte e educação, seja com raízes na falta de atenção à base da pirâmide socioesportiva, seja na encruzilhada enfrentada por atletas de alto nível quando o dilema “estudar ou jogar” se impõe – já que o esporte universitário inexiste por aqui.

Criar mecanismos e alternativas para o empoderamento dos nossos atletas ao integrar educação formal e suas vivencias e experiências esportivas é algo poderoso para transformarmos a sociedade.

Mas isso causa até arrepio ao conservadorismo social e dos gestores esportivos, pois estes entendem que “atleta tem que ficar no lugar dele…” De preferencia “quietinho e sem mexer em nada…”

Ao contrário, entendo que o lugar do atleta significa puxar a fila da construção de uma sociedade melhor, pois são grandes exemplos pra todos nós e protagonistas de um Brasil que dá certo.

*STAR: sigla para Special Talent (Talento Especial), Access (Acesso) e Responsibility (Responsabilidade). 

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Cent’anni, Palestra. Obrigado, Palmeiras

É.

Nós.

Siamo noi.

É a entrada em campo na Arrancada Heroica de 1942. É o pênalti de Evair no 12 de junho, o de Marcos de 2000 e o de Zapata de 1999. O gol com bola e tudo de Liminha de 1951. A colherzinha de Ademir contra o Botafogo, no Rio-São Paulo de 1965. Os chapéus de Alex de 2002 e o gol de tirar o chapéu e fôlego de César Sampaio de 1993. O drible da vaca de Jorge Mendonça no Dérbi de 1976. O toque por cobertura de Jorginho, no 5 a 1 no Santos de 1979. O gol de Luís Pereira no Inter no Brasileiro de 1973. O gol de Rivaldo no bi-bi de 1994.

É a goleada no Boca na Libertadores. O 5 a 0 no São Paulo da primeira Academia. O 6 a 0 no Santos do trem-bola de 1996. O 8 a 0 de 1993 do Esquadrão de Ferro no Corinthians.

É a Pazza Gioia depois da “Loucura do Século”, na compra do Parque Antarctica, em 1920. É a inauguração do Stadium Palestra Italia, em 1933, antes de elevar o Jardim Suspenso, em 1964.

O gol de Zinho no Dia dos Namorados de fim da fila e o de Ronaldo para manter o jejum em 1974. O gol de Mirandinha no fim do Dérbi de 1986. O gol da virada de Romeiro no supercampeonato de 1959. O gol de Euller na virada contra o Flamengo de 1999. O gol sem cabimento de Oséas na Copa do Brasil de 1998. O de Betinho sem fundamento no bi de 2012.

É o 4 a 1 no Flamengo de 1979. É o time reserva ganhando o Rio-São Paulo de 1993. É o título paulista de 1944 sem Dacunto. O pênalti de 1942 que não pudemos bater. O Dudu voltando para a barreira depois de ter desmaiado na final de 1974 e ainda jogando com duas costelas quebradas em 1972. Julinho voltando machucado para guiar o time nos 4 a 0 de 1958 contra o Corinthians. É o Marcão fechando a meta com o punho aberto e quebrado.

É ser duas vezes campeão brasileiro no segundo semestre de 1967. É ganhar mais um nacional ouvindo pelo rádio, no vestiário, o rival perder o título no Mineirão, em 1969. É a Segunda Academia que ganhava títulos sem precisar fazer gol.

É o primeiro gol do Palestra, de Bianco. É o primeiro jogo, contra o Savóia, em 1915. É a melhor campanha do profissionalismo, em 1996. As maiores goleadas em decisões nacionais (8 a 2, em 1960) e paulistas (5 a 0, em 2008).

É o Brasil de 1965, que venceu o Uruguai jogando pela Seleção. É o Brasil que conquistou o planeta de verde e branco, em 1951.

É o Edmundo chamando os rivais para o drible. Jair Rosa Pinto coberto de lama vibrando no vestiário no título do Ano Santo de 1950. As Cinco Coroas de 1950-51. O primeiro campeão do Rio-São Paulo, em 1933.

É o divino Ademir. O santo Marcos. Um carrinho de Junqueira. Um passe de Romeu. Um gol de Heitor. Uma maluquice de César. A mão de Oberdan. O coração de Fiúme.

O maior vencedor de títulos nacionais. É o Campeão do Século XX. A defesa que ninguém passa em 1947. A linha atacante de raça e graça de 1996. O time que deixou o maior rival na fila em 1974 e acabou com a fila contra ele, em 1993.

Dudu no banco e Ademir da Guia em campo, em 1976. A invasão do gramado em Santo André, no bi paulista de 1994. O meio-campo titular acabando com a fila do Brasil de títulos mundiais no tetra, nos EUA. O show de Alex contra o River Plate, em 1999. São Marcos canonizado contra o Corinthians, na Libertadores.

Os bandeirões subindo e descendo arquibancada. Nós subindo e descendo pelos degraus dos estádios. Subindo pelas paredes de casa. Subindo nos pódios de campeão.

É qualquer lance no Palestra. Todo jogo ouvido pelo rádio. Cada partida vista pela TV. Todos os lances lidos no jornal ou na internet. Qualquer jogo, jogadas e jogadores contados pelo pai, avô e bisavó.

Pimpampum de Filpo. Felipão correndo para os gandulas na final de 1999. Luxemburgo descendo antes da volta olímpica de 1993. Brandão e ponto final. É ponto ganho.

É um gol de cabeça de Leivinha. É Leão dando o tapinha no travessão. Marcos apontando os dedos para cima. Evair abrindo os braços para os céus. César Sampaio com tornozelo inchado em 1993. É Arce cruzando. É Djalma Dias, Aldemar e Geraldo Scotto desarmando. É Djalminha armando. É uma falta do Roberto Carlos ou do Rodrigues.

Djalma Santos desamarrando as chuteiras de Julinho na despedida, em 1967. É gritar Tonhão. É jogar em todas como Lima e Cafu e Fiúme. É treinar na Major Maragliano. É trocar outros clubes para ser palestrino. É o 3 a 0 do primeiro Dérbi. É doar a renda para as vítimas de guerra de 1942. É abrir o clube para as vítimas da gripe espanhola em 1918.

É o primeiro uniforme do filho na porta da maternidade. É a primeira chuteira alviverde. O primeiro chute na bola que o filho gritou algo parecido com o nome do nosso time. A primeira vez que ele cantou o hino. O primeiro craque que ele chamou nosso. O primeiro amendoim que descascamos e cornetamos.

A primeira vez que teu pai te levou. A primeira vez que você levou seu filho. A primeira vez que você foi com seu amor.

Você sabe que não precisa ter visto, lido, ouvido, feito nada disso. Por nada disso ainda explicar o que é o amor.

O que somos nós. É tudo isso. É muito mais que isso. Isso é Palestra. Este é o Palmeiras.

O que é o palestrino?

É tudo que dá errado e que a gente sabe que vai dar certo só por ser Palmeiras. É tudo que dá certo e a gente ainda acha que vai dar errado por ser palmeirense.

É gol contra, é gol perdido, é frango, é falha, é roubo, é furto, é susto, é surto, é drible perdido, é jogo perdido, é campeonato perdido, é ruim e caro, é refugo, é refém, é queda, é derrota, é tristeza, é o grosso em campo, o fino da fossa, o fim do poço, o fim do mundo.

É todo o mundo palmeirense. É todo mundo palmeirense. É o nosso mundo.

Não melhor. Não pior. Mas é nosso. De mais ninguém.

Não tem pra ninguém quando a gente é Academia. Tem só pra nós quando somos Palmeiras com espírito de Palestra.

Nem sempre somos os melhores. Mas, como sempre somos palmeirenses, é mais fácil ser o que somos. Insuportáveis. Insuperáveis para o Palmeiras e para os outros.

Na saúde e nos adversários, na alegria e nos rivais, é um casamento eterno. Palestra e Palmeiras.

Nós.

É o amor.

É o nosso time.

É o Alviverde inteiro.

É.

Nós.
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 

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Egoísmo

Faltavam poucos minutos para o clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbi, no último domingo (18). Mas não foi sobre o jogo que o presidente da equipe tricolor, Carlos Miguel Aidar, conversou com jornalistas no saguão do estádio. Ele foi questionado sobre atrasos de salários – segundo a revista “Veja”, o técnico Muricy Ramalho não recebe há três meses.

Aidar desmentiu a notícia e chamou de “maldade” o texto da revista. Depois, admitiu que a situação financeira do São Paulo é complicada: “Não temos débitos fiscais, mas temos compromissos bancários a saldar”.

“Deixamos de ter receitas que seriam importantes. Com a Copa, os grandes anunciantes redirecionaram esforços, e nós estamos sem patrocinador principal no uniforme. Fomos desclassificados de forma precoce no Campeonato Paulista, não tivemos receita com venda de jogadores e ficamos sem atividades durante um período grande por causa do Mundial”, continuou o mandatário tricolor. De acordo com Aidar, o São Paulo só não fechará o ano com déficit se negociar dois ou três atletas “por valores expressivos”.

O presidente disse ainda que a situação já era prevista no orçamento do São Paulo, mas que foi agravada pela conjuntura: “Nós temos uma tradição de estabilidade econômica, mas temos de ter sensibilidade para entender o momento”.

O São Paulo gasta quase R$ 10 milhões mensais apenas com a folha de pagamento do elenco. Além disso, teve de pedir socorro à TV Globo no meio do ano – o time recebeu um adiantamento de R$ 50 milhões da emissora, valor sem precedentes na história tricolor.

A situação do São Paulo já seria suficientemente preocupante se fosse um caso isolado, mas é um retrato do que acontece em praticamente todos os times do Brasil. Por contingências do mercado ou por comportamento perdulário – ou ambos, em muitos casos –, é difícil encontrar equipes que não estejam assustadas com os números que serão colocados no balanço de 2014.

Pululam entre dirigentes de equipes brasileiras reclamações sobre o período de inatividade do futebol local para a Copa de 2014. O intervalo interrompeu receitas de match day dos clubes (bilheteria e todo o faturamento associado ao dia de evento). E muitos não souberam conviver com essa estiagem.

É o caso do Náutico. Ao contrário do São Paulo e do rival local Sport, o time alvirrubro não tem contrato com a TV Globo até 2018. A diretoria pernambucana assina vínculos de um ou dois anos com a emissora, o que reduz a perspectiva de receita de médio e longo prazo.

O calendário criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para 2015 tem um mês de férias e 25 dias de pré-temporada. Gláuber Vasconcelos, presidente do Náutico, já avisou que não tem como custear isso. A ideia do mandatário é dispensar o elenco no fim de 2014 e remontar o grupo pouco antes do início do Campeonato Pernambucano.

A medida é pragmática. Afinal, o Náutico tem de competir com o Sport, que tem receita maior e mais segurança de aporte da TV. A saída é concentrar investimento – é mais fácil disputar com o rival se a temporada tiver apenas dez meses de gasto.

A temporada 2014/2015 do Campeonato Espanhol, que começou no último fim de semana, marcou a estreia do Eibar, promovido pela primeira vez à elite nacional. Proveniente de uma cidade com 27 mil habitantes, trata-se do menor time da primeira divisão.

O Eibar não possui dívida, mas quase foi impedido de disputar a primeira divisão porque não conseguia comprovar receita. O time vendeu cotas sociais e atraiu mais de 8 mil investidores. Conseguiu amealhar 2,1 milhões de euros e foi confirmado na elite.

A situação do Eibar foi motivo de enorme polêmica na Espanha. Como um clube sem dívida pode ser ameaçado de não disputar a elite nacional por não ter faturamento suficiente enquanto a primeira divisão é cheia de equipes com débitos gigantescos?

Os exemplos do Brasil e do Eibar são consequências diretas de modelos parecidos. No Brasil e na Espanha, o futebol é vendido individualmente. Clubes com mais potencial ganham muito mais – e essa lógica não vale apenas para o contrato de TV, seara em que ela fica mais evidente.

O futebol está longe de ser exato. Portanto, nem sempre um investimento maior significa mais sucesso. No entanto, no médio e no longo prazo a diferença de receita provoca um desafio para a gestão de quem recebe menos.

Desde a implosão do Clube dos 13, em 2011, o futebol brasileiro adotou negociação individual de direitos de transmissão. Essa prática já valia para outros contratos, ainda que receitas de outras naturezas fossem menosprezadas pela maioria.

Enquanto esse modelo sobreviver, é fundamental que os clubes brasileiros entendam as consequências. É impossível que equipes com faturamento menor sigam tentando competir em igualdade. É imprescindível que elas assimilem a diferença de receita.

Isso inclui a comunicação, é claro. O Campeonato Brasileiro tem como bandeira o equilíbrio. É a competição em que pelo menos dez ou 12 clubes começam a temporada pensando em título. E isso está errado.

No início da temporada na Espanha, quantos são os times que pensam em título? Mesmo o Atlético de Madri, último campeão nacional no país ibérico, tem investimento estrangeiro e uma política mais austera do que Barcelona e Real Madrid, os campeões de receita do país.

Já passou da hora de os clubes com menor faturamento jogarem limpo com seus torcedores. “Entramos no Campeonato Brasileiro pensando em um lugar entre os dez primeiros da tabela”, por exemplo. Pelo menos enquanto sobreviver o atual modelo egoísta.

Essa não é uma comparação entre tamanho, história ou competência dos clubes. Pelo bem da instituição nos próximos anos, porém, uma equipe que fatura menos precisa mostrar que é impossível competir.

Essa lógica ficaria bem mais evidente se o futebol brasileiro planejasse a temporada. A tese de que o dinheiro se esvaiu por causa da Copa do Mundo é fácil, mas todo mundo sabia que haveria uma Copa do Mundo. Difícil é encontrar um meio para compensar os meses sem receita.

Já passou da hora de os clubes brasileiros estarem menos suscetíveis a intempéries do mercado. Palmeiras, Santos e São Paulo não têm um patrocinador máster atualmente, por exemplo. Ainda assim, investem muito na montagem de seus elencos. Será que essa conta fecha?

A primeira pergunta é por que os clubes brasileiros atraem poucos patrocinadores. O Manchester United, que acaba de incluir na camisa a Chevrolet, tem 38 aportes de fora da Inglaterra. Quantos são os parceiros comerciais do Corinthians ou do Flamengo, independentemente d
a origem?

A segunda pergunta é como isso afeta a receita anual. Clubes podem ficar meses sem receitas milionárias de patrocínio, mas reclamam por passar alguns dias sem bilheteria? Não parece lógico.

A terceira pergunta é por que, em um cenário de baixa, clubes brasileiros seguem investindo e gastando milhões em folhas salariais inchadas. Não adianta ter um carro importado se você não tem onde morar.

Os questionamentos e os problemas do futebol brasileiro são cada vez mais comuns entre os clubes. Enquanto a mensagem para os torcedores for truncada, porém, vamos seguir pensando que a crise é do mercado, e não do modelo. As equipes nacionais choram coletivamente, mas são individualistas ao buscar soluções.