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Quem treina o treinador de futebol no Brasil? O autoconhecimento

Salve, salve amantes do futebol! Na coluna anterior falamos sobre o autodidatismo do treinador de futebol no Brasil, suas vantagens/desvantagens e sugerimos algumas soluções para auxiliar no processo de formação desse treinador nos diferentes contextos de atuação, da participação ao alto rendimento. Hoje, falaremos sobre a importância do autoconhecimento na carreira de um treinador.

Estudos apontam que treinadores que possuem maior consciência acerca de sua identidade, filosofia (ideias, princípios, valores e crenças) e propósitos, tendem a ser mais eficazes e, portanto, atingem com mais frequência os objetivos estabelecidos para suas carreiras. Eles também acabam sendo mais assertivos em suas tomadas de decisões, já que possuem maior lucidez sobre quem são e o que almejam. E já que o autoconhecimento é tão relevante para os resultados e a carreira dos treinadores, como é possível desenvolvê-lo? De quem é o papel de torná lo mais consciente sobre si mesmo? Como se dá esse processo?

As competências intrapessoais podem e devem ser exercitadas no início da trajetória profissional. Porém, como nesse momento o treinador ainda é inexperiente, suas reflexões ainda são rasas e, principalmente, pautadas no que se lê, vê e ouve, diferente de alguém mais experiente que já dispõe de um campo maior de vivências. Mas se o iniciante for estimulado, desde o princípio, a dispender um tempo para refletir sobre sua prática, entender as razões que o fazem querer ser treinador e por que reage de uma ou outra forma nas diversas situações a que é exposto, ou seja praticar constantemente o exercício do autoconhecimento, quando mais experiente saberá desenvolver tais competências.

Portanto, para os treinadores que buscam desenvolver de maneira contínua o autoconhecimento e outras competências intrapessoais, recomenda-se:

a) Responder as seguintes perguntas: por que quero ser treinador? Quais valores, princípios e crenças norteiam meus comportamentos? Qual meu propósito?

b) Para treinadores iniciantes: tomar muito cuidado em assumir verdades absolutas pautadas no que se lê, vê e ouve. Lembre-se que a pouca experiência o impede de enxergar detalhes ambientais que, naturalmente, virão com o tempo. Foque em refletir sobre a sua experiência e escute mais

c) Para treinadores intermediários: Buscar um coach developer ou uma aprendizagem mais formal que auxilie a compreensão de suas vivências, preenchendo assim algumas lacunas que ficaram do início. Tentar rascunhar o que guia seu comportamento e ouvir treinadores mais experientes

d) Para treinadores mais experientes: Buscar um processo de mentoria, ou um mental coach, escrever/falar sobre sua trajetória, rascunhar sua filosofia (ideias) e procurar discernir sobre “convicção x adaptação” – quando devo manter a convicção? e até que ponto devo me adaptar?

Fez sentido? E você, já pensou em desenvolver o autoconhecimento? Traga mais sugestões! Continuaremos na semana que vem com mais uma coluna sobre treinar o treinador. Grande abraço e até lá!

Referências

Gould, D., Pierce, S., Cowburn, I., & Driska, A. (2017). How Coaching Philosophy Drives Coaching Action: A Case Study of Renowned Wrestling Coach J Robinson. International Sport Coaching Journal, 4(1), 13-37. doi: 10.1123/iscj.2016-0052

Sobre o autor

Gabriel Bussinger é treinador e instrutor da CBF academy. Mestre em Educação Física pela UFSC, com 3 pós graduações na área. Já atuou em categorias de base e profissional, no Brasil e Dinamarca. Possui as licenças C e B da CBF e é parceiro de conteúdo da Universidade do Futebol.

Acompanhe as redes sociais do Gabriel Bussinger: YouTube; LinkedIn; Telegram; Podcast – Diário do treinador; Instagram

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Compliance no Futebol – será este o caminho?

Compliance e programas de integridade são assuntos que historicamente não eram discutidos pelos clubes de futebol, mas que vêm ganhando destaque nos últimos anos muito em razão da necessidade de as empresas patrocinadoras desse esporte se verem distantes de escândalos de corrupção que aconteciam com alguma frequência até um passado não distante. 

Mas o que é compliance? De forma sucinta, compliance consiste na adoção de um conjunto de medidas de controle interno e externo, em relação à governança corporativa, voltado para o cumprimento da legislação e padrões éticos de comportamento empresarial socialmente aceitos e responsavelmente estabelecidos de modo que sejam reduzidos substancialmente os riscos de responsabilização civil, penal e administrativa da empresa e de seus gestores ou ainda, visando reduzir riscos de danos à imagem da empresa.

Porém, é importante dizer que à exceção de clubes das grandes ligas europeias, clubes americanos e outros poucos exemplos ao redor do mundo que já adotam práticas de gestão empresarial, a mudança de toda uma cultura é um desafio gigantesco para os clubes de futebol e aqueles que ocupam seus cargos de comando, em especial os clubes sul americanos. Isso porque, embora o compliance faça parte do dia a dia da gestão de negócios do esporte na América do Norte e Europa, no futebol sul americano, especialmente no que se refere ao futebol brasileiro, o tema ainda é tratado como novidade e sem a devida atenção.

O principal ponto de discussão é sobre a forma pela qual os clubes lidam com temas relacionados com o controle, fiscalização e governança que embora sejam de extrema relevância, ainda não recebem a atenção merecida no Brasil, mas também não podemos deixar de lado temas relevantes e atuais como o novo modelo de clube empresa e o conflito de interesses que possa ocorrer em casos de empresas patrocinarem atletas e ao mesmo tempo serem proprietárias de um clube de futebol.

Sabemos que os clubes de futebol movimentam cifras na ordem dos milhões anualmente, seja com patrocínios, investimentos com recursos próprios, venda de produtos e outros. Ora, assim como qualquer empresa, o futebol é um negócio e se tornou urgente os clubes adaptarem a gestão com foco na profissionalização com a adoção de medidas que possibilitem a implementação de ações mais transparentes.

Embora evolua de forma lenta no Brasil (se comparado a Europa e EUA que já tem enraizado este modelo de gestão), algumas medidas visando maior transparência e equilíbrio financeiro na gestão dos clubes de futebol vêm sendo tomadas há alguns anos, como a criação do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT) por meio da Lei 13.155/15. 

A edição dessa lei surgiu da necessidade dos clubes brasileiros refinanciarem suas dívidas para poderem se reorganizar administrativamente e por meio das condições especiais de refinanciamento previstas em sua redação. O clube que adere ao PROFUT tem a possibilidade de parcelar os débitos tributários e não tributários que tiverem em aberto junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e no Banco Central do Brasil. O pagamento parcelado permite que os clubes tenham prazos maiores para pagamento e juros menores, desde que a instituição garanta, como contrapartida, a responsabilidade fiscal e na gestão.

Neste sentido, a adoção do compliance se mostra um fator essencial na condução dos clubes de futebol que tenham interesse em aderir ao PROFUT a fim de permitir a boa governança corporativa no âmbito da instituição, bem como prevenir a prática de atos ímprobos.

Além de benefícios de ordem tributária com a aderência ao PROFUT, por meio da adoção de um programa de compliance e de governança, os clubes de futebol brasileiros poderão viabilizar negócios de compra e venda internacionais com a adequação das regras tributárias dos países envolvidos, evitando-se, por exemplo, que ocorra a bitributação. Também, serão afastados eventuais questionamentos sobre conflito de interesses ampliando a credibilidade dos clubes de modo que este sairá beneficiado na atração de novos investidores e terá patrocínios mais valorizados tendo em vista que garantirão maior transparência nas negociações. 

Ressalto ainda, e aqui segue como opinião, que a adoção de melhores práticas de gestão, possibilita o clube de futebol promover maior participação de sua torcida na gestão dos interesses do clube, o que seria uma inovação em termos de Brasil ainda que seja uma antiga reinvindicação de torcedores de muitos times que entendem que determinados grupos acabam “dominando” as instituições e presidindo as mesmas de acordo com interesses particulares.

Ademais, a adoção do compliance possibilita aos clubes gerirem as receitas e despesas com prestação de contas para os associados, o que pode ter como consequência o crescimento do número de sócios torcedores que terão maior confiança na gestão do clube tendo em vista a garantia de uma cultura de ética nos negócios, transparência e participação. 

Perceberam que além de benefícios financeiros pela melhoria da imagem da marca a importância do compliance pode ser evidenciada pela proteção do clube, geração de valor agregado e aprimoramento da gestão de riscos?

Mas seria mesmo este o caminho? de que forma o compliance pode ser introduzido nos clubes? E quando houver conflito de interesses? Qual o limite para o compliance no futebol? O presente artigo não busca esgotar o tema, mas trazer esta questão tão importante para reflexão do leitor de modo que passe a ser pauta cada vez mais frequente também dentro dos clubes de futebol.

Assim como em qualquer empresa, diversas situações em um clube de futebol podem ser geridas por meio da adoção de um sistema que busca a conformidade e a “integridade” das ações organizacionais. Como exemplo, tem-se a elaboração de matriz de risco, códigos de conduta, procedimentos de auditoria e de diversos outros instrumentos que garantem que o clube tenha uma gestão transparente, ética e responsável.

Neste ponto abro aqui um ponto de discussão que envolve um recente caso que ganhou a mídia envolvendo um astro do futebol brasileiro: a empresa austríaca Red Bull é a dona do clube de futebol alemão RasenBallsport Leipzig e também patrocinadora do jogador Neymar do Paris Saint Germain, seu principal garoto propaganda, e os clubes se enfrentaram na semifinal da Champions League em 2020. Sendo assim pergunto a você, leitor. Existe conflito de interesses neste caso?

É importante ressaltar que não há um grupo de medidas padrão para compliance aplicável a todas as equipes tendo em vista a diferença de estrutura entre os clubes e os riscos associados. Entretanto, dentre as possíveis medidas de compliance que os clubes de futebol podem adotar, cita-se a criação e implementação de um código de conduta interno, padrões éticos para negociação com atletas, o treinamento de funcionários sobre as regras do clube, a instituição de um canal de denúncias, pelo qual funcionários do clube possam denunciar indícios de irregularidades e realização de auditorias periódicas.

Neste ponto não me parece crível haver conflito de interesses no patrocínio entre um atleta específico de um determinado clube e o patrocínio (ou propriedade) de um clube propriamente dito pela mesma empresa em eventual situação que ambos se enfrentem, afinal, de toda forma quem mais se beneficiaria é a própria empresa que teria seu nome divulgado não importando o vencedor.

Ademais, qualquer tentativa de priorizar ou beneficiar um dos lados iria contra o próprio sentido da adoção do compliance o que seria uma incoerência caso ocorresse mesmo que o exemplo dado trate de atleta e clube concorrentes.

Com este exemplo não pretendo afirmar que não há possibilidade ou ao menos risco de haver conflito de interesses, mas apenas trazer esta reflexão a você, leitor, sobre a possibilidade de existir conflito de interesses em especial em casos de multipatrocinios.

Perceba que a adoção de medidas para garantia da conformidade e integridade organizacional (compliance) tendem a influenciar diretamente e de forma positiva os clubes (aqui incluindo todos os seus funcionários e prestadores de serviço), proporcionando a adoção de boas práticas e, consequentemente, uma gestão mais eficiente e responsável. É possível – e até provável – que as práticas de governança advindas do sistema de compliance gerem valor para os clubes, possibilitando um equilíbrio financeiro e, com o tempo, a redução das dívidas e o aumento das receitas. Não restam dúvidas que é atrativo ao investimento no futebol uma forma organizada e transparente da gestão dos clubes.

Como exemplo de gestão transparente com foco na ética na gestão e adoção de programa de compliance no futebol brasileiro, citamos o Coritiba que foi o primeiro clube de Futebol da América Latina a adotar um programa de compliance (Programa de Conduta Coxa-Branca), criado em 2016. Por este programa o clube editou seu Código de Conduta e, por meio das regras nele estabelecidas, reforçou seu posicionamento ético.

Em 2017 a Federação Paulista de Futebol (FPF) de forma inédita em relação às federações estaduais anunciou a criação de um Departamento de Governança e Compliance cujo objetivo principal é garantir o cumprimento de leis desportivas e regulamentos internos e externos do futebol. Em janeiro de 2020 a FPF firmou acordo de cooperação com a SIGA (Sport Integrity Global Alliance), uma das principais entidades do mundo com foco na integridade, boas práticas, fair play financeiro e compliance no esporte.

Também em 2017, várias empresas patrocinadoras do futebol brasileiro, assinaram o chamado “Pacto pelo Esporte”, que, em síntese, sujeita os clubes de futebol, as confederações e as federações ao cumprimento de um conjunto de regras que garantam boas práticas de governança, integridade e transparência, para a efetivação dos patrocínios.

Outro exemplo inovador no futebol no Brasil, voltando a usar como exemplo a empresa Red Bull, o projeto do Red Bull Bragantino tem um propósito ambicioso de crescimento e é diferente daquilo que estamos acostumados a ver no Brasil por mostrar que a implantação de clubes empresas com boas práticas de gestão pode criar times fortes no futebol brasileiro.

Como exemplo da adoção de práticas de compliance pelo Red Bull Bragantino citamos a suspensão da negociação com o zagueiro Fabrício Bruno, do Cruzeiro em janeiro de 2020 devido a uma ação judicial que envolvia o jogador e o clube mineiro por atrasos no pagamento de salários. Os gestores do Red Bull Bragantino entenderam que não era interessante seguirem a negociação uma vez que ainda pendentes de decisão direitos discutidos entre o clube e o atleta. 

Como se vê, práticas de sistemas de Compliance e, obviamente, a implantação de um sistema de Compliance, podem ser aplicadas de diversas maneiras no Futebol. Entretanto, em geral, os times de futebol do Brasil ainda não se atentaram (ou avaliam-se ineptos) aos benefícios e vantagens que a adoção de programas de Compliance ou de Integridade e o fortalecimento dos padrões éticos e jurídicos empresariais pode trazer aos clubes brasileiros, assim, cabe a você leitor, na condição de agente de mudanças e inovações práticas para os clubes, divulgar para que o compliance seja prática comum no futebol.

Sobre o autor

Alexandre Victor Silva Abreu, advogado, especialista em Processo Civil e argumentação jurídica e em Direito Urbanístico e Ambiental pela PUC-MG

Referência

Federação Paulista de Futebol anuncia Departamento de Governança e Compliance

Federação Paulista de Futebol firma acordo com a SIGA (Sport Integrity Global Alliance) para combater corrupção

Pacto pelo esporte

Código de conduta do Coritiba

Lei 13.155, de 4 de agosto de 2015 – PROFUT

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Harder x Marozsán no duelo que pode definir a Champions

Neste domingo teremos mais uma final de Champions League na qual Lyon e Wolfsburg decidirão quem fica com o título. A partida será disputada as 15h do horário de Brasilia, no estádio Anoeta – onde a Real Sociedad manda seus jogos – no País Basco, região da Espanha. A Women’s Champions League é uma competição disputada desde 2001, e mais uma vez o francês Lyon decide o título com o alemão Wolfsburg, nas últimas 5 edições da competição será a 3º vez que os clubes se enfrentam na final. Nas outras duas oportunidades, em – 15/16 e 17/18 – as francesas se sagraram campeãs. A final desta temporada promete rivalidade e clima de revanche!

Um aspecto extremamente importante a fundamental a se destacar é que esta reedição de confronto na final é fruto de um seríssimo trabalho realizado por ambos os clubes. Tanto Lyon quanto o Wolfsburg disponibilizam a suas atletas e staff uma estrutura do mesmo nível que oferecem a suas equipes masculinas, ambos os projetos são geridos de forma paralela e com o mesmo profissionalismo e importância para os clubes. O Wolfsburg conta com o suporte da Federação Alemã que organiza o campeonato nacional de forma ininterrupta desde 1990, além de possuir outras diversas competições de base, dos 11 aos 17 anos. Já o Lyon investiu pesado na estrutura para a modalidade, possuindo inclusive sua própria academia de formação de jogadoras. Cases de sucesso a serem estudados e utilizados como referência.

Para esta final, trouxemos em destaque duas jogadoras, quem tem papel fundamental da criação de jogadas que resultam em gols para suas equipes, são elas Pernille Harder, meia dinamarquesa do Wolfsburg, e Dzsenifer Marozsán, meia húngara – que tem cidadania alemã – do Lyon.

Pernille é a vice-artilheira da competição com 9 gols e a 3º jogadora que mais finalizou a gol. Muito dinâmica, a jogadora busca a todo momento estar se desmarcando e criando linhas de passe, conduz a bola de maneira rápida e muito próxima do pé, facilitando seus dribles e conseguindo assim condições de finalizar ao gol. Pernille já foi premiada com o título de melhor jogadora da Europa em 2018, ela também aproveita a influência que conquistou através do esporte para dar apoio no combate ao preconceito contra pessoas da comunidade LGBTQI+.

Marozsán é uma multicampeã, tendo conquistado 4 Champions League, 1 Eurocopa, 1 ouro olímpico e 1 Mundial Sub-20, foi eleita por 3 anos consecutivos a melhor jogadora da Liga francesa e já esteve entre as finalistas do premio de melhor do mundo da FIFA. Nesta edição da Champions é a jogadora com maior número de assistências para gol. Uma jogadora com uma grande capacidade de leitura de jogo, sempre bem posicionada e atenta ao posicionamento das companheiras, que aliada a sua alta capacidade técnica lhe dá a condição de encontrar passes chaves na articulação de jogadas ofensivas.

Confira a seguir a área de atuação no campo e as análises quantitativa e qualitativa das duas jogdoras.

Infelizmente não teremos nenhuma representante brasileira jogando esta final. Porém, seria uma grande injustiça se não ressaltássemos aqui uma das principais jogadoras da história do futebol brasileiro e que há quatro temporadas defende as cores do PSG, semifinalista da competição. Miraildes Maciel Mota, a “Formiga”. Aos 42 anos de idade e há mais de 20 anos nossa meiocampista exibe seu dinamismo e classe nos gramados, infelizmente desta vez não conseguiu chegar a mais uma final em sua carreira, o que em nada diminui sua vitoriosa trajetória na modalidade, um grande exemplo de perseverança, profissionalismo e amor pelo esporte.

Um grande jogo nos aguarda neste domingo, e que a organização e investimento evidenciados
nesta final, sejam modelos a inspirar e seguir para o futebol feminino em nosso país.

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

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Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub17 do S.C. Corinthians Paulista.

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A pressa é inimiga da perfeição, inclusive no futebol

O imediatismo e o resultado a qualquer custo fazem parte do futebol brasileiro. Compõe o que chamamos de ‘nossa cultura’, é o nosso entendimento de futebol. Está no inconsciente coletivo de dirigentes, torcedores e também da imprensa. Algo que não se sabe muito bem explicar os pormenores. Vai mais na linha do ‘sempre foi assim’. Por exemplo, quando um time ganha um campeonato o técnico vencedor é um gênio. Não há um aprofundamento no contexto, circunstâncias, condições de trabalho, espírito do grupo de jogadores e etc. Do outro lado, vale a mesma análise rasa: em uma sequência de resultados ruins deve-se trocar o comandante. E a desculpa aqui já está pronta: é mais fácil trocar um técnico do que trinta jogadores, dizem alguns preguiçosos e ultrapassados dirigentes.

O Campeonato Brasileiro mal começou e já temos heróis e vilões. Conclusões precipitadíssimas surgem única e exclusivamente pelo resultado. É claro que não desprezo o resultado. Nem posso. Até porque se trata de uma competição, de um esporte, em que o resultado é o que impera. Mas no alto rendimento não se pode avaliar e reduzir nada e nem ninguém apenas ao placar final dos jogos. Se não caímos na vala comum de quem ganhou é bom e quem perdeu é ruim. E não é assim que as coisas funcionam! Quem se dispõe a alta performance tem que, para começo de conversa, entender os porquês das vitórias e os porquês das derrotas. Qualquer projeção de cenário futuro tem que ser baseada em análise quali e quantitativa do trabalho que está sendo desenvolvido no presente.

Não consigo apontar o Vasco da Gama do técnico Ramón Menezes como favorito ao título brasileiro apenas pelos bons resultados iniciais. O clube está pronto para ser campeão? Todos os departamentos estão em plena sintonia para que após longas trinta e oito rodadas seja possível ser o melhor entre os vinte times da elite? Ou do lado oposto da tabela, Eduardo Barroca era mesmo o culpado pelo início ruim do Coritiba? Ele merecia a demissão? E no Goiás, o problema era o também demitido Ney Franco?

Só um detalhe: não sou contra demitir treinador. Mas o ponto de todo esse texto é pararmos para refletir mais profundamente o que de fato acontece no nosso futebol. Chega de rotular profissionais. Estamos tratando de um jogo aleatório, imprevisível e caótico, porém com elementos possíveis de se trabalhar, estudar e interferir para padronizar. Não consigo imaginar o Vasco sendo campeão e nem o Coritiba e o Goiás brigando por qualquer coisa diferente da permanência na divisão, independentemente dos treinadores que tenham. E isso não são os jogos iniciais dessas equipes que me farão mudar esse conceito. O futebol é o esporte mais propício a zebras. Sei disso. Mas são exceções e não regras. Torcedor pode e deve se empolgar. Ele se alimenta disso. Mas quem é profissional do ramo tem que ir além do que um pensa um apaixonado.

Sobre o autor 

Marcel Capretz é jornalista, apresentador da rádio 105 FM e do SBT Futebol Esporte Show. Busca entender e explicar o jogo através do conhecimento.

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Vencendo o medo no processo de aprendizagem do futebol

Você acredita que o medo seja uma reação humana muito presente nos jogadores e profissionais do futebol? Como podemos lidar com esta questão no processo de ensino-aprendizagem da modalidade?

De acordo com o dicionário on-line de português (Dicio), o medo é um estado emocional provocado pela consciência que se tem diante do perigo, uma grande inquietação em relação a algo desagradável ou possibilidade de um insucesso.

Diante desse grande grande adversário, profissionais da área de psicologia e especialistas tentam listar maneiras de como podemos enfrentar esse sentimento. No ambiente de formação de jogadores esse desafio também existe, afinal, aqui também estamos lidando com seres humanos. Diante desse contexto podemos tomar algumas medidas para tentar ajudar esses jovens e lidar com esse sentimento da melhor maneira possível. Veja, a seguir, algumas delas.

1. Procure entender a reação e colocar-se no lugar do jovem jogador. Explique que esse sentimento é normal diante de certas situações.

Durante o processo de formação, o papel do treinador é o de ajudar o jovem jogador a aprender a gerenciar suas emoções, incluindo o medo. Se o professor tem sensibilidade e empatia para perceber que sentir medo será normal durante o processo de aquisição de uma nova competência de jogo, lidará de forma muito melhor com os estímulos que tendem a amedontrar os jogadores, como sair jogando sob pressão, ter de marcar o adversário em linhas altas mesmo fora de casa, ter de enfrentar um adversário tecnicamente superior, ter de fazer uma regra de ação que não é habituado ou até jogar em uma nova posição.

2. Ofereça suporte e compreensão. Mostre que você pode ajudá-lo a perder o medo de algo específico.

Nesse ponto é necessário assumir e aceitar que os erros são permitidos e, principalmente, compreendidos. O medo de errar não pode impedir a atitude de tentar e arriscar. Nesse sentido, a coragem, que não significa ausência de medo, pode ser estimulada como a capacidade e disponibilidade de se arriscar diante de um possível perigo.

3. Ajude o jogador a analisar racionalmente que o medo pode estar hiperdimensionado.

Sair jogando sob pressão representa, de fato, um perigo real ou uma ameaça à vida? Estar numa região do campo em que não se está habituado é motivo suficiente para se esconder do jogo? Precisamos realmente recuar por jogarmos fora de nossos domínios? Convidar o jogador para refletir sobre seus medos, ajudando a trazê-lo para a consciência e melhor dimensioná-lo pode ser uma ótima alternativa.

4. Ensine-o a se acalmar usando alguma técnica de respiração.

Durante o jogo podemos transmitir, mesmo que de forma sutil, insegurança, nervosismo e desconforto. Aprender, no calor do jogo, a respirar e se acalmar diante de um erro ou de vaias da torcida por exemplo, é uma habilidade importante. Para além da respiração, a calma pode se manifestar se o jogador adquire confiança naquilo que está fazendo. Você, treinador, é um grande guia para que o jogador atinja este nível. Alguma vez você já ajudou o seu jogador a respirar para se acalmar e confiar no que está sendo construído?

5. Crie cenários de treino em que será necessário encarar o medo.

É comum pensarmos o treino para o desenvolvimento de aspectos físicos, técnicos e táticos. Porém, ao encararmos o jogo como uma atividade humana e numa perspectiva sistêmica, temos ciência que  podemos, metodologicamente, criar ambientes em que os jogadores sejam demandados a enfrentar alguns de seus medos.

Para encerrar, deixamos algumas reflexões:

Como você lida com o medo de seus jogadores?
Como você lida com os seus medos? Eles, de alguma forma, influenciam sua equipe?

Até breve!

Referência 

Seis consejos ayudan niños a superar miedos y fobias

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

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Reflexões e possibilidades de utilização da saída em 3

O Futebol está em constante evolução, sempre com novas ideias ou até mesmo outras que retornam do passado para solucionar problemas do presente. Algo que podemos dizer que “está na moda”, principalmente no futebol europeu é jogar com 3 zagueiros(as). Há muitas equipes se utilizando de estruturas táticas onde a base defensiva é com 3 zagueiros(as), alguns exemplos são Atalanta, Wolverhampthon, Internazionale, Borussia Dortmund.

Esse tipo de estrutura é geralmente reconhecida como uma formação que prioriza a solidez defensiva, mas pensando nos exemplos citados e no modelo jogo dessas equipes, reflita. Atuar com 3 zagueiros(as) pode trazer vantagens apenas defensivamente?

Como tais equipes se utilizam dessa formação para potencializar o seu jogo no momento ofensivo?

Atualmente, jogar com 3 zagueiros(as) não é uma opção utilizada apenas para o aumento da consistência defensiva, mas também uma estratégia que pode ser utilizada para criar vantagens e desequilíbrios no adversário já na primeira fase de construção do jogo. Para que essa estrutura seja formada, a equipe não precisa, necessariamente, atuar com três zagueiros(as), uma outra possibilidade é utilizar outros jogadores para formar a saída em 3 no momento da construção das jogadas de ataque. Uma das maneiras mais utilizadas para essa construção é a entrada de um(a) volante entre os(as) zagueiros(as), conhecida como saída “saída lavolpiana”.

Aqui, convidamos você leitor para as seguinte reflexões

Quais as vantagens que essa saída pode nos trazer?

Você utiliza a saída em 3 na sua equipe?

Esse mecanismo é utilizado para se criar vantagem de fato ou apenas porque “está na moda”?

As vantagens que a saída em 3 podem oferecer dependem de uma série de fatores, entre elas as características da própria equipe e a maneira como o adversário(a) faz a pressão. A seguir, apresentamos alguns questionamentos que podem ajudar você a enxergar de maneira mais clara algumas dessas variáveis e em que casos as possibilidades de explorar as vantagens criadas com a saída de 3 podem ser maiores, levando em consideração os diferentes momentos do jogo.

Sobre a sua própria equipe, tente responder às seguintes questões:

Sua estrutura tática já tem 3 jogadores(as) na base para construção? Se não, como você pretende executá-la?

Com o(a) volante/meia entrando no centro ou na lateral? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Com um(a) lateral base para a saída? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Com o(a) goleiro(a)? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Em qual momento o 3º jogador(a) vai entrar? E porque?

Quais serão os critérios para fazer a saída em 3?

Já sobre o adversário:

Com quantos(as) jogadores(as) o(a) adversário(a) faz a primeira pressão? É preciso ter 3 jogadores(as) na base?

3×1 Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

3×2 (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

3×3 (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

O que podemos explorar em cada um destes confrontos?

Em que altura e distância estarão os(as) jogadores(as) nessa saída?

Será necessário fazer a saída em 3 em todos os momentos ou apenas em situações específicas do jogo?

Por exemplo: É necessário criarmos um 3×1 na primeira fase de construção ou o 2×1 já é suficiente para a progressão? Ou irei fazer o 3×1 fazendo com que 1 dos 3 progrida e ande com bola, deixando 2×1 como cobertura no balanço defensivo?

Todos os movimentos pensados para o jogo devem ser realizados em busca da criação de vantagens na construção, nesse sentido é importante termos em mente as respostas para as seguintes perguntas: vou criar vantagem para a próxima fase do jogo? Como, quando e por quê?

Sobre o autor

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub17 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.

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Quem treina o treinador de futebol no Brasil? – O treinador autodidata

Salve, salve amantes do futebol! Na coluna anterior falamos sobre a importância do treinador conhecer e dominar os diferentes contextos de atuação, a fim de que tenha uma prática eficaz. Nesta, falaremos sobre os perigos do “autodidatismo” dos treinadores brasileiros e como podemos contribuir para recalcular essa rota.

A trajetória de um treinador esportivo não é linear, sendo cheia de altos e baixos. Em algumas fases da carreira, é possível sentir o desenvolvimento e o crescimento profissional, já quando chegam as derrotas, demissões, “rebaixamento” de cargos, o treinador precisa ter paciência e clareza para compreender que todos passam por isso e que momentos como esses são essenciais para sua aprendizagem. Porém, quem vai dizer isso a ele? Quem pode treiná-lo para refletir e digerir essas situações da melhor forma?

Treinadores brasileiros mais experientes, ao refletirem sobre suas trajetórias, talvez estejam pensando que aprenderam a passar por isso sozinhos e que, por isso, todos também devem passar. Será? Será que ser autodidata durante toda sua carreira é o melhor, ou o único, caminho para o desenvolvimento do treinador? Por outro lado, será que ser guiado e mediado durante toda carreira também pode trazer como consequência um perfil de treinador limitado e pouco preparado para a dureza da profissão?

O fato é que os dois extremos são perigosos. Um processo de desenvolvimento do treinador demasiadamente mediado e formal pode tirar a sua autonomia e podar o seu talento. Em contrapartida, um treinador exclusivamente autodidata (situação mais frequente na construção da carreira da maioria dos treinadores de futebol no Brasil), terá uma defasagem na sua formação, principalmente no início de sua carreira, momento em que mais necessita de mediação e formação. Mas afinal, como fazer para “recalcular essa rota”, já que a maioria experiente já é autodidata e muitos que estão iniciando uma trajetória?

Diante de um cenário tão heterogêneo em que alguns são graduados em educação física e outros não, alguns são autodidatas e outros não, alguns são ex-atletas e outros não, podemos entregar as seguintes sugestões:

a) Pesquisar sobre toda a aprendizagem que os mais experientes (autodidatas) vivenciaram durante suas trajetórias e sistematizar esse conhecimento para transmitir em cursos formais para iniciantes

b) Esboçar um currículo de formação para uma escola de treinadores na qual exige-se que, no início da trajetória, o treinador aprenda a aprender e aprenda a refletir, para que quando mais experiente desenvolva a capacidade de extrair aprendizagem de forma autônoma (fase na qual ser “autodidata” se torna mais salutar)

c) Identificar lacunas de aprendizagem em treinadores intermediários e colocar nas ementas de cursos de formação

d) Conscientizar treinadores que ser um autodidata supercompetente é exceção e não regra, e que o caminho pode ser encurtado, ao se aprender com erros já cometidos pelos mais experientes

e) Conscientizar treinadores mais experientes a buscarem suportes de aprendizagens com MENTORIAS de profissionais que sejam referência para estes mais experientes.

Fez sentido? E você, em que fase está e como procura se desenvolver? Traga mais sugestões! Continuaremos na semana que vem com mais uma coluna sobre treinar o treinador. Grande abraço e até lá!

Sobre o autor

Gabriel Bussinger é treinador e instrutor da CBF academy. Mestre em Educação Física pela UFSC, com 3 pós graduações na área. Já atuou em categorias de base e profissional, no Brasil e Dinamarca. Possui as licenças C e B da CBF e é parceiro de conteúdo da Universidade do Futebol.

Acompanhe as redes sociais do Gabriel Bussinger: YouTube Telegram; Podcast – Diário do treinador; Instagram

Referências

JARVIS, P. Democracy, lifelong learning and the learning society: Active citizenship in a late modern age. Abingdon: Routledge, 2008.

http://149.28.100.147/udof_migrate/especial-a-importancia-de-um-curriculo-do-treinador-de-futebol-parte-final/

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O futebol feminino brasileiro: desafios e perspectivas

A história do futebol feminino no Brasil foi revestida com os mais diversos desafios ao longo dos anos, e a prática do esporte no país carrega muita luta, perseverança, garra e, principalmente, vontade – vontade de crescer e de ter seu tão merecido reconhecimento, pois até pouco tempo atrás era dominado por homens.

Fazendo uma breve retrospectiva, a luta pelo respeito e reconhecimento sempre foi árdua: apenas na década de 20 houve os primeiros registros de partidas de futebol disputadas por mulheres, ainda que de maneira tímida e discreta. Por sinal, o futebol feminino era por vezes tratado como uma atração de circo, um show, e não algo a ser levado a sério.

Até a década de 40, o futebol feminino ainda estava longe de ser tratado com seriedade. A modalidade era considerada mais adequada para homens por ser considerada violenta e truculenta. Em 1941, a prática chegou a ser proibida pelo recém-criado Conselho Nacional de Desportos – CND.

Apenas na década de 70 foi revogada a proibição da prática do futebol por mulheres, mas a luta pela igualdade no esporte tinha novos desafios pela frente, a exemplo da falta de patrocínios e estímulos por parte dos clubes e das federações, o que mantinha a prática no amadorismo. Em 1983 o futebol feminino foi devidamente regulamentado, permitindo a criação de calendários esportivos, a realização de competições e a utilização dos estádios, que até então eram de uso apenas dos homens. No ano de 1988, a Fifa realizou, em caráter experimental, o primeiro campeonato mundial feminino, chamado Women’s Invitational Tournament e ocorrido na China.

As jogadoras brasileiras ainda enfrentavam muitos desafios. Para ilustrar, não havia uniforme especial para mulheres, que tiveram de jogar com as sobras das roupas do time masculino. Ao todo, 12 seleções participaram dessa edição, e, apesar das dificuldades, a seleção brasileira alcançou o impressionante 3º lugar.

A resposta a tantas adversidades e obstáculos era sempre vista dentro do campo: em 1996, nos Jogos Olímpicos de Atlanta as atletas conquistaram o 4º lugar; e, em 1999, veio a conquista da primeira medalha em Copa do Mundo, na edição dos EUA, quando a seleção feminina brasileira conquistou o 3º lugar, em um time composto por veteranas
e novas atletas que começavam a se formar.

A seleção brasileira conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 na Grécia, com as jogadoras Pretinha, Marta, Formiga e Cristiane no elenco. Em 2006, mais uma conquista histórica para o futebol feminino brasileiro: Marta Vieira da Silva ganhou o prêmio de melhor do mundo, ao lado de Fabio Cannavaro na seleção italiana.

Em 2007, a seleção brasileira foi campeã dos jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, e em setembro do mesmo ano, as meninas se tornaram vice-campeãs da Copa do Mundo da China.

Com tantas conquistas, crescia a esperança no desenvolvimento do esporte, que até o momento não possuía competições nacionais organizadas. Isso mudou em 2013, quando a CBF, em parceria com a Caixa Econômica Federal, organizou a primeira edição do Campeonato Brasileiro feminino, com a participação das 20 melhores equipes nacionais. A fórmula da competição foi alterada em 2017, tendo reduzido a 1ª divisão para 16 times e foi criada a Série A2, também com 16 equipes.

O ano de 2019 foi um marco importante para o futebol feminino brasileiro, pois a CBF definiu a obrigatoriedade de todos os clubes da série A do Campeonato Brasileiro masculino a terem uma equipe feminina adulta e uma de base.

A medida faz parte do Licenciamento de Clubes, documento que regula a temporada de competições profissionais no país, e segue a orientação da Conmebol. Dessa forma, o clube que não atendesse a essa exigência estaria sujeito a ficar de fora das competições que exigem licença, como é o caso da Série A do Campeonato Brasileiro,
da Copa Sul-Americana e da Libertadores.

Neste contexto, vale ressaltar que o futebol feminino é uma das principais preocupações da FIFA, pois, conforme apontado pela Secretaria Geral, Fatma Samoura, “o jogo das mulheres é uma prioridade para a FIFA e, através da nossa nova estratégia, trabalharemos lado a lado com nossas 211 federações em todo o mundo para aumentar
a participação popular, aumentar o valor comercial do futebol feminino e fortalecer as estruturas da modalidade para garantir que tudo o que fazemos é sustentável e tem resultados fortes.”

De fato, é de extrema importância se atentar para a força do futebol feminino, sendo cristalino o potencial a ser explorado na prática do esporte, seja em relação à descoberta de novos talentos e valorização de atletas excepcionais, seja de resultados financeiros decorrentes de patrocínios, marketing, comercialização de produtos oficiais e afins.

Neste sentido, a FIFA afirmou que manterá o investimento de 1 bilhão de dólares no futebol feminino. Esse dinheiro vem do fundo de investimento da modalidade, que já tinha como objetivo o investimento em programas de capacitação, competições, governança e liderança dos times femininos e profissionalização das jogadoras.

No dia 17/07/2020, a CBF apresentou o calendário revisado para a temporada 2020/2021 das competições femininas, paralisadas desde março em virtude da pandemia do COVID-19. A Série A1 do Campeonato Brasileiro será reiniciada na próxima semana, no dia 26/08/2020, com três jogos, dentre eles o repeteco da final do

Campeonato Brasileiro de 2019 entre Corinthians e o atual campeão nacional, o Ferroviária.

Com a retomada dos campeonatos, torcemos para que esse movimento de incentivo à prática do futebol feminino no Brasil seja resgatado com força total. Nossas atletas merecem o reconhecimento recebido após tantos anos de luta e de dedicação das primeiras mulheres que, por amor ao esporte, ousaram enfrentar e vencer tantos preconceitos.

Sobre a autora 

Ana Beatriz Rausse de Almeida é advogada (consultora tributária), graduada em Direito pela Faculdade Milton Campos, graduanda em Ciências Contábeis pela Universidade FUMEC, e cursa MBA em Gestão Tributária na USP/ESALQ.

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Di Maria ou Lewandowski – Quem leva mais um caneco na Champions?

A tão esperada final da Champions está definida! Bayer e PSG disputam, no domingo, um dos títulos mais cobiçados do futebol europeu e do mundo! A equipe alemã busca sua sexta conquista, enquanto os franceses perseguem seu primeiro título da Liga. Dois renomados e multi-campeões jogadores buscam trazer o título a seus clubes: Ángel Di Maria para o PSG e Robert Lewandowski para o Bayer.Di Maria iniciou a carreira de poderio financeiro modesto, mas tradicional, o Club Atlético Rosário Central, da cidade de Rosário na Argentina. Filho de pai minerador de carvão, ofício que Di Maria também exerceu até os 15 anos, tinha dificuldade para pagar a passagem para ir aos treinos; ainda assim, fez sua estreia na equipe principal com apenas 17 anos. Chegou até o estrelato na Europa, onde atuou ao lado de jogadores como Cristiano Ronaldo e passou por grandes clubes como Manchester e Real Madrid. Di Maria acumulou títulos e, hoje, aos 32 anos, vive sua 5o temporada pelo PSG buscando sua segunda Champions League.

Nesta edição do torneio, o argentino é o 4º jogador a realizar mais passes para o terço final do campo, o líder em número de assistências e em criação de chances reais de gol, dados que, se mantidos e ampliados para esta final, irão aumentar muito as chances de título da equipe francesa.

Lewandowski é polonês e filho de atletas profissionais, o pai foi judoca e a mãe jogadora de vôlei. Além disso, sua esposa é carateca e formada em Educação Física, assim como ele que se graduou na Escola Superior de Educação em Esportes da Universidade de Varsóvia em 2017. Lewandowski tem a marca de ter sido campeão e artilheiro da 3º, 2º e 1º divisão na Polônia, nesta ordem. Estreou aos 18 anos no Znicz Pruszków já sendo artilheiro e campeão da terceira divisão polonesa. Desde então, não parou de fazer gols por onde passou, o que, inclusive, já lhe rendeu a entrada para o livro dos recordes. O artilheiro tem as marcas de: hat trick mais rápido da história; marcar quatro
gols mais rápido na história; marcar cinco gols mais rápido na história; e mais gols anotados por um reserva. Tudo isso ocorreu na épica virada sobre o Wolfsburg em 2015, onde saiu do banco de suplentes e anotou 5 gols em 9 minutos.

Na Champions de 19/20, Lewandowski ainda busca superar a marca de Cristiano Ronaldo, de 17 gols anotados numa mesma edição. O polonês já marcou 15. Na atual temporada da competição, Lewandowski é o líder em número de finalizações (tendo uma média de 4,6 por jogo) e vice-líder em número de assistências, realizou 5 (uma a menos que Di Maria).

Confira abaixo a análise dos dois jogadores.

Ambos os jogadores tem sido fundamentais para a efetividade ofensiva de suas equipes, no domingo eles conseguiram assumir esse protagonismo demonstrado durante toda a competição? Quem conseguirá ser mais decisivo e levar sua equipe ao título?

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

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Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

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A neurociência e o futebol

O futebol é marcado pela razão que ordena o que se espera dele e pelas emoções nascidas das surpresas que nos entusiasmam ou decepcionam. Perder ou ganhar, enfim, é o mundo imprevisível deste jogo que se parece com uma ‘matrix’ esportiva, pois algo que está a ser descoberto organiza o que ainda não se entende dele.

Como funcionam internamente atletas, treinadores, dirigentes, árbitros e tantos profissionais de distintas áreas, além da torcida, diante do mundo imprevisível e aleatório do futebol e seu campo de jogo?

A Neurociência investiga o sistema nervoso central em relação a diversos aspectos comportamentais e fisiológicos de seres humanos, e dá suporte a várias disciplinas esportivas como Psicologia, Medicina, Fisioterapia, e também à Metodologia do Treinamento.  Como um ramo da Biologia, a Neurociência vem buscando estabelecer a relação entre o cérebro, mente e o comportamento humano através de diferentes conceitos e princípios, e quando aplicada à prática esportiva, otimiza o desenvolvimento de procedimentos pedagógicos na construção de exercícios, dinâmicas e tarefas para o ensino e aprendizagem, além do treinamento no futebol, aumentando o potencial de desempenho de atletas futebolistas no processo de treinamento, execução de exercícios e participação em jogos.

Um dos fundamentos centrais é que cada pessoa tem sua maneira própria – subjetiva – de interpretar circunstâncias e organizar o funcionamento de seu sistema único e indissociável formado por mente e corpo. Se pensarmos assim no futebol, como seria a melhor maneira de olhar para jogadores e jogadoras em ação a partir de sua percepção única de compreender o jogo?

Muitos conceitos da Neurociência estão contribuindo para que as práticas de treinamento sejam arquitetadas com a finalidade de estimular individualmente potenciais até então tomados de forma generalista. A crença de que há um modo único de aprendizagem e que todos organizam as percepções da mesma maneira gera ainda treinamentos padronizados para grupos e não personalizados para as diferentes estratégias de soluções de problemas que cada atleta desenvolve ao longo de seu aprendizado e treinamento no futebol. A Neurociência contém o potencial para provocar uma produtiva mudança neste entendimento.

As ações dos neurocientistas, que incluem pesquisas mediante demandas e divulgação destes conhecimentos, resultam em afirmar que o desenvolvimento das pessoas se deve, em grande parte, à flexibilidade do sistema nervoso, que representa a capacidade de adaptação em suas experiências de vida.

Aqui olhamos para atletas na experiência de treinar e jogar futebol, que ao longo do tempo criam modelos mentais de compreensão do jogo, resumindo, generalizando e ampliando experiências que tornam possíveis sua expressão comportamental de executar as ações próprias do futebol, aliada ao rendimento em um jogo, especialmente as experiências criadas para o ambiente do treino e pela oposição das equipes adversárias.

A Neurociência contribui com o conhecimento avançado do funcionamento do sistema nervoso, e mais particularmente o cérebro, para que o treinador possa organizar e otimizar seus treinos mais assertivamente a partir das situações desafiadoras de jogo.

As ações de um jogo são constituídas por situações problema que equipes e atletas devem solucionar constantemente, tornando essa compreensão fundamental para o desempenho no jogo de futebol. É consenso que os atletas treinados em um ambiente construído para estimular a inteligência voltada para solucionar problemas ou criar novas possibilidades de ação terão mais opções à sua disposição para se adaptarem e responderem a situações esperadas ou surpreendentes do jogo. Nesta compreensão, o treino deve conter exigências do jogo.

A Neurociência, através de seus conhecimentos aplicados, poderá facilitar a atuação de profissionais do futebol para que compreendam com mais clareza o funcionamento do cérebro e suas ações, promovendo a melhoria no desempenho de jogadores e jogadoras. Sabendo disso, começaremos a entender com maior profundidade o momento de pressão vivido por Andrés Iniesta no jogo* contra o Chelsea, em que marcou um gol salvador para o Barcelona aos 48 minutos do segundo tempo, e que este grande jogador assim resumiu: “Não havia tempo para pensar, simplesmente chutei”**.

*Jogo entre Chelsea x Barcelona, realizado pela Champions League em 06 de maio de 2009.

**Referência utilizada: Percy, Allan. Pensar com os pés. Sextante, Rio de Janeiro, 20014. p-39.

Sobre os autores

Hermes Ferreira Balbino é educador físico e psicólogo, doutor em Ciências do Esporte. Experiência em diversos campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos. É autor de livros sobre Esporte e Pedagogia, professor universitário e consultor para desempenho esportivo.

Sérgio Ricardo de Abreu Camarda é educador físico e doutor pela Universidade Federal de São Paulo com pós-doutorado pela UNESP/Rio Claro. Possui experiência na área de Fisiologia do Exercício em grandes clubes do futebol brasileiro.

Juliana Mazepa Pereira é psicóloga com atuação no futebol desde 2007. Pós graduada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC/PR, especialista em comunicação – programação neurolinguística e coach reconhecida pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Tânia Leandra Bandeira é educadora física e psicóloga, doutora em Educação Física com estudos aplicados à Psicologia do Esporte. Tem experiência no trabalho com equipes esportivas de diversas modalidades assim como no futebol, incluindo o trabalho com equipes de arbitragem.

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.