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Universidade da Experiência

Ela existe, sim, com esse mesmo e apropriado nome.

Criada em Curitiba como um centro aberto, sem formalismos acadêmicos, por executivos e, principalmente, ex-executivos, para estimular as trocas e as discussões entre pessoas de diferentes áreas de especialidade e de níveis de experiência, visando o desenvolvimento de pessoas e organizações.

Já chamam a atenção algumas das frases soltas no site oficial (www.uexp.com.br), como "sem ética, sucesso não é nada", "o que nós, coletivamente, somos capazes de criar?", "Num sentido mais amplo e profundo, nós da Uexp, acreditamos que não há pessoas comuns e que resultados extraordinários surgem quando libertamos a genialidade que existe em cada uma delas".

Tem como essência "contribuir no desenvolvimento de uma nova geração de líderes, empreendedores e inovadores sociais, que buscam usar o talento e a energia propulsora em prol de trabalhos e negócios construtivos, movidos a um senso de propósito, metas e valores mais profundos".

Oferece alguns cursos de formação de futuros líderes, desenvolvimento de gestores, design de soluções e formação de facilitadores.

E uma das coisas muito interessantes é como se estrutura a chamada Rede de Valor da UExp: Convidados de Valor; Parceiros de Valor e Organizações de Valor.

No primeiro caso, são grandes profissionais dispostos a compartilhar seu conhecimento e experiência em encontros regulares promovidos pela universidade.

Já os parceiros de valor são consultores, professores e profissionais convocados para auxiliar nos processos de desenvolvimento oferecidos pelos cursos.

Por fim, as organizações de valor são entidades públicas, privadas e da sociedade civil que endossam as práticas da universidade, ao mesmo tempo em que a apoiam.

No nosso terreiro, o futebol, isso também já existia há tempo: a Universidade do Futebol.

Não foi fácil ter a visão de vanguarda para o mestre Medina; formar e manter um time de colunistas; promover a produção intelectual; estruturar TI e serviços correlatos; equipe de trabalho nos bastidores, que faz a roda girar muito bem, liderada pelo Tega.

Mas, principalmente, o mais difícil foi, sem dúvida, fazer crescer o projeto da Universidade do Futebol, antes confinado aos muros da "Cidade do Futebol", cuja credibilidade, hoje, é internacionalmente notada.

Espero que a resistência ainda presente no futebol, quando se fala de inovação, seja cada vez menor, como costuma ser no meio corporativo, e que esse esporte se utilize do altíssimo grau de conhecimento, sempre ao alcance dos profissionais em toda a plataforma da UdoF com as portas abertas ao desenvolvimento.

Muita gente de fora da órbita do futebol também pode transformar conhecimento em sabedoria.

Não à toa, palestras de grandes protagonistas desse esporte em empresas e corporações são muito concorridas.

Compartilhar experiências é um ótimo meio de desenvolvimento de pessoas e instituições.

Não será diferente no futebol. E, na Universidade do Futebol, essa postura não falta a ninguém.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Os (possíveis) motivos pela queda de rendimento do futebol brasileiro

Ao longo das últimas décadas, o futebol brasileiro sempre esteve no primeiro escalão do futebol mundial. Antes mesmo da criação do ranking da Fifa, o Brasil era considerado a primeira ou a segunda força do futebol no mundo.

Esse cenário foi propulsionado depois da criação do ranking elaborado pela máxima entidade do futebol mundial. Além das inúmeras conquistas das décadas de 90 e início dos anos 2000, o Brasil sempre foi o líder no ranking, ratificando a sua posição como "o país do futebol".

Os atletas brasileiros sempre foram os mais procurados, e os principais clubes do mundo sempre contavam com os brasileiros como protagonistas nas conquistas. Esse efeito era notório quando a eleição dos melhores atletas do mundo acontecia. Na maior parte das vezes, um brasileiro era eleito (por vezes nos três primeiros postos estavam presentes dois brasileiros).

Contudo ao longo dos últimos anos esse cenário perdeu força e o futebol brasileiro não esta causando a mesma impressão que se habituou a causar nas últimas décadas.

Nas duas Copas do Mundo passadas não chegamos nem ao menos nas semifinais, nenhum atleta brasileiro está presente entre os melhores do mundo desde 2007 com o Kaká (obviamente estou citando apenas o futebol masculino), e no ranking da Fifa o Brasil despencou para a 13ª posição (atualizada no mês de novembro de 2012); nos principais clubes do mundo, nenhum atleta protagonista é brasileiro e na indicação da Bola de Ouro da Fifa, dos 23 melhores do mundo de 2012, apenas um é brasileiro (Neymar).

Após esse cenário, perguntas devem ser feitas por cada um de nós: qual a causa dessa queda assustadora de rendimento nos últimos dez anos?

1. Porque há dez anos éramos campeões do mundo e hoje estamos em 13° lugar?
2. De 1994 até 2007 elegemos por oito vezes o melhor futebolista do ano (Romário, Rivaldo, Kaká, Ronaldinho duas vezes e Ronaldo três vezes) e desde 2007 não elegemos mais ninguém?

Devemos levantar suposições e com elas refletir e agir para que não percamos o controle sobre nosso principal esporte, que sempre nos deu muito orgulho e felicidades.

Bom, vamos parar de lamentar e vamos procurar explicações para esse lamentável fenômeno.

Invariavelmente sempre achamos que o problema está na deficiência na aplicação dos treinos aplicados pelos nossos técnicos e preparadores físicos. Sempre encontro pessoas afirmando que estamos treinando os nossos atletas de forma equivocada e desatualizada e por isso o futebol brasileiro esta perdendo espaço para os demais países no mundo.

Concordo com esta tese em partes, pois em primeiro lugar não temos uma linha padrão de treinamento no futebol (aliás nenhum país do mundo tem) já com esse dado fica muito difícil definir se estamos atrasados ou não pois não sabemos aonde estamos e com isso não tem como comparar com ninguém.

Segundo ponto, desde a década de 80 e 90 já ouvia que estávamos atrasados em relação aos holandeses, italianos, alemães entre outros dentro do sistema de treinamento. Mesmo assim sempre revelávamos e ganhávamos constantemente. Essa característica (síndrome do cachorro vira lata) já esta presente na nossa cultura futebolística desde os anos 80 (pelo menos só posso dizer desse período pra cá). Sempre achamos que treinávamos abaixo dos europeus e na hora das competições rendíamos iguais ou melhores que todos eles.

Vale um relato pessoal: na década de 90 eu vi diversas fitas (não existia DVD) de treinamento holandês e/ou alemão no futebol, e sinceramente não via diferenças significativas dos treinos aplicados por nós aqui no Brasil, mas, tudo bem, vamos em frente.

Por isso quando afirmarmos que estamos perdendo tudo e não estamos revelando ninguém apenas pelo fato de possivelmente treinarmos abaixo do nível dos europeus, é recordar a mesma sensação que tínhamos décadas atrás, porém com resultados melhores. Com isso, não devemos nos focar apenas nessa questão e sim procurar mais explicações plausíveis e menos desculpas que já as mesmas estão presentes há mais de trinta anos sem conotação plena com verdade.

Uma questão que poucos se atentam, mas que é sim de grande importância no futebol, é a de como os clubes são geridos dentro dos seus diversos departamentos de futebol.

Nesse caso sim somos extremamente atrasados e retrógrados quando comparados aos europeus, asiáticos, americanos, e tantos outros.

Ao viajar esse mundo todo com o futebol eu sempre me deparei com uma lacuna gigantesca com o sistema de organização dos brasileiros quando comparado com o restante do mundo. A forma como o futebol é tratado com respeito e profissionalismo, por dirigentes profissionais e pautados em objetivos claros e seguros de suas finanças e possibilidades me assusta quando me deparo novamente com nossa situação do futebol brasileiro.

Na maior parte dos casos estamos nas mãos de torcedores com cargo que não enxergam o futebol dentro de um sistema organizacional, com planejamento e objetivos claros e respeitando tempo para poder atingir essas metas pré-estabelecidas.

É comum ver os times de grande torcida, com grande poder financeiro, tropeçando nos seus próprios problemas, pois os mesmos não têm o mínimo de organização por parte dos seus dirigentes.

Os problemas nesses casos são múltiplos, desde a escolha incorreta dos profissionais que se adaptem a metodologia do clube (que na maior parte das vezes não existe), até uma falta de sensibilidade na sequência do trabalho dos profissionais escolhidos.

Quando vamos apontar o foco para as categorias de base, percebemos que o caos esta instalado definitivamente.

Os departamentos não têm a menor compreensão do que seja linha única de trabalho, linhas pedagógicas recorrentes a cada faixa etária são ignoradas e o único objetivo que se estabelece é ganhar títulos dentro de cada categoria.

Nesses departamentos, por não haver uma fiscalização maior por parte da imprensa, o cenário é triste. Profissionais são contratados em troca de interesses pessoais (seja financeiro ou por trocas de favores pessoais de dirigentes), atletas são contratados por interesse de empresários, técnicos e funcionários do clube, e o que seria o principal departamento de formação de atletas, está nas mãos de incompetentes que ou não entendem de futebol ou de pessoas que entendem, mas que advogam em beneficio próprio e não dos seus clubes.

Obviamente que existem exceções e percebemos isso claramente na quantidade de atletas revelados por aquelas agremiações que trabalham de forma equilibrada e gerida por profissionais que respeitam o clube em que trabalham.

Outra hipótese que pode explicar a perda do rendimento do futebol brasileiro é a baixa qualidade desta geração de futebolistas brasileiros, porém eu não c
onsigo definir se é apenas uma coincidência ou se essa geração é vitima das hipóteses anteriores levantadas anteriormente.

O detalhe que quero salientar é que por muitas vezes nos questionamos e buscamos métodos modernos de treinamento, achamos que estamos defasados e que toda a culpa da queda de rendimento está na baixa qualidade dos nossos treinos. Devemos sim cada dia mais procurar evoluir na nossa área e nos manter atualizados, mas não me parece que estamos tão defasados para gerar essa diferença de rendimento dos últimos dez anos.

Contudo me parece que devemos propor uma reformulação imediata para a forma como nossos clubes são geridos. Gestão é tudo. Da forma como estamos indo, por mais que evoluímos dentro de campo, pouco conseguiremos fazer para melhorar o cenário futebolístico no Brasil.

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Combinação dos métodos de treino: necessidade ou dificuldade para planejá-los? – parte I

Caros leitores,

estamos em meio às festas de final de ano, porém, ainda assim, muitos dedicam algum tempo para a capacitação profissional. Neste concorrido mercado, qualquer aprendizagem que proporcione conhecimento geral ou específico da modalidade pode ser um diferencial tanto para criar treinos (e equipes) melhores que seus adversários, como para buscar vantagem competitiva, imprescindível, nas disputas por algumas vagas que surgem no início da temporada.

Desta forma, estudar, ler, pesquisar, praticar, discutir e refletir, devem ser ações constantes para conseguirmos a melhor atuação profissional possível.

Nesta tentativa, uma dúvida recorrente acomete inúmeros profissionais do futebol: qual(is) deve(m) ser o(s) método(s) utilizado(s) na preparação dos jogadores e equipe?

O método analítico divide o futebol em suas quatro vertentes e preconiza o treinamento de cada uma delas separadamente. Para melhorar a capacidade física, treinos físicos diversos são realizados. Desde os treinos ultrapassados, como treinamentos contínuos e intervalados aeróbios até aos mais atualizados, como os treinos de resistência de sprint e de potência. Já para a vertente técnica, a repetição dos gestos técnicos perfeitos é estimulada em treinos de finalização, cruzamentos, passes ou quaisquer outros fundamentos de acordo com o interesse da comissão técnica. Para o aprimoramento da parte tática do jogo, combinação de jogadas sem adversários são realizadas por repetidas vezes para que, no jogo, aconteçam conforme o que foi treinado.

Já no método integrado, existe a junção na mesma atividade de treino, de duas ou mais vertentes da modalidade com o objetivo de aperfeiçoá-las simultaneamente. Sendo assim, surgem os denominados treinos físico-técnicos, técnico-táticos, ou até, os físico-tático-técnicos. Como exemplo da primeira combinação, um circuito com bola em que após acelerações e coordenativos diversos o atleta realiza um gesto-técnico do jogo. Exemplificando um treino técnico-tático, o tradicional “futebol alemão” em que o treinador divide seu grupo em três equipes e enquanto uma equipe ataca o gol oficial, a outra deve passar o meio-campo com a bola dominada para garantir o direito de atacar (o gol oficial) e a última aguarda uma das definições anteriores para entrar no jogo.

Nestas atividades, os treinadores trabalham posse de bola, finalização, saída rápida, marcação, enfim, elementos técnico-táticos do futebol sem um controle mais aprofundado da carga de treino (que não é só física).

E na última combinação, encontram-se os jogos reduzidos. Muitas vezes conduzidos pelos preparadores físicos, surgiram para trabalhar a parte física em forma de jogo. A melhoria da parte física, então, é o grande objetivo da sessão que passa a ter a bola para ser mais motivador e próximo do jogo de futebol (com seus elementos técnico-táticos). Um quadrado em que dois jogadores disputam a posse de bola por cerca de três minutos contra outros dois jogadores, podendo utilizar os apoios que estão em cada um dos lados do quadrado, é um exemplo de um jogo reduzido para a melhoria da resistência anaeróbia.

O método sistêmico não separa a sessão de treino nas vertentes do jogo. Então, toda e qualquer atividade é sempre física-técnica-tática-emocional. Logo, toda atividade é jogo. Para exemplificar, um jogo em 2/3 do campo em que duas equipes com nove jogadores cada se enfrentam em dois tempos de vinte minutos com as seguintes regras: atrás do meio campo cada jogador só pode dar dois toques e fazer passes somente para frente; no campo de ataque, cinco passes equivalem a 1 ponto, sendo que até a zona de risco não pode devolver o passe para o jogador anterior que o executou, caso contrário, zera-se a contagem; gol equivale a 3 pontos; cinco passes mais o gol equivalem a 7 pontos; só valerão gols com a equipe toda posicionada no campo de ataque e com o goleiro fora da área.

Neste jogo, busca-se atender demandas físicas-técnicas-táticas-emocionais específicas, que resultem em comportamentos individuais e coletivos relativos a uma maior inteligência de jogo.

Como o método sistêmico é o mais específico, pois mantém o jogo como essência da sua aplicação, defende-se uma ampla utilização do mesmo ao longo de um microciclo de treinamento. É comum pela comissão técnica, na maioria das vezes, recorrerem a outros métodos não pela real necessidade, mas sim pela dificuldade em elaborar exercícios complexos que, como afirma Rodrigo Leitão, sejam físicos-técnicos-táticos-mentais durante todo o tempo, o tempo todo.

Uma vez que o objetivo do portal nunca será trazer verdades absolutas e para colocarmos em prática um dos parágrafos iniciais do texto, que defende os estudos, as leituras, as pesquisas e as discussões, a primeira parte da coluna será finalizada propondo um ambiente de discussão: aguardarei em meu e-mail informações de treinadores e assistentes sobre quais são os métodos que utilizam para elaborar suas programações semanais e os porquês de se fazer de tal forma.

A ideia é termos um espaço para troca de informações e construção de conhecimento.

Desejo a todos um ótimo final de ano, boas festas, muitas alegrias e, é claro, bons estudos.

Abraços e até 2013!
 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

 

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A CPI do Futebol

O ex-jogador de futebol e agora deputado federal Romário (PSB-RJ) pretende instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a gestão de Ricardo Teixeira à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e, para tanto, o parlamentar conseguiu obter 184 assinaturas, 13 a mais do que o número mínimo necessário, para que o seu desejo possa ser realizado. Dessa forma, ele protocolou o requerimento na Mesa Diretora da Câmara para criação da CPI.

Entretanto, por uma questão regimental, a instalação da CPI ainda não está garantida, pois o regimento da Câmara só permite a realização de no máximo cinco CPIs ao mesmo tempo e há outros nove pedidos na fila na frente do requerimento apresentado por Romário.

A opção seria “furar a fila”, mas, seria necessário que o requerimento fosse aprovado por meio de projeto de resolução, no Plenário da Câmara.

O pedido do ex-jogador cita diversas reportagens, que apontam supostas irregularidades em um contrato de patrocínio de R$ 7 milhões da TAM com a CBF, no salário recebido por Ricardo Teixeira mesmo depois de deixar a presidência da entidade e no contrato assinado para a realização de um amistoso entre Brasil e Portugal, entre outras suspeitas.

Além disso, Romário pretende que o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, seja ouvido pela Câmara por conta do seu suposto envolvimento numa investigação da Polícia Federal e ainda reclamou de supostas irregularidades no processo de sucessão de Teixeira, que colocou José Maria Marin na presidência da CBF.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é uma investigação conduzida pelo Poder Legislativo e transforma a própria o Poder em comissão para ouvir depoimentos e tomar informações diretamente.

O pedido de instauração de uma CPI no Congresso pode ser feito por um terço dos Senadores ou um terço dos Deputados Federais. Recolhidas as assinaturas mínimas necessárias, o pedido de abertura com a discriminação dos fatos a serem apurados é apresentado à mesa diretora, que o lê em plenário. Além disso, é preciso que os partidos que têm representatividade na Casa indiquem os membros para a comissão, oportunidade em que é realizada a sua instalação efetiva.

Insta destacar que a CPI somente pode investigar fato de relevância pública. No caso em comento, a Lei Pelé, em seu artigo 46-A, I, estabelece:

Art. 46-A. As ligas desportivas, as entidades de administração de desporto e as de prática desportiva envolvidas em qualquer competição de atletas profissionais, independentemente da forma jurídica adotada, ficam obrigadas a: (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)

I – elaborar suas demonstrações financeiras, separadamente por atividade econômica, de modo distinto das atividades recreativas e sociais, nos termos da lei e de acordo com os padrões e critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade, e, após terem sido submetidas a auditoria independente, providenciar sua publicação, até o último dia útil do mês de abril do ano subsequente, por período não inferior a 3 (três) meses, em sítio eletrônico próprio e da respectiva entidade de administração ou liga desportiva; (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011).
 

Doutro giro, assim dispõe o artigo 33, II do Estatuto do Torcedor:

 

Art. 33. Sem prejuízo do disposto nesta Lei, cada entidade de prática desportiva fará publicar documento que contemple as diretrizes básicas de seu relacionamento com os torcedores, disciplinando, obrigatoriamente: (Vigência)

II – mecanismos de transparência financeira da entidade, inclusive com disposições relativas à realização de auditorias independentes, observado o disposto no art. 46-A da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998;
 

Portanto, a Legislação Brasileira inclui a transparência financeira das entidades do desporto como ponto relevante, razão pela qual, apesar de a CBF ser uma instituição privada, o Poder Público possui o direito de investigá-la, especialmente no momento em que se realizarão eventos desportivos relevantes financiados por dinheiro público.

Urge acrescer que para a Fifa e a Copa do Mundo, a transparência de sua filiada e organizadora do evento trará maios credibilidade ao evento, valorizando sua marca ante os patrocinadores.

Assim, espera-se que o requerimento do deputado Romário seja aprovado, inclusive como Resolução, a fim de que tenhamos uma análise das contas da CBF. Espera-se, ainda, que não haja qualquer problema nestas contas e que possamos dar ao mundo um grande exemplo de democracia, honestidade e civilidade.
 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

 

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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 5ª Parte, a confiança

Nesta coluna irei comentar sobre um dos elementos que penso ser extremamente importante na conquista da excelência: a confiança. Este é o quinto elemento da excelência e lembro que já falamos sobre a concentração, o comprometimento, o preparo mental e as visões e imagens positivas.

A confiança é um ingrediente especial para guiar a busca pela excelência. Ela cresce ou diminui dependendo da qualidade de seu preparo, da sua concentração e do quanto você acredita na sua capacidade. Na prática, sua confiança crescerá quando seu foco estiver centrado em confiar ou acreditar:

•Em seu próprio potencial;
•Em sua capacidade de superar obstáculos e alcançar seus objetivos;
•Em seu treinamento ou preparo mental;
•Em sua concentração;
•Em suas escolhas;
•No significado de sua missão;
•Naqueles com quem você trabalha.

Em geral, não começamos a busca pela excelência com total confiança em nós mesmos e em nossa capacidade de realizar o desejado. Esta é desenvolvida ao longo do tempo e obtendo prazer nas coisas que fazemos bem, reconhecendo nossas evoluções, aprendendo com nosso sucesso e com as nossas falhas, absorvendo a sabedoria de outros e descobrindo que a concentração nos liberta para realizar nosso melhor.

Quando você adquire a certeza em sua capacidade de realização e a concentração absoluta em seu desempenho, as portas do alto rendimento se abrem para você. É preciso ter muito cuidado com as distrações ou com os pensamentos negativos, pois eles fazem oscilar o seu desempenho e isso acontece não por uma falta de capacidade, mas sim pelo simples motivo das dúvidas interferirem diretamente na sua melhor concentração.

O único meio de elevar sua confiança é fortalecer sua concentração nas coisas certas a fazer. A confiança na concentração abre as portas para os níveis mais elevados de excelência e por sua vez os níveis mais altos de concentração abrem as portas para se ter uma maior confiança. Vejam algumas estratégias que podem ajudá-lo a fortalecer sua confiança:

•Lembre-se de que alguém acredita em você;
•Pense em aspectos positivos de sua capacidade;
•Pense em por que você pode alcançar seus objetivos;
•Escreva uma lista de razoes pelas quais você pode alcançar seus objetivos ou razoes para crer que você pode alcançá-los;
•Aja como que pode realizá-lo;
•Descubra as partes positivas de todas as suas experiências e desempenhos.

Ao ter a confiança e a concentração trabalhando juntas em seu benefício, a probabilidade de que você tenha um desempenho próximo ao seu potencial mais elevado aumenta consideravelmente. Esse dom surge quando você respeita a si mesmo, o seu melhor foco e liberta seu corpo e mente para suas realizações sem interferência. Fica o convite: conceda esse dom a você mesmo! Vale o sacrifício!

Vamos às reflexões sobre a confiança? Confira:

•Você acredita que pode conquistas seus sonhos e suas metas?
•Você busca razões para crer e se concentrar em por que você pode alcançar suas metas?
•Você conversa consigo mesmo de modo a se sentir com espírito positivo e confiante?
•Você confia em si mesmo, em seu preparo e em sua concentração?

Fechamos aqui o quinto elemento da jornada em direção a excelência: a confiança.

Até a próxima semana com o sexto elemento desta jornada!
 

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
O atleta e a conquista da excelência pessoal – a concentração
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 2ª parte, o comprometimento
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 3ª parte, o preparo mental
O atleta e a conquista da excelência pessoal – 4ª parte, visões e imagens positivas

 

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Novos tempos

Todo fechamento de ciclo, que pelos cálculos do nosso calendário cristão compreende o curso de 365 dias, enseja a mudança e a entrada de novos tempos, uma renovação de energias, novos planos e expectativa de dias melhores. Fazemos também uma retrospectiva daquilo que realizamos, acertamos e erramos, como forma de refletir sobre práticas e atitudes.

Para o futebol, assistimos a aplicação mínima de conceitos de gestão que culminaram com resultados esportivos importantes, como foi o caso do ano vivido pelo Corinthians. É verdade que nem tudo é perfeito, até porque as ciências humanas não são exatas.

Mesmo assim, o fato sinaliza que o caminho rumo à profissionalização é sem volta e, os que não a fazem, hão de ter resultados esparsos e momentos de penúria sistemática, como o vivenciado pelo Palmeiras em 2012.

É óbvio também que não podemos analisar a boa ou má gestão pela simples análise de títulos, conquistas ou rebaixamentos. Existem bons projetos, dentro do contexto e tamanho de cada clube, que merecem destaque, como a redenção de um Coritiba, que dentro de suas limitações vem conseguindo manter uma lógica de investimento na área técnica de maneira linear.

E os “novos tempos” para o futebol brasileiro começaram no mês de dezembro, com a inauguração de três grandes obras que hão de marcar uma nova forma de apresentar o espetáculo esportivo no país: a Arena do Grêmio em Porto Alegre, o Castelão em Fortaleza e o Mineirão em Belo Horizonte.

Historicamente e cientificamente o “lugar” para a prática do esporte é tido como elemento de transformação e ponto de referência cultural para a população em vistas ao lazer e consumo do entretenimento. 2013 reserva a comprovação deste componente que por tanto tempo esteve negligenciado em nossos estádios.
 

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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Copa da Alemanha – Estudo de Caso

Objetivo do documento

O presente documento tem como objetivo o estudo de caso sobre o planejamento e trabalhos desenvolvidos, as dificuldades e soluções encontradas, e as lições extraídas do Plano de Segurança implementado pela Alemanha para a Copa do Mundo de Futebol de 2006. Trata-se de estudo técnico de mega evento esportivo internacional com similaridade com a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, sobre o aspecto da “Proteção e Segurança”.

A Alemanha inovou em muitos importantes pontos, podendo ser, por isso, a Copa de 2006 considerada como um marco na história das Copas do Mundo de Futebol FIFA, deixando, como legado, indispensável experiência a ser aproveitada por outros países anfitriões.

Os estudos das Copas da Alemanha (2006) e da Copa da África (2010) – exatamente as que imediatamente antecedem os jogos no Brasil, em 2014 – complementam-se, completando um quadro muito útil ao atendimento das expectativas e orientações de planejamento estabelecidas pelo Governo Brasileiro, FIFA para 2014.

O estudo de caso sobre a Copa do Mundo de Futebol de 2006 tem a seguinte abrangência:

Considerações sobre a realidade da Alemanha por ocasião da Copa do Mundo, especialmente sobre o aspecto de proteção e segurança, em face das características do cenário mundial naquele momento;

Comparação com a realidade brasileira atual, no Estado do Mato Grosso;
Investimentos efetuados e medidas adotadas para a segurança da Copa do Mundo;

Legados para a história da Copa do Mundo que devem ser considerados pelos países anfitriões e cidades sedes, como Cuiabá;

Dados sobre o Planejamento efetuado que possam servir de subsídio para as autoridades brasileiras envolvidas com a preparação da Copa do Mundo de Futebol de 2014;

Dados sobre incidentes com potencial para influir na segurança da Copa;

Dados sobre ocorrência de incidentes de insegurança;

Dados e comentários sobre os resultados obtidos e experiência adquirida.

Visão Geral

Após exatamente trinta e dois anos, a Copa do Mundo de Futebol FIFA voltou a ser sediada pela Alemanha. Em 1974 a décima Copa do Mundo de Futebol já havia sido realizada na Alemanha Ocidental.

De 9 de junho, com partida inaugural em Munique, a 9 de julho de 2006, data da final em Berlim, trinta e duas seleções nacionais participaram do evento e a segunda Copa do Mundo na Alemanha foi coroada de êxito. Mas a escolha da Alemanha como país sede foi uma decisão controvertida, uma vez que se esperava que aquele campeonato ocorresse na África do Sul1, país que acabou por ser escolhido para sediar a Copa seguinte.

A votação foi apertada. Por 12 votos a 11, a FIFA acabou escolhendo a Alemanha como sede, e assim, pela décima vez, a Copa do Mundo seria realizada em continente europeu, a despeito do favoritismo da África do Sul. Nas vésperas da Copa de 2006, embora sem problemas importantes na área de segurança pública, a Alemanha encontrava-se geográfica e politicamente, como os demais países europeus, no centro do ambiente de tensão motivado pelo terrorismo internacional, acirrados pelos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Por isso, o governo alemão decidiu que os vetores de planejamento para a Proteção e Segurança da Copa deveriam ser: terrorismo; hooliganismo; racismo; e crimes contra os turistas, embora outros problemas, como a exploração da prostituição, também tenham sido objeto da ação do governo alemão.

Infelizmente, passados quase duas décadas, esses mesmos problemas, e outros enfrentados pelo governo alemão em 2006, ainda merecem dos planejadores brasileiros a mesma preocupação. O cenário mundial, lamentavelmente, ainda convive com o racismo, com o hooliganismo, com o neonazismo, com o terrorismo e com o tráfico de mulheres com propósito de prostituição, ameaças que, ao lado da violência urbana, devem ser seriamente consideradas na Proteção e Segurança em grande eventos internacionais.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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Responsabilidade

O fim do ano é um período em que as pessoas costumam olhar para trás. A maioria dos clichês dessa época advém de análises e avaliações sobre o que aconteceu na temporada. Também por isso, é uma fase em que todo mundo fica mais emotivo. O próprio ritual de distribuir presentes no Natal é um exemplo do que eu estou falando.

Dar presentes é uma forma de demonstrar preocupação com os outros. Não existe época em que a solidariedade é mais valorizada do que o fim do ano.

Isso também acontece no esporte. Afinal, o fim do ano é o período dos jogos beneficentes, das campanhas de arrecadação e das ações sociais. Ah, se todo mundo tivesse em outros meses o ímpeto caridoso que aparece em dezembro!

Não sei se foi o espírito do Natal que levou o São Paulo a anunciar justamente agora um contrato com o zagueiro Breno. Revelado pelo clube, o defensor de 23 anos foi negociado com o Bayern de Munique em 2008. Contudo, nunca conseguiu se firmar no futebol alemão.

Breno disputou 21 partidas pelo Bayern de Munique, chegou a atuar deslocado para a lateral direita e conviveu com problemas físicos. Sem espaço em uma das principais equipes da Alemanha, o brasileiro foi emprestado ao Nuremberg em 2010.

A situação do brasileiro ficou ainda mais complicada em 2011. No dia 20 de setembro, a casa dele pegou fogo. Breno ficou levemente ferido, e depois foi indiciado por suspeita de ter causado o incêndio.

Em julho de 2012, o zagueiro foi condenado a três anos e nove meses de prisão por ter causado o incêndio. Parecia o fim da carreira de um atleta extremamente promissor e talentoso.

O São Paulo registrou o contrato de Breno no dia 20 de dezembro deste ano. Entretanto, isso ainda não representa um recomeço para o defensor, que sequer conseguiu deixar a prisão.

Contratar Breno é uma forma de prestar auxílio a um jovem que o São Paulo ajudou a formar. Um garoto que passou grande parte da vida em instalações do clube paulista e que foi negociado sem que estivesse totalmente pronto.

Antes de ser um acréscimo técnico ao elenco do São Paulo, a contratação de Breno é uma ação de responsabilidade. Se o defensor teve problemas emocionais e sofreu pelo comportamento fora de campo, o time que o formou tem grande participação nisso.

E por que estamos discutindo toda essa ação de responsabilidade social em um espaço dedicado a falar de comunicação? Porque o São Paulo criou para si um grande desafio no caso Breno. E um desafio que tem relação direta com o modelo de comunicação usado pelo clube.

Se Breno for tratado como um reforço, pode gerar expectativa e estará sujeito a frustrações. Esse pode não ser o melhor caminho para uma pessoa em recuperação de um grande trauma.

Breno precisa de carinho, e o clube também é responsável por isso. Ele deve ser tratado como um garoto de desempenho esportivo precoce, mas sem alicerces nas outras áreas humanas. Não deve ser visto como um herói, mas tampouco conviver com a pecha de criminoso.

Portanto, o São Paulo precisa saber comunicar o que está fazendo com Breno. Até para o próprio jogador. Dar ao caso o tratamento ideal é a única forma de não aumentar a dimensão das coisas, para o bem ou para o mal.


A comunicação em eventos esportivos

A Uefa percebeu há anos o real valor de sorteios de campeonatos. Antes de cerimônias para adulação ou festividades, esses eventos são oportunidades de aparição televisiva. São coisas feitas para a tela.

A ciência disso levou a Uefa a adotar um caminho. Os sorteios de competições europeias tornaram-se mais e mais profissionais, enxutos e claramente pensados para a TV.

Esse modelo facilitou a comercialização dos direitos de transmissão dos sorteios. As emissoras que exibem as competições europeias têm como bônus um evento atraente, bem montado e organizado.

O trabalho feito pela Uefa com os sorteios é muito semelhante ao que as ligas americanas desenvolvem, por exemplo, com as cerimônias de draft. O evento de escolha dos novos atletas também é minuciosamente pensado para o que as TVs querem exibir.

É por isso que chama tanta atenção o modelo adotado pela Conmebol. A entidade sul-americana realizou na última semana o sorteio dos grupos da Copa Libertadores de 2013. No evento, passou mais de uma hora fazendo homenagens sem sentido.

O sorteio foi arrastado, cheio de cenas descartáveis. Além disso, os dirigentes da Conmebol não são exatamente os melhores mestres de cerimônia. A comparação entre o evento sul-americano e o que a Uefa tinha realizado um dia antes mostra o abismo que existe no futebol dos dois continentes quanto a linguagem e comunicação.

Desejo a todos um Natal repleto de alegria, paz e união. Obrigado pela companhia!
 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

 

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Amanhã tem mais

O mundo não acabou em 21/12/2012.

O calendário maia estava errado. Ou o interpretaram errado.

O que de fato está previsto é que a Terra não passará de mais alguns milhões ou bilhões de anos de existência porque o Sol irá engoli-la.

Não estaremos mais aqui mesmo, então, que o último apague a luz.

Como muitos, havia uma ponta de esperança de que isso fosse acontecer, pois, assim, conforme o mantra das Organizações Tabajara, “Seus problemas terminaram”, não haveria a necessidade de cumprir com alguns compromissos já estabelecidos.

Nem se preocupar com quaisquer dívidas. Ou com promessas feitas pra outras pessoas ou, nas piores delas, as que são feitas pra si mesmo.

Isso numa referência negativa de se estar vivo.

Por outro lado, perderíamos o sabor gostoso de muitas (pequenas) coisas que nos dão fôlego para por em prática aquilo em que acreditamos, não importa o que escolhemos ou recebemos no dia-a-dia.

O Brasil passa por uma valiosa e significativa fase de desenvolvimento e crescimento econômico, cultural, social e, naturalmente, esportivo.

Como não se pode descolar o esporte do contexto social mais amplo, também é fato que as dores deste crescimento são sentidas, como em alguns exemplos.

O orçamento do Ministério do Esporte, em 2013, será recorde. Mais de R$ 3 bilhões.

Mas, na base do sistema esportivo, que é o esporte escolar, apenas 20% das escolas possuem aparelhamento e estrutura de quadras para a prática.

Além disso, os desvios de recursos já comprovados no Programa Segundo Tempo dificultam a gestão de credibilidade junto à cadeia de empresas e instituições que poderiam ampliar e qualificar o cenário, mas que ficam reticentes em investir e se associar às iniciativas esportivas.

Espera-se que as novas arenas que, em breve, acolherão os torcedores na Copa do Mundo e depois, sirvam de catalisadores para o desenvolvimento e estruturação do futebol nacional, com o fortalecimento dos clubes, no aumento de receita e no ciclo virtuoso que isso pode provocar.

Enquanto isso, pensa-se em destruir e realocar uma das melhores escolas do Brasil, a Friedenreich, no Rio de Janeiro, para que as obras do Novo Maracanã sejam finalizadas – quando isso deveria servir de exemplo para o mundo todo, ao se ter futebol e educação, lado a lado, transformando, positivamente, nosso país.

E o Prefeito de Belo Horizonte, também num péssimo exemplo de como não administrar a cidade, pleiteando a redução de investimentos em educação na cidade para aplicá-los em obras relativas à Copa 2014.

Em contrapartida, tenho tido frequentes solicitações de parceiros de longa data interessados em entender mais o Brasil esportivo para, ato contínuo, promover negócios aqui dentro – o que, antes, acontecia sempre em direção ao estrangeiro.

Achei que nem sequer precisaria ou saberia escrever e me preocupar com estes temas, como se entrasse numa eterna sexta-feira.

Enganei-me.

O que de fato está previsto, pela ciência, é que a Terra não passará de mais alguns milhões ou bilhões de anos de existência porque o Sol irá engoli-la.

Não estaremos mais aqui mesmo, nem os cientistas que o estudaram.

Então, que o último apague a luz quando isso acontecer.

Até lá, teremos muitas segundas-feiras pra tentar contribuir com alguma coisa que faça sentido na indústria esportiva do Brasil, transforme e desenvolva nosso Brasil.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

 

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Entrevista Tática: Almir Dias, meio-campista do Novorizontino-SP

Após o final de uma temporada, as novas contratações para a reformulação do elenco devem ser feitas considerando diversos fatores. Um deles, sem dúvida, é o histórico do atleta e a sua intencionalidade de jogar em alto nível. Para isso, uma observação prévia deste atleta em ambiente de jogo pode trazer muitas respostas à diretoria e comissão técnica quanto à certeza da contratação.

E essa foi uma das características que favoreceram a contratação de Almir Dias, meia de 30 anos, que será o atleta mais velho do jovem elenco do Novorizontino que disputará a série A3 do Campeonato Paulista em 2013. Confira a entrevista com o jogador:

1-Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Dos 11 aos 18 anos – São Paulo Futebol Clube;
Dos 19 aos 21 anos – Portuguesa de Desportos, equipe que subi para o profissional;
22 anos – Rio Preto-SP;
23 anos – Catanduvense-SP;
24 anos – Guaratinguetá–SP;
25 anos – Gratkorne-AUS;
26 anos – Toledo-PR;
26 e 27 anos – Guarani-SP
28 anos – Noroeste-SP;
29 anos – Cianorte-PR e Botafogo-PB
30 anos – Olímpia-SP e Grêmio Novorizontino-SP

2-Para você, o que é um atleta inteligente?

Primeiramente é amar o que faz. Gostar do seu corpo e cuidar dele porque ele é o combustível para ter uma ótima carreira. Se policiar em saber o que pode, o que não pode e ser verdadeiramente profissional, tanto dentro, como fora de campo.

Ter um cuidado especial com a alimentação para que tenha uma carreira longa e duradoura, além de respeitar seus comandantes e dar o respeito para ser respeitado dentro do grupo!

3-O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futsal me deu dinâmica e evolui a minha parte técnica. Acredito que ele estimula o jogador a pensar rápido. Já o futebol de rua, com certeza me deu a malandragem que só o jogador brasileiro tem.

4-Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Primeiramente ter um espírito de vencedor. Após isso, ter um plano de jogo definido e determinado, com disciplina tática, para ser feito na certeza de que já deu certo.

Determinação, foco, coragem, concentração, humildade, respeito e atitude, juntamente com o improviso do atleta dentro de campo são fundamentais.

5-Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

O futebol evoluiu muito. Temos que trabalhar muito em conjunto, unindo a qualidade técnica e junto com ela a parte física. Hoje, se tem condição de fazer a parte física sem deixar a técnica de lado e, para isso acontecer, é preciso de bola e mais bola. Fazendo isso, acredito que o jogador fica em ritmo de competição o mais rápido possível.

6-Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Eu sou um meia armador e tenho em minha mente que tenho a obrigação de fazer meu time jogar. Dando velocidade na bola, fazendo o time ser rápido quando tem que ser e sabendo cadenciar quando tem que cadenciar, ao ficar com a posse de bola.

No clube em que jogo, tenho de ser o “rei” em assistências, até porque sou um meia armador.

Acho importante também finalizar de média distância e também entrar na área porque hoje é necessário ao meia moderno. É preciso também colocar sua qualidade individual e o improviso que todo grande meia tem que ter.

Sem a bola, ajudar na marcação, não que você vai ser um exímio marcador até porque não sou defensor, mas tem que vir compor o espaço, procurar marcar já no campo de ataque ou, no mínimo, matar a jogada por lá.

7-Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Tático: Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida e, com isso, me adéquo à forma do adversário jogar e vou procurar explorar o ponto fraco dele e também em relação a posicionar meus companheiros, pois tenho essa leitura.

Técnicos
: Visão de jogo, enfiadas de bola, bola longa, bola parada e chute de media distância.

Psicológico
: Eu não perco a cabeça jogando. Sou muito frio e me mantenho focado e concentrado os 90 minutos.

Físico
: Muita força na perna e acredito que uma boa explosão curta. Suporto os 90 minutos estando com ritmo de jogo. Um jogador precisa de tudo isso e esse conjunto é importante para que ele dê o melhor de si numa partida e ao longo da competição.

8-Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Tive vários treinadores e onde passei fui vencedor, conseguindo acessos, títulos e sempre chegando na reta final das competições. Vou citar quatro:

Amauri Knevitz: porque sabe montar um time e extrair o melhor de cada jogador.

Luciano Dias: por saber ser comandante, disciplinador e principalmente vencedor.

Leston Junior: porque me fez sentir à vontade dentro de campo e me fez ter de volta a alegria de jogar futebol e fazer o melhor que eu posso.

Élio Sizenando: Estou o conhecendo agora, mas é um treinador que gosta do verdadeiro futebol jogado e faz isso sem medo de ser feliz. Isso faz com que o nosso futebol brasileiro seja resgatado. É um treinador novo e em sua primeira competição conquistou o acesso.

Tenho certeza que serei feliz porque a minha qualidade e forma de jogar se encaixam com a filosofia de trabalho dele e na forma que enxerga o futebol.

9-Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim. Amauri Knevitz, no Noroeste-SP. Ele me colocou para jogar de terceiro volante e foi muito bom porque aprendi muito e pegava muito na bola porque a saída era sempre comigo e também chegava sempre de frente.

A dificuldade surgia porque tinha que jogar numa faixa de campo e chegar à frente e voltar rápido no meu setor. Com isso, como não era acostumado, sofri um pouco no começo tanto que saia em todos os segundos tempos porque não aguentava fisicamente. Depois que me acostumei, aí foi embora…

10-Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Muito grande. Porque ali saímos da preleção sabendo o ponto forte, fraco, o que temos que fazer e explorar do adversário. Passa a confiança do trabalho da semana em prol do jogo. Nos motiva a en
trar em campo com olhos de águia, querendo a vitória a todo custo, mas bem organizado. Essas palavras vindas do comandante fortalecem o grupo porque ele é o líder e nos passa a confiança.

11-Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

No 4-4-2 tradicional, saio muito aos lados do campo para marcar. No 3-5-2 com dois volantes, jogo só do meio para frente e com liberdade dos dois lados.

No 4-3-3, gosto muito porque tenho três opções de passe à minha frente e liberdade no meio para criar e chegar na área. Jogo boa parte centralizado, mas com liberdade, em momentos do jogo, de cair pelas pontas e estou sempre perto do gol.

12-Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

•Com a posse de bola;
•Assim que perde a posse de bola;
•Sem a posse de bola;
•Assim que recupera a posse de bola;
•Bolas paradas ofensivas e defensivas.

Com a posse: Jogamos com dinâmica, transição rápida, chegando ao campo de ataque e valorizando muito a posse com toques rápidos e sempre em direção ao gol.

Sem a posse de bola: Procurar marcar no campo de ataque e recuperar a bola o mais rápido possível. É um time bem compacto dentro de campo.
Assim que recuperar a bola: Fazer a bola chegar ao campo de ataque rápido e assim criar as jogadas e defini-las em gol.

Nas bolas paradas ofensivas, atacamos a bola entrando cada um no seu setor com muita força e nas defensivas marcamos por setor, agredindo a bola e não deixando o adversário nem encostar nela, com muita atenção no rebote, tanto para ganhar, quanto para puxar rápido o contra ataque.

13-O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Procuro orientar a partir do que trabalhamos a semana e também da forma que li o jogo desde o apito do árbitro. Se algo está dando errado, tento motivá-los porque qualidade tem e naquele dia pode estar dando errado. Prefiro não criticar, pois posso afundar de vez o meu companheiro e eu preciso dele bem, concentrado e motivado para ter a certeza de que vai fazer a jogada certa.

Tenho que ser um líder e até por ter essa qualidade, os jogadores têm que ver em mim uma referência dentro de campo. Tenho que passar confiança.

14-Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Sou um jogador que me cobro muito. Às vezes, o time ganha e eu não faço uma partida que seja boa aos meus olhos, chego em casa e quem aguenta o meu mau humor são minha esposa e meus filhos. Logo eles já sabem que não estou legal. No mesmo dia, já penso o que fiz de certo e errado em cada lance e em cada jogada, tanto com a bola, quanto sem ela.

Na reapresentação do elenco, vejo a opinião da comissão e procuro extrair o máximo para não cometer mais os mesmos erros e ir crescendo jogo a jogo na competição.


15-Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Estamos atrás e os resultados dos últimos anos de nossa seleção mostram isso. A Europa evoluiu e nós paramos no tempo. Preocupamo-nos muito com força, tamanho, dinheiro e o futebol jogado de verdade, que enchia os olhos dos torcedores e que acontecia com a maior naturalidade, foi acabando.

16-Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

O meu recado é que eles devem cuidar de cada jogador com muito carinho, atenção, respeito e profissionalismo. Fazendo sempre o melhor e cobrando porque sabe da qualidade de cada jogador que tem em mãos e deve procurar extrair o “máximo do máximo” de cada um. Somente com jogadores e comissão juntos é que podemos ser vencedores e ficarmos gravados na história de um clube!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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