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Sobre futebol e, sobretudo, sobre vida!

Eduardo Galeano, se não bastasse ter nos brindado há tempos com o imperdível “As Veias Abertas da América Latina“, leitura obrigatória de todos nós latinoamericanos, também nos presenteou com vários escritos sobre uma outra sua paixão, o futebol. Tenho em mãos, neste momento, a 2ª edição (2002) do seu “El Fútbol a sol y sombra“, por aqui editado pela gaúcha L&PM Editores, onde ele logo de início se diz um mendigo do bom futebol, andando pelo mundo de chapéu na mão e nos estádios suplicando por uma linda jogada…
 
Recorri a ele por conta dos recentes acontecimentos em torno do Adriano, “O Imperador“, os quais fizeram circular na internet um belo texto atribuído ao sociólogo Emir Sader intitulado “Quem está doente: Adriano ou os outros?”.

Se alguém ainda tivesse dúvidas de ser o futebol uma prática social ao mesmo tempo produtora e tradutora dos valores inerentes à sociedade no qual se encontra inserido, certamente as deixaria para trás, convencido pela sua leitura do quanto o futebol reflete a cultura de seu tempo…

 
Em seu livro, Galeano, tendo Maradona como mote, afirma que “o prazer de derrubar ídolos é diretamente proporcional à necessidade de tê-los”. Sader, por outras vias, ratifica o entendimento de seu companheiro de luta ao perguntar, para depois responder:
 
“Que sociedade é esta que – quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, comprar cerveja e hambúrguer para todo mundo, ficar empinando pipa – considera que essa pessoa está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem?“.
        
Para não deixar dúvidas de que o conceito de normal/normalidade é construção sócio-histórica, continua Sader a tecer consideração sobre o modo de vida da sociedade do ter, que se afirma em detrimento da sociedade do ser:
 
“O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem ‘normais’. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um time italiano, primeiro colocado no campeonato de lá (…) para viver de bermuda, camiseta e sandália havaiana (…) falar como ser humano que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que vai ‘dar um tempo’, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família…” 
        

Pois é… Mudando de personagem, mas não de assunto, por isso tudo é gratificante ver um Ronaldo Fenômeno ressurgir das cinzas, estampando um sorriso que não deixa dúvidas sobre a felicidade que o embala e que ele faz questão de brindar com gols e… com uma Brahma!

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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Soberania continental

A classificação dos cinco clubes brasileiros para a fase final da Copa Libertadores é a prova da soberania do futebol brasileiro no continente. O Brasil está para a América do Sul assim como a Inglaterra está para a Europa.

Pudera. As duas nações não apenas são aquelas que têm a moeda nacional mais forte, mas também são aquelas que possuem, de maneira mais territorialmente disseminada, mais apego ao futebol. Se na América do Sul a Argentina aparece como grande concorrente do Brasil, na Europa quem faz frente à Inglaterra é a Espanha. Mas Argentina e Espanha possuem suas forças extremamente concentradas. Na Espanha, o dueto Barcelona e Real Madrid impera. Ora um, ora outro. Na Argentina, é tudo concentrado, em Buenos Aires. Mais especificamente, pelo menos nos últimos tempos, no Boca Juniors. Nem o River faz mais tanta frente aos clubes brasileiros.

A questão é que não tem muito o que fazer. Em geral, a Inglaterra compra os melhores talentos da Europa e, consequentemente, forma as melhores equipes. No Brasil, isso não é tão evidente, mas acontece. A concentração de jogadores sul-americanos nas equipes brasileiras cresce a cada dia. Tem espaço pra crescer ainda mais.

Enquanto Brasil e Inglaterra continuarem sendo potências clubísticas e econômicas, o cenário dificilmente irá mudar.

A Inglaterra sofreu um baque feio com a crise. A libra esterlina perdeu um valor considerável em relação ao Euro. Uma eventual aceleração da decadência econômica inglesa pode dar início à perda de poder dos seus clubes de futebol. O Brasil até está sofrendo com a crise, mas nada que vá fazer o cenário mudar, uma vez que os outros países sul-americanos estão sofrendo muito mais.

Mas convenhamos, se for para depender do avanço econômico dos outros países da América do Sul, o futebol brasileiro vai reinar por muito tempo ainda.

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Casa cheia – parte 2

Dando seguimento à última coluna, ousaremos encaminhar a discussão para um conjunto de argumentos que permitam ao leitor vislumbrar possibilidades de construir as respostas mais apropriadas à realidade de seu clube, e reproduzimos as perguntas de então por dever de cortesia e praticidade.

“Em outras palavras: o que acontece quando se aumenta o preço de um produto esportivo? Como isso afeta margem de lucro, receitas e vendas? E se os preços forem reduzidos? Mais ou menos consumidores comprarão os produtos? Mudar o preço garante mudança no padrão de consumo? O desempenho do clube em campo é termômetro absoluto da associação de torcedores, ou é o preço o fator essencial nessa realidade? E a inadimplência dos associados, ocorrerá por critérios meramente econômicos ou se sujeita ao sabor de vitórias e derrotas?”

Tais respostas podem ser obtidas pelo marketing dos clubes por estimativas racionalizadas ou pela experimentação da estratégia comercial implantada, com base na tentativa e erro.

Falando apenas da componente financeira, se a procura dos torcedores pela vinculação aos planos de sócios dos clubes continuar alta, mesmo após sucessivos aumentos anuais de preços, a demanda é considerada relativamente inelástica – em outras palavras, a mudança no impulso de consumo dor torcedores é pouco sensível à mudanças nos preços e a receita global percebida pelo clube será mantida.

Resta saber qual é a variação de preços praticados que será suportada pelos torcedores sem que isso se traduza em queda de interessados em se associar aos clubes. Se isso ocorrer, tem-se a demanda relativamente elástica – mudar o preço acarreta mudança oposta na receita obtida pelo clube.  

Abordada a principal vertente conceitual de elasticidade da demanda, devem-se apontar quais os fatores de influência sobre esta variação provocada no resultado entre preços x demanda por planos de associação.

 

1. produto de necessidade ou de luxo: associar-se ao seu clube de futebol e pagar uma mensalidade para assistir aos jogos é obrigatório ou opcional? Se for obrigatório, mudar os preços pode causar mudança na demanda. Se for tido como opcional, não será muito sensível.

2. substitutabilidade do produto: os torcedores consideram como experiência equivalente participar de um campeonato de futebol amador, muito bem organizado, e pago, como algo que pode substituir a experiência de acompanhar seu clube no estádio?

3. freqüência de compra: este aspecto é diretamente proporcional à necessidade. Quanto mais o torcedor entende como necessária a associação, mais sensível à mudança de preços.

4. renda: quanto mais dinheiro o torcedor economicamente ativo recebe, mais dinheiro, em tese, sobrará para gastos supérfluos como lazer e recreação (futebol). No Brasil, pesquisas do IBGE apontam uma margem muito pequena dos orçamentos familiares disponíveis e dirigidos a esta rubrica.

5. economia: a conjuntura econômica, seja ela nacional ou internacional afeta em muito a realidade e a percepção do consumidor. Quem tem emprego e dinheiro, economiza em tempos difíceis. Quem não tem, não pode gastar.

6. fidelidade à marca: ponto pacífico em favor dos clubes. Resta empreender esforços para ampliar e, depois, manter a base de consumidores fidelizados.

7. concorrência: planos de sócios que dão direito a acompanhar os jogos no próprio estádio sofrem com muita concorrência. Ir ao cinema (no shopping); assistir pela TV ao futebol; campeonatos internacionais das principais ligas; shows musicais; peças de teatro; ficar em casa por razões de (in) segurança.

8. qualidade do produto: aqui, futebol e marketing se encontram. A equipe montada pelo meu clube para a temporada desse ano é competitiva? Tem estrelas no elenco? Vale a associação para a temporada toda ou seria melhor escolher os melhores jogos? Ainda, vale pagar mais nesse ano para o mesmo time sofrível da temporada anterior?

9. variação da demanda com o tempo: é necessário apressar-se para se tornar associado do clube, sob pena de ficar de fora do contingente de pessoas com direito a ir aos jogos? O universo de interessados é maior que a oferta de cadeiras?

 

Devemos tomar cuidado com o conteúdo acima. Ele pode ser explosivo e libertário, caso os torcedores tenham acesso a ele por meios panfletários e se reconheçam nos questionamentos sobre se vale a pena gastar seu suado dinheiro e se associar aos seus clubes do coração.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Zezinho do Scout: o inexplicável fator Ronaldo. Será?

Olá, amigos!

Muitos falam sobre ele, e nesta “Ronaldomania” fica cada vez mais evidente e batido nos assuntos futebolísticos pelo mundo afora a genialidade de Ronaldo. Vagner Mancini disse, quando o Corinthians marcou seu segundo gol (o primeiro de Ronaldo no jogo), que não dava para deixar ele livre nem por um segundo sequer. Pelé, torcedores, jornalistas, especialistas e tantos outros, inclusive esse que vos escreve, se rendem e se encantam de ver tal genialidade de perto, afinal é cada vez mais difícil termos isso nos campos brasileiros.

Mas e o scout? Será que não nos ajudaria a ter alguma informação das características tanto do jogador, quanto das equipes envolvidas?

Lembro para os amigos que criticam exacerbadamente o uso dos scouts por dizer que o futebol não é passível de estudo, assim como aqueles que o defendem como salvador da pátria, como se fosse o scout o verdadeiro “Fenômeno” – é “apenas” uma ferramenta de análise que pode e muito contribuir com a leitura e intervenção em jogo.
 
Cabe ao profissional fazer o melhor uso possível (veremos mais sobre isso no terceiro capitulo da série “teoria da tecnologia esportiva”).

Assim, vamos observar algumas informações. A seguir, o quadro de posicionamento efetivo dos jogadores a cada 15 minutos de jogo (para maiores elucidações sobre o que é posicionamento efetivo, ver coluna do dia 27/01/2009, intitulada Zezinho do Scout: Fluminense toma virada na estreia)

0-15 minutos

15-30 minutos

30-45 minutos

45-60 minutos

60-75 minutos

75-90 minutos

Corinthians – de contorno preto, ataca para a esquerda
Santos – inteiramente branco, ataca para a direita

Vejam que Ronaldo (9) em grande parte do jogo não aparece com um jogador adversário contrapondo suas ações próximo a ele. E quando isso acontece, ele cai mais pelas laterais do campo, afastando seu marcador do centro da área, como no período de 30-45 minutos, quando o jogador mais próximo que contrapõe as ações é Fabiano Eller (6), pelo setor esquerdo da defesa, e no período de 60-75 minutos, com Fabão (2), pelo setor direito da defesa santista.

O Santos

Nesta ótica, o Santos apresentou uma certa liberdade de ações, que permite ao jogador pensar e agir.

Do ponto de vista geral, qualquer atacante não pode receber tal espaço: é necessário que se diminua, ou ainda que evite que a bola chegue aos seus pés (o que no caso é muito mais sensato), ainda que a bola chegue fruto de uma bola quebrada na defesa (chutão do Chicão).

E talvez pela falta de humildade, e não digo isso do Santos especificamente, nem tampouco do técnico Vagner Mancini, que, como já disse anteriormente e reforço, é um treinador promissor em minha opinião, mas me refiro a todos os técnicos e jogadores: falta reconhecer que Ronaldo de fato é diferenciado.

Reconhecer não apenas no discurso de torcedor e fã, mas no campo. Às vezes, técnicos e jogadores embalam no discurso apaixonado pelo mito Ronaldo e esquecem de que não podem dar espaço para ele e, mais do que isso, tem de ser feita uma estratégia para minimizar os riscos de ele tocar na bola. 

No livro Cestas Sagradas, do técnico de basquete americano Phill Jackson, ele conta a magia que Michael Jordan exercia nas quadras inclusive para seus companheiros de equipe. Vale a comparação com o momento vivido por Ronaldo, no Corinthians.

Como fazer? Aí que entra a capacidade de o profissional utilizar a informação e o recurso tecnológico. A informação esta aí: Ronaldo estava atuando com certa liberdade, cabe a compreensão e filosofia de jogo de cada um achar a melhor alternativa, seja marcação individual, marcação mista, marcação com cobertura, enfim… o que não dá é deixá-lo da forma que foi em grande parte do jogo.

O Corinthians

No começo, a preocupação com a chegada de Ronaldo era a dependência, em alguns jogos, e a equipe mostrou-se resistente a isso, tendo inclusive Douglas adquirido uma certa birra com o torcedor por não passar a bola para o atacante em lances-chave (caso mais expressivo contra o Itumbiara).

Com o passar do tempo, o técnico Mano Menezes relembra a postura de Parreira com Romário na seleção campeã do mundo de 1994, na qual foi assumida claramente a importância do jogador e do esquema planejado para aproveitar ao máximo as características do Baixinho.

O Corinthians assimilou isso e tem cada vez mais incorporado ao seu estilo uma forma de jogar que encaixa Ronaldo como peça primordial, e o que pode ser uma desvantagem quando se analisa pelo fator dependência do atacante, pode ser encarado como um fator benéfico quando desenvolve outras características em outros atletas que modificam sua forma de atuar e aperfeiçoam seus estilo e variáveis de jogo, atuando com um atlet
a de referência técnica e genial.

Ronaldo

Genialidade? Com certeza sim, pois Kléber Pereira, um exímio finalizador, teve em alguns momentos uma boa liberdade de ação, mas não a eficiência de Ronaldo.

No quadro a seguir, mostramos a área de atuação dos dois camisas 9.

Área de atuação de Ronaldo

Área de atuação de Kléber Pereira

Ambos atacando para a direita

Observem como Ronaldo apresenta uma atuação mais distribuída no campo. Convido-os a acompanhar algum jogo dele observando seu deslocamento sem bola, momentos antes de receber um passe. É nítida a percepção e compreensão das linhas de passes que o jogador tem, facilitando o passador a encontrá-lo, e ainda desequilibrando o balanço defensivo do adversário através de seu deslocamento em campo.

Ronaldo quebra uma visão de que o deslocamento é fruto de condição física, única e exclusivamente. Mostra que a percepção do que ocorre em torno ajuda a construir um posicionamento adequado no momento propício (é nesse ponto que os jogadores corintianos estão aprendendo a jogar com Ronaldo)

Mais alguns números do Fenômeno:

·         Ronaldo foi responsável por 9% dos passes da equipe

·         Ronaldo teve 24% das bolas perdidas do Corinthians (ao lado de Morais, que teve outros 24%). Bolas perdidas indicam a ação direta do adversário em desarmá-lo, o que mostra que ainda que tenha na maior parte do tempo recebido espaço da defesa santista, teve duelos com alguns adversários, muitas vezes abrindo espaço para outros companheiros e destacando ainda mais o volume de jogo da equipe em sua função

·         Ronaldo recebeu 25 passes de seus companheiros no decorrer do jogo

·         Foi responsável por recuperação da posse de bola em três ocasiões, sendo duas no campo ofensivo (pode parecer pouco, mas relembremos o primeiro gol do Brasil na Copa do Mundo de 2002, quando ele desarma, passa para Rivaldo e depois aproveita o rebote do goleiro). 

Ronaldo é, sim, inexplicável, imprevisível, mas é possível observar que algumas características têm se repetido nesses poucos jogos e muitos gols pelo Corinthians.

No discurso, exaltamos o Ronaldo dos bons e velhos tempos. Na prática, esquecemos que ele é genial, e como todo gênio sabe se adaptar às novas condições que lhe são impostas (como as condições físicas atuais), e assim continuar fenomenal.

Ficamos com a mente e análise comprometidas, por não entender (nem sequer tentamos) sua forma de jogar hoje, e pensando que temos de marcá-lo como se ele fosse o mesmo de 2002 – as características são outras, a forma de jogar se adaptou, mas a genialidade é a mesma.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro

Um livro que conta de maneira didática sobre a trajetória e o perfil dos 11 mais importantes treinadores de futebol do Brasil, na opinião do jornalista, comentarista e escritor, Maurício Noriega.

A obra relata minuciosamente a evolução do futebol brasileiro por meio da contribuição que os técnicos escolhidos deram à modalidade. Noriega destaca como cada um dos personagens ganha força e marca época no Brasil e no mundo.

Os perfis são enriquecidos por entrevistas com profissionais do futebol que tiveram suas carreiras marcadas pelos técnicos de quem falam. São eles: Leivinha (Oswaldo Brandão), Dino Sani (Bela Gutman), Djalma Santos (Vicente Feola), Zito (Lula), Wanderley Luxemburgo (Zagallo), Muricy Ramalho (Rubens Minelli), Falcão (Ênio Andrade), Müller (Telê Santana), Arce (Luxemburgo) e Rogério Ceni (Muricy Ramalho).

Maurício Noriega é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero de São Paulo e mestrando em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Diário Popular, A Gazeta Esportiva e Lance! e na Rádio Bandeirantes. Desde 2003 é comentarista e apresentador do canal Sportv e também comentarista de esportes da Rede Globo.

Histórias engraçadas e tristes, lendas e causos contados por boleiros e cartolas, relatam os bastidores e o dia a dia desses profissionais. “Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro” é uma obra sobre vencedores. Todos os perfis apresentam lances de superação e uma aula de vida.

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Os dez mais do Fluminense

Esse é o quarto livro de uma coleção que conta a história dos dez maiores ídolos de grandes clubes brasileiros de futebol. Nesta publicação são abordados os craques que vestiram a camisa do Fluminense.

O livro relata fatos sobre os seguintes jogadores, eleitos como os mais importantes da história do clube: Marcos Carneiro de Mendonça (o primeiro goleiro da seleção brasileira), Romeu Peliciari (titular da seleção na Copa de 1938), Orlando de Azevedo Viana (o “Pingo de Ouro”), Carlos Castilho (com quatro copas do mundo no currículo), Pinheiro (titular do Brasil no Mundial de 1954). Além desses a lista conta com Telê Santana, Valdo, Félix Venerando, Roberto Rivellino e Assis.

A publicação é de autoria do jornalista Roberto Sander, graduado em Jornalismo, Publicidade e Comunicação e Pesquisa em Comunicação pela PUC-RJ. Ele já trabalhou em publicações como o diário O Globo , na TV Globo e no canal SporTV.

Para ajudá-lo a eleger os dez maiores nomes que atuaram pelo Fluminense, Sander contou com a colaboração e colegas de profissão que também torcem pelo time das Laranjeiras como, por exemplo, Nelson Rodrigues Filho, Teixeira Heizer e João Máximo, entre outros.

Além desse livro outros três da coleção já foram lançados, um sobre o Flamengo, outro sobre o Corinthians, e um terceiro sobre o Palmeiras. A ideia é preservar a memória daqueles que fizeram do futebol uma das principais identidades do Brasil.

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O profeta

“É só eu voltar a jogar, fazer um gol e todo mundo esquece o que passou. Eu volto a ser o Ronaldo Fenômeno”.

Em junho do ano passado, talvez nem mesmo Ronaldo acreditasse nas palavras ditas ao Fantástico logo após o escândalo em que se envolveu com travestis.

De melhor do mundo em 2002, numa inacreditável recuperação após dois anos parado, Ronaldo havia se transformado praticamente num ex-atleta. Como sempre impiedosa, a imprensa sentenciou naquela época um futuro para Ronaldo parecido ao de Garrincha, que morreu na miséria, corroído pelo alcoolismo.

Nesta segunda-feira, Ronaldo está muito mais próximo do Fenômeno de 2002 do que do “Fantasma” de 2008. E qual o motivo para isso? Ele mesmo já disse. É o gol.

Para a imprensa, o Fenômeno voltou. E mostrou que está realmente de volta no espetáculo de domingo na Vila Belmiro, quando fez dois dos três gols que praticamente dão o título do Campeonato Paulista para o Corinthians.

O mesmo Paulista que há dois meses era chamado de “Paulistinha”. E que agora, por ter tido os quatro grandes nas semifinais, voltou ao status de “Paulistão”.

E Ronaldo voltou a ser o gênio da bola. Sim, porque o “profeta” Ronaldo disse muito bem há cerca de um ano, quando era considerado uma pessoa acabada não só para o futebol, mas até para a vida.

“É só fazer um gol que tudo isso acaba”.

O julgamento desprovido de razão da imprensa mostra bem que Ronaldo é, de fato, um fenômeno. A ponto de profetizar o comportamento dos jornalistas. Tão manjado quanto mais um capítulo do retorno de um dos maiores centroavantes do futebol mundial. 

Se bobear, agora Ronaldo será endeusado até por se encontrar com travestis…

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‘Insuficiente’, Ronaldo vingaria sustentado por plano de relacionamento global

“A comissão técnica resolveu que queria o Ronaldo pelo caráter agregador e pela maturidade do jogador. Como existia uma dificuldade financeira enorme, foi convocado o marketing para operacionalizar a contratação”. Foi assim, enaltecendo a capacidade primária do jogador de futebol, que se concebeu a concretização do “projeto Ronaldo”. Pelo menos é o que garantiu à ocasião Luís Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians.
 
E com participação efetiva na condução do clube do Parque São Jorge à decisão do Campeonato Paulista, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo provou novamente seu valor dentro das quatro linhas. Pois fora dela, já era consumado, apesar de alguns percalços nesse caminho.
 
“O Ronaldo vai atrair os torcedores e o Corinthians vai aumentar o preço de seu ingresso para pagá-lo, sendo que ainda vai sobrar dinheiro para o clube. Venderemos patrocínios para nossos calções e mangas das camisetas”, prometeu Rosemberg. E cumpriu. Assim como previu a internacionalização da marca do clube com amistosos e vendas de camisas alvinegras no exterior. Ainda não.
 
“No caso do Corinthians, eu acredito que o Ronaldo sirva como credencial para conseguir conversar institucionalmente com outros clubes de outros países. Acho difícil que o Ronaldo por si consiga trazer torcedores para o clube. O processo de internacionalização de um clube de futebol não se resume apenas a trazer um jogador famoso, ainda mais um que já não possui o mesmo impacto de outrora. Acho difícil que ele gere resultados concretos internacionalmente para o clube”, indica Oliver Seitz.
 
Ainda mais pela forma como o futebol brasileiro é observado, literalmente, em outros mercados continentais – ligas como a inglesa, a italiana e espanhola possuem mais valorização nos acordos televisivos -, indica o pesquisador do Grupo de Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e colaborador da Universidade do Futebol.
 
Fora isso, caso o Corinthians realmente esteja almejando criar uma comunidade de torcedores de outros países, será necessário que o relacionamento seja planejado, constante e duradouro. Não houve menções ainda sobre isso”, acrescentou.
 
Amir Somoggi tem pensamento parecido. Na avaliação do consultor e professor de gestão de entidades esportivas e estratégias de marketing esportivo, trazer Ronaldo, por si só, não seria suficiente. Após a projeção inicial pela contratação, o clamor tinha tudo para entrar numa linha descendente. A não ser que o jogador comprovasse o valor técnico. E assim o foi, com gols decisivos em embates pontuais – por exemplo, nos clássicos contra São Paulo e Palmeiras.
 

“O clube pode, com o atleta jogando, chamar a atenção da mídia e dos torcedores de todo o planeta, e quando o jogador for embora, o Corinthians vai estar com a semente da sua globalização plantada”, compreende Somoggi, que pondera a ação única e exclusiva partindo do “Fenômeno”.

“No entanto, acreditar que o Ronaldo sozinho vai transformar o Corinthians em um Real Madrid é besteira. Do outro lado do mundo, ninguém sabe quem é Corinthians. Sabe-se apenas que existe um clube brasileiro que contratou o Ronaldo”, afirma. “Ele é a ponta do iceberg. Não vai ser ele quem vai, sozinho, carregar a marca Corinthians para o resto do mundo. Ele vai projetar essa marca, mas vai depender do clube fazer com que a sua marca se torne reconhecida”, finaliza.

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Brasil pode vislumbrar exemplo de ‘hermanos’ para fincar posição e aproximar-se de europeus

Econômica e geograficamente, o Brasil possui números superiores em relação à Argentina. Quando o paralelo entre duas das principais escolas de futebol do mundo se apega à fabricação de talentos e ao sucesso em outros continentes, o páreo endurece. Trunfos dos selecionados? Vantagem para o pentacampeão mundial tupiniquim. Em se tratando de clubes? Saudação ao Boca Juniors, “Rei de Copas”.
 
O multicampeão da Copa Libertadores da América, principal torneio sul-americano, é muito bem quisto longe de seus domínios. Não em La Plata, Avellaneda ou Córdoba. Mas fora do país, de uma maneira geral, reflexo dos resultados positivos acumulados e das ações do departamento de marketing xeneize.
 
“O Boca é o que é, porque existe um departamento de marketing do clube pensando na internacionalização do negócio Boca há anos. Prova disso é que, da América do Sul, ele é o que possui a maior projeção internacional”, avalia Amir Somoggi.

Na avaliação do consultor e professor de gestão de entidades esportivas e estratégias de marketing esportivo, não dá para misturar as coisas: uma coisa é marketing e outra é o futebol. E a soma dos dois é que faz o marketing esportivo.

 
“Achar que só porque o time ganhou um título ele vai ser reconhecido, é besteira. O São Paulo, por exemplo, foi campeão do mundo. Mas vá ver se, em Londres, são vendidas camisetas dele. Com o Inter, a mesma coisa. Ninguém sabe quem são esses clubes”, completa.

Na esteira do plano de internacionalização de sua marca, o Boca Juniors recorreu recentemente a um exemplar recente de vencedor que passou pela comissão técnica profissional. Carlos Bianchi, treinador mais bem sucedido da história do clube de Buenos Aires, assumiu um posto mais administrativo, como diretor técnico.
 
Desde janeiro deste ano, após assinatura de um contrato por três anos, iniciou os trabalhos ao lado da cúpula e da comissão técnica auri-celestes. Um gerente à la européia, como explicou Jorge Ameal, presidente do Boca, Bianchi terá a missão de internacionalizar ainda mais a imagem do clube. O fato de ser um homem muito reconhecido no exterior foi decisivo para sua escolha como embaixador.
 
“O departamento de marketing é que tem de trabalhar ativamente na projeção global da marca do clube. Essa é a questão. A presença do Bianchi não tem relação nenhuma com a internacionalização da marca Boca. Ele não vai influenciar em nada tornar o time mais ou menos globalizado do que ele já é”, rebate Somoggi.

“Outra coisa muito importante em qualquer projeto de internacionalização desse tipo é a relação cultural entre a torcida estrangeira e o país em que o clube fica. Se não há ligação do país com outros lugares do mundo, é praticamente impossível que um clube consiga ter sucesso em angariar torcedores estrangeiros”, aponta Oliver Seitz.
 
O que se apresenta como um grande complicador para o Brasil. Países do Oeste Asiático e do Oriente Médio, por exemplo, são bastante ligados culturalmente com a Europa, especialmente. Por conta disso, indica Seitz, haveria uma predisposição desses países em gerar torcedores para clubes do Velho Continente, uma vez que qualquer coisa que esteja em alta na Europa também estará nessas regiões.
 

“Não é o caso do Brasil. Ainda estamos bastante isolados do mundo nesse sentido. Seria o caso de nossos clubes olharem para a América do Sul. O problema é que os vizinhos já possuem uma base de futebol consolidada e não possuem muito dinheiro disponível, exemplo oposto aos casos asiáticos”, finaliza o pesquisador do Grupo de Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e colaborador da Universidade do Futebol.

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O jogo de futebol tem lógica?

Todo jogo, seja ele qual for, tem uma lógica. Inexorável, soberana. O jogo de futebol não escapa a isso. 

Todo jogo, por ser jogo, traz como característica inerente, a imprevisibilidade.

No futebol, é comum que tanto lógica quanto imprevisibilidade levem “especialistas”, treinadores e torcedores à distorção da percepção dos fenômenos da complexidade do jogo.

Poucos são os esportes em que o “melhor” perde para o “pior” com tanta frequência. Quando esse fato é misturado com reflexões rasas sobre o que significa lógica do jogo, fica pronto o “pacote” e se reforça o discurso: “futebol não tem lógica, quando a gente acha que o time grande vai ganhar fácil, ele perde”.

 

Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol“: conheça o novo curso on-line oferecido pela Universidade do Futebol

 

Para entender melhor o que quero dizer é preciso primeiramente entender que a “lógica do jogo” está no âmago do jogo; não vai fugir, escapar, desaparecer etc. e tal. Sua existência independe do adversário “A” ou “B”, independe se quem vai vencer é a equipe “X” ou a equipe “Y”, independe da minha vontade, da vossa ou de quem quer que seja.

O entendimento disso não é trivial, mas acreditar que o jogo de futebol não possui lógica é o mesmo que criar uma “sombra” capaz de ocultar o brilho da complexidade do jogo real e se distanciar cada vez mais do seu cumprimento.

Será vencedora aquela equipe que resolver melhor os problemas do jogo, aproximando-se do cumprimento de sua lógica. 

A lógica do resultado então não é aquela criada no imaginário coletivo a favor dessa ou daquela equipe e sim a aproximação ao cumprimento da lógica do jogo por uma equipe, mais do que pela outra.

A lógica do jogo não veste camisa, veste o jogo, e como o jogo é JOGO, lá sempre estará a imprevisibilidade; e é aí que mora outro perigo de interpretação e entendimento.

Nenhuma partida de futebol é igual a outra. Situações trazem a cada fração de segundo uma nova circunstância. Cada circunstância, novos problemas, e por aí vai. Nunca se sabe exatamente o que vai acontecer.

Então cumprir a lógica do jogo é também saber que não se pode tornar o imprevisível previsível, mas que entendendo a imprevisibilidade, é possível torná-la menos imprevisível.

Como nos ensina Rubem Alves “Todo pensamento começa com um problema. Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza não pode fazer ciência [futebol é arte, ciência, os dois?]. (…) Não é curioso que os nossos processos de ensino de ciência se concentrem mais na capacidade do aluno para responder? Você já viu alguma prova ou exame em que o professor pedisse que o aluno formulasse o problema? O que se testa nos vestibulares, e o que os cursinhos ensinam, não é simplesmente a capacidade para dar respostas? Frequentemente, fracassamos no ensino da ciência porque apresentamos soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno”.

Qual é o problema do jogo de futebol? Qual é o problema para se alcançar a lógica do jogo de futebol?

“O sábio começa do fim; o tolo termina no começo”. (Polya)

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br