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Metáforas no futebol

No futebol observamos a máxima de que existem os técnicos que falam a linguagem dos atletas, aqueles que sabem se comunicar da forma que os atletas entendem.

Será que isso é uma habilidade exclusiva de alguns ou pode se capacitar os técnicos para aproximarem sua comunicação com os atletas?

Penso que o uso das metáforas no futebol, como em qualquer área de atuação profissional, pode ser muito valioso para os que lideram pessoas ou que formam opinião de outros. Uma boa metáfora pode facilmente valer por mil palavras e inúmeras imagens!

A palavra metáfora vem de uma raiz grega que significa “levar além”, sendo que a metáfora consegue nos levar além de um significado e com isso abre a nossa mente para muitos significados possíveis. As metáforas estão por todo lado em nossa vida.

Existem muitos tipos de metáforas:

A comparação ou analogia – Esse tipo é o mais simples de metáfora, simplesmente se faz uma comparação simples tal como: “Veja o que estou querendo dizer!”

Metáforas de aprendizagem geral – Comunicam um ponto geral que se deseja estabelecer de forma mais eficaz do que dizer diretamente. Fábulas, morais, mitos e contos são todos exemplos deste tipo de metáfora.

Metáforas cognitivas – Estas oferecem uma sequência de ideias que ajudam a criar novas distinções.

Metáforas emocionais – Esta metáfora objetiva estimular um estado emocional no ouvinte, seja através de uma história eu faça o ouvinte se identificar com uma situação descrita e com isso se emocionar ou pode-se descrever uma determinada situação que faça o ouvinte se emocionar com o que está sendo descrito pelo interlocutor.

Metáforas ligadas – Acontece quando oferecemos várias metáforas aparentemente sem relação entre elas, mas que todas possuam algo em comum.

Penso que os técnicos podem desenvolver sua capacidade de utilização das metáforas para melhorar sensivelmente sua comunicação e a compreensão por parte dos atletas sobre o que se deseja. E para facilitar esse processo compartilho dicas sobre como eles podem fazer para com que suas metáforas sejam realmente eficazes, apontadas por Joseph O’Connor:

• Use predicados sensoriais, não linguagem digital. Você deseja que o atleta veja, ouça e sinta a história em sua frente; assim você deve engajar os sistemas representacionais do atleta;

• Use uma dose de suspense em sua metáfora. O atleta desejará saber o que acontece a seguir e esperará uma solução satisfatória para a sua história;

• Encoraje o atleta a se identificar com um personagem para que seja levado à história;

• Use piadas e humor para que se estabeleçam as expectativas do atleta e então altere subitamente de significado de forma inesperada e incongruente.

Segue um exemplo de metáfora adaptada sobre como encarar os fatos ruins que já passaram ou uma derrota que tenha deixado sequela emocional no time:

Um técnico falando sobre gerenciamento do estresse em uma conversa com seus atletas levantou um copo d’água. Todos imaginaram que ele perguntaria "Meio cheio ou meio vazio?". Mas com um sorriso no rosto ele questionou "Quanto pesa este copo de água?"

As respostas variaram entre 100 e 350g.

Ele respondeu:

"O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo você o segura. Se eu segurar por um minuto, não tem problema. Se eu o segurar durante uma hora, ficarei com dor no braço. Se eu segurar por um dia meu braço ficará amortecido e paralisado. Em todos os casos o peso do copo não mudou, mas quanto mais tempo eu o segurava, mais pesado ele ficava".

Ele continuou:

"O estresse e as preocupações causadas por uma derrota são como aquele copo d’água. Eu penso sobre eles por um tempo curto e nada acontece. Eu penso sobre eles um pouco mais de tempo e eles começam a machucar. E se eu penso sobre eles durante vários dias me sinto paralisado, incapaz de fazer qualquer outra coisa".

Então lembre-se: precisamos "largar o copo" para que possamos nos concentrar nos próximos desafios e nos próximos desempenhos esportivos!

Até a próxima! 

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A grama do vizinho é mais verde, sim!

Mesmo que egos e orgulhos dificultem a nossa visão da realidade, existem fatos e “marcos” que fazem a realidade ser jogada na nossa cara sem dó e nem pudor. E a realidade diz: “A grama do vizinho é mais verde, sim!”.

O problema é crônico e não agudo. O futebol brasileiro carece de reformulação e organização e não é de hoje, mas essa situação é ignorada e/ou mascarada há um bom tempo. A ilusão de cinco títulos mundiais nos engana e por termos bons valores individuais (não como antes, é claro!) causa esse efeito. Não há menosprezo à historia, as conquistas, aos que ganharam e perderam!

A reflexão tem que ser mais abrangente e mais intensa! Enquanto nos iludíamos, um país tricampeão mundial percebeu há 14 anos que estava ficando pra trás! Jogadores com idade avançada, formação de base deficitária, futebol pouco competitivo.

Egos e orgulhos deixados de lado e um pensamento de mudança e reestruturação. Alguns pensamentos corretos mantidos (como a busca jogadores inteligentes) e outros revistos, como forma de jogar, adaptação da metodologia e reorganização administrativa e técnica do Campeonato Brasileiro.

Fica a oportunidade de uma grande reflexão sobre o processo de formação e desenvolvimento do futebol alemão, que desde a saída de bola praticavam a formação ofensiva com a primeira etapa de construção muito bem elaborada, equilibrando o posicionamento em termos de largura e profundidade.

Em março de 2012, foi publicado na Universidade do Futebol um artigo sobre este novo conceito de gestão do futebol. Um consistente plano de gestão técnica para a formação de jogadores foi implantado e vem sendo desenvolvido já há mais de 10 anos.

Hoje há mais de 350 centros nacionais de treinamento distribuídos por todo o país, atendendo cerca de 30 mil crianças e jovens (garotos e garotas) entre 9 e 17 anos. A metodologia adotada dá ênfase aos aspectos técnicos e inteligência de jogo e não mais aos tradicionais métodos que destacavam essencialmente a força física e a disciplina tática.

Outro exemplo muito claro de evolução após reconstrução é o espanhol. Sim, o país eliminado na primeira fase do mundial (quiçá em nossa chave teriam avançado e nós na chave deles teríamos ficado para trás?).

O país que antes do ocorrido neste mundial, havia vencido uma Eurocopa (2008), um mundial (2010) e novamente a Eurocopa (2012). A federação do país investiu em ferramentas para auxilio dos clubes (todos os clubes da 1ª e 2ª divisão da Liga Espanhola recebem os dados da ferramenta Prozone sobre suas respectivas equipes. Tudo bancado pela Federação Espanhola) e possui um sistema de monitoramento de atletas em todo o país ainda no futebol de 7 aos 12 anos de idade.

As ligas regionais, com profissionais coordenados e treinados pela federação, são incumbidas de acompanhar jogos e treinamento, realizar visitas técnicas aos clubes, coletar dados de evolução física, técnica, tática e emocional destes atletas e de tempos em tempos, de forma regional e de acordo com a evolução dos mesmos, estes são convocados para períodos de treinamentos de uma semana, que ocorrem em suas próprias regiões. Ao final tudo é utilizado de forma centralizada pela federação.

O que dói e o que mais nos aperta o calo, é que nosso país segue caminho totalmente contrário a estes países que se reestruturaram quanto a formação. E o problema começa mesmo antes da CBF.

O Ministério da Educação, órgão Federal, seguindo ideia absurda que surgiu na Secretaria de Educação de Minas Gerais, aboliu a obrigatoriedade de aulas ou professores de Educação Física nas aulas de 1ª a 4ª série. Na fase onde se introduz a iniciação esportiva, o nosso país faz o caminho inverso e…CORTA! E tudo isto com um fim único e descabível: redução do que deveria ser investimento, mas que em nosso país encara-se como custo!

Não bastasse isto, clubes brasileiros são proibidos de trabalhar futebol de forma orientada com atletas abaixo de 14 anos. Resolução do Ministério do trabalho. Interessante que, tal medida, só atinge o futebol. Nos demais esportes e no meio artístico, em que bebês às vezes recém nascidos participam de gravações de novelas e comerciais, tudo bem.

De acordo com a proibição de se alojar crianças. De retirá-las da convivência da família. Mas, proibir os clubes de trabalhar com crianças da região, que possam fazer o trajeto casa–escola–clube? Não dá pra entender. Nem pra aceitar. Aliás, alguém aceita sim! Aceita e venda os olhos para fazer de conta que não é com ela.

Se não se pode jogar com orientação nas escolas. Se não se pode jogar nos clubes, restam os projetos sociais e escolas de futebol. Mas… de que forma? Colocando crianças de 10, 11, 12, para correr em campos de 105 x 68 com uma bola tamanho e peso de adultos nos pés? Infelizmente, em nosso país, é o que mais se vê hoje.

Não foi só a vitória da Alemanha sobre o Brasil. Foi a vitória da humildade de quem viu que estava errado e decidiu se reconstruir, investindo principalmente em formação profissional e condição de aulas e treinos (foram construídos via Federação Alemã 1387 campos nos últimos 10 anos. 1000 mini-campos, com as dimensões do futebol de 7. A CBF construiu no mesmo tempo, os três da Granja Comary).

Dá tempo. Mas… há esperança? Fica agora a torcida pelo aprendizado da lição, e da aceitação de conceitos que direcionem o trabalho a ser desenvolvido nos próximos anos.

*Este texto foi produzido pelo CIB, Centro de Inteligência Brasileiro, criado e composto pelos professores Marcelo Xavier, Glauber Caldas e Dr. Alessandro Fidelis Junior.

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Kaká se aproxima do Bom Senso FC e pode virar protagonista do movimento

O grupo de atletas Bom Senso FC pode ter encontrado um novo rosto no país.
Confira o texto na íntegra
 

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Boa parte do mercado se aproveitou, menos…

Lendo notícias sobre diversas áreas, de diferentes segmentos da economia, percebe-se como cada setor procurou se aproveitar da Copa do Mundo. Seja o segmento hoteleiro, de alimentação, de receptivo turístico, agências de publicidade e até produtos tipicamente nacionais, como a cachaça ou o doce de leite, que buscaram um posicionamento para divulgar estes produtos para o turista estrangeiro.

É verdade que alguns tiveram problemas. O mercado de locação de veículos, por exemplo, foi um dos que sofreu com a queda na demanda do público corporativo, que representa o grande volume de negócios do segmento.

O que é fato é que, invariavelmente, boa parte do mercado procurou ganhar com a Copa, seja por meio do incremento pontual no seu faturamento durante o período do evento ou mesmo buscando um lastro de relacionamento internacional. Antes do Mundial, inúmeros encontros e núcleos de debate foram promovidos por diferentes entes para aproveitar o momento.

Ironicamente, dos poucos que parecem ter se estruturado menos para ter um legado ótimo de Copa do Mundo foi justamente o mercado que, em tese, seria mais diretamente influenciado pelo evento, que é aquele ligado ao futebol.

Não houve e não há, ainda, um projeto efetivo que propusesse o desenvolvimento e crescimento do futebol no país, tal e qual ocorreu nos EUA com a Copa de 1994 ou mesmo na Coréia/Japão em 2002 até chegar na Alemanha em 2006.

Ou seja, ao que parece, enquanto todo o mercado buscou, de alguma maneira, certa ou errada (não cabe, neste momento julgamento. Apenas o registro da tentativa…), aproveitar a Copa do Mundo para o seu desenvolvimento, o mercado esportivo no Brasil correu à margem de tudo o que ocorreu nos últimos 7 anos.

No pós-Copa, os problemas são os mesmos. O endividamento dos clubes, que é um problema cuja solução não é imediata, é o tema do momento, que está sendo debatida sem fundamento em um projeto mais amplo. As arenas, que são o legado tangível do evento, vão iniciar um ciclo de aprendizagem na sua operação nos próximos anos que poderia ter sido reduzido se houvesse iniciativa e proatividade das entidades para um melhor planejamento sobre a gestão dos mesmos.

Há espaço para fazer melhor. E ainda há tempo para isso. Vale sempre lembrar, apenas, que momentos como os de uma Copa do Mundo passam e a qualidade dos projetos no país sede é o que ficam… 

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De “humanas” para “exatas”

Volto a escrever, semanalmente, após um “longo inverno”. Tempo, esse, que também envolveu a tensão pré-Copa do Mundo e todo o mês de duração do evento.

Alcançou, também, é verdade, algumas semanas de ressaca, uma vez que o bombardeio de emoções, provocado pela intensidade e qualidade dos jogos na competição, associadas à energia positiva das torcidas nos lotados estádios padrão FIFA, fez muita sombra ao combalido futebol brasileiro.

Que já estava nas cordas, lutando pra tentar ganhar por pontos, até que veio o nocaute perpetrado pela Alemanha e os 7 a 1 na semifinal fizeram o “país do futebol” beijar a lona.

Esse golpe contundente provocou, em todo o país, enorme reflexão.

Quais as razões que levaram, como gosta de afirmar a CBF, o “país pentacampeão mundial”, a essa derrocada histórica?

Neste fim de semana, li, em um artigo da cineasta Flávia Moraes, a frase que resume, a meu ver, toda a perplexidade da qual fomos acometidos:

“O futebol, senhores, migrou das ‘humanas’ para as ‘exatas’.”

A frase ficou ressonando em minha cabeça. Ainda mais porque, no texto, a cineasta relata que percebeu que, lá onde estava, nos EUA, o futebol, agora, chegou mesmo – e vai ficar pra jantar, tomar um bom vinho e comer a sobremesa.

Algumas ruas calmas durante os jogos da seleção nacional, bares lotados, gente concentrada no jogo, comemoração efusiva. E audiência na TV batendo recordes e superando outros esportes tradicionais do país. Pra não mencionar o presidente Obama deixando de lado umas “guerrinhas” para assistir aos jogos desde a Casa Branca.

Bem verdade que alguns dos indicadores do futebol nos EUA tem chamado a atenção há alguns anos como tendência de crescimento: numero de praticantes na base; média de público da MLS; audiência de TV; contratação de ícones globais; resultados em competições internacionais; investimentos em formação e capacitação de profissionais nas áreas técnicas e de gestão.

A grande diferença, entretanto, está nos fundamentos da governança corporativa da MLS e da US Soccer Association (a CBF deles), que fez com que o esporte se consolidasse no país, a partir de 1994 e que, sem dúvida, garantirá o êxito da expansão nos próximos anos.

Muito planejamento e capacidade de execução.

Que, aliás, também são ingredientes da receita do sucesso do futebol na Alemanha. País, este, que leva vantagem, em comparação aos EUA, por já ter larga tradição cultural de envolvimento com o esporte. Isso favorece a reação química.

Ou seja, não é por acaso que os dois países constroem cenários semelhantes para que o futebol alcance patamares de excelência.

Pensando bem, não havia melhor adversário para nos derrotar, na Copa do Mundo e em casa, do que a Alemanha.

Imaginem se fosse a Argentina ou outro país latino? Tudo seria alçado ao imponderável, ao sobrenatural, ao religioso e ao dramático. Tal qual uma mistura de tango ou milonga com o samba, diriam que foi um golpe do destino…

Uma obra do acaso. Não a falta de planejamento ou de gestão executiva.

Como sentencia, brilhantemente, Flávia Moraes:

“Resumindo, com os mercados do Primeiro Mundo ditando as regras e tendências, lamento arriscar que o Brasil terá alguma dificuldade para ganhar o Hexa. Pernas alegres, fenômenos marrentos e dungas viscerais já não funcionam como costumavam funcionar. O planejamento venceu o improviso, o trabalho de grupo goleou o ídolo e a vitória do preparo emocional sobre a passionalidade foi avassaladora. Aliás, tudo indica que a emoção à flor da pele que tanto nos representa e da qual tanto nos orgulhamos, só atrapalha na hora da decisão.”

Corremos um sério risco de, já na próxima Copa do Mundo, encontrar os EUA numa esquina e ser nocauteado. 

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De "humanas" para "exatas"

Volto a escrever, semanalmente, após um “longo inverno”. Tempo, esse, que também envolveu a tensão pré-Copa do Mundo e todo o mês de duração do evento.

Alcançou, também, é verdade, algumas semanas de ressaca, uma vez que o bombardeio de emoções, provocado pela intensidade e qualidade dos jogos na competição, associadas à energia positiva das torcidas nos lotados estádios padrão FIFA, fez muita sombra ao combalido futebol brasileiro.

Que já estava nas cordas, lutando pra tentar ganhar por pontos, até que veio o nocaute perpetrado pela Alemanha e os 7 a 1 na semifinal fizeram o “país do futebol” beijar a lona.

Esse golpe contundente provocou, em todo o país, enorme reflexão.

Quais as razões que levaram, como gosta de afirmar a CBF, o “país pentacampeão mundial”, a essa derrocada histórica?

Neste fim de semana, li, em um artigo da cineasta Flávia Moraes, a frase que resume, a meu ver, toda a perplexidade da qual fomos acometidos:

“O futebol, senhores, migrou das ‘humanas’ para as ‘exatas’.”

A frase ficou ressonando em minha cabeça. Ainda mais porque, no texto, a cineasta relata que percebeu que, lá onde estava, nos EUA, o futebol, agora, chegou mesmo – e vai ficar pra jantar, tomar um bom vinho e comer a sobremesa.

Algumas ruas calmas durante os jogos da seleção nacional, bares lotados, gente concentrada no jogo, comemoração efusiva. E audiência na TV batendo recordes e superando outros esportes tradicionais do país. Pra não mencionar o presidente Obama deixando de lado umas “guerrinhas” para assistir aos jogos desde a Casa Branca.

Bem verdade que alguns dos indicadores do futebol nos EUA tem chamado a atenção há alguns anos como tendência de crescimento: numero de praticantes na base; média de público da MLS; audiência de TV; contratação de ícones globais; resultados em competições internacionais; investimentos em formação e capacitação de profissionais nas áreas técnicas e de gestão.

A grande diferença, entretanto, está nos fundamentos da governança corporativa da MLS e da US Soccer Association (a CBF deles), que fez com que o esporte se consolidasse no país, a partir de 1994 e que, sem dúvida, garantirá o êxito da expansão nos próximos anos.

Muito planejamento e capacidade de execução.

Que, aliás, também são ingredientes da receita do sucesso do futebol na Alemanha. País, este, que leva vantagem, em comparação aos EUA, por já ter larga tradição cultural de envolvimento com o esporte. Isso favorece a reação química.

Ou seja, não é por acaso que os dois países constroem cenários semelhantes para que o futebol alcance patamares de excelência.

Pensando bem, não havia melhor adversário para nos derrotar, na Copa do Mundo e em casa, do que a Alemanha.

Imaginem se fosse a Argentina ou outro país latino? Tudo seria alçado ao imponderável, ao sobrenatural, ao religioso e ao dramático. Tal qual uma mistura de tango ou milonga com o samba, diriam que foi um golpe do destino…

Uma obra do acaso. Não a falta de planejamento ou de gestão executiva.

Como sentencia, brilhantemente, Flávia Moraes:

“Resumindo, com os mercados do Primeiro Mundo ditando as regras e tendências, lamento arriscar que o Brasil terá alguma dificuldade para ganhar o Hexa. Pernas alegres, fenômenos marrentos e dungas viscerais já não funcionam como costumavam funcionar. O planejamento venceu o improviso, o trabalho de grupo goleou o ídolo e a vitória do preparo emocional sobre a passionalidade foi avassaladora. Aliás, tudo indica que a emoção à flor da pele que tanto nos representa e da qual tanto nos orgulhamos, só atrapalha na hora da decisão.”

Corremos um sério risco de, já na próxima Copa do Mundo, encontrar os EUA numa esquina e ser nocauteado. 

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Responsabilidade

O futebol brasileiro percebeu que está em crise. A derrota por 7 a 1 para a Alemanha em pleno Mineirão, pior revés da história da seleção canarinho, despejou mensagens que vão muito além dos 90 minutos ou da Copa de 2014. Tudo comunica, e isso inclui o que acontece em campo. Mas será que nós sabemos ouvir?

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reagiu à goleada sofrida na semifinal da Copa. Demitiu toda a comissão técnica, contratou Gilmar Rinaldi para ser coordenador de seleções e traçou o perfil do técnico ideal para conduzir o time: Dunga, que já havia comandado a equipe entre 2006 e 2010.

Apresentado na última terça-feira (22), Dunga disse em vários momentos que a missão atual é totalmente diferente do que ele precisou fazer na primeira passagem pela seleção. Naquela época, o time nacional vinha de uma campanha decepcionante na Copa de 2006 – eliminação para a França nas quartas de final –, trajetória que ficou muito marcada pelos problemas extracampo. Houve jogadores com problemas de peso e uma série de excessos na concentração em Weggis (Suíça) antes do embarque para a Alemanha.

A missão dada a Dunga em 2014 inclui renovação da seleção (ele havia montado o time com a média de idade mais alta da Copa em 2010), integração com a base e busca por um patamar internacional de desempenho. Mas que mensagem isso passa?

Dunga, como revelou a “ESPN”, teve envolvimento com a transferência do jogador Ederson na década passada. Gilmar Rinaldi e Taffarel, que será preparador de goleiros da nova seleção, também têm passado como empresários.

O histórico de Dunga ainda reserva outro ponto nevrálgico: o ex-volante estreou como treinador na seleção. O trabalho de 2006 a 2010, que incluiu títulos da Copa América (2007) e da Copa das Confederações (2009), foi o primeiro dele na função. A imagem que a torcida tem do técnico é a de um time eficiente e competitivo, mas pragmático e com um repertório pobre.

É isso, então: retrospecto complicado, que suscita dúvidas éticas, fracasso em Copa e responsabilidade por um time que está longe do que o torcedor almeja. Esse é o pacote que a CBF comprou quando optou por Dunga. Ele pode até ser a melhor opção, mas é certamente uma das mais complicadas no âmbito da comunicação – sobretudo porque não é uma figura simpática.

Por tudo isso, o Dunga dos primeiros dias de seleção tem sido eficiente em um aspecto que é relevante para a CBF: as atenções se voltaram a ele. O técnico é um escudo para a entidade, assim como era o antecessor Luiz Felipe Scolari. Outros profissionais teriam um poder menor de atrair holofotes.

A discussão sobre o perfil de Dunga criou discussões suficientes para desviar o foco da verdadeira necessidade do futebol brasileiro. A CBF não precisava estruturar uma nova comissão técnica ou contratar um novo técnico, mas pensar em uma nova ordem para o esporte nacional.

Entidade esportiva que mais recebe recursos privados no Brasil, a CBF subsidia a terceira e a quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, oferece benesses aos participantes das duas primeiras esferas da competição nacional e cuida do cotidiano da seleção. E o que ela faz realmente pelo futebol?

E fazer pelo futebol não é necessariamente adotar um modelo como o da Alemanha. A CBF não precisa dominar a formação de atletas, que hoje é controlada totalmente pelos clubes, mas pode estabelecer parâmetros em uma série de áreas. Falta boa vontade e sobra jogo político.

Esse é o diapasão, por exemplo, das discussões sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. O governo federal quer aprovar o projeto até setembro deste ano, e talvez isso seja feito por meio de medida provisória. Um dos impeditivos, contudo, é a lista de contrapartidas para os clubes.

O projeto de lei que está no Congresso propõe o financiamento da dívida dos clubes, atualmente estimadas em R$ 4 bilhões, por um prazo de 25 anos. Questões como punições a clubes inadimplentes e que atrasam salários, contrapartida dos clubes e fatores de correção da dívida ainda seguem em debate.

Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff recebeu presentes de alguns dos principais clubes do futebol brasileiro. A conversa serviu para discutir essas contrapartidas, para desespero de alguns dirigentes. Maurício Assumpção, presidente do Botafogo, disse que a equipe não tem mais como conviver com receitas bloqueadas e ameaçou deixar o Campeonato Brasileiro se não receber ajuda.

A avaliação do próprio governo federal é que muitos clubes não conseguirão terminar o ano se o projeto de refinanciamento não for aprovado. O próprio Botafogo é o grande do Brasil que mais aumentou gastos com futebol em 2013.

E o que tudo isso tem a ver com a escolha de Dunga? Mais uma vez, a chance de mudar o futebol está aí. Podemos pensar apenas no problema pontual, que pode ser o técnico ou a incapacidade dos clubes para conviver com suas dívidas. Se o governo federal não for firme e não exigir contrapartidas contundentes, porém, vai ser apenas outro paliativo. O futebol brasileiro não pode mais viver de paliativos.

Passou da hora de o futebol brasileiro ter um projeto global, que inclua atletas, clubes, federações e CBF. Passou da hora de o esporte ser enxergado como o negócio bilionário que é. Há um potencial gigantesco, e o Brasil pode ser o maior mercado consumidor de futebol do planeta – nenhuma nação com população maior tem relação tão umbilical com a modalidade. Mas se os gestores não zelarem pelo produto e não souberem passar as mensagens corretas, os torcedores seguirão adormecidos. Nenhuma goleada vai mudar isso sozinha. 

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O microciclo na Periodização de Jogo

O ambiente de jogo é condição fundamental para quem opta por uma metodologia de treinamento sistêmica. Sendo assim, a partir de diferentes partes que representem o todo (jogo), tenta-se estimular as quatro dimensões que compõem a modalidade aproximando-se do cenário competitivo.

Nesta semana, será apresentado um vídeo com alguns jogos realizados ao longo de um microciclo.

Antes de visualizá-lo, porém, aconselha-se a leitura prévia das cinco atividades filmadas para que seja feita uma reflexão quanto à Lógica do Jogo de cada uma elas, além dos comportamentos que se pretende treinar de acordo com as situações-problema que cada jogo irá apresentar.



Segue, abaixo, o vídeo:

Aguardo críticas, comentários e sugestões.

 

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O coletivo no Futebol: moda ou necessidade?

O coletivo enquanto atividade de treino no Futebol é frequentemente utilizado por treinadores nas mais diversas etapas do processo de treinamento. Por vezes chamado de “apronto”, faz parte da rotina dos clubes desde a categoria de base até o profissional, contudo evidenciam-se poucas tentativas de entender sua utilização do processo de ensino-aprendizagem-treinamento do Futebol. Neste aporte, discutir-se-ão aspectos que incidem diretamente na escolha da utilização do coletivo no treinamento.

Inicialmente é necessário entender o conceito de treinamento esportivo. O treinamento esportivo é um processo complexo de ações, dirigido ao desenvolvimento planejado de determinadas condições de desempenho esportivo e à sua apresentação em situações de prova, especialmente na competição esportiva (1). Deste conceito salientam-se dois importantes apontamentos: em primeiro lugar o entendimento de treinamento enquanto processo, ou seja, um conjunto sequencial e particular de ações com um objetivo comum; em segundo lugar, o entendimento da necessidade de atrelar o processo de treinamento ao desenvolvimento de condições de desempenho esportivo, ou seja, treina-se para melhorar componentes inerentes ao desempenho. Tais conceitos serão novamente retomados à frente.

Dentro do processo de treinamento, o Princípio da Especificidade orienta a escolha dos meios e métodos empregados por treinadores e professores, os quais buscam a adoção de estímulos específicos, mais próximos possíveis à dinâmica do jogo, capazes de causar adaptações específicas nos sistemas específicos que orientam o desempenho dos atletas.

No treinamento em esportes coletivos, o desempenho é resultado da interação dinâmica de componentes técnicos, táticos, físicos, fisiológicos e psicológicos (2, 3). Neste âmbito atividades de treino baseadas no jogo formal (11×11, frequentemente alcunhadas de Coletivos) representam a máxima especificidade ao treinamento, na medida em que os atletas defrontam situações idênticas às demandadas durante os jogos contra outros adversários, em um contexto ambiental o mais ecológico possível. Desta forma, a utilização de atividades de treino baseadas no 11×11, justificadas pelo princípio da especificidade, dá-se com bastante frequência nos processos de treino no Futebol.

Contudo, em abordagens mais recentes, o conceito do Princípio das Propensões, que consiste em fazer aparecer uma grande porcentagem do que se quer alcançar durante as atividades propostas, vem sendo abordado com relativa frequência. Em outras palavras, deve-se condicionar um exercício para que o comportamento pretendido surja repetidamente (4).

Trazendo para a realidade do jogo de Futebol, se a conduta treinada é a retirada da bola da zona de pressão durante a transição ofensiva, por exemplo, uma atividade que destine-se a sistematizar esse Princípio deve permitir que situações de transição ofensiva aconteçam, durante o treinamento, um grande número de vezes. Só assim permite-se que os comportamentos pretendidos sejam treinados.

Retomando o conceito o conceito de treinamento enquanto processo, deve-se considerar que o início de trabalho em uma equipe representa um estágio diferente do obtido após seis meses de trabalho, após um ano, após cinco anos. As atividades de treino devem, em termos de complexidade e de especificidade em relação ao modelo de jogo, seguir a mesma evolução. Desta forma, sistematizar comportamentos de transição ofensiva caracterizada pela retirada da bola do centro de pressão deve incluir no início do processo, por exemplo, atividades com menor número de adversários, maior espaço para realização dos comportamentos e maior tempo para realização das ações, alternativas que permitiriam que o comportamento desejado acontecesse um maior número de vezes, de acordo com o Princípio das Propensões. Já num segundo momento, as atividades seriam realizadas em espaços reduzidos, com maior número de adversários e limitações de número de toques na bola, por exemplo. Desta forma, a carga de treinamento seria claramente evoluída ao longo do processo.

Em relação ao coletivo, a primeira dificuldade em relação à sua aplicação versa sobre a incapacidade de evolução dos níveis de dificuldade e da adoção de cargas novas. Desta forma, as configurações de um coletivo adotadas no início de um trabalho (11×11, num espaço 110×65, com duas balizas e todas as regras formais do jogo) são permanentemente repetidas ao longo do treinamento.

Já em relação ao treinamento orientado para o desenvolvimento planejado, observa-se nova dificuldade na utilização das atividades baseadas no 11×11. A pergunta: “qual comportamento quero melhorar com um coletivo?” é de difícil resposta, já que em vista da baixa relação com o Princípio das Propensões, o volume de vezes em que os comportamentos serão observados provavelmente não representará um estímulo suficiente para o aprendizado. Deste modo, comportamentos de transição ofensiva, conforme os exemplos acima adotados, seriam observados em baixa incidência quando comparado a atividades direcionadas a esse propósito.

Assim, do ponto de vista do treinamento esportivo, a justificativa da utilização do “coletivo” sob o ponto de vista da globalidade, ou seja, da capacidade de vivência do jogo como um todo e, consequentemente, do treinamento de muitas (se não todas) ações que compõe o jogo formal, esvazia-se. A distância em relação ao Princípio das Propensões e a dificuldade na progressão da carga de treinamento dificultam a aproximação desta atividade de treino das teorias que circundam o treinamento esportivo.

É hora então de abdicar dos coletivos? A resposta é sim e não.

Sistematizando a utilização dos coletivos

A utilização dos coletivos apresenta, sob o ponto de vista da teoria do treinamento, dois problemas: baixa incidência de aparecimento dos comportamentos a serem treinados (afastamento do Princípio das Propensões) e dificuldade na evolução da carga de treinamento. A seguir serão apresentadas alternativas à solução destes problemas. Sob esse ponto de vista, é fundamental que se abdique da utilização dos coletivos no processo de treinamento.

Contudo, mudanças nas configurações de atividades de jogos, por exemplo Pequenos Jogos, interferem nos comportamentos técnicos, táticos, mecânicos e fisiológicos de jogadores de Futebol (5-7). Alterações no tamanho do campo, número de jogadores, regras técnicas e carga de treinamento apresentaram interferência no comportamento dos atletas. É através da alteração de componentes como estes que é possível sistematizar treinamentos coletivos em consonância com princípios do trein
amento esportivo. Sob esse ponto de vista, coletivos se enquadram na proposta teórica do treinamento esportivo, além de auxiliarem treinadores no desenvolvimento do jogar coletivo da equipe.

Como exemplo, imagina-se que um treinador deseje que a construção do processo ofensivo seja direcionada ao jogo pelas beiradas. Desta forma, ele precisa que os atletas adotem comportamentos como criação de linhas de passe nas zonas laterais do campo, ultrapassagens, tabelas e passes de parede. Decide utilizar um coletivo como atividade de treino, e tem-se a seguinte configuração:

Figura 1: Coletivo em condições comumente utilizadas

Conforme observado, os jogadores do time preto tem à disposição todo o espaço do campo para construir o jogo ofensivo. A utilização desta atividade no treinamento do conceito de jogo acima citado provavelmente não permitirá o desenvolvimento das condições do desempenho desportivo (em concordância com o conceito de treinamento).

Como alternativa, sugere-se a utilização de linhas com cones demarcatórios que separem o campo em três corredores (dois laterais e um central). Como orientação da atividade, no corredor central permite-se apenas passes para o lado e para trás. Já nas laterais, permitem-se todos os movimentos.

Figura 2: Coletivo orientado ao treinamento da construção do processo ofensivo pelas beiradas

Na sequência, ao pensar na progressão da carga de treinamento, a adoção de regras técnicas para o coletivo pode permitir, além da maior propensão das atividades aos comportamentos objetivados, a utilização do coletivo em diferentes momentos do processo de treinamento, e adequados ao momento da aprendizagem. Como exemplo, sugere-se:

1: limitação do número de toques na bola no corredor central, dificultando ainda mais a progressão pelo meio.

2: aumento do número de adversários no corredor central, dificultando a adoção de comportamentos associados à condução da bola no corredor central.

3: Utilização de curingas, presentes nas laterais do campo de jogo, impedindo que a bola saia do terreno de jogo e aumente o tempo efetivo da atividade.

Considerações Finais

O coletivo, como qualquer outra atividade de treino, deve ser planejado com vistas à melhora do desempenho dos atletas. A utilização das mesmas configurações de atividades 11×11 ao longo de todo o processo de treinamento não permite a correta evolução do comportamento tático coletivo da equipe, objeto do trabalho dos treinadores. Neste âmbito, sugere-se a adoção de regras de limitação de toques na bola, redução do espaço de jogo, aumento no número de jogadores de forma a conferir especificidade do coletivo em relação aos Princípios de Jogo a serem treinados bem como potencializar a propensão das atividades ao aparecimento das condutas critério dos treinadores.

 

REFERÊNCIAS

1. MARTIN D, CARL K, LEHNERTZ K. Manual de Teoria do Treinamento Esportivo. São Paulo: Phorte; 2008.

2. HILL-HAAS SV, DAWSON B, IMPELLIZZERI F, COUTTS AJ. Physiology of Small-Sided Games Training in Football – A Systematic Review. Sports Medicine. 2011;41(3):199-220.

3. GARGANTA JM, GRÉHAIGNE JF. Abordagem sistêmica do jogo de futebol: moda ou necessidade? Movimento. 1999;5.

4. TAMARIT X. Que és la periodización táctica? Vivenciar el juego para condicionar el juego. 2007.

5. SILVA MV, PRAÇA GM, TORRES CG, GRECO PJ. Comportamento tático individual de atletas de Futebol em situações de Pequenos Jogos. Revista Mineira de Educação Física – Viçosa. 2013;Edição Especial(9):676-83.

6. AGUIAR M, BOTELHO G, LAGO C, MACAS V, SAMPAIO J. A review on the effects of soccer small-sided games. Journal of Human Kinects. 2012;33:103-13.

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