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O papel das novas arenas

Apos a Copa do Mundo, o torcedor brasileiro tem experimentado um novo paradigma no que diz respeito à qualidade e ao conforto nos estádios de futebol.

Por outro lado, um debate essencial que deve ser promovido é a utilidade das novas arenas, que custaram bilhões, quando não houver jogos de futebol.

A Constituição Brasileira assegura o exercício do direito de propriedade, desde que ela exerça sua função social.

Ainda que não houvesse tal previsão, a grande parte dos investimentos foram públicos, razão pela qual exige-se uma utilização afeita ao interesse publico, inclusive das arenas entregues em concessão.

Dessa forma, as grandes esplanadas construídas no entorno dos estádios devem ser abertas ao público para atividades lúdicas em dias que não houver jogos, os estacionamentos devem ser abertos diariamente para utilização publica, ainda que paga.

Enfim, as imediações das novas arenas devem compor o cenário urbano e se integrar à comunidade.

O Estado, as concessionárias e os administradores das arenas devem ter em mente que o estádio corresponde a um patrimônio de interesse publico e que deve ter relevante utilidade também quando não houver partidas de futebol.

Tal mentalidade existe em toda a Europa e nos EUA que criam no entorno dos estádios grandes espaços de lazer com bares, lojas e praças esportivas para uso da população.

A adequação das novas arenas a uma função social relevante trará grande bem estar à população, bem como assegurará o retorno do dinheiro público investido. 

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Emoções: amigas ou inimigas do atleta?

Sabemos que em muitas situações do futebol percebemos que os atletas passam por momentos de descontrole emocional dentro e fora dos gramados. Por isso temos a impressão de que as emoções são nossas inimigas, dificultando nosso desenvolvimento e a busca pelo nosso melhor desempenho profissional.

Um meio bastante eficaz de usar suas emoções a nosso favor é compreender que todas elas nos são úteis. Quando aprendemos com nossas emoções e conseguimos utilizá-las para contribuir na geração dos resultados que desejamos, podemos obter melhores desempenhos profissionais e mais qualidade de vida. Anthony Robbins (considerado um dos maiores especialistas em Neurolinguística do mundo) defende a ideia de que aquilo que conhecemos por emoções negativas são na verdade um chamado à ação na prática ou simplesmente Sinal de Ação. Ele comenta que a partir do momento em que estivermos familiarizados com cada sinal de ação e sua respectiva mensagem, as emoções deixam de ser suas inimigas, tornam-se nossas aliadas.

Porém, será que realmente temos clareza sobre a fonte de nossas emoções? Na verdade, nós somos a fonte de todas as nossas emoções! A partir desse conceito vem o questionamento: mas, se somos nós mesmos a fonte de nossas emoções, porque não conseguimos nos sentirmos bem na maior parte do tempo em nosso dia a dia? Isso acontece devido ao que conhecemos por emoções negativas estarem nos dizendo alguma mensagem a cada momento de nossas vidas. E qual seria essa mensagem?

Seria a mensagem de que tudo o que estamos fazendo num determinado momento não está dando muito certo e que devemos mudar o curso dos acontecimentos, por isso a sensação negativa em relação a estas emoções. É importante termos em mente que as nossas percepções são controladas pelo que focalizamos e pelos significados que damos para interpretarmos situações.

Agora, o melhor disso tudo é que todos somos capazes de mudarmos nossa percepção dos fatos num instante, pelo simples fato de mudarmos a maneira como encaramos o fato em si.

Na prática, Anthony Robbins sugere que utilizemos seis passos que contribuem para o controle emocional e isso pode ser muito útil aos atletas.

1 – Identificar o que realmente se sente

2 – Reconhecer e apreciar suas emoções, sabendo que elas o apoia

3 – Ser curioso sobre a mensagem que cada emoção está lhe oferecendo

4 – Ser confiante

5 – Ter a certeza de que pode controlar não apenas o hoje, mas também o futuro

6 – Permanecer animado e entrar em ação

Com esses seis passos simples, sugere-se que os atletas possam passar a dominar praticamente qualquer emoção que surgir em suas vidas. Se em algum momento descobrirem que vem lidando com a mesma emoção muitas e muitas vezes, este método de seis passos os ajudarão a identificar o padrão de reação e mudá-lo num curto período. Portanto, é altamente indicado o uso deste sistema. Como acontece com qualquer outra coisa nova, a princípio pode parecer um pouco difícil. Mas quanto mais se fizer, mais fácil se tornará o uso, e logo se descobrirá capaz de navegar pelo que antes julgava-se como turbulências emocionais.

Ah, e quando seria o melhor momento para iniciar o controle de uma emoção? No momento em começar a senti-la, pois é bem mais difícil interromper um padrão emocional depois que ele se torna plenamente desenvolvido ou seja após ele estabelecer um caminho neural que esteja sedimentado em sua mente.

E aí caro leitor, será que conseguimos tornar as emoções mais amigas do que nossas inimigas?

Até a próxima! 

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Periodização Táctica: uma fácil explicação!

A Periodização Tática traz uma nova visão para um modelo de jogo diferente, baseado no jogo. Trago aqui a maneira mais fácil de compreender a Periodização Táctica e mostrar a importância do novo preparador físico nessa metodologia.

Para que o preparador físico venha a estar nessa metodologia usada, ele precisa compreender o pensamento do treinador para que possa trabalhar em conjunto nos aspecto técnico e táctico.

Movimentação de finta, drible, passe simular situações de jogo reais isso possibilita que o atleta tome decisões mais rápidas e dinâmicas durante uma partida de futebol. Praticando o futebol ele aprende e evolui seu futebol, esta é a base da Periodização Táctica.

Treinar o objetivo mediante a característica do atleta usando ações técnico e táctica possibilita melhoria na leitura do jogo e ainda respeita se a individualidade ou especificidade do atleta, chamamos de princípio de propensões, são exercícios que queremos que o atleta realize através da vivência.

De maneira prática, podemos realizar situações de superioridade numérica 6×5 ou 4×2 em espaço reduzido propondo momentos reais do jogo.

Treinar na intensidade do jogo para evoluir buscando seu objetivo, treinamentos longos e desgastantes não faz parte dessa nova metodologia, o importante é realizar um trabalho dinâmico motivado e intenso. A mente humana, quando recebe um estímulo, ela capta e aprende com isso o atleta precisa realizar exercícios complexo para que possa evoluir assim sempre que um atleta realiza um exercício complexo com facilidade devemos evoluir o exercício. SILVA (1995).

Deixar bem claro qual é o objetivo do exercício, se é finalizar, pressionar saída de bola, manter a posse de bola defensivamente ou pressionar atacantes, criar situações de redução do espaço do campo, aumentar o número de atacantes ou de defensores cada exercício tem um objetivo específico sempre realizando a combinação tática.

Tendo como princípio o que nos afirma Barbanti (1997), “que treinamento é um processo físico e intelectual determinado pela condição técnica, por tática, pela motivação e pelas características psíquicas”, é possível aprofundar nosso conhecimento com relação à construção de métodos e metodologias de treinamento no futebol.

A importância desse modelo de jogo é colocar a equipe para jogar segundo a ideia do treinador, não é possível pensar na Periodização Táctica sem pensar no modelo de jogo. Assim, deve-se sempre colocar a forma de treinar mais próximo da competição.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:

• BARBANTI, V.J. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2.ed., São Paulo: Edgard Blücher, 1997

• SILVA, F.M. Para uma nova teoria da periodização do treino – Um estudo do atletismo português de meio-fundo e fundo. Tese de doutorado, 359p. Faculdade de Ciências do Desporto e da Educação Física – Universidade do Porto, 1995. 

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Fatores metabólicos na fadiga do jogador

INTRODUÇÃO

A adenosina trifosfato (ATP) é a fonte imediata de energia química para a contração muscular. Como os depósitos intramusculares de ATP são pequenos, a regeneração contínua de ATP é fundamental para a manutenção da produção de força muscular durante o desempenho sustentável no exercício. Em condições de produção de muita energia (como aquelas observadas durante o exercício de sprint de alta intensidade), isso é obtido por meio da produção não oxidativa de ATP (anaeróbica) seguido de uma quebra de creatinafosfato (PCr) ou da degradação do glicogênio muscular em lactato.

Quando há uma baixa produção de energia para desempenho prolongado de endurance, o metabolismo oxidativo ou aeróbico dos carboidratos (glicogênio muscular e glicose presente no sangue) e de lipídios (ácidos graxos derivados de depósitos de triglicérides, nos músculos ou no tecido adiposo) oferece praticamente todo ATP necessário para processos celulares que dependem de energia dentro do músculo esquelético. Esses processos metabólicos e sua importância durante o exercício já foram bem descritos (Covle, 2000; Sahlin et al., 1998).

Atenção considerável foi dada aos mecanismos potenciais de fadiga responsáveis pelo declínio da força e/ou da produção de energia pelo músculo esquelético durante o exercício e o papel que os fatores metabólicos desempenham nessas alterações. Esses fatores metabólicos podem ser categorizados de forma abrangente como a depleção de substratos de energia (ATP e outros compostos bioquímicos utilizados na produção de ATP) e acúmulo de derivados metabólicos (Tabela 1).

Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.
 

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Treinamento específico

Jesualdo Ferreira, conhecido treinador português, argumenta que a esfera de influência do treinador junto aos seus jogadores veio diminuindo ao longo dos anos. Antigamente o treinador, além das questões do jogo, orientava o jogador em questões relacionadas aos investimentos financeiros, à compra de imóveis e até aos seus relacionamentos pessoais. No livro de Maurício Noriega, “Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro”, é possível encontrar citações sobre grandes treinadores como Oswaldo Brandão, Telê Santana, Ênio Andrade, entre outros, que exerciam este tipo de influência.

Nos dias de hoje, toda uma estrutura se desenvolveu em torno do jogador. Assessor de imprensa, consultor financeiro, empresário, preparador físico particular, todo um conjunto de profissionais com os quais o jogador divide o seu tempo, além da família e amigos. Pessoas que acabam, de alguma forma, influenciando suas decisões e comportamentos, dentro e fora de campo.

O treino e o jogo sempre foram as principais ferramentas que os treinadores tiveram para modular comportamentos de jogadores e equipes. Treinar com qualidade é fundamental, pois como diz o próprio Jesualdo Ferreira (ANTF, 2014): “no final, o que conta no futebol são as decisões que os jogadores tomam a cada segundo do jogo”.

Desenvolver uma mentalidade de aceitação e entrega ao treinamento é um dos desafios das comissões técnicas. Cachito Vigil, ex-treinador da equipe argentina de hóquei feminino – as Leonas, comenta que “a vida mais intensa, profunda e transformadora se dá no treinamento”. Também comenta que “é importante que o atleta saiba desfrutar as horas de treinamento para romper qualquer limite, alcançar seus níveis máximos de crescimento e aproveitar ao extremo todas as suas possibilidades”.

Bernardinho, vitorioso treinador da seleção brasileira de vôlei, diz que a maior motivação deve estar voltada para o dia-a-dia do treinamento. No seu livro – Transformando suor em ouro – Bernardinho cita uma frase do famoso treinador americano Colonel Red:

“Quanto mais você sua nos treinamentos,
menos sangra no campo de batalha”. (pg. 57)

Quanto mais específico for o treinamento, maiores são a motivação e o envolvimento por parte dos jogadores. Para alguns esportes a preponderância do treinamento se concentra nas melhorias fisiológicas e técnicas como o atletismo e a natação; para outros esportes, gira em torno do aprimoramento técnico, casos da ginástica artística e dos saltos ornamentais. Já no futebol, o treinamento técnico-tático assume papel fundamental.

O conceito de Periodização Tática de Vítor Frade estabelece diretrizes para o planejamento da temporada no futebol. Segundo ele, é a ideia de jogo do treinador, ou seja, o componente tático que deve orientar todo o processo de treinamento. Os outros componentes do rendimento esportivo flutuam em torno desta variável maior! Sem entrar no mérito da ideia de jogo do treinador, José Mourinho se tornou a principal referência na propagação deste conceito.

Os pequenos jogos têm sido utilizados como meios de treinamento para dar praticidade à periodização tática. A possibilidade da repetição de situações técnico-táticas específicas faz desta proposta de treinamento mais adequada às exigências do futebol atual, diferentemente do tradicional 11×11. Esta metodologia produz mais intensidade de treino, mais melhorias no processo de tomada de decisão, mais motivação e propicia um melhor aproveitamento do tempo de trabalho.

Em 2011, quando no Curso da Licença Internacional da FA, agradou-me a classificação da metodologia de pequenos jogos apresentada:

TREINO TÉCNICO (SKILLS) – pequenos jogos que não possuem uma direção de jogo orientada (exemplo: 5×5 com manutenção da posse!).

SITUAÇÃO RELACIONADA AO JOGO (GAME RELATED SITUATION) – atividades que possuem uma direção de jogo orientada (exemplo: 8×8 + 2 goleiros, sem posicionamento tático definido!).

FASE DO JOGO (PHASE OF PLAY) – atividades que utilizam toda a amplitude do campo, tendo uma direção de jogo orientada, com posicionamento tático definido e com profundidades de campo variáveis (exemplo: ataque x defesa + 1 goleiro!).

Os principais fatores que determinam a distribuição dos conteúdos de treinamento ao longo da temporada são o calendário; o entrosamento prévio da equipe; a condição física e o nível técnico e de cultura tática dos jogadores. Quanto mais cedo se puder buscar a organização tática, mais rapidamente aparecerão boas performances e bons resultados. Na busca dessa organização tática, os componentes físico e técnico serão desenvolvidos, paralelamente, dentro do contexto do jogo.

À medida que se adentram as competições, o treinamento voltado para as fases do jogo deve ser intensificado. O treino voltado para a estratégia de jogo também é incorporado ao microciclo semanal. Baseado em minuciosa observação, a equipe busca desenvolver comportamentos técnico-táticos em função dos detalhes do adversário, tanto nas situações de bola em jogo, como nas situações de bola parada.

Com as dificuldades do calendário e com o equilíbrio das competições, é imperativo que os treinamentos estejam especificamente ligados às reais necessidades de jogadores e equipes. É preciso planejamento específico, execução detalhada e monitoramento constante. 

 

Referência bibliográfica:

REZENDE, Bernardo Rocha de. Transformando suor em ouro. Sextante, 2006. Rio de Janeiro, Brasil.

SAGARNA, Juan Pablo. Líderes del deporte – Líderes de la vida. Editorial Grijalbo, 1a Edição, 2012. Buenos Aires, Argentina.
Forum Treinador Futebol/Futsal. Associação Nacional dos Treinadores de Futebol (ANTF). De 24 a 25 de março de 2014, Maia, Portugal.

NORIEGA, Maurício. Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro. Editora Contexto, 2009. São Paulo, Brasil.

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Não precisamos “deletar” o futebol brasileiro

Desde a Copa do Mundo, o famoso 7×1 tem sido tema de muitas discussões, artigos e comentários a respeito de causas sobre os motivos que teriam resultado em mais um desastre esportivo nacional.

A cada post, um gol da Alemanha é anotado e um verdadeiro “bombardeio” de teorias tentam explicar os motivos que nos colocaram como “novos coadjuvantes” do futebol mundial.

Mas será mesmo que está tudo errado conosco? Será que precisamos “deletar” nosso futebol e reinventá-lo a partir de um esboço europeu de jogar? Será que estamos carentes de uma escola brasileira de futebol? Está tudo errado com o futebol de base no Brasil? Responderia “não” a todas estas perguntas, mas precisamos rever o que tem sido publicado até aqui.

Nenhuma solução, ou ideia, foi produzida como caminho para a chamada popularmente “recuperação do futebol brasileiro”, mas sabemos que o futebol de base tem extrema importância neste contexto.

Neste sentido, precisarmos ser práticos e colocar algumas questões que precisamos investigar, responder e conhecermos de forma bem clara para começarmos, enfim, a caminhar com esse processo:

1-Existe ou não um jogar brasileiro de futebol?

2-Como é o jogo brasileiro de futebol?

3-Como as categorias de base vão organizar o ensino deste jogo?

4-Como se organizam os conteúdos técnicos, táticos e físicos por categoria e quais são estes conteúdos?

5-Quantos e quais clubes acreditam no processo de formação?

6-O que têm sido feito dentro dos clubes para o desenvolvimento do jogador e do jogo brasileiro de futebol?

Ideias vagas como “futebol se joga pra frente”, “minhas equipes têm que propor o jogo” ou mesmo “minha equipe não dá chutão”, têm sido “vomitadas” pelo ambiente futebolístico, e não nos dizem muita coisa. Assim, cabe às estruturas de futebol de base, estabelecer, além dos conceitos de jogo, os conteúdos a serem trabalhados por categoria como foco no trabalho dos profissionais, inclusive como mecanismo de avaliação face ao velho “ganhou ficou”.

Atlético-MG e Cruzeiro-MG são clubes que têm sido ótimos exemplos neste aspecto, considerando a manutenção e a aposta no trabalho de seu staff técnico. Contudo, num universo de muitas agremiações é pouco para o futebol brasileiro. É preciso um movimento mais abrangente para que possamos observar melhorias significativas em nosso processo de formação.

Assim, acredito que a crise instaurada em nosso futebol seja “metodológica” e que precisamos ser invasivos, mas éticos, no desenvolvimento do futebol de base em nossos clubes. É preciso que os treinadores percebam e entendam que, se for realmente preocupação dos clubes, o “como ganhar” é mais importante do que simplesmente “ganhar títulos”, que os caminhos e as etapas precisam ser cumpridas para que o objetivo principal deste trabalho (preparar e formar jogadores) seja atingido.

Esse, sim, é um caminho possível para o futebol brasileiro. 

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O que é visível?

Ver, enxergar e processar a informação. Este é, sem dúvida alguma, um dos processos base das ferramentas de comunicação em marketing. Neste sentido, reforçarei o título: o que é visível efetivamente nas comunicações de patrocínio esportivo?

A pergunta, que é recorrente no meio do esporte especialmente para as empresas que investem no segmento, volta para mim após uma breve pesquisa feita para a identificação de patrocinadores nas camisas de clubes de futebol de médio e grande porte.

A constatação, que não é surpresa para muitos que estudam visibilidade no patrocínio, é que as marcas amontoadas na camisa ou nas costas dos atletas (exceção feita à marca acima do número) é praticamente invisível, mesmo para alguém que está procurando marcas patrocinadoras. Ao tentar imaginar o torcedor comum, que está interessado tão somente no jogo, fiquei um tanto quanto assustado com o resultado.

A reflexão tem a ver com uma questão simples: vale mesmo a pena colocar um bom dinheiro no patrocínio somente para ter o “prestígio” de ter a marca na camisa de jogo, mesmo que isso não seja percebido pelo fã da modalidade? Será que não seria melhor investir em propriedades mais limpas ou explorando a atividade-fim da empresa, tal e qual fazem a Gerflor, no patrocínio a pisos esportivos, em que coloca seus próprios produtos nas quadras quando há interesse em exposição; ou a Gatorade, cujo case fala por si só?

Logicamente que nem todas as empresas tem condições de trabalhar o patrocínio tendo relação com sua atividade-fim pois nem sempre o produto ou serviço é passível de uso no esporte ou mesmo que possua boa visibilidade natural no ambiente de jogo. Mesmo nestes casos, é possível ter sucesso com alternativas de exposição mais baratas e muito melhor posicionadas do que simplesmente jogar a marca em qualquer canto da camisa de um clube de futebol.

Tanto quem patrocina quanto quem é patrocinado precisam passar ainda por um processo maior de amadurecimento neste sentido. O grande desafio é repensar os formatos das propriedades e identificar soluções inovadoras para que a marca não seja simplesmente vista mas também processada e efetivamente armazenada pelo público. 

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Não precisamos "deletar" o futebol brasileiro

Desde a Copa do Mundo, o famoso 7×1 tem sido tema de muitas discussões, artigos e comentários a respeito de causas sobre os motivos que teriam resultado em mais um desastre esportivo nacional.

A cada post, um gol da Alemanha é anotado e um verdadeiro "bombardeio" de teorias tentam explicar os motivos que nos colocaram como "novos coadjuvantes" do futebol mundial.

Mas será mesmo que está tudo errado conosco? Será que precisamos "deletar" nosso futebol e reinventá-lo a partir de um esboço europeu de jogar? Será que estamos carentes de uma escola brasileira de futebol? Está tudo errado com o futebol de base no Brasil? Responderia "não" a todas estas perguntas, mas precisamos rever o que tem sido publicado até aqui.

Nenhuma solução, ou ideia, foi produzida como caminho para a chamada popularmente "recuperação do futebol brasileiro", mas sabemos que o futebol de base tem extrema importância neste contexto.

Neste sentido, precisarmos ser práticos e colocar algumas questões que precisamos investigar, responder e conhecermos de forma bem clara para começarmos, enfim, a caminhar com esse processo:

1-Existe ou não um jogar brasileiro de futebol?

2-Como é o jogo brasileiro de futebol?

3-Como as categorias de base vão organizar o ensino deste jogo?

4-Como se organizam os conteúdos técnicos, táticos e físicos por categoria e quais são estes conteúdos?

5-Quantos e quais clubes acreditam no processo de formação?

6-O que têm sido feito dentro dos clubes para o desenvolvimento do jogador e do jogo brasileiro de futebol?

Ideias vagas como "futebol se joga pra frente", "minhas equipes têm que propor o jogo" ou mesmo "minha equipe não dá chutão", têm sido "vomitadas" pelo ambiente futebolístico, e não nos dizem muita coisa. Assim, cabe às estruturas de futebol de base, estabelecer, além dos conceitos de jogo, os conteúdos a serem trabalhados por categoria como foco no trabalho dos profissionais, inclusive como mecanismo de avaliação face ao velho "ganhou ficou".

Atlético-MG e Cruzeiro-MG são clubes que têm sido ótimos exemplos neste aspecto, considerando a manutenção e a aposta no trabalho de seu staff técnico. Contudo, num universo de muitas agremiações é pouco para o futebol brasileiro. É preciso um movimento mais abrangente para que possamos observar melhorias significativas em nosso processo de formação.

Assim, acredito que a crise instaurada em nosso futebol seja "metodológica" e que precisamos ser invasivos, mas éticos, no desenvolvimento do futebol de base em nossos clubes. É preciso que os treinadores percebam e entendam que, se for realmente preocupação dos clubes, o "como ganhar" é mais importante do que simplesmente "ganhar títulos", que os caminhos e as etapas precisam ser cumpridas para que o objetivo principal deste trabalho (preparar e formar jogadores) seja atingido.

Esse, sim, é um caminho possível para o futebol brasileiro. 

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A mentalidade vencedora – parte 4

Nesta quarta e última parte da série “A Mentalidade Vencedora”, mostrarei como é importante para o treinador, principalmente nas categorias de base, não só treinar a equipe, mas também criar e manter um ambiente que motive seus atletas a otimizar as próprias oportunidades de desenvolvimento.

Muitos conceitos e ciências podem ajudar no processo de criação de um ambiente de desenvolvimento. Esse artigo irá apresentar os que considero mais importantes. Com o objetivo de facilitar a leitura do mesmo – e não deixar o artigo longo demais – a maioria desses conceitos/ciências serão apenas citados ou brevemente apresentados. Pretendo em um futuro breve explicar mais detalhadamente alguns desses conceitos.

Até alguns anos atrás, eu considerava que ser um bom treinador era a consequência de fatores como: ter um grande conhecimento do jogo de futebol; ser capaz de, durante uma partida, identificar as mudanças e correções que resultariam no sucesso de minha equipe; ser capaz de desenvolver dinâmicas táticas que levariam a equipe ao sucesso através de uma metodologia baseada na progressão pedagógica; elaborar treinos competitivos e relacionados à realidade do jogo, cujos objetivos poderiam ser amplamente utilizados durante as partidas.

Também sempre considerei fatores comportamentais. Entre eles: ser capaz de motivar meus atletas a jogarem com a maior garra possível e ser capaz de desenvolver a união e entrosamento da equipe.

Enquanto continuo acreditando que todos os princípios anteriormente citados são importantes, nos últimos anos, três importantes fontes de conhecimento me fizeram perceber que alguns itens fundamentais não estavam sendo observados. Foram elas: o mestrado em Educação, o livro “Mindset” (DWECK, 2006) (https://universidadedofutebol.com.br/Artigo/15676/A-Mentalidade-Vencedora) e o livro “InsideOut Coaching” (EHRMANN, 2011).

Essas fontes, aliadas a minha experiência de vida – como estudante, treinador e jogador –, me fizeram compreender qual seria a minha filosofia como treinador: “criar um ambiente de desenvolvimento”.

A ideia desse ambiente é aquela de motivar e guiar os atletas ao desenvolvimento da própria carreira, não só através de instrução, mas tornando-os mais independentes para que sejam capazes de refletir sobre os próprios objetivos e para que encontrem a forma de alcançá-los.

O mestrado em Educação me fez refletir muito no processo de ensino/aprendizagem começando pela aprendizagem, não pelo ensino. Antes disso, quando eu queria ensinar algo, me preocupava primeiro em como explicaria o conteúdo. Agora percebi que antes de decidir qual estratégia usar para ensinar é importante descobrir como os alunos aprendem e se motivam.

Por definição, todos os alunos são motivados (SLAVIN, 2006). A diferença está no que motiva cada um. No caso do futebol, a grande maioria dos alunos/atletas está motivado a jogar. Quando o assunto é treinar ou estudar algo relacionado ao jogo, o nível de motivação pode variar muito de acordo com o tipo do treino, conteúdo e forma como é apresentado. Assim sendo, a grande maioria não atingirá boa parte do próprio potencial.

Maslow define self-actualization como “o desejo de tornar-se tudo o que uma pessoa é capaz de se tornar”. De acordo com sua hierarquia, menos de 1% dos adultos alcançam uma plena self-actualization. Para que um estudante ou um atleta busque o pleno desenvolvimento, ao invés de simplesmente seguir os passos da maioria na conformidade, é necessário que ele acredite que o professor/treinador irá responder de maneira justa e motivadora, sem o ridicularizar ou punir por cometer erros honestos. (SLAVIN, 2006, p. 320-321).

Essa postura do treinador é fundamental para implementar o ambiente de desenvolvimento, que permitirá a atletas com uma mentalidade de crescimento explorar uma infinidade de áreas que leve cada um a seu próprio desenvolvimento. O papel do treinador é gerir, enganchar e guiar os atletas nesse processo.

A psicologia da educação e a psicologia social são duas das ciências mais importantes para que um treinador (agindo como um professor eficiente) possa criar um ambiente de desenvolvimento. Dentro da psicologia da educação, as teorias comportamentais do aprendizado (behavioral learning theories), teorias sociais do aprendizado (social learning theories) e teorias cognitivas do aprendizado (cognitive learning theories) fornecem importantes informações na gestão do grupo.

Por exemplo, alguns princípios das teorias comportamentais do aprendizado que podem ser facilmente implementadas na prática no dia a dia de uma equipe são: o papel das consequências, motivadores, punições, imediatismo das consequências, formação, extinção, programas de reforço, manutenção e o papel dos antecedentes (SLAVIN, 2006, p. 138). Como dito anteriormente, o objetivo deste artigo não é explicar e discutir cada um desses fatores, porém, o conhecimento de cada um deles pode fornecer importantes informações na gestão e motivação do grupo.

A psicologia social fornece importantes dados que ajudam a compreender como uma pessoa forma o self-concept (a soma dos próprios conceitos), incluindo a social comparison theory, ou seja, a forma como a pessoa se avalia através da comparação com as habilidades e opiniões das pessoas a seu entorno. Esses conceitos afetarão a autoestima da pessoa e uma variedade de consequências práticas, positivas ou negativas, poderão ser observadas no comportamento. Entre muitas, o self-handicapping é diversas vezes observada.

O self-handicapping é uma forma de sabotar o próprio desempenho para proteger a autoestima no caso de derrota e aumentá-la em caso de sucesso (BREHM et al., 2005). Apesar de ser uma estratégia engenhosa, a consequência da mesma pode tornar-se uma falha considerável no desenvolvimento. O self-handicapping é um dos termos que pretendo explicar melhor em um futuro artigo, já que ele ocorre frequentemente e pode acarretar sérias consequências.

Mesmo com todo o conhecimento das ciências da educação, claramente o treinador precisa ser “crítico e criativo” (MARCELLINO, 1983). Não basta todo o conhecimento científico sobre metodologia, ciências da educação e sociais e sobre o esporte com o qual trabalha, o treinador precisa ainda ser capaz de refletir constantemente sobre as próprias práticas e criar situações para alcançar os objetivos da equipe ao longo do tempo.

Apesar da oportunidade de aprender todos os dias com os atletas, é importante lembrar que o treinador deve cuidar dos interesses da equipe, e não a equipe cuidar dos interesses do treinador. O trabalho de Joe Ehrmann mostra bem como o passado e as experiências pessoais de um treinador podem fazer com que este não guie a equipe com propriedade. Ele cita os tipos mais comuns de comportamento de treinadores: o ditador, o bully (valentão), o narcisista, o santo e o mis
fit (desajeitado, complexado) (EHRMANN, 2011).

No livro, ele exemplifica comportamentos típicos de cada treinador de acordo com essa classificação, e as consequências mais frequentes para a equipe de cada um desses comportamentos. Assim como com outros conceitos, neste artigo não iremos nos aprofundar em cada um desses comportamentos, mas, com certeza, a ideia é colocar os interesses e as dificuldades de cada atleta na frente das do treinador. Guiar a equipe de forma franca e sem influência das próprias necessidades é seguramente um desafio muito difícil de ser alcançado. No entanto, é também uma motivação para que um treinador siga dando o máximo de si em busca da excelência na profissão.

O último – nem por isto menos importante – item da minha lista básica de elementos para se criar um ambiente de aprendizagem que otimizará as possibilidades dos atletas de se desenvolverem, é a empatia. A capacidade de se colocar no lugar de cada atleta, compreender sua visão e guiá-lo na superação dos desafios é essencial para um bom líder.

Considerações finais

Este artigo fecha a série “A Mentalidade Vencedora”, que buscou explicar quais são os tipos de mentalidade, como desenvolver a mentalidade de crescimento, quais são as implicações de cada mentalidade no dia a dia do treinamento e, finalmente, neste último artigo, como criar um ambiente de desenvolvimento que permitirá aos atletas de uma equipe se motivarem a buscar o desenvolvimento de todo seu potencial.

Esse processo é mais trabalhoso do que apenas o discurso direto, onde o treinador comanda e o atleta faz, mas as possibilidades de desenvolvimento são também muito maiores. A primeira grande barreira é romper o conceito de que a maioria dos atletas para se desenvolver não terá de refletir sobre o próprio desenvolvimento, mas somente seguir os comandos do treinador.

A maioria dos atletas cresce seguindo esse tipo de filosofia, assim, modificar tal conceito não é tarefa fácil. Os conhecimentos e passos apresentados nos três primeiros artigos desta série poderão ser fundamentais para a mudança da cultura. Cada treinador enfrentará um desafio diferente, já que cada grupo é formado por indivíduos únicos e imersos nos mais variados conceitos de vida e sociais.

Seguramente, muitos treinadores de sucesso, mesmo sem o conhecimento formal dos trabalhos e ciências citados nesta série, são capazes de solucionar os próprios problemas e alcançar os objetivos almejados através do próprio conhecimento, empatia e criatividade. De qualquer forma, o conhecimento de todas as experiências, conceitos e trabalhos aqui brevemente apresentados (ou somente mencionados) poderão sempre adicionar importantes informações na busca do desenvolvimento e sucesso.

Referências bibliográficas

BREHM, Sharon S.; KASSIN, Saul; FEIN, Steven. Social Psychology. Boston, MA: Houghton Mifflin Company, 2005.

DWECK, Carol S. (Ph.D). Mindset, The New Psychology of Success. New York, NY: Random House, 2006.

EHRMANN, Joe. InsideOut Coaching – How Sports Can Transform Lives. Simon & Schuster: New York, NY, 2011.

MARCELLINO, Nelson C. Lazer e Humanização. Campinas, SP: Papirus, 1983.

SLAVIN, Robert E. Educational Psychology – Theory and Practice. Boston, MA: Pearson Education, Inc., 2006.

 

Leia mais:

A Mentalidade Vencedora
A mentalidade vencedora – parte 2
A mentalidade vencedora – parte 3

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Conheça o projeto que auxilia volta de jogadores cearenses aos gramados

Três dias por semana, entre 7 e 8 horas da manhã, um “pedaço” da Praia de Iracema, cartão-postal de Fortaleza, se transforma em um “centro de treinamento” a céu aberto.

Ali, diante dos olhares curiosos dos afeitos à caminhada matinal na Avenida Beira-Mar, é desenvolvido o Futebol Hoje, projeto de considerável valor agregado para o futebol cearense, nacional e internacional.

É naquele reduzido espaço que jogadores temporariamente sem vínculo com clubes buscam o preparo físico ideal para suas pretensões profissionais, como a recolocação no mercado.

A iniciativa surgiu há quase dois anos de uma parceria entre o Safece (Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Ceará) e a empresa Futevôlei e Cia.

O Futebol Hoje é liderado pelo professor Marco Antonio Pedrosa, o Marquinho Futevôlei, e a seus cuidados já estiveram diversos personagens do futebol brasileiro.

Confira abaixo a entrevista exclusiva com o professor, sob cujas instruções Clodoaldo, Juninho Cearense, Val Baiano, Otonyel, Fernando Henrique, Rinaldo e Júnior Pipoca mantiveram a forma física (força, velocidade e resistência) e aceleraram processos de recuperação pós-intervenções cirúrgicas.

A iniciativa partiu de quem?

É importante citar o projeto desde o seu embrião. Tudo partiu de um diretor do sindicato, o ex-goleiro Leandro Ribeiro, que me acompanhava em momentos de lazer e fazendo sua preparação física. Após conversa com o presidente do Safece, Marcos Gaúcho, me apresentou a ideia e resolvi abraçar.

Qual tem sido o saldo?

Extremamente positivo. É uma parceria de êxito para todas as partes envolvidas. Isso, graças a Deus, ao sindicato e, claro, à dedicação de cada um desses atletas sem clubes, que – com disciplina – procuram fazer esse essencial trabalho lá na praia conosco.

Muitos atletas?

É difícil de enumerar e botar no papel quantos já preparamos. Posso citar o Clodoaldo, Júnior Pipoca, Juninho Cearense, Val Baiano, Rinaldo, na pós-lesão, o Fernando Henrique, antes de ir para o América de Natal, entre outros grandes nomes do nosso futebol, como o Osvaldo (São Paulo), que sempre está conosco quando de suas férias.

Há espaço para os amadores?

Vale destacar que a prioridade é para os profissionais. Num segundo momento, abrimos oportunidades para os amadores que tomam conhecimento do projeto e chegam até nós. É interessante salientar que também somos procurados por pais de atletas que estão com viagens marcadas para o exterior, com intuito de receber assessorias diversas que envolvem aspectos psicológicos, de alimentação, pois trabalhamos em conjunto com um nutricionista. Ou seja, é um trabalho realizado por profissionais com resultados muito satisfatórios

O serviço é pago?

É totalmente gratuito. Exigimos um cadastro junto ao sindicato. Estabelecemos alguns critérios e cuidados para resguardar os jogadores e todos à frente do projeto, como a obrigatoriedade do atestado médico, que verifica as condições ideais para atividades físicas. O interessado passa por uma série de exames, como o cardiológico, que revelam a aptidão para a atividade física de alto rendimento.

O que esperar do Futebol Hoje em 2015?

As perspectivas são melhores, porque 2014 foi excepcional. Tivemos uma reunião com o Fernando Filho, que é o atual treinador do time formado por esses atletas, e com o Marcos Gaúcho para pautarmos as ações referentes a 2015. O trabalho está consolidado e terá continuidade e com muitas novidades neste ano. Isso me alegra, porque estou ao lado de pessoas sérias, conhecedoras do futebol e a expectativa é a melhor possível, graças a Deus.