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A utilização do Manual Muscle Test System na avaliação da tensão muscular e do peak de torque de força excêntrica

Introdução

Todas as manifestações de força muscular são utilizadas nos mais variados esportes, sendo que no futebol, pela sua complexidade e especificidade, a força rápida e a resistência de força são as mais utilizadas nas curtas e intensas ações específicas do jogo, bem como na profilaxia de lesões [1].

A mobilidade adequada dos tecidos moles e articulações é fator preponderante na prevenção de lesões. Os principais tecidos moles que podem restringir a mobilidade articular são músculos, tecido conectivo e pele. O encurtamento é caracterizado pela perda da extensibilidade dos tecidos moles, ou seja, redução parcial do comprimento de uma unidade musculotendínea saudável, resultando em limitação na mobilidade articular [2].

A avaliação da força muscular, por meio do Muscle Test System (MTS), fornece uma informação relevante na compreensão do desempenho e da evolução funcional do atleta e é uma rotina de exame já estabelecida e validada. A associação do teste de força muscular, através do MTS, acrescenta um valor numérico ao teste, em Lb/kg, tornando o dado mais preciso. O dinamômetro isocinético, a despeito de sua maior precisão, por ser muito caro, geralmente fica restrito ao uso laboratorial. O MTS mensura a força muscular, através do peak de torque de força excêntrica do músculo ou grupo muscular, em diferentes amplitudes do arco de movimento do segmento [3].

Deste modo, torna-se muito importante, acompanhar as respostas de força muscular bilateral dos jogadores entre a realização dos jogos, o que pode ser verificado através da utilização deste dinamômetro, onde através do contato da haste deste sobre a região do ventre dos grupamentos musculares avaliados, durante a contração excêntrica, medem-se os respectivos peaks de torque de força em (LB ou Kg), com o indicador de amplitude posicionado em (H ou L), ou seja, (H=High-Alta) e (L=Low-Baixa), onde em Quilogramas (Kg), a alta amplitude varia de (0 Kg – 136,1 Kg) e a baixa amplitude entre (0 Kg – 22,6 Kg). Avaliando em Libras (LB), a alta amplitude alterna entre (0lbs – 00lbs) e a baixa amplitude entre (0lbs e 50lbs), com precisão comprovada de (0,1 Kg ± 2%) [4].

Assim sendo, devido às dificuldades encontradas para verificação de resultados práticos sobre o peak de torque de força excêntrica, através da tonicidade muscular, observada principalmente durante o alongamento dos músculos bíceps femoral e do adutor longo de jogadores de futebol submetidos a uma sequência de jogos, além da carência de estudos nesta área, envolvendo estes profissionais, objetivou-se nesta pesquisa, comparar as respostas bilaterais deste tipo de contração, através da análise do peak de torque de força excêntrica, após a aplicabilidade de condutas de repouso e de alongamento passivo estático, visando verificar a importância da aplicabilidade destas condutas na redução da tensão muscular produzida nos dois momentos acima descritos, durante os jogos da equipe profissional de futebol do Olaria Atlético Clube – RJ, no campeonato estadual de 2011.

Metodologia

Antes da realização desta pesquisa, os termos de livre consentimento, conforme a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas com seres humanos, foi entregue aos atletas relacionados e recolhidas posteriormente, após a assinatura destes. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH), parecer número 005/2011. Onze atletas participantes foram selecionados a partir dos critérios de inclusão e exclusão para a realização da mesma, sendo escolhidos, os atletas que iniciaram as seis partidas sequenciais avaliadas, sem a ocorrência de qualquer tipo de lesão neste período. Os atletas foram avaliados 24 horas após a realização de cada jogo, onde os mesmos eram posicionados em Decúbito Dorsal (DD), em uma maca, com os membros superiores e o membro inferior contralateral ao membro avaliado, posicionados estendidos sobre a maca ao longo do corpo.

Para avaliação da tonicidade muscular do bíceps femoral, os atletas eram incentivados a realizar um movimento de amplitude máxima de flexão ativa de quadril, com o joelho em extensão, onde um auxiliar do avaliador impedia os movimentos de compensação de flexão do quadril e do joelho do membro contralateral, visando à padronização da avaliação, onde impedindo a semi-flexão do joelho ou quadril opostos, evita-se a alteração do ângulo pelve-femoral, o que facilitaria a extensão do joelho examinado [5-7].

Ao final do movimento de flexão ativa máxima do membro avaliado, mantinha-se estaticamente a amplitude alcançada através do apoio na região do calcâneo com uma das mãos por cerca de três segundos, tempo este para o apoio e realização da leitura da medida da força, através do dinamômetro manual Muscle Test System (MTS) modelo (01163) fabricado pela Lafayette Instrumentos (USA), cuja haste específica para análise de torque, foi posicionada na região do ventre muscular deste músculo.

O mesmo procedimento era realizado imediatamente após a realização deste, na mesma região muscular do membro contralateral. Na avaliação do músculo adutor longo, em um segundo momento, cada atleta adotou a mesma posição em DD, com os membros superiores ao longo do corpo, onde cada um deles realizou desta vez, uma flexão ativa simultânea dos membros inferiores em sua amplitude máxima e imediatamente após, abduziu ativamente a articulação do quadril com os joelhos estendidos, bilateralmente até a amplitude máxima, onde a seguir os avaliadores mantiveram esta posição de abdução novamente por três segundos, enquanto o aparelho aferia a medição do torque na região do ventre muscular do adutor longo de cada membro.

A resposta muscular foi aferida em (Kg) com baixa amplitude (L), para todos os grupamentos musculares avaliados. A medida dos ângulos de amplitude articular foi aferida através do uso do goniômetro digital de 360º da marca Lafayette. A média do movimento ativo de flexão do quadril direito dos atletas atingiu (85º) e a do quadril esquerdo (84º), durante a realização do mesmo movimento. A média da angulação bilateral de abdução do quadril após a realização do movimento ativo foi de 75º.

A conduta de alongamento passivo estático realizado imediatamente após os jogos ocorria sobre colchonetes, onde cada atleta individualmente executava no total, três séries de alongamento passivo com auxílio da faixa elástica thera-band de alta resistência (cor ouro), onde em cada série, o movimento de flexão máxima da articulação do quadril com o joelho estendido, era executado, mantendo-o estaticamente esta posiçã
o por 15 segundos, com apoio da faixa elástica em alta tensão sobre a região da planta do pé em dorsi-flexão, sem causar desconforto, ou seja, não ultrapassando a amplitude fisiológica individual de flexão da articulação coxo-femoral com o joelho estendido, enquanto o outro membro permanecia estendido e completamente apoiado no mesmo plano do solo, com o auxílio de um assistente, ou seja, na mesma postura adotada e descrita acima, utilizada para a leitura digital do peak de torque de força excêntrica através do MTS.

Visando obter as respostas de percepção de desconforto de dor muscular após a aplicabilidade das diferentes condutas desta pesquisa, utilizou-se a escala Perflex, que compara os escores relatados sobre o esforço percebido na flexibilidade. A Perflex possui 5 (cinco) níveis de intensidade, variando de 0 a 110, categorizados em 5 (cinco) descritores verbais, para que o avaliando possa discernir, através da descrição da sua percepção, qual a sensação correspondente à amplitude de movimento realizado, onde de 0 a 30, significa "normalidade"; de 31 a 60, "forçamento"; de 61 a 80, "desconforto"; de 81 a 90, "dor suportável" e de 91 a 110, corresponde a "dor forte". As perguntas sobre a escala de dor foram utilizadas, no momento da realização do alongamento dos músculos envolvidos na pesquisa, durante a coleta dos dados obtidos com o Muscle Test System, ou seja, 24 horas após a realização de cada jogo.

A análise estatística foi realizada através de uma Anova com medidas repetidas sobre as variáveis dependentes, utilizando um baseline através do procedimento de Bonferroni, baseados nos resultados obtidos durante o pré e pós-teste. O teste de Levene foi utilizado para verificação da homogeneidade e erros de variância dos dados.

Resultados

A amostra foi selecionada como apresentado na metodologia e conforme descrito abaixo na tabela 1.

Os resultados verificados e apresentados na tabela 1 denotam que os elementos observados estão distribuídos próximos à curva normal segundo os seguintes parâmetros: idade, estatura, massa corporal e percentual de gordura. Pode-se assim afirmar que, para um nível de significância (p ≤ 0,05), houve homogeneidade entre os três grupos e que, avaliando antropometricamente, os elementos não são diferentes
entre si.

Os dados descritivos dos resultados das variáveis dependentes, representadas pelo peak de torque de força excêntrica e tonicidade dos músculos bíceps femoral e adutor longo estão apresentados na tabela 2. Nesta, pode-se observar também o resultado do teste de
Levene, utilizado como forma de se verificar a homogeneidade das referidas variáveis.

Os resultados referentes às respostas do peak de torque de força excêntrica, apresentadas pelo MTS 24h/pós-jogo, após a conduta de repouso ao final dos três jogos, estão representados abaixo na figura 1.

Nos resultados visualizados acima, observa-se um aumento nos valores coletados pelo dinamômetro, sobre a tonicidade de todos os grupamentos musculares avaliados, representados pelas respostas do peak de torque de força excêntrica em (LB/Kg).

Na figura 2, a seguir, verificam-se os resultados referentes às respostas do peak de torque de força excêntrica, apresentadas pelo MTS 24h/pós-jogo, após a realização da conduta de alongamento passivo estático ao final dos jogos realizados.

Os resultados acima apontam para uma redução na tonicidade muscular de todos os grupamentos musculares avaliados pelo MTS 24h/pós-jogo, após a aplicabilidade de conduta de alongamento passivo estático realizado imediatamente após os jogos.

Visando a comparação dos resultados obtidos após a realização da conduta com repouso e com a execução de alongamento passivo estático pós-jogo, uma medida (baseline) pré-jogo, foi determinada para o grupo, objetivando verificar as respostas comparativas nos três momentos, o que pode ser visualizado abaixo na figura 3.

Os resultados apresentados acima apontam para um aumento significativo na comparação sobre o baseline dos valores de peak de torque obtidos em todos os grupamentos musculares avaliados, verificados através do aumento da tonicidade muscular produzida durante a contração excêntrica quando realizada apenas o repouso após os jogos e confirmam também a ocorrência de uma redução significativa sobre estes valores, quando da aplicabilidade da conduta de alongamento passivo estático. Na comparação dos resultados intergrupos obtidos entre o repouso e a realização de alongamento passivo estático, verificou-se a ocorrência de uma redução significativa da tensão muscular e consequentemente nos valores do peak de torque de força excêntrica dos músculos adutores após a realização das condutas de alongamento acima descritas.

As informações sobre a tensão muscular foram possíveis de serem obtidas, através da comparação das respostas observadas sobre a escala Perflex, onde o grupo que realizou apenas o repouso, após a realização dos jogos, apresentou o escore (90), classificado como "desconforto", sendo que o grupo submetido ao trabalho de alongamento passivo descreveu a sensação da percepção como escore (30), ou seja, correlacionado a resposta de "normalidade" do esforço percebido.

Discussão

Devido ao grande número de jogos e do pouco tempo para recuperação a que os atletas de futebol profissional estão hoje sendo submetidos, torna-se fundamental para os profissionais da área, que se busque um instrumento prático e validado de avaliação, que possibilite acompanhar de forma rápida e precisa as respostas do acompanhamento da força muscular excêntrica e consequentemente da tonicidade muscular observada principalmente durante a realização do alongamento do bíceps femoral e adutores, que normalmente são os grupamentos musculares mais lesionados nesta modalidade [8].

As respostas significativas na redução do peak de torque de força excêntrica e da consequente tonicidade dos músculos bíceps femoral e adutor, obtido no presente estudo, observado somente após a realização do protocolo de alongamento passivo estático utilizado ao final dos jogos, provavelmente ocorreu, devido aos estímulos sobre os Órgãos Tendinosos de Golgi (OTGs), onde segundo Doretto [9], estes receptores ajudam a impedir a força excessiva durante a contração muscular e o alongamento. Os OT
Gs emitem impulsos em resposta à tensão, quando o músculo se contrai excentricamente ou em resposta à tensão, quando é distendido passivamente.

Outro estudo envolvendo as respostas produzidas pelos OTGs, foi realizado por DePino et al [10], ao afirmar que devido a alta excitabilidade destes órgãos receptores, quando os mesmos são ativados, tanto na contração quanto no alongamento por tempo prolongado, seus impulsos são liberados e alcançam a medula pelas fibras Ib, estabelecendo sinapse inibitória com o motoneurônio Alfa, ativado em excesso, e sinapse facilitadora para o opositor. Com isso, os OTGs protegem o músculo contra uma tensão excessiva.

No que diz respeito ao tempo adequado para a verificação da eficiência do alongamento, visando a diminuição da retração e conseqüentemente o aumento do relaxamento muscular, segundo Mandy et al [11], o alongamento não se torna eficaz quando utilizado por menos de 6 segundos, mas é eficiente quando utilizado de 15 a 30 segundos, com um número maior de repetições. Neste presente estudo, a metodologia utilizada com os jogadores para a realização do alongamento passivo estático, também utilizou o tempo de 15 segundos para alongamento dos músculos bíceps femoral e adutor, ao atingir a amplitude máxima de flexão e abdução de quadril respectivamente, protocolo este repetido ao final de três jogos consecutivos, caracterizando assim, um maior volume de repetições também utilizado nesta pesquisa.

Diversos autores concordam [12-16], que a realização do alongamento estático passivo aplicado a partir de 15 segundos de duração, sem a ocorrência de flexionamento ou de estímulos visando à obtenção de FNP, podem promover o relaxamento muscular, desde que a amplitude fisiológica da articulação envolvida seja respeitada, ou seja, sem produzir uma sensação excessiva de desconforto durante estes exercícios, afirmando ainda, que o tempo de duração, não deve ultrapassar os 30 segundos, assim como o volume de execução de três a cinco séries parecem produzir os melhores resultados na redução da tensão muscular, o que vem a corroborar a eficiência da metodologia empregada nesta pesquisa na obtenção da redução dos valores do peak de torque de força excêntrica e consequente redução da tonicidade muscular observada.

O alongamento promove relaxamento, definida como a suspensão da tensão muscular. A tensão muscular pode aumentar a pressão sanguínea e reduzir a irrigação muscular levando a uma diminuição da oxigenação e suplementação nutricional. Estes fatores comprometem a remoção de elementos resultantes do trabalho muscular, o que aumenta a quantidade de resíduos tóxicos acumulados nas células e predispõem os músculos a fadiga e a dor [17]. Quando o grupo de atletas foi submetido ao programa de alongamento passivo estático pós-jogo, além da redução do peak de torque de força excêntrica mencionada, ocorreu também uma baixa resposta de sensação de desconforto utilizada na escala perflex [18], quando comparada aos maiores escores obtidos baseado na mesma escala, quando foi somente realizado repouso nos pós-jogos realizados.

O aumento da amplitude articular, obtido com o alongamento passivo e seus benefícios na prevenção de lesões no esporte vem sendo ao longo do tempo bem documentados [19-25]. O alongamento é usado como parte dos programas de atividade física e reabilitação em razão de sua influência positiva na prevenção de lesões [26].

Alguns estudos têm investigado a efetividade do alongamento, onde os objetivos deste tipo de exercício têm sido mudar as características do tecido conectivo, atuando sobre a estrutura histológica deste, através da promoção de alterações sobre as fibras colágenas, de elastina e muscular [26-29]. Uma vez que os métodos de alongamento diferem em sua efetividade, elucidar quais métodos poderia ser mais eficaz, forneceria um melhor caminho para a prevenção e tratamento de atletas com encurtamento muscular [30].

A redução dos valores do peak de torque de força excêntrica encontrados neste trabalho, obtido com a aplicabilidade do protocolo de alongamento passivo ao final dos três jogos, pode efetivamente também ter ocorrido em função das alterações ocorridas sobre os componentes do tecido conectivo acima relatado, onde o aumento da elasticidade muscular e o consequente aumento da amplitude articular deve se tornar sempre um objetivo a ser alcançado visando à prevenção de lesões no futebol.

Conclusão

A utilização do alongamento passivo como conduta nos pós-jogos, pode reduzir os valores de peak de torque de força excêntrica e a consequente tensão dos músculos bíceps femorais e adutores, que são muito exigidos durante as frenagens normalmente executadas em vários movimentos específicos do futebol.

Deste modo, a busca de informações sobre instrumentos científicos que possam ser utilizados em estudos sobre as respostas de força e tonicidade muscular no esporte de alto rendimento, como no caso do Manual Muscle Test System, pode fornecer importantes informações aos profissionais no futebol, que atuam nas áreas da fisiologia, preparação física, medicina e fisioterapia, objetivando aumentar os recursos preventivos contra o possível aparecimento de lesões musculares entre os atletas.

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* 1-Doutorando em Medicina do Esporte (UDELAR-UY); Membro Pesquisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH); CREF 1 – 008316 G/RJ

2-Doutoramento em Medicina do Esporte (UDELAR-UY); Docente da UNIABEU – RJ

3-Doutorando em Ciências do Desporto – Faculdade de Desporto, Universidade do Porto – PT

4-Especialista em Treinamento Desportivo – UGF

5-Membro Pesquisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH); Docente em Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

6-Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Enfermagem e Biociências – Doutorado (PPgEnfBio) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

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Para atender a demanda

Estádios vazios, jogos ruins e atletas de pouca expressão. Não, não estamos falando de alguns dos famigerados campeonatos regionais pelo Brasil. O caso é o da Copa Africana de Nações, que está sendo realizada na África do Sul, servindo como alerta para o futuro país da Copa do Mundo.

A projeção de estádios que atendem demandas pontuais não costumam ser balizadores para as demandas futuras. A sustentabilidade de arenas não significa apenas construir estádios “verdes”, com captação de água da chuva, energia solar ou coleta seletiva de lixo.

Pensar estrategicamente e conceber arenas implica em projetar uma demanda modulada, que permita flexibilizar o espaço para suportar pequenos, médios e grandes eventos, conforme o calendário, o crescimento da torcida e da população de abrangência, a qualificação do espetáculo etc.

E chegamos novamente ao caso africano: se o tamanho dos estádios de 2010 para a Copa do Mundo estava adequado, o mínimo seria imaginar a redução de sua capacidade para atendimento dos eventos de futebol daquele país e de outras competições internacionais de menor expressão.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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O futebol precisa de antagonismos

Como negócio, o esporte ainda precisa evoluir em vários aspectos. Poucos são tão latentes, contudo, quanto o respeito à rivalidade. O segmento ainda tem parcos exemplos de uso eficiente das dicotomias que ele mesmo cria.

Compare com a ficção, por exemplo: no cinema, no teatro ou na literatura, o desenvolvimento de um bom antagonista é trecho intrínseco na criação de qualquer personagem. Um herói é tão grande quanto os desafios que supera ou as reações que suscita.

A provocação no bar pode ser mais saborosa quando o time rival fracassa, mas até para que isso exista é fundamental que o adversário seja relevante. Não há rivalidade que sobreviva a um abismo.

É isso que acontece na Espanha. O rival local do Barcelona é o Espanyol, mas não há como sustentar um embate entre os dois catalães. A distância entre os faturamentos colocou as duas equipes em mundos absolutamente diferentes.

Hoje em dia, o adversário do Barcelona na Espanha é o Real Madrid. “Os dois disputam um campeonato à parte”, é o que se costuma dizer sobre o cenário de uma das principais ligas de futebol do planeta.

O patamar criado por Barcelona e Real Madrid tem uma série de explicações. Os dois faturam mais porque têm penetração em mais mercados e porque vendem mais, por exemplo. Mas nada desequilibra mais a conta do que a mídia.

Os direitos de mídia do Campeonato Espanhol são comercializados individualmente. Cada time é dono das partidas que faz como mandante, e também é responsável por vender essas imagens dentro e fora do país.

O resultado mais óbvio desse modelo é que os jogos de Barcelona e Real Madrid, times que têm mais relevância internacional, são mais interessantes e vendem mais – os dois respondem por mais de 50% do faturamento nacional com mídia. No curto prazo, isso não causa diferença relevante. Com o passar do tempo, contudo, há uma acentuação contundente no abismo financeiro entre os gigantes e os outros.

Os direitos de mídia incluem negociações com TV, internet e uma série de outras plataformas. Se um time ganha muito mais em cada uma dessas searas, sempre vai poder contratar os melhores atletas. E se contratar os melhores atletas, sempre vai ser tecnicamente mais forte. E se for tecnicamente mais forte, sempre vai gerar mais interesse. E se gerar mais interesse, sempre vai vender mídia por valores maiores. É um ciclo que limita muito as rivalidades.

Parece uma lógica muito simples, mas o esporte nem sempre se preocupa com o que é simples. Em vez de fortalecer a cadeia econômica, o importante é superar o rival. O que vale é ter assunto para a provocação no bar.

Na Espanha, Barcelona e Real Madrid polarizam títulos nacionais desde 2005. O campeonato nacional não é tão ruim quanto alguns insistem em dizer, mas os dois estão muito acima do restante da tabela. Isso cria uma indelével sensação de que não há competição.

O abismo entre os gigantes e o resto tem sido ainda mais problemático nos últimos anos. A economia espanhola enfrentou problemas, e os times locais precisaram buscar dinheiro em outros locais. Barcelona e Real Madrid venderam mídia e cotas comerciais em outros países, mas equipes menores não conseguem seguir esse caminho. E a distância só aumenta.

Na outra ponta está a Premier League. O torneio nacional da Inglaterra vende mídia coletivamente. Metade do montante amealhado é repartida igualmente, e a outra fatia é dividida de acordo com desempenho em campo (25%) e aparições na TV (25%).

A venda de mídia é apenas um aspecto em que a Premier League foi buscar inspiração no esporte dos Estados Unidos. As principais ligas norte-americanas vendem mídia em negociações coletivas. O dinheiro é dividido em porções parecidas, sempre priorizando a competitividade.

Até o draft, instituição tão presente no esporte norte-americano, é voltado à manutenção do equilíbrio. Os piores times de uma temporada são os primeiros a escolher atletas para o ano seguinte. Na teoria, isso faz com que todos tenham condições técnicas parecidas e que exista alternância de forças no torneio.

Com mais equilíbrio, qualquer jogo passa a ser mais interessante. Resultados são mais imprevisíveis, e rivalidades acabam acentuadas.

Na América do Sul, o futebol brasileiro é a Espanha. O país pentacampeão mundial adotou um modelo individual de negociação de mídia. Cada clube tem direito de fechar com a emissora que julgar mais conveniente.

Em primeiro lugar, isso esbarra em um absurdo legal. No Brasil, as duas equipes envolvidas em um jogo são donas da imagem. Portanto, se uma tiver acordo com a emissora X e outra fechar com o canal Y, o jogo depende de um acordo entre todas as partes para poder ser exibido.

Esse cenário bizarro só não aconteceu no Brasil porque todos fecharam com a Globo. A proposta da emissora carioca inclui qualidade técnica das transmissões, alcance nacional e índices de audiência.

Mas também incluiu, a partir da adoção da venda individual, uma enorme valorização do produto. O valor pago por mídia no futebol brasileiro disparou nos últimos anos, mas a evolução não foi igual para todas as equipes. Aliás, aconteceu exatamente o contrário.

Se os times souberem equacionar dívidas e trabalhar ativos locais (categorias de base, por exemplo), a tendência é que o futebol brasileiro comece a acompanhar um processo semelhante ao da Espanha. Quem fatura menos pode equilibrar as coisas em um ano ou dois, mas quem ganha mais sempre tem estabilidade no topo.

O que torna esse cenário ainda mais enfático é a comparação com o principal mercado concorrente. A Argentina mudou em 2009 o modelo de venda de mídia do futebol. A TV estatal pagou 600 milhões de pesos (cerca de R$ 300 milhões) por um contrato de dez anos com o campeonato nacional, e esse total foi distribuído entre as equipes.

Não é por acaso que o Campeonato Argentino se tornou imprevisível e equilibrado. Não é por acaso que as equipes nacionais rapidamente perderam força em disputas com os brasileiros.

A discussão em torno de venda de mídia não é nova, mas serve como gancho para analisar duas novas gestões em dois dos maiores clubes do futebol brasileiro. Flamengo e Palmeiras iniciaram em 2013 com presidentes neófitos, esperanças renovadas e discursos bem diferentes.

Flamengo e Palmeiras estão entre os maiores contratos de mídia do futebol brasileiro. Por consequência, faturam muito mais do que os rivais. Ainda assim, não frequentam o tal panteão dos ricos.

É claro que o equilíbrio no futebol mundial também pode ser explicado por fatores externos. Times como Chelsea, Manchester City e Paris Saint-Germain não estavam entre os maiores faturamentos da Europa, mas receberam injeções de mecenas e se tornaram fortes.

No entanto, o mais comum é a r
ealidade do dinheiro prevalecer em médio e longo prazo. Se eu ganho muito mais do que você, sempre vou ter condições de desequilibrar a competição entre nós.

O prazo para a criação desse cenário depende apenas de organização. Não adianta um clube faturar mais se o dinheiro estiver totalmente comprometido com contas e contratos de períodos anteriores.

O desafio de Flamengo e Palmeiras, portanto, é arrumar a casa. Se os dois forem bem geridos, a tendência é que o mercado os empurre. Ambos têm potencial para muito mais do que fizeram nas últimas temporadas.

O problema é que não há um modelo a ser seguido. O Corinthians, exemplo mais recente de evolução no futebol brasileiro, saiu do limpo com um planejamento baseado no varejo. Além do impulso da TV, a equipe do Parque São Jorge fatura mais porque vende mais produtos.

Flamengo e Palmeiras até poderiam tentar o mesmo caminho, mas teriam um risco enorme causado pela desaceleração da economia. O Brasil pode não entrar em crise nos próximos anos, mas não dá sinais de que manterá o ritmo de ascensão.

O grande mérito do Corinthians foi montar um modelo que era perfeito para o momento econômico do Brasil. O time alvinegro aproveitou o cavalo que passava encilhado. Flamengo e Palmeiras ainda precisam de muitos ajustes internos antes de pensarem em oportunidades. Mas quando estiverem prontos, a dúvida é qual mercado eles encontrarão.

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As “linhas de 5”

Relatórios e imagens das últimas oito Copas do Mundo Fifa de Futebol mostram que a preferência por uma linha de defesa de 4 jogadores (linha de 4) está presente em todas elas. Relatos sobre Copas anteriores apontam para o mesmo.

Ainda que tenham surgido e ainda sujam por vezes, em uma ou outra seleção nacional uma opção diferente (linha de três zagueiros, por exemplo), é fato o predomínio das “linhas de 4”.

Nos principais campeonatos nacionais na Europa e América do Sul, equipes espalhadas por diversos países também mantêm a tendência pela composição da linha defensiva com quatro jogadores.

Claro, também há exceções, como por exemplo a Juventus, de Turim, na Itália, que vem nos últimos quase dois anos (com bons resultados), jogando em um 1-3-5-2 zonal que transforma sua defesa em “linha de 4” quando atacada pelos adversários.

O Brasil segue a tendência.

Uma tendência que vem ganhando força nos últimos três anos, que também diz respeito a linha de defesa, e que tem como representantes, principalmente equipes da Espanha, Portugal e Alemanha (além de algumas inglesas) é a estruturação de “linhas de 5”.

As “linhas de 5” no geral são circunstanciais, mas com padrões bem definidos de organização e composição. Sua formação normalmente está associada a presença da bola, em posse do adversário, entre a linha de fundo defensiva e a linha cinco do campo de jogo, nas faixas laterais (conforme a figura).

São diversos os motivos que têm levado as equipes a optar por formação de linhas de cinco jogadores em circunstâncias como a descrita. Porém, as mais marcantes e comuns delas dizem respeito a:

a)possibilidade de ter mais jogadores fazendo coberturas uns dos outros em jogadas de linha de fundo do adversário, sem precisar ficar tirando os zagueiros de perto da pequena área defensiva;

b)ter uma linha mais comprida nos cruzamentos, alinhada com a bola, otimizando a gestão do espaço, e especialmente em bolas de 2ª trave.

Na última Copa do Mundo de Futebol, a seleção da Suíça, com uma equipe de pouca expressão, conseguiu sofrer apenas um gol na competição (mesmo tendo em seu grupo a seleção da Espanha, que foi a campeã do Mundial) – utilizando-se do expediente da “linha de 5”.

E é no campeonato nacional espanhol que mais equipes têm essa prática no seu desenho tático.

No geral, os times que adotam a “linha de 5” acabam precisando resolver um problema que surge em decorrência da sua formação.
Para se ter um jogador a mais na linha de defesa, é preciso perder um jogador que poderia fechar a circulação de bola adversária pelo meio (normalmente é o volante que entra na “linha de 4” para transformá-la em “linha de 5”).

Isso quer dizer que, se pensarmos em coberturas, dobras de marcação e fechamento de circulação da bola pela faixa central do campo, é plausível aceitarmos a idéia de que com um jogador a mais na linha de defesa, ou diminuímos a eficiência das dobras, ou do fechamento da circulação central da bola.

E se nenhuma dessas ocorrências for uma opção aceitável, será necessário trazer jogadores da linha de ataque para auxiliar na estruturação defensiva do espaço.

Mas, aí, outro problema emerge: o balanço ofensivo para organizar contra-ataques ou desafogar a defesa ficará numericamente prejudicado.

A tendência às linhas de cinco jogadores nasce, então, de uma dificuldade defensiva, principalmente para enfrentar equipes tecnicamente bem qualificadas, em campos de largura considerável, que para ser eficiente no que se propõe, pode desencadear sérias dificuldades para se chegar ao gol de ataque (dificuldades ofensivas para quem se defende com ela) – ou ao menos, maior gasto energético para isso.

Por hoje é isso…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

 

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Banco de Jogos – jogo 7

Se a comissão técnica não estiver atenta, facilmente os atletas podem diminuir o nível de concentração numa sessão de treino de bolas paradas.

Com a excessiva repetição das ações num ambiente que simula o jogo, mas não tem suas principais características, elementos importantes como as organizações de balanço defensivo e ofensivo, comportamentos coletivos de transição ofensiva e defensiva, o interesse dos atletas em cumprir as ações com eficácia e a própria competição, inerente ao jogo, são desconsiderados (ou deixados em segundo plano) e refletem negativamente nos jogos oficiais.

Então, com o objetivo de proporcionar maior competitividade à sessão de treino e consequentemente aproximá-la das situações reais de jogo, a coluna desta semana propõe uma atividade para aperfeiçoar o Modelo de Jogo do treinador no que tange as cobranças de bolas paradas, afinal, as mesmas têm definido muitas partidas do futebol mundial.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Bolas Paradas

– Dimensões do campo oficial. ~ 100m x 70m;
– Campo dividido em 5 setores em torno da grande área;

 

Regras do Jogo

1.Cada equipe tem direito a 5 bolas por setor, além de 5 escanteios de cada lado, totalizando 35 bolas por equipe;
2.As mudanças de equipe que ataca ou defende são feitas a cada série de 5 bolas;
3.Cada bola é jogada por, no máximo, 20 segundos;
4.Após cada bola, pausa de 40 segundos;
5.Se na cobrança a bola for desperdiçada pela equipe que ataca, o treinador repõe a bola em jogo para a equipe que defende;
6.Se na cobrança a bola for desviada pra fora pela equipe que defende, o treinador repõe a bola em jogo para a equipe que ataca;
7.Gol = 6 pontos
8.Ultrapassar o meio campo em transição ofensiva = 2 pontos
9.Ultrapassar o meio campo após reposição do treinador = 1 ponto
10.Gol após reposição do treinador = 3 pontos
11.Gol de transição ofensiva = 10 pontos

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 7


 

O jogador número 10 da equipe listrada faz a cobrança de uma falta lateral e o jogador número 8 faz o gol. Esta ação vale 6 pontos para a equipe listrada.

Regra 8


 

O jogador número 10 da equipe listrada faz a cobrança de uma falta lateral e o jogador número 7 da equipe verde intercepta o cruzamento. Em um contra ataque, a equipe verde ultrapassa o meio campo com o jogador número 10. Esta ação vale 2 pontos para a equipe verde.

Regra 10


 

O jogador número 8 da equipe verde faz a cobrança de um escanteio e o jogador número 6 da equipe listrada desvia para fora. Após a reposição feita pelo treinador o jogador número 8 da equipe verde cruza e o jogador número 4 faz o gol. Esta ação vale 3 pontos para a equipe verde.

Aguardo dúvidas, críticas e sugestões. Abraços e bons treinos!

 

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Banco de jogos – jogo 1
Banco de jogos – jogo 2
Banco de jogos – jogo 3
Banco de jogos – jogo 4
Banco de jogos – jogo 5
Banco de jogos – jogo 6
 

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Campeonato Catarinense sem público?

As partidas de estreia do Campeonato Catarinense correram o risco de serem disputadas sem a presença da torcida, eis que por recomendação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), todos os jogos das duas primeiras rodadas do Estadual de 2013 deveriam ser disputados com os portões fechados.

Tal situação se deu em razão dos clubes não terem cumprido o prazo determinado para a entrega dos laudos necessários para a liberação dos estádios, descumprindo, assim, o que estabelece o Estatuto do Torcedor.

Destarte, o Regulamento Geral da Federação Catarinense de Futebol (FCF) define que a Federação deve fazer o controle dos laudos e decidir sobre a proibição de público quando descumprido o regulamento.

O Estatuto do Torcedor, por seu turno, prevê a obrigatoriedade de entrega, pelos clubes, dos Laudos: de Segurança, de Engenharia, de Prevenção e Combate de Incêndio e de Condições Sanitárias e de Higiene.

Segundo a Promotoria o ponto relevante não seria a mera entrega dos laudos e as consequências pelo descumprimento dos prazos, mas a proteção à vida e à integridade física dos torcedores, além do próprio dever geral de respeito à lei.

Assim, o Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) vetou a presença de público em todos os estádios nas duas primeiras rodadas da competição baseando-se em um Termo de Cooperação Técnico, assinado em 2010, com a Federação Catarinense de Futebol (FCF), Associação de Clubes, Polícia Militar, CREA, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária Estadual, que solicitava que os laudos técnicos dos estádios fossem encaminhados à FCF em até 35 dias antes do início da competição.

Ressalte-se que tanto o art. 15 do Regulamento Específico do Campeonato Catarinense de Futebol Profissional da Divisão Principal de 2013 como o art. 114 do Regulamento Geral obrigam os clubes de futebol a encaminharem à FCF, no prazo de 35 dias antes do início da competição, os laudos técnicos. Ato contínuo, o art. 115 do Regulamento Geral estabelece que a FCF não poderá autorizar a realização de partidas oficiais, com a presença de público, em estádios de futebol nas competições que vier a organizar, quando o estádio não possuir todos os laudos de segurança ou forem entregues fora do prazo ou, ainda, elaborados em desacordo com as diretrizes da Portaria n. 238/2010 do Ministério do Esporte.

Contra tal situação a Associação dos Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina postulou junto ao Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD/SC), cujo Presidente analisou a liminar da Associação para liberação de público nos estádios catarinenses na primeira e segunda rodada do Estadual. O TJD/SC deferiu a liminar pleiteada, com a base na análise dos laudos técnicos apresentados.

A decisão da Justiça Desportiva Catarinense restabelece a intenção do Estatuto do Torcedor que deve prevalecer ante o excesso de formalismo. O torcedor possui o direito de segurança e acesso aos estádios de futebol, independentemente da anterioridade que apresentem os laudos. Portanto, o princípio que deve ser adotado é o da proteção integral dos direitos do torcedor e não o formalismo exacerbado.
 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

 

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O melhor treino pode ser fora de campo

Introdução

O futebol vem evoluindo e muitas são as discussões atuais sobre metodologias de treinamento. A necessidade de um ambiente de desenvolvimento mais eficaz durante a formacão de jogadores também está ganhando cada vez mais espaço. No entanto, pouco se discute sobre como aproveitar o tempo fora do espaço tradicional dos treinos para desenvolver as capacidades táticas dos atletas.

Este artigo visa oferecer uma proposta prática, embasada em simples princípios metodológicos e conceitos de psicologia, de como guiar atletas a desenvolverem-se fora dos campos.

A ideia principal é ensinar os atletas a analisarem jogos e situações de forma elaborada, para que possam como consequência desenvolver as próprias capacidades táticas. Um valioso recurso nesse processo serão vídeos disponíveis na internet e/ou no acervo do clube.

Estimulando o desenvolvimento de análises

O desenvolvimento das capacidades táticas sempre foi meu objeto principal de estudo. Para otimizar o desenvolvimento dessas capacidades, alguns aspectos me pareciam fundamentais: encontrar uma metodologia eficaz como base para a elaboração dos treinos, organizar os treinos de maneira que utilizem o tempo da forma ideal, buscar atividades que consigam motivar os jogadores e favoreçam um desenvolvimento gradual da percepção dos elementos do jogo e consequente sucesso no processo de tomada de decisões.

Até aí, provavelmente nenhuma novidade, já que esse tema vem sendo profundamente discutido. Mas, mesmo procurando otimizar o tempo disponível durante os treinos, a dificuldade de alguns jogadores para “compreender” certos aspectos do jogo – e observando de forma particular as dificuldades táticas de tantos brasileiros que jogam no exterior – me fizeram refletir sobre formas “alternativas” para melhorar o entendimento de certos conceitos táticos. Uma dessas alternativas seria encontrar soluções para aproveitar o tempo fora do espaço normal de treinos, criando condições favoráveis à capacidade dos jogadores de se desenvolverem.

Uma prática comum já adotada por diversas equipes é quebrar o jogo em “pedaços” e analisá-los para os atletas, mostrando as decisões que foram tomadas e, quando necessário, explicando as decisões que deveriam ter sido tomadas. No entanto, os resultados não se mostraram tão eficientes, visto que vários atletas continuavam cometendo erros táticos parecidos.

Diversos podem ser os fatores para que este tipo de estratégia não seja eficaz. Por mais que se procure criar um ambiente receptivo a comentários e participações, quando a análise é feita na frente de toda a equipe, às vezes os jogadores estão mais preocupados em não “parecerem tolos” diante dos companheiros do que desenvolverem conceitos. Muito dificilmente um jogador dirá na frente dos outros que não compreendeu uma explicação feita pelo treinador de como a jogada deveria ter sido desenvolvida, já que isso reforçaria na frente do grupo sua incapacidade de resolver uma determinada situação.

Em análises feitas individualmente não existe a pressão do grupo, mas, mesmo assim, a necessidade de defender a própria autoestima (Coopersmith, 1967) (Heatherton & Polivy, 1991) pode também desviar a atenção no processo. Mais do que esses fatores, frequentemente os jogadores não estão realmente desenvolvendo conceitos, somente recebendo informações sobre erros cometidos ou acertos que tiveram em situações específicas. Essa prática é com certeza útil, mas não ideal sob um ponto de vista de desenvolvimento.

Mais eficaz do que receber análises vindas dos treinadores ou ter que responder prontamente a perguntas, seria interessante os jogadores desenvolverem as próprias capacidades de análise e criarem respostas nas quais acreditaram plenamente, já que eles mesmos as desenvolveram e, consequentemente, serão transferidas para dentro dos gramados.

Ao invés do discurso direto, frequentemente utilizado durante treinos e palestras, provavelmente pela simplicidade e economia de tempo, outros recursos pedagógicos como a descoberta guiada de Sócrates (Slavin, 2006) ou trabalhos de grupo poderiam produzir melhores resultados, favorecendo reflexões.

O treinador eficaz sabe usar os recursos disponíveis para alcançar os resultados desejados. Vivemos uma época em que a informação e as imagens se espalham pelo mundo em segundos, que grande parte da população tem acesso à internet e e-mail, o que possibilita que uma série de recursos sejam utilizados como auxiliares no desenvolvimento dos jogadores.

Vídeos de partidas, highlights e gols de clubes e nações de todo o mundo estão disponíveis gratuitamente em diversos sites da internet. Motivar e guiar os atletas a desenvolverem análises de algumas dessas imagens pode ser um valioso recurso no processo de desenvolvimento tático. Para isso o treinador terá que se utilizar de alguns conhecimentos de psicologia, metodologia, conhecimento do esporte e um pouco de criatividade para agir respeitando cultura, sexo, idade e valores dos atletas da equipe.

Vamos ilustrar com um exemplo prático: sua equipe tem um atacante que, apesar de habilidoso, tem dificuldades de movimentação sem bola. Vamos supor que sua equipe não é profissional e você, treinador, não tem a possibilidade de simplesmente obrigá-lo a fazer análises de jogos. Até porque, mesmo que essa seja uma opção, os ganhos serão maiores se o jogador estiver motivado a realizar esse tipo de trabalho.

Então, o primeiro passo é convencê-lo dos possíveis ganhos de se fazer esse tipo de análise. A cultura do futebol brasileiro supervaloriza “o talento”, e trabalhar para se desenvolver em qualquer área que não seja a preparação física não é bem visto pela maioria dos atletas, já que isso seria um sinal de “falta de talento” e ser visto dessa forma pode ser também prejudicial a autoestima do atleta. (Brém S., Fein S. & Kassin S. 2005). Começar a conversa com “você precisa melhorar”, em geral não será tão eficiente quanto uma proposta para “se beneficiar da análise de alguns dos melhores do mundo”. Como passo inicial, peça-lhe para assistir a uma partida de seu atacante predileto e descrever seus movimentos principais.

Após receber feedback de uma primeira análise, peça-lhe que assista a uma nova partida focalizando determinados aspectos que você julga importante, como por exemplo: com qual frequência o atleta inicia a corrida antes do passe para receber a bola em velocidade? Como ele recicla essas corridas quando não recebe a bola? Em quais momentos ele troca de posição com outros atacantes? Com qual frequência ele se movimenta nas costas dos defensores para sair do campo visual destes?

O objetivo é fazer com que o atleta preste atenção em pontos que normalmente poderiam passar despercebidos. Além do aspecto motivacional de analisar um ídolo, outra va
ntagem desse tipo de trabalho é que não ataca a autoestima do seu jogador, já que você não o estará julgando. Possivelmente, já nas primeiras análises, o jogador se acorrerá de que esse tipo de trabalho poderá fazê-lo começar a ver diferentes aspectos do jogo; o que poderá incentivá-lo a progredir fazendo análises mais complexas ou de diferentes situações.

É importante que o treinador saiba como progredir com os tipos de análise, de forma que seja realmente motivante para o atleta, até alcançar os objetivos pretendidos. Por exemplo, como uma terceira etapa, para desenvolver um tipo específico de movimentação sem bola, o treinador pode pedir ao atleta que compare as análises feitas da movimentação do seu ídolo com outro jogador profissional que realiza frequentemente o movimento que o treinador está procurando desenvolver em seu atleta. Vídeos de highlights do Youtube da equipe do jogador a ser analisado pode ser uma fácil opção para conseguir os dados para a análise. A dica será focalizar especificamente na movimentação sem bola desse atleta e posteriormente de outros com diferentes estilos.

Quando o treinador, baseado nas análises feitas pelo atleta, acreditar que ele tem ou adquiriu conhecimentos suficientes para analisar seu próprio desempenho, ele poderá começar esse processo. É importante relembrar que analisar o desempenho do seu atleta é uma tarefa mais delicada, já que a autoestima do jogador estará em questão. Uma estratégia frequentemente eficaz para a elaboração desse tipo de análise é pedir ao atleta que, baseado nos conceitos que ele mesmo apresentou, faça uma autoanálise das principais qualidades e metas de desenvolvimento. As chances de aceitação de um “desafio” serão muito maiores se partirem do próprio atleta. A partir daí, treinador e jogador poderão, juntos, discutir formas de alcançar os objetivos. Após conquistar resultados, como consequência de um trabalho que treinador e jogador montaram juntos, existe uma grande possibilidade que o jogador esteja mais disponível para ouvir sugestões feitas pelo treinador e trabalhe aspectos que não conseguiu individualizar sozinho.

O exemplo dos parágrafos anteriores visa apenas ilustrar uma progressão em determinada situação e não criar uma fórmula a ser seguida. A realidade pode ser muito diferente de caso para caso. Alguns atletas exigirão um cuidado muito grande com a autoestima, enquanto outros poderão progredir rapidamente pelos estágios. Os recursos também podem apresentar grande variação: enquanto algumas dessas análises poderão ser escritas à mão em papel e simulações táticas feitas movendo-se pedras sobre um pedaço de terra, outros treinadores poderão se comunicar por e-mail, mensagens online ou redes sociais e pedir aos atletas que criem animações táticas em softwares próprios para isso (inclusive o Brasil possui softwares muito bons e de fácil manuseio).

Outros tipos de estratégias, como trabalhos de análise em grupo podem ser utilizados. Por exemplo, após dividir a equipe em três grupos: o primeiro irá analisar os princípios defensivos da seleção inglesa, o segundo da seleção italiana e o terceiro da seleção brasileira. Utilizando-se do princípio de que “a melhor forma de aprender algo, é tendo que ensinar o assunto”, cada grupo terá que explicar aos demais os conceitos e características principais de cada nação.

O treinador pode participar do processo de criação da apresentação de cada grupo, ajudando a encontrar os resultados desejados durante a fase de elaboração, para que durante a apresentação final na frente da equipe, todos tenham sucesso e tenham sido alcançados os objetivos buscados. Pode-se encontrar tempo para esse tipo de trabalho até mesmo durante uma viagem de ônibus, ou em um dia livre no hotel.

Trabalhos em grupo não só podem ajudar os atletas a adquirirem conhecimentos táticos, como gerar também outros benefícios para a equipe, já que favorecem a integração entre os atletas, desenvolvimento de termos e conceitos que poderão ser utilizados durante as partidas e até mesmo a possibilidade de progresso na comunicação para algum atleta que se sinta mais seguro explicando conceitos na teoria do que apontando erros de companheiros durante a partida. Como fator negativo, como já ciatado anteriormente, trabalhos na frente de companheiros podem fazer com que alguns atletas se preocupem mais com a aparência das respostas do que o conteúdo desenvolvido.

Não importa qual seja a estratégia utilizada, o importante é inspirar o jogador a olhar o jogo e “ver” mais do que está acostumado. Isso ajudará no seu desenvolvimento tático e, consequentemente, no próprio desempenho. Na verdade, esses tipos de estratégias podem ajudar até mesmo treinadores a se desenvolverem, desde que consigam propor a si mesmos tópicos diferentes do que normalmente seria o foco de atenção. Além disso, as análises feitas pelos jogadores podem chamar a atenção para pontos importantes na equipe que podem ser melhorados ou mais trabalhados e ajudam o treinador a compreender o processo de raciocínio de seus jogadores.

Finalizando, vale a pena ressaltar que as análises não necessitam serem restritas a aspectos táticos. Também podem ser estudados aspectos técnicos, como por exemplo, movimentação com passadas pequenas e rápidas de goleiros ao se preparar para uma defesa; ou técnicas de aproximação e posição de corpo de jogadores durante o processo de defesa. Essas análises podem ser a conexão entre teoria e prática no futebol que permitam a muitos atletas otimizar seu potencial.

Considerações finais

Um dos mais importantes princípios dessa metodologia é que os jogadores aproveitarão muito mais os conceitos que eles tiveram participação no desenvolvimento do que os conceitos que lhes foram simplesmente passados durante treinos ou conversas. Esse processo ajuda a evitar uma recorrente no futebol que é o treinador gritar “Eu já te falei mil vezes…” Mais importante do que falar mil vezes, é o jogador compreender e acreditar em um determinado conceito.

Para os que, ao lerem este artigo, pensam “além de não termos recursos para isso, essa não é a cultura brasileira, quem tentar fazer isso não será respeitado pelos atletas”, vale lembrar que o custo disso pode ser muito baixo ou nulo. O desenvolvimento da tecnologia fornece uma grande ferramenta de acesso gratuito para um conhecimento muito valioso no mundo do futebol, que é a forma e detalhes de como jogam as equipes e como se movimentam os jogadores dentro das plataformas de jogo. Com relação a nossa cultura, basta ler pesquisas ou estórias sobre professores que devem ensinar em salas de aula onde, por diversos motivos, os alunos são considerados “incapazes ou desinteressados”. Enquanto a maioria dos profes
sores não consegue atingir seus objetivos, outros são capazes de compreender a cultura local, respeitar o conhecimento prévio e com conhecimento de psicologia, metodologia e criatividade engajar os alunos (no caso, atletas) e atingir grandes resultados.

Tenho convicção de que cedo ou tarde clubes brasileiros irão investir em profissionais, principalmente em suas categorias de base, comprometidos em buscar novos métodos para otimizar o desenvolvimento de seus atletas; e, como consequência desse processo, colherão em pouco tempo os frutos do trabalho. Obviamente propostas de desenvolvimento fora de campo não substituem o treinamento em campo, afinal não basta compreender, mas ser capaz de executar; no entanto, podem ser uma forma eficaz de complementar o aprendizado convencional entre as quatro linhas.

Espero que este artigo possa contribuir para motivar alguns treinadores a uma constante reflexão sobre a possibilidade de inovarem seus métodos de ensino. Com certeza, vários dos leitores são profissionais do futebol, e comentários com ideias sobre como motivar atletas a se desenvolverem serão muito bem-vindos.

Bibliografia

Brém S., Fein S. & Kassin S. (2005) Social Psychology. Boston, MA: Houghton Mifflin.

Coopersmith, J. T. (1967). The antecedents of self-esteem. San Francisco: Freenan.

Heatherton, T. F. & Polivy, J. (1991). Development and validation of a scale for measuring state self-esteem. Journal of Personality and Social Psychology, 60, 895-910.

Slavin, Robert E. (2006) Education Psychology: Theory and Practice.
 

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Demagogias no mundo esportivo (parte 02)

Como falado na semana passada sobre a situação do entorno do Maracanã e as demagogias acerca do estádio de atletismo Célio de Barros e o Museu do Índio, em que se comprovou que o problema não é a quantidade mas sim os projetos relacionados ao atletismo, e que o tal antigo museu virou, na realidade, um local de ocupação ilegal de famílias indígenas, temos agora o caso do antigo e o novo estádio do Grêmio de Foot-ball Porto Alegrense.

No final de dezembro, apareceram algumas notícias que davam conta do tombamento do estádio Olímpico. Ora, imediatamente após a inauguração da moderna Arena Grêmio, concebida em uma plataforma de negócios consistente entre duas empresas privadas – o Grêmio e a OAS – vem agora o poder público interferir a ponto de prejudicar as pretensões do principal investidor do empreendimento?

Para rememorar, a OAS negociou com o Grêmio a permuta do terreno onde hoje está o estádio Olímpico pela construção da Arena. Pela troca, a OAS projetou suas receitas com a construção de um empreendimento comercial no lugar do antigo estádio, localizado em região central e nobre da capital Porto Alegre. É sabido que um "tombamento" como patrimônio histórico limita em muito qualquer pretensão de intervenção imobiliária naquele bem.

O vereador que propõe o tombamento é conselheiro do Grêmio e esteve na assembleia de aprovação do negócio com a OAS. Além dele, alguns dirigentes gaúchos reforçam um posicionamento que entra no limiar da quebra de contrato de um negócio legítimo.

Não se respeitam contratos. Não se respeitam estudos. Não se leva em conta o investimento realizado, o fluxo de caixa de um projeto grandioso, as possibilidades de receitas e os riscos tomados para entregar uma arena moderna no prazo estipulado.

E a cada leitura de notícias sobre este tema nos meios de comunicação, chegamos à conclusão que parece ser mais saudável para a iniciativa privada manter, de fato, distância de qualquer tentativa de negócio que vá além de um mero patrocínio na camisa de jogo. Uma pena, pois, para o bem do futebol e das empresas, as oportunidades de negócios lucrativos para ambos são enormes.

Em suma, percebe-se que constantemente lutamos por coisas erradas, fugindo do foco da discussão. O cerne dos problemas, mais das vezes, não é tangível e carece, principalmente, de uma percepção mais global sobre os anseios e as expectativas de todos os envolvidos.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Demagogias no mundo esportivo (parte 01)

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A escolha de Guardiola

Em 2003, Josep Guardiola havia decidido que deixaria o futebol da Itália. Revelado pelo Barcelona, time em que construiu grande parte da carreira, o volante defendeu Brescia e Roma no país do calcio. Durante semanas, o nome dele recheou listas de notícias sobre mercado – as especulações mais frequentes eram sobre uma mudança para o Manchester United. E o jogador espanhol escolheu o Al-Ahli, do Qatar.

Dez anos depois, uma decisão de Pep voltou a causar furor. Ele estava em período sabático depois de uma vitoriosa passagem como técnico do Barcelona, e o nome do espanhol passeou por projeções sobre o futuro de algumas das maiores e mais ricas equipes da Europa. E Guardiola escolheu o Bayern de Munique, da Alemanha.

As duas histórias têm pouco em comum, mas mostram que Guardiola nunca teve receio de arriscar na carreira. A própria mudança para o Brescia, quando ele tinha 30 anos e havia acabado de terminar um longo contrato com o Barcelona, é um exemplo disso.

Como técnico, Guardiola começou no Barcelona B. Ele ascendeu ao time principal em 2008 e comandou um dos períodos mais vitoriosos da história da equipe catalã. Foram 18 títulos em quatro anos, com três troféus do Campeonato Espanhol e dois da Liga dos Campeões da Uefa.

Mais do que os títulos, Guardiola incutiu no Barcelona um jeito de pensar futebol. Ele resgatou conceitos que fazem parte da história do clube, como a profusão de passes curtos e a prioridade total à posse de bola. O time de Pep marcava no campo de ataque, mudava posições constantemente e usava muito bem os deslocamentos em diagonal – marcas, aliás, que permanecem na equipe a despeito da saída do treinador.

As vitórias e o encantamento que Guardiola produziu no Barcelona transformaram o espanhol na maior aposta do futebol mundial em muito tempo. Em 2012, quando deixou o time catalão, ele iniciou um período sabático. Longe do mercado, Pep fomentou especulações. Equipes tradicionais, novas ricas, seleções e torcedores… O mundo queria o treinador.

O primeiro aspecto a ser considerado na decisão de Guardiola, portanto, é o que isso representa para a carreira dele. O espanhol assumirá o Bayern de Munique no início da temporada 2013/2014, quando terminar o tal ano sabático.

Na temporada 2010/2011, segundo estudo da consultoria Deloitte, o Bayern de Munique foi o quarto time europeu que mais faturou. O time alemão amealhou 321,4 milhões de euros, montante que foi superado apenas por Real Madrid, Barcelona e Manchester United.

Outro estudo, feito pela consultoria Brand Finance, aponta a marca do Bayern de Munique como a segunda mais valiosa do futebol mundial em 2012. O clube foi avaliado em US$ 786 milhões, evolução de 59% em comparação com a temporada anterior. Perde apenas para o Manchester United (US$ 853 milhões).

O Bayern de Munique tem dinheiro. O Bayern de Munique tem uma marca poderosa. Mas o time bávaro também tem um elenco forte, que decidiu a Liga dos Campeões contra o Chelsea na temporada passada – o time inglês foi campeão.

Guardiola encontrará no Bayern de Munique um elenco forte, com jogadores rápidos e um meio-campo muito habilidoso. De cara, o espanhol terá três enormes desafios: criar uma hegemonia nacional na Alemanha, liga que tem sido uma das mais imprevisíveis entre as grandes da Europa, voltar a vencer a Liga dos Campeões da Europa e encantar. A sombra do Barcelona, belo e eficiente, estará sempre à caça do treinador.

Sobretudo porque o Barcelona pós-Guardiola é igualmente forte. O time catalão segue dominando a bola, acuando adversários e vencendo. Apesar de ter sofrido um revés no último fim de semana, registrou o melhor início na história do Campeonato Espanhol. Além disso, a equipe de Tito Vilanova está viva na Copa do Rei e na Liga dos Campeões da Uefa.

Há vários desafios para Guardiola no Bayern, mas o maior deles é pessoal: mais do que vencer ou encantar, o espanhol precisa mostrar que não é apenas um produto da estrutura e da qualidade do Barcelona.

É aí que a decisão de Guardiola começa a se mostrar acertada em termos de planejamento de carreira. O técnico não escolheu um novo rico ou um time em que a participação dele seria teria de ser mais incisiva. Pegou uma equipe ajeitada, com dinheiro, torcida e estrutura, mas que não conquista o título nacional há duas temporadas.

O atual bicampeão alemão é o Borussia Dortmund. O Bayern não passava duas temporadas sem erguer a taça nacional desde o intervalo de 1994 a 1996, quando o Dortmund conquistou outros dois títulos. Na temporada 2012/2013, porém, esse hiato deve acabar. A nova equipe de Guardiola lidera com folga, com 45 pontos em 18 jogos – o segundo colocado é o Bayer Leverkusen, que tem 36.

A equipe que chegará às mãos de Guardiola, portanto, também deve estar mais leve por ter acabado de conquistar um título. Ou mais de um, já que o Bayern de Munique também está na disputa da Liga dos Campeões da Uefa.

A trajetória desta temporada mostra que vencer não será suficiente para Guardiola. Não foi suficiente para Jupp Heynckes, o atual comandante do Bayern de Munique.

Guardiola precisa ser no Bayern de Munique o combustível que ele representou no Barcelona. Os dois times têm várias similaridades, como o bom uso das categorias de base.

Para isso, a comunicação terá papel fundamental. José Mourinho, técnico do Real Madrid, chegou a dizer certa vez que nunca trabalharia na Alemanha porque o idioma seria uma barreira intransponível para ele. No Barcelona, Guardiola trabalhava com uma base de espanhóis, com participações de vários sul-americanos.

Além do idioma, Guardiola terá de aprender as diferenças culturais entre Espanha e Alemanha. Se tivesse assumido um time da Itália, por exemplo, poderia aproveitar a vivência como atleta.

A escolha de Guardiola reuniu qualidade, dinheiro, força de marca, atual momento, características do clube e até o tamanho do desafio. O espanhol precisa criar numa equipe diferente, com um idioma diferente e com jogadores de perfis diferentes, um modelo parecido com o que ele instituiu no Barcelona.

Se a informação que circulou na mídia alemã estiver correta, o caminho de Guardiola já começou bem. Jornais germânicos disseram que o contrato do espanhol com o Bayern de Munique estava fechado desde o ano passado, mas a equipe soube blindar a notícia e anunciou para público, imprensa e elenco apenas quando julgou conveniente.

A comunicação correta começa por saber quando falar. A decisão de Guardiola é totalmente compreensível, mas só os resultados dirão se foi um acerto tão grande quanto a condução do negócio.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br