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Banco de jogos – jogo 2

A dinâmica imposta pela equipe do Barcelona é invejável. Com a posse de bola, constroem um jogo apoiado, com movimentações constantes para chegar à zona de risco adversária. A posse pela posse é observada somente quando a lógica do jogo está sendo cumprida com relativa facilidade.

O jogo identificado abaixo torna propensas as ocorrências da mobilidade com trocas de posição e do apoio, que são ações táticas observadas na organização ofensiva da equipe catalã, e que serão necessárias para se aproximar da vitória na atividade em questão.

Jogo conceitual em ambiente específico de mobilidade com trocas de posição e apoio

– Campo dividido nas zonas de altíssimo, alto e médio risco e também nos setores A, B, B’ e B”;

– Com isso, ocorrerá a formação de retângulos com as seguintes medidas aproximadas:

Altíssimo Risco: 16 x 40m
Alto Risco: 8 x 40m
Médio Risco: 24 x 14m

 

 
 

Plataforma de Jogo Equipe A (azul): 1-4-4-2 Losango
Plataforma de Jogo Equipe B (verde): 1-3-5-2

Regras do Jogo

1.No campo de defesa cada jogador pode dar no máximo dois toques na bola; caso dê o terceiro toque = 1 ponto para o adversário;

2.No campo de ataque, nos setores A, B, B’, B” e de médio risco, cada jogador pode dar no máximo 3 toques na bola; caso dê o quarto toque = 1 ponto para o adversário;

3.Nos setores de alto e altíssimo risco, a quantidade de toques é liberada;

4.O jogador que realizar um passe à frente da linha 3 (com exceção do passe originário do setor A e da zona de altíssimo risco) não poderá permanecer no mesmo setor em que estava quando executou o passe; caso permaneça no mesmo setor = 1 ponto para o adversário;

5.Passe originário do setor A, à frente da linha 3 com troca de posição, ocupação do Setor A por outro jogador e manutenção da posse de bola = 1 ponto

6.Seis trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores = 2 pontos

7.Seis trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores + gol = 10 pontos

8.Demais gols = 3 pontos

Veja, abaixo, os exemplos:
 

Regra 4

 
 

O atleta número 8 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 7 e, na sequência da jogada, não trocou de setor. Desse modo a equipe adversária marca 1 ponto.
 

Regra 5

 

 


 

O atleta número 5 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 10 e trocou de posição com o atleta número 8. Como o jogador número 10 manteve a posse de bola a favor da sua equipe, passando para o número 7 (e trocando de setor), 1 ponto para a equipe Azul.
 

Regra 6

 

Como pode ser observado nas figuras, a equipe verde realizou seis trocas de passe no campo de ataque com as devidas trocas de setores. (5 passou para 6; 6 passou para 10; 10 passou para 2; 2 passou para 9, nove passou para 11 e 11 passou para 10). A equipe verde marca 2 pontos.

 

Regra 7

Se na sequência da jogada após a troca de seis passes ocorrer o gol, ele valerá 10 pontos. Demais gols (bola parada e ações em que não houve a troca de seis passes) equivalem a 3 pontos.

Para dúvidas, críticas ou sugestões, escreva-me. As trocas de informações e discussões são as grandes potencializadoras da construção do conhecimento.

Obrigado por ter me acompanhado no ano de 2011, já adianto o convite para caminharmos juntos no próximo ano e que não faltem desafios, conquistas, aprendizados e muito trabalho.

Um abraço e que venha 2012!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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A Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e os aeroportos

Logo após o Brasil conquistar o direito de organizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, uma das primeiras preocupações aventadas foi atinente à infraestrutura.

Dentre os inúmeros itens necessários à realização destes megaeventos, a operacionalidade dos aeroportos possui vital importância, já que é por meio deles que o “Brasil receberá o mundo”.

Por este motivo, todos os aeroportos brasileiros devem passar por ampliações e reformulações. Certamente as referidas intervenções são necessárias, sobretudo neste momento de aquecimento econômico e ampliação das rotas aéreas e do maior acesso das classe C e D às passagens aéreas.

Entretanto, ao contrário do que muitos afirmam, o sistema aéreo e os aeroportos brasileiros não estão muito aquém dos encontrados em outros países.

Por meio de experiência pessoal, em um dos maiores aeroportos do mundo, Heathlrow, em Londres, constatei falta de zelo com os passageiros.

Inicialmente, insta ressaltar que houve atraso de cerca de sessenta minutos, motivo pelo qual o vôo, oriundo de Lisboa, aterrisou na capital inglesa por volta de meia noite.

Assim, sistemas de transporte coletivo, como metrô (underground), trem urbano e ônibus, tão destacados como essenciais para a realização de grandes eventos, não estavam operando.

Não bastasse isso, não havia central de atendimento em funcionamento que propiciasse aluguel de veículo, ou informações acerca de táxis ou remisses. Sem informação, o maior aeroporto do mundo tornou-se um imenso labirinto.

Para contatar um táxi, foi necessário encontrar a saída mais próxima do ponto de táxi, sair do aeroporto, em um frio de cinco graus negativos e, ainda, aguardar que algum se posicionasse no ponto.

É óbvio que o Brasil tem muito a evoluir e é o que se espera, entretanto, não há países infalíveis e, o exemplo relatado é o de Londres, onde serão realizados os próximos jogos olímpicos.

Portanto, deve-se olhar para o Brasil com parcimônia, cobrar melhoras, mas valorizar o que temos.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Relação clube e imprensa: a guerra que precisa ter fim

O mundo mudou. Isso ninguém pode negar. Com o avanço da tecnologia, hoje temos uma alta velocidade e um fácil nível de acesso à informação, o que alterou bruscamente a sociedade, e, consequentemente o futebol.

Hoje, qualquer informação de qualquer clube pode ser facilmente acessada e/ou descoberta, o que causa um grande conflito entre clube e imprensa, pois ao mesmo tempo que o clube quer se prevenir de várias situações, a mídia busca de maneira insistente novas informações (o que atualmente é muito constante devido à velocidade de informações).

Em recente palestra no Footecon 2011, Tino Marcos, jornalista da Rede Globo, defendeu o lado da imprensa, dizendo que sente muita falta da época em que os jornalistas tinham acesso livre aos atletas, e que havia mais entrevistas exclusivas.

O lado de Tino é compreensível, porém vou tentar decifrar o pensamento do clube para comtrapor tal situação: imagine se o clube desse total acesso à imprensa nos dias de hoje. Com a velocidade da informação e a crescente quantidade de jornalistas, o clube teria a todo momento um alto número de profissionais em sua porta, o que com toda certeza prejudicaria o trabalho da equipe, já que a mesma não teria como trabalhar questões internas sem que elas se tornassem crises ou qualificar sua equipe de maneira tranqüila, sem ter o risco de incidentes externos.

O resultado disso é uma guerra entre ambas as partes que, sem entender a situação, não conseguem ter um bom relacionamento, o que acaba trazendo um grande prejuízo a ambos e à sociedade, pois o clube depende da imprensa para se comunicar com sua maior fonte de renda (torcida); a imprensa depende do clube para sobreviver, e com o conflito a sociedade sofre com a insuficiência de informações.

Um modo de resolver isto talvez seja ambas as partes cederem um pouco e atingirem um meio termo.

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Forma somada à função na arquitetura esportiva

O futebol se espalhou pelo mundo com forte influência inglesa. Da mesma forma, os locais para sua prática: os estádios. Construções inicialmente racionais, simples. No entanto, com o desenvolver das regras, elaboração de campeonatos maiores, o futebol foi se estabelecendo e o esporte começou a ser visto de forma mais séria, fazendo com que a evolução da arquitetura de arenas esportivas fosse se desenvolvendo muito rápido, principalmente, pelo negócio que se tornou além da importância como jogo em si.

Todos se identificaram com os valores do futebol e muitos, agora, vêem um potencial em desenvolver espaços mais funcionais do que os que já podem ser vistos, principalmente com manuais e normas específicas para equipamentos deste porte.

O futebol é atrativo. O futebol une. O futebol é social, é cultural. Mas o futebol não sustenta seus equipamentos. Com muitos estudos e como podemos ver por análises de clubes, a renda de bilheteria é muito pequena em comparação aos custos de manutenção de um estádio. Eis que surgem as ‘arenas multiuso’ como solução extraordinária. No entanto, entramos numa fase onde a funcionalidade, estabelecida já por padrões, normas e regulamentos, deve ser somada à forma.

A arquitetura passa a compreender muito mais que a funcionalidade para a prática do futebol e a segurança do público que o faz viver. Passa, então, a abrigar funções diversas, sem nem mesmo ser pré-estipuladas (além dos shows que sempre acontecem em estádios e que só colaboram para prejuízos no gramado).

A forma na arquitetura esportiva passa a ser fundamental. Ela torna um estádio único e essa identidade criada incentiva o turismo, visitas guiadas, experiências únicas, ou seja, traz outras formas de retorno financeiro. Ela também faz com que o estádio seja capaz de se adequar aos novos usos e tem funções ambientais. Ao mesmo tempo, valoriza aspectos funcionais, como facilidades na segurança, e interage com a cidade, tornando não só o esporte, mas o equipamento em si, em uma forma de cultura.

Temos como exemplo da forma atuando junto à função o estádio Allianz Arena, que interage com a parte externa através das cores de sua fachada que representam qual dos times donos do estádio está jogando no momento. Ao mesmo tempo, a Allianz Arena tem em sua fachada o ETFE em forma de colchões de ar que, além de se reduzirem completamente em casos de incêndio, são produzidos ecologicamente e podem ser totalmente reaproveitados, e evitam grandes gastos com manutenção de fachada já que não se deterioram por um longo prazo já testado e são auto-limpantes.

De uma forma diferente, o estádio Franco Sensi, elaborado para a Roma, da Itália, se envolve com ao público no entorno através de painel que pode transmitir imagens e informações em sua fachada.
 


 

Mais recentemente, o arquiteto grego, Christos Koukis, apresentou um projeto para um estádio para um subúrbio de Atenas, chamado de Metaplasia. O projeto deve ser encarado muito mais como conceitual que como realidade já que se demonstra incompleto em muitos fatores de segurança e salubridade. No entanto, ele propõe formas que se destacam, que integram espaços urbanos e que tem uma amplitude formal muito além das formas convencionais em estádios.
 


 

A proposta de Koukis abre a visão por uma arquitetura muito mais elástica aos usos variados que de fato sustentam financeiramente o equipamento. Com a ousadia, a ideia de um único equipamento abrigar usos extremamente distintos, com necessidades consideravelmente diferentes, torna-se muito mais próxima da realidade.

Atualmente, a maioria dos estádios que se dizem ‘multiuso’ não faz nada além de abrigar uma enorme quantidade de eventos sem que nenhum deles tenha a qualidade adequada, inclusive o futebol – ponto de partida.

*Lilian de Oliveira é arquiteta e urbanista. Seus textos também são publicados em: www.goldaarquitetura.blogspot.com e www.portal2014.org.br/blog/arquibancada/

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Férias do futebol e as “peladas” de fim de ano. E o descanso, onde fica?

Em meio à inter-temporada 2011/2012 ocorre pelo mundo afora as famosas “peladas” de fim de ano. Com cunho beneficente, muitas delas contam com a participação de ex-atletas e atletas atuais que se reúnem para ajudar ao próximo ao mesmo tempo em que se divertem.

Mas, apesar de toda boa intenção e legitimidade desses encontros futebolísticos, não podemos esquecer que muitos jogadores reclamam o ano todo do calendário exagerado e do excesso de jogos ao longo da temporada, porém, quando têm a oportunidade de permanecerem longe da bola e dos gramados, fazem questão de participar desses jogos.

Então, será que em época de férias, ao invés de descansarem, esses atletas continuam se desgastando e prejudicando seu preparo para a próxima temporada?

A resposta é não se pensarmos no cunho amistoso desses jogos. Pelo nível técnico, provavelmente essas partidas não acarretam sobrecarga emocional nem física para nenhum atleta. Pelo contrário. Ao participar de um evento beneficente, o jogador é capaz de sentir-se bem por ajudar outras pessoas e pelo fato de encontrar muitos amigos e se divertir ao invés competir – esse evento poderá até auxiliar no seu descanso e no seu relaxamento, especialmente no aspecto mental.

Isso porque ao serem expostos a um ambiente de descontração e livre de cobranças, mesmo que se estejam executando um esforço físico, a intensidade é mais baixa e do ponto de vista mental isso serve como alívio, pois muitos estão fazendo o que mais gostam, porém sem a pressão do dia a dia.


 

Mas se pensarmos no ambiente extra-jogo a resposta será sim, pois entre as coisas que poderão atrapalhar as férias desses atletas estão as viagens, o tipo e o tempo de hospedagem, as atividades pós-partida (como excesso de comida e/ou bebida que eles serão submetidos) e especialmente se conseguirão dormir bem ou mal.

Pelo exposto até aqui vemos que a decisão de aceitar ou recusar o convite para uma dessas peladas deverá ser de cada atleta. Para isso se faz necessário que o mesmo avalie todas as condições do evento e calcule se no final da festa ele estará se sentindo mais disposto ou mais cansado.

Em suma, se não houver exageros, esse período de relaxamento será extremamente benéfico para a recuperação, porque nessa época é desejável que haja uma alteração do balanço autonômico desse atleta em que o mesmo deverá sofrer uma diminuição da modulação autonômica simpática e um aumento da modulação autonômica parassimpática.

Por outro lado, se houver abuso, o sistema nervoso autônomo terá um comportamento antagônico ao desejado e ao invés do aumento da modulação parassimpática, haverá um aumento da modulação simpática. Isso poderá indicar piora da condição física e mental do atleta e, sem dúvida, o mesmo iniciará a próxima temporada já bastante prejudicado.

Portanto, para não começar 2012 dando bola fora, é importante lembrar que mesmo não havendo nada proibido, todo exagero pode ser maléfico.

Feliz 2012 para todos!

Para interagir com o autor: cavinato@149.28.100.147

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Férias do futebol e as "peladas" de fim de ano. E o descanso, onde fica?

Em meio à inter-temporada 2011/2012 ocorre pelo mundo afora as famosas “peladas” de fim de ano. Com cunho beneficente, muitas delas contam com a participação de ex-atletas e atletas atuais que se reúnem para ajudar ao próximo ao mesmo tempo em que se divertem.

Mas, apesar de toda boa intenção e legitimidade desses encontros futebolísticos, não podemos esquecer que muitos jogadores reclamam o ano todo do calendário exagerado e do excesso de jogos ao longo da temporada, porém, quando têm a oportunidade de permanecerem longe da bola e dos gramados, fazem questão de participar desses jogos.

Então, será que em época de férias, ao invés de descansarem, esses atletas continuam se desgastando e prejudicando seu preparo para a próxima temporada?

A resposta é não se pensarmos no cunho amistoso desses jogos. Pelo nível técnico, provavelmente essas partidas não acarretam sobrecarga emocional nem física para nenhum atleta. Pelo contrário. Ao participar de um evento beneficente, o jogador é capaz de sentir-se bem por ajudar outras pessoas e pelo fato de encontrar muitos amigos e se divertir ao invés competir – esse evento poderá até auxiliar no seu descanso e no seu relaxamento, especialmente no aspecto mental.

Isso porque ao serem expostos a um ambiente de descontração e livre de cobranças, mesmo que se estejam executando um esforço físico, a intensidade é mais baixa e do ponto de vista mental isso serve como alívio, pois muitos estão fazendo o que mais gostam, porém sem a pressão do dia a dia.


 

Mas se pensarmos no ambiente extra-jogo a resposta será sim, pois entre as coisas que poderão atrapalhar as férias desses atletas estão as viagens, o tipo e o tempo de hospedagem, as atividades pós-partida (como excesso de comida e/ou bebida que eles serão submetidos) e especialmente se conseguirão dormir bem ou mal.

Pelo exposto até aqui vemos que a decisão de aceitar ou recusar o convite para uma dessas peladas deverá ser de cada atleta. Para isso se faz necessário que o mesmo avalie todas as condições do evento e calcule se no final da festa ele estará se sentindo mais disposto ou mais cansado.

Em suma, se não houver exageros, esse período de relaxamento será extremamente benéfico para a recuperação, porque nessa época é desejável que haja uma alteração do balanço autonômico desse atleta em que o mesmo deverá sofrer uma diminuição da modulação autonômica simpática e um aumento da modulação autonômica parassimpática.

Por outro lado, se houver abuso, o sistema nervoso autônomo terá um comportamento antagônico ao desejado e ao invés do aumento da modulação parassimpática, haverá um aumento da modulação simpática. Isso poderá indicar piora da condição física e mental do atleta e, sem dúvida, o mesmo iniciará a próxima temporada já bastante prejudicado.

Portanto, para não começar 2012 dando bola fora, é importante lembrar que mesmo não havendo nada proibido, todo exagero pode ser maléfico.

Feliz 2012 para todos!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

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Futebol alemão – capítulo 1

Neste período de festas natalinas e virada de ano, quando fazemos inúmeras reflexões sobre o que já realizamos e a respeito dos projetos vindouros, reservei o espaço desta coluna para debater um pouco sobre as mudanças ocorridas no futebol alemão, inspirado sobretudo em reportagem publicada na edição de outubro da revista Sport Business International.

Os destaques a realizar em dois “capítulos” passam, no primeiro, por relatar a contribuição da Copa do Mundo de 2006 para o desenvolvimento do futebol local e, no segundo, por destacar a importância da organização e da boa governança em termos econômico-financeiros para sustentar o crescimento dos clubes e, consequentemente, da liga como um todo.

A reportagem da Sport Business relata como fundamental a entrega bem-sucedida da Copa do Mundo para o crescimento, tanto da primeira quanto da segunda divisão do futebol local. Pela remodelagem das arenas e a consequente melhora dos serviços de atendimento aos torcedores e ao cliente corporativo, a Copa foi capaz de trazer uma nova dimensão ao espetáculo.

O especialista em marketing esportivo Ulrich Roch descreve que nos últimos anos o futebol alemão viu crescer as receitas em patrocínio e exposição na mídia. E o continuísmo no pós-Copa esteve centrado na Liga Alemã de Futebol, na Federação Alemã de Futebol e na vinda de grandes estrelas do futebol local e mundial para atuar novamente na Bundesliga.

E o desenvolvimento contínuo para que haja crescimento ano a ano está centrado na criatividade e inovação para a oferta de serviços diferenciados para os torcedores dentro e fora dos estádios.

Fica aí um resumo dos principais fatores para a sustentação do posicionamento do futebol na Alemanha após a Copa do Mundo. Que o exemplo possa ser seguido aqui após 2014, valendo lembrar que a manutenção de um patamar de sucesso está centrada na profissionalização e na governança, que será relatado no primeiro texto de 2012.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Uma nova abordagem para o preparador físico

Caros amigos,

nas ultimas duas postagens publiquei um artigo do amigo Gilterlan Ferreira, preparador físico do Náutico Futebol Clube, que tive o prazer de conhecer no 2º Seminário de Futebol realizado no mês de setembro no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Entre vários assuntos, regados a alguns copos de café nos intervalos e boas risadas das histórias da bola por este Brasil, um tema foi constante: “A mudança de postura e funções dos preparadores físicos nas comissões técnicas”.

Nos parece que uma nova tendência vem surgindo para esta função. Porém, em hipótese alguma pensamos que ela será extinta. Muito pelo contrário, pode-se ter cada vez mais valor e importância deste profissional na contextualização do futebol e das comissões técnicas.

Se você é partidário da seguinte conclusão “Jogador joga, treinador treina e preparador físico prepara!”, acho melhor você parar de ler esta coluna.

Sem deixar de ser esta peça dentro da comissão, de ter responsabilidades pela condição física da equipe, apresentando qualidade e condições de atender a alta intensidade das partidas e da dureza de um campeonato, contribuindo para uma equipe forte fisicamente e com poucas lesões musculares. Tudo isto se soma a outros dois fatores:

1º) Ter qualidade de trabalho e atender as expectativas de treinador, clube e jogadores em um curto espaço de tempo na preparação.

2º) Com dois jogos na semana , é quase impossível treinar a equipe no meio do campeonato. Com isto, a pré-temporada ganha ainda mais importância na sua realização. Os trabalhos devam atender o modelo de jogo do treinador e suas especificidades.

Sendo assim, a preparação física ganha uma importância vital para o trabalho e com isto a figura, interação e o entendimento do profissional da preparação física ganha uma nova visibilidade e importância.

Em minha opinião, além de termos os testes físicos e clínicos de início de temporada, que darão condições de mensurar e projetar um início de trabalho, saliento a importância destes testes e retestes.

Não acredito em trabalho sem ponto inicial, sem um local de partida. Portanto, os testes apresentam uma radiografia, um norte de onde estamos, para onde podemos ir, ou vamos; quais recursos poderão ser utilizados e de que maneira faremos para atingir os resultados almejados para o período e ainda qualificarmos a equipe e ganharmos tempo para aprimorar o modelo de jogo pretendido pelo treinador no início do trabalho.
 

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Sobre os retestes, minha posição é clara: temos que aplicar os mesmos da pré-temporada e que estes possam ser realizados durante a competição sem prejuízos físicos aos jogadores em meio à competição. Portanto, cuidado, clareza e bom senso nas escolhas dos testes para aproximarmos do ideal os resultados e qualificarmos nossas informações e dados. Dados que, quando bem coletados, não mentem, nos protegem e nos fazem ter a certeza de que não existe milagre. Existem, sim, é trabalho e conhecimento por parte destes profissionais.

Após deixar claro minha posição em relação aos testes, vou falar da sequência do trabalho. No momento, não acredito em outra alternativa: desde o início dos trabalhos deve haver a utilização de exercícios com bola que contemplem a intenção de jogo do treinador, a postura com e sem bola dos atletas, ambição da equipe e principalmente em nossa área, atividades que atendam à melhora da condição física. Exercícios que atinjam e contribuam para evolução da resistência, força e velocidade. Valências físicas pertinentes ao atleta de futebol.

Com esta postura, nós, preparadores físicos, precisamos buscar qualificação, entendimento, quebrar paradigmas, porque acredito que estamos de frente para uma nova situação e posição dentro das comissões técnicas. Talvez estejamos virando auxiliares ou, se preferirem, como já escutei, treinadores adjuntos. Sem sair de nosso quadrado, lembrando que existe um chefe de equipe e seu auxiliar principal e que nosso trabalho é de qualificar suas decisões.

Não percamos o norte! Independentemente de qual seja a terminologia dos preparadores físicos, teremos dados e informações muito preciosos aos treinadores principais. Poderemos realizar trabalhos nos quais os técnicos poderão observar e adiantar suas conclusões. Junto com auxiliares técnicos ganharemos tempo, deixaremos nossos trabalhos mais específicos – acredito que desta forma a possibilidade de erro diminui e a qualidade de trabalho e condição técnica, tática, física e de concentração da equipe melhora, cresce!

Portanto, a extinção dos preparadores físicos está longe de acontecer, porém, devemos estar atento às modificações que o mercado apresenta para contribuirmos mais para a qualificação do futebol de alto rendimento dentro das equipes.

Se você é partidário a este lema “Jogador joga, treinador treina e preparador prepara!”, estamos em outra vibração profissional. Talvez uma conversa ou um café possa aproximar nossas ideias…

Abraço a todos e até a próxima!

*Marcelo Duarte é preparador físico de futebol profissional com passagens por clubes como G.E. Sapucaiense, E.C. Cruzeiro/RS, Porto Alegre F.C. Riograndense F.C. Atualmente é Preparador Físico do Inter, de Santa Maria-RS.

No seu trabalho, utiliza técnicas e ferramentas da complexidade humana, coaching esportivo e comportamental para desenvolver valores, qualificar e elencar qualidades de suas equipes.

Contato: marcelo.duartesports@gmail.com www.twitter.com/tmarceloduarte

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Futebol e religião: de volta para o futuro

Fico imaginando o motivo. Talvez a proximidade do final do Campeonato Brasileiro esteja na base do acirramento das manifestações de fé, tanto dos jogadores como dos torcedores. Afinal, uma ajudazinha divina nesta fase do campeonato seria muito bem-vinda…

Ou então a simples compreensão de que Deus é brasileiro e, sendo, natural que esteja atento aos acontecimentos futebolísticos tupiniquins… Daí a entender que também Ele tem preferência por um determinado time – o meu, o seu, o nosso – é um pulinho…

Se buscarmos uma explicação tão mais complexa quanto mais distante dos apaixonados esportistas, talvez encontremos na Indústria do Entretenimento de Adorno ou na Sociedade do Espetáculo de Debbord as explicações procuradas…

Aí, então, resolvi escrever sobre o assunto, mas da decisão de fazê-lo à sua materialização dei conta de meu desconhecimento do tema. E se não bastasse esse arranhão na minha auto-estima, me vi diante de crônicas escritas neste milênio que adoraria ter escrito…

Só me restou a sensatez de reproduzi-las neste espaço…

Lendo-as, vocês verão quão atuais elas soam, e se ajudarem a recolocar o imbróglio em pauta, terá valido a pena…

Começo com uma escrita por Eugenio Bucci, no início deste século XXI, publicada na Folha de São Paulo em 07 de julho de 2002. Sigo com ele mesmo, 15 dias depois (21 de julho), tecendo comentários sobre a repercussão dela junto aos leitores daquele diário…

Em seguida, salto sete anos no tempo e lhes apresento duas outras – a segunda, do mesmo jeito que a do Bucci, falando da repercussão da primeira – de Juca Kfouri, publicadas respectivamente em 30 de julho e 02 de agosto de 2009.

Fiquem com elas e digam se me enganei em meu juízo acerca da atualidade da reflexão…

————-

I belong to… pelo amor de Deus!

EUGÊNIO BUCCI

“CREDO EM cruz! Ao final daquela partida lá, aquela tal de domingo passado em que o Brasil se sagrou campeão depois de ganhar da Alemanha, uns jogadores arrancaram a camiseta oficial da seleção brasileira e, por baixo, tinham outra. Sim, vestiam outra camisa por baixo da camisa que vestiam. E essa outra camisa era merchandising religioso. Uma delas trazia a seguinte mensagem: “I belong to Jesus”. Oh, God. Eu me lembrei de Ella Fitzgerald cantando “my heart belongs to daddy”, da música de Cole Porter, e senti que a voz da cantora era mais angelical. Um segundo futebolista, este mais alto, preferiu outros dizeres: “Jesus (coraçãozinho) you”. Incredible! Qu’é qu’é isso, Cafuringa? Nos rescaldos da final de campeonato, a tela da Globo se converteu, de súbito, numa incomensurável tela da Rede Record. Aquilo virou um megaculto da Igreja Universal.

Há quem tenha visto espontaneidade na comemoração dos canarinhos. “É o jeito brasileiro”, diziam os animadores esportivos de sempre. O que é exatamente o “jeito brasileiro”? Dizem que é o “improviso”, a “descontração”, a “alegria” que “éééééé…. duBrasil!” Tocaram lá a musiquinha que fazia fundo para as vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1. Tentaram esconder a figura insistente de Ricardo Teixeira, o dono da taça, enquanto o pessoal chorava. Tentaram em vão. Teixeira acabou dando entrevista em destaque e tudo virou um grande carnaval sem culpados. Vai ver que isso tudo junto é o “jeito brasileiro” de ser, mas há mais no meio da bagunça. Há algo que não tem nada de Brasil e que tem tudo de não-Brasil. Religiões eletrônicas, que se promovem pelos meios de comunicação de massa e que são fábricas do dinheiro de poucos e do gozo das multidões, são um fenômeno da indústria cultural em moldes americanos. São tão brasileiras quanto a Nike. O que aqueles atletas encenaram no meio do gramado não foi uma inocente expressão de fé (coisa que também não tem pátria, graças a Deus), mas uma descarada jogada de marketing. O que se manifestou no episódio não foi o Espírito Santo, mas uma propaganda diabólica.

Nós, brasileiros, já temos de suportar a marca de patrocinadores na camisa que deveria representar apenas uma nação. Já é um desaforo. Agora existe aí a modalidade da propaganda infiltrada. E parcial. Já que isso vale, por que propaganda só de Jesus? Por que não de Xangô? E por que não de Buda? Aqueles atletas que vestiram a camisa do Brasil tendo outra por baixo eram os homens-bomba do simbólico. Não levavam explosivos propriamente ditos, mas, disfarçados de futebolistas brasileiros, esconderam sua verdadeira camisa até o instante final, quando então “explodiram”: eram propaganda contrabandeada. “I belong to Jesus”, ora, por favor. E a gente aqui achando que o sujeito pertencesse ao time do Brasil, que ele representasse o país.

A fusão da religião com a TV é tão antidemocrática quanto a fusão entre Estado e Igreja. Transformado em espetáculo, o discurso religioso ensandece, invade as esferas individuais e ganha tons totalitários. É bem possível que os homens-bomba do simbólico pretendam que esse “Jesus” de suas camisetas seja unânime, total, compacto e que, portanto, jamais possa ser visto como “penetra” na festa de ninguém. Ai de quem for contra “Jesus”, eles proclamam. E pronunciam o nome com força, com tanta força que a palavra soa estranha, soa “Xessôs”, como se fosse nagô. Como se fosse a serenidade se transformando em fúria. O amor em ódio. A fé em fanatismo.

Enquanto isso, pobre de quem acreditava que o Estado fosse laico. Pobre de quem acreditava que a seleção brasileira representasse os brasileiros de todas as religiões. Pobre do torcedor. Esses propagandistas dissimulados. Na próxima Copa, que façam comercial do diabo de uma vez.”

O ateísmo como direito

EUGÊNIO BUCCI

“HÁ DUAS semanas, critiquei os jogadores da seleção que fizeram merchandising religioso logo após a vitória sobre a Alemanha. Argumentei que, ao “desvestirem” o uniforme oficial para revelar outra camiseta, que traziam por baixo, com slogans de uma causa religiosa, eles se aproveitaram da visibilidade pública conquistada pelo time nacional para promover convicções particulares. O que é indevido e invasivo. O Brasil é um Estado laico: nenhuma função de representação do Brasil pode ser apropriada por uma forma de fé. Não é democrático. Mesmo que essa fé congregue 99% da população, não é democrático. A minoria não pode ser excluída nesses momentos de representação nacional. Quando transformaram a festa do pentacampeonato num evento de divulgação de culto qualquer, esses jogadores usurparam a camisa oficial que trajavam. Ato contínuo, excluíram das comemorações os brasileiros que não partilham do mesmo culto.

Como era de esperar, recebi mensagens de protesto. Na verdade, nem foram tantas. Não mais que 30. O que me chamou a atenção foi que 90% delas vinham de leitores verdadeiramente indignados. Eram textos violentos que, em resumo, acusavam-me de preconceituoso. Em respeito aos que me escreveram, aos quais sou grato, em respeito ao conjunto dos leitores e, finalmente, às opções espirituais de cada um, volto ao assunto. O meu objetivo é deixar claro que não é preconceito o que me move. Minha crítica não é contra religião nenhuma: é contra o marketing oportunista de religiões que vem se repetindo na TV.

A fé, todos sabemos, deixou de ser “uma questão de opção de foro íntimo”, como se dizia antigamente, e passou a ser um segmento da indústria cultural. Não se trata de um fenômeno “evangélico” ou “católico” ou “protestante”: as seitas eletrônicas têm raízes nas mais diversas tradições místicas; o que as distingue não é a tradição a que se filiam, mas sua prática discursiva, perfeitamente adaptada ao show de TV. A Rede Record é uma expressão desse fenômeno no Brasil. Padre Marcelo, com as suas especificidades, também é. A fé se tornou uma modalidade do espetáculo, com as va
ntagens e desvantagens de comunicação (sagrada ou profana) que isso acarreta.

As teleigrejas se manifestam (e existem) como propagandas de si mesmas. Para elas, a propaganda não é a alma do negócio: a propaganda é sua razão de ser. É de sua natureza a propensão a ocupar todos campos da visão social. Acreditam que, assim, cumprem seu papel e exercem seu direito. Muitas vezes, porém, invadem o direito de outros e seus fiéis mal se dão conta. Um atleta que se declara diante das câmeras como alguém que “pertence a Jesus” está apenas exercendo o direito de professar sua fé. Mas, quando ele se furta à representação oficial da qual foi incumbido, a de vestir o uniforme da seleção brasileira, num evento oficial, e se aproveita das câmeras para promover um determinado culto, comete um abuso. E exclui, com esse gesto, os outros brasileiros que porventura não comunguem da mesma fé. Mesmo sem querer.

Vivemos uma era de multiplicação de teleigrejas. Deveriam ser tempos mais plurais, mais arejados, mas não são. Ao contrário, são tempos de intolerância. A fé que só existe como espetáculo supõe-se um sentimento total e não admite contestação. A simples idéia de que não há unanimidades nem Maomé, nem Buda, nem mesmo Cristo é entendida como uma hedionda heresia pelas teleigrejas. A mera existência de um ateu se torna uma ofensa. Apenas para efeitos de raciocínio, imagino a seguinte cena: após a vitória do Brasil sobre a Alemanha, um jogador abre um estandarte onde se lê “Viva o ateísmo!”.

Provavelmente seria expulso de campo. E, no entanto, não estaria cometendo uma deselegância pior do que essa que foi cometida pelos propagandistas de Jesus.”


Deixem Jesus em paz

JUCA KFOURI

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

“MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou.

Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.

De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.

Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus…”


Jesus é uma farsa!

JUCA KFOURI

Como reagiriam aqueles que defendem o merchan religioso nos gramados se alguém vestisse a camiseta acima?

“IMPRESSIONANTE como muita gente lê o que quer e não o que está escrito.

Fora, é claro, o preocupante analfabetismo funcional e a conhecida demagogia dos que pegam uma caroninha em tudo.

Houve quem visse tentativa do colunista em cercear a liberdade religiosa na coluna passada. Desafia-se aqui quem quer que seja a demonstrar uma vírgula sequer neste sentido.

Reclamou-se, isso sim, da chateação que o proselitismo religioso causa em quem quer apenas ver um jogo de futebol, ao mesmo tempo em que se defendeu que cada um se manifeste como quiser nos locais apropriados.

Houve também quem não se lembrasse de ter lido aqui manifestações contra atletas que fazem propaganda de cerveja.

Para esses só resta indicar memoriol, porque não só são criticados os esportistas que fazem propagandas do gênero como, também, quem usa espaço esportivo para tal, seja ou não jogador.

E não me venha ninguém dizer que os tais atletas de Cristo são bons exemplos neste mundo de pecadores, pois basta olhar para Marcelinho Carioca e ver que as coisas não são bem assim.

E que fique claro que o colunista gosta, muito, de cerveja, assim como inveja os que creem, porque deve ser uma boa muleta para suportar as agruras da vida e para alimentar a esperança da compensação de uma vida eterna.

Posso garantir, no entanto, que nem mesmo nos momentos limites que já vivi apelei a alguma força superior que me salvasse. E não foi para ser intelectualmente coerente.

Mas chega a ser divertido ver um político que tem crescido feito rabo de cavalo, para baixo, conhecido por sua homofobia, sinônimo de preconceito, querer dar lição de moral, como um obscuro ex-deputado federal, hoje apenas vereador, que buscou alguns votinhos adicionais ao entrar na polêmica.

Polêmica que rendeu coisa de 120 mensagens eletrônicas de leitores desta Folha para minha caixa postal, surpreendentemente a favor da coluna, coisa de 80%, embora índice compreensivelmente menor de aprovação do que nos quase 500 comentários no blog.

E aí é motivo de satisfação constatar que só a esmagadora minoria não é capaz de entender a ironia da frase “Deus prefere os ateus”, usada no fecho da coluna.

Aos que pediram que a coluna se limite ao futebol, um aviso: não há nenhuma atividade humana que não possa ser relacionada ao futebol, razão pela qual o espaço seguirá sendo preenchido desse jeito.

Finalmente, uma ponderação óbvia: deixar o campo de futebol para que nele se dispute só o jogo acaba por proteger os fundamentalistas de algum herege que vista uma camiseta com os dizeres do título desta coluna, ali escritos apenas à guisa de provocação.

Já imaginou?

Seria uma delícia ver a reação dos que brandiram até a Constituição, que garante a liberdade religiosa, como se o colunista tivesse agredido seus princípios…”
 

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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O futebol pode aprender com as inovações olímpicas

Olá, amigos!

Nesta última coluna do ano, aproveito para fechar mais um ciclo com algumas considerações do que virá pela frente.

É um ano de Olimpíadas, e em termos tecnológicos sempre surgem novas perspectivas para a preparação, análise, espetáculo e consumo esportivo.

Sempre digo que o futebol deve observar muito os demais esportes, para tirar lições sobre o uso da tecnologia para seu próprio desenvolvimento.

Quem trabalha no meio consegue ver mudanças em se comparando com três ou quatro anos atrás. O avanço é até significativo se considerarmos o ponto de partida baixo. Porém quando comparamos com outros esportes, a diferença se torna esmagadora, sobretudo no aspecto voltado ao desempenho do atleta.

Mas aí temos uma boa noção do porquê. Não basta olharmos as demais modalidades e copiar alguns elementos voltados a questões das capacidades físicas. Estas são facilmente incorporadas, porém tanto neste caso, como em outros, é imprescindível considerarmos a especificidade de cada esporte.

E no futebol é algo relativamente novo em se comparando a outras modalidades. Hoje, com os avanços dos estudos sobre o modelo de jogo no futebol, já é possível pensar em tecnologias que auxiliem neste processo de identificação e mensuração.

E é isso que precisamos entender no processo todo: os recursos não vão simplesmente mapear o futebol, e é necessário que os estudiosos definam e caracterizem a modalidade, os fatores preponderantes de sucesso, para enfim poderem intervir e desenvolver ferramentas que auxiliem no processo de treino, de planejamento, de gestão técnica e de desempenho na modalidade.

Assim, quando me refiro a observar e aprender com os outros esportes, é justamente em relação à questão de vanguarda que alguns deles têm em relação ao futebol. Mas jamais podemos fazer uma simples transferência de tecnologia: é necessário adequá-la e, para isso, necessitamos de estudos e bons profissionais que realmente aprofundem os fatores determinantes do jogo e consigam transferir isso para que a tecnologia possa ser benéfica e, sobretudo, eficiente.

Que neste ano olímpico possamos aprender e extrair informações valiosas com as novidades que surgirão.

Para todos os amigos que nos acompanharam ao longo do ano, desejo-lhes um grande 2012, repleto de sucesso, paz e sobretudo felicidade.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br